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BLOGUE DO MANEL

A vida tem muito para contar e partilhar com os demais. Esta é a minha rede social para partilhar histórias, momentos e pensamentos, a horas ou fora de horas, com e sem pés nem cabeça. Blogue de Manuel Pereira de Sousa

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PODERIA DEUS PERDOAR JOSÉ SARAMAGO?

Manuel Pereira de Sousa, 16.03.11

Por: Manuel de Sousa
manuelsous@vodafone.pt


 


Na possibilidade da existência de Deus, que na perspectiva de José Saramago não existe, mas que estava presente nas constantes declarações públicas e em algumas das suas obras, poderia este homem ser perdoado por Ele?
Mas perdoado do quê propriamente? Que pecados cometeu este homem para se condenado eternamente?


É certo que Saramago não foi muito meigo para com Deus e são conhecidos os sucessivos ataques em termos filosóficos contra o Ser Sobrenatural e contra a religião, que é o ópio do povo ao tentar limitar a visão dos terrenos em relação ao mundo. José Saramago tentou ao longo das muitas páginas que escreveu desacreditar Deus e preocupou-se em contradizer o próprio Deus, detentor de sabedoria. Procurou a contradição entre os actos e os ensinamentos escritos nos textos sagrados. Fez a sua crítica num exercício de inteligência e cuidada, de forma a serem encontrados o mínimo de pontos possíveis de discórdia. Mas, como em todas as filosofias, há sempre por onde se contrariar as posições e as teorias, sendo a maioria dos debates estéreis e que não chegam a lado algum, mas confesso que muito interessantes e bastante curiosos.


É certo que Deus foi muitas vezes ofendido nos textos de ficção coberto de verdades e de pensamentos válidos. Mas, Deus não se deve sentir ofendido quando alguém, na sua liberdade de opinião, questiona a Sua existência; afinal não O vemos. Quiçá Saramago não estaria a fazer um teste de resistência e tolerância ao Deus, para testar a sua passividade?
Se Deus existe não esteve muito preocupado com as acusações e heresias de Saramago, caso se sentisse incomodado teria sido sanado, de forma breve e livre de qualquer suspeita. Afinal, Saramago morreu velho. Se esse Deus, supostamente mau para o escritor, se sentisse em perigo, teria impedido as mentes ordeiras de comprar as suas obras.
Não esperaria que às portas da morte José Saramago renunciasse às suas críticas e na agonia pedisse perdão e se convertesse. Não, este homem não renunciaria aos seus princípios e às suas interrogações ou acusações. Talvez por isto seja admirado.


Apesar de tudo, o Senhor foi bom para ele e, se calhar, disso poderá ficar grato ou então andará o mundo enganado e a debater algo sem qualquer sentido de existência e que apenas serviu para entreter as pessoas.
A Igreja Católica terá capacidade perdoar Saramago? Desconfio que isso não seja possível, se de facto o sentir como culpado. Apesar de reconhecer a capacidade de inteligência do escritor, não desarma das suas críticas contra o Marxismo de Saramago.
Mas seria apenas a Igreja Católica a única visada das suas críticas? Não apenas, todas as religiões foram atingidas de um acerta forma, se bem que as críticas se dirigiram com muito maior força contra o Catolicismo, afinal a sua cultura estava banhada de Cristianismo como costumava a dizer. Apesar de tudo, esteve livre de ameaças pelo facto de ser crítico e austero nas suas posições radicais, coisa que em relação ao Islamismo seria preocupante e certamente que a vida de Saramago correria sérios riscos.


Mas, no fim de contas, José Saramago não estava à espera de ganhar o céu, este contenta-se com o fim da vida terrena sem continuidade para qualquer outro lado ou estado de espírito. Não se preocupou na perfeição, mas na coerência das suas palavras, existisse ou não um Juiz Superior para o julgar para o bem e para o mal. Morrer em tranquilidade deve ter sido o seu desejo, estivesse ou não com Deus do seu lado na hora da verdade. De qualquer forma, como já tive a oportunidade de escrever anteriormente, este tornou-se num ser imortal que ficou e ficará na memória de muitos apreciadores ou não e será imortalizado pelas obras que deixou. Quiçá um presente de Deus pela sua inteligência, acutilância e ousadia de chamar à razão da verdade as mentes adormecidas. Entre os que acreditam num Ser Superior e os que não acreditam, certamente que muitos agradecerão pelo facto de Saramago ter ajudado a reforçar posições, filosofias, pró ou anti-religião. Se de facto foi capaz de o fazer, é digno de uma imortalidade, quem sabe concedida por Deus.


 


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