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“MP não fez nada. Mulher morreu 37 dias depois de ter apresentado queixa” é o título do público. Ler na íntegra a notícia é um choque. Como é possível que tudo continue na mesma apesar de existir legislação. Como pode tudo continuar na mesma quando a violência sobre mulheres é uma constante e os números são arrepiantes. Como pode a justiça assobiar para o lado e deixar as vítimas indefesas. Tanta polémica sobre as notas de um processo judicial com referência à Bíblia e a um machismo que atenua uma condenação e ainda continuamos a assistir a casos destes por incúria da justiça. Sofre a justiça de maus tratos. Quem pode numa situação como esta garantir a proteção da vítima. Quem pode acabar com a burocracia processual para que as vítimas estejam em primeiro lugar. Qual a sensibilidade de quem analisa, julga perante um caso destes. A sociedade tem obviamente as suas culpas. Sabe. Ouve. Fala. Cala. Não faz queixa. Não chama a autoridade. Todos sabem. Sempre souberam. Encobrem com é um bom rapaz, trabalhador. Foi o caso. O assassino entrou no café e disse que matou a mulher e ninguém acreditou. Como podem as vítimas acreditar na justiça sem sofrerem consequências piores.

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CANSADA - O NOVO HINO

por Manuel Joaquim Sousa, em 10.03.15

(Fonte:Youtube)

"Estou cansada" assim é a música, o novo hino da APAV interpretado por oito vozes - Aldina Duarte, Ana Bacalhau, Cuca Roseta, Gisela João, Manuela Azevedo, Marta Hugon, Rita Redshoes e Selma Uamusse -, letra de Rodrigo Guedes de Carvalho e arranjos, produção musical, piano de Filipe Melo e com participação da Orquestra Sinfonietta de Lisboa.

O Dia da Mulher foi lembrado ontem - concordando ou não  -, mas é importante que continue a ser lembrada todos os dias porque todos os dias há vítimas de maus tratos, violência doméstica e mortes. Muitas mortes que poderiam ser evitadas, não fossem muitas mulheres sujeitas à estupidez de companheiros e apaixonados.

Há um duro caminho para evitar mais violência e mais mortes. Há que transmitir apoio e força a estas mulheres que não sabemos se conhecemos porque muito se passa dentro de portas à margem da sociedade. Esse silêncio é perigoso e infelizmente chega a ser definitivo.

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UM MURRO NA MESA CONTRA "VOU-LHE USAR"

por Manuel Joaquim Sousa, em 01.12.12
(fonte: Youtube)
http://www.facebook.com/DarUmMurroNaMesa


Por vezes, vejo episódios da telenovela “Gabriela” e surpreendo-me como, em tempos antigos, a mentalidade das pessoas era tão fechada – fechada em conceitos que a sociedade determinava como verdades instituídas.
Se há expressão que me dá nojo e mesmo arrepio pelo significado que carrega é a de coronel Jesuino: “Se prepare que eu vou-lhe usar” – pronunciada quando pretende fazer sexo com suas esposas. Esta personagem tem no seu historial a morte da sua primeira esposa - apanhada em flagrante com um amante – do qual goza da completa imunidade e impunidade pelo crime cometido, tido como defesa da honra e bons costumes, ainda que este fosse frequentador de casas de prostituição; para além das constantes ameaças de morte da sua noiva, caso na noite de núpcias não sangrasse – a esposa teria de ser virgem. Para além desta personagem, existem outras que demonstram total desprezo pela mulher e com cenas de violência por atos das quais não tinham qualquer culpa.

Isto trata-se apenas de ficção – eu sei. Porém, ainda que distantes do tempo descrito na telenovela, estamos ainda muito próximos em formas de pensamento e atitudes – o que seria uma representação do passado ainda acontece. A violência doméstica existe, expressasse em números gordos, é considerada como um crime, mas ainda está muito escondida na sociedade. Existe medo das vítimas em denunciar a violência de que sofrem por temerem a sua vida. Tantas vezes as culpas das marcas físicas da violência são atiradas para os armários de casa, contra quem se bate muitas vezes, deixando que os agressores sejam impunes pelos atos cometidos irracionalmente.
Quantas vezes as mulheres são usadas sexualmente contra sua vontade?

Falamos do sofrimento das vítimas “diretas” da agressão, mas existem as vítimas que presenciam a tudo o que se passa na vida familiar e que psicologicamente ficam afetadas de forma profunda e, muitas vezes, para o resto da vida – memórias que os tempos não apagam.

O silêncio é a arma do agressor. É tempo de um murro na mesa.  

 

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