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POLÍTICOS, POLVOS E A RAIA PEQUENA

por Manuel Joaquim Sousa, em 25.09.12

A política tem tanto de bom como de mau. Tanto é responsável pelas coisas boas deste mundo como pelas coisas piores que se possam imaginar. Tem pessoas de uma grandeza pessoal como tem das pessoas mais podres e mais horríveis que se possa imaginar.

A Política é mais uma espada de dois gumes; ou se gosta ou se odeia. Ela estraga o mundo e a sociedade, mas ao mesmo tempo sem ela nada se faz e nada se decide, para a evolução da terrinha, da freguesia, do concelho, da cidade, do país e do mundo.

 

O problema é que a noção de que a política é importante para a nossa evolução é cada vez menor, devido à descrença que esta tem provocado na nossa sociedade. Enquanto, antes se vibrava por um bom comício, por um bom debate, hoje são poucos os que assistem e que perdem tempo - a não ser que haja qualquer outra coisa em troca. Enquanto antes o país parava para ouvir uma declaração do Primeiro-Ministro ou do Presidente da Republica, hoje as declarações passaram a meros diretos televisivos com cada vez menos influência - a pouca influência que ainda tem deve-se ao facto de existirem alguns comentadores políticos em programas temáticos que vão analisando e debatendo o assunto.

Os comícios passaram a ter cada vez menos gente porque os discursos passaram a ser meras críticas e trocas de acusações pessoais e deixaram de debater e apresentar ideias, deixaram de ter a verdadeira ideologia partidária para uma mera propaganda publicitária vazia de conteúdo e de princípios. Muitos sabem que, no final de um comício, as grandes verdades declaradas são esquecidas devido às conveniências do momento. Poucos são os que vão a um comício e triste é ouvir dizer que esses estão lá a agitar a bandeira do partido por conveniência própria e na procura de um favor.

 

A política depende dos votos da raia pequena que existe de norte a sul do país, mas decide-se junto dos polvos cada vez mais gordos que não governam na política, mas que comandam a economia e decidem o querem fazer. As decisões anunciadas por um Governo são as decisões tomadas pelos polvos, que sugam a raia pequena e dos quais depende essa raia.

Já no Sermão de Santo António aos Peixes, se falavam dos polvos e parece que passados séculos eles ainda continuam por aí, de forma escondida, mas ativos e capazes de cativar aqueles que lhes interessam.

 

É neste ponto, do negócio entre políticos e polvos, que a classe política atinge o seu lado mais negro e as ideologias partidárias e muito anunciadas nas campanhas são esquecidas para benefício próprio. Passados quatro anos ou se as coisas não correrem muito bem, os elementos da classe política encontram nos polvos forma de subsistência própria, enquanto que, a raia pequena fica à mercê de mais uma crise e de um futuro hipotecado.

Triste vive um país quando tem de conviver com este mundo bem frente aos seus olhos, mas nada poder fazer. Nada pode fazer porque se acomoda no seu canto e se levanta na altura em que o candidato anda pelas ruas a distribuir mais um beijo e mais um abraço. Triste vai a política e mal vai a democracia quando chegamos a este ponto.


Ainda se está para acreditar que a revolta popular perante os acontecimentos políticos e económicos do presente sejam motivos de revolta pura, para a mudança de consciência da raia pequena.

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