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Por: Manuel de Sousa
manuelsous@vodafone.pt

Dia 6 de Abril de 2011, será uma data que ficará na História de Portugal, como a data em que o Governo, de José Sócrates, pede ajuda para que seja efectuada uma intervenção externa no país, que vive mergulhado numa crise económica e financeira cada vez mais grave e sem solução à vista.
Ao final de sucessivas semanas e declarações de que não era necessário qualquer intervenção externa, veio dar o dito por não dito e reconhecer que essa ajuda é inevitável e é uma última alternativa que temos disponível para salvar o país. Apesar de, na sua declaração ao país contradizer tudo o que foi dito anteriormente pelo Governo, simplesmente responsabiliza a oposição como se esta fosse responsável pelo pedido de ajuda externa por não ter aprovado o PEC4. Não é compreensível que este executivo demissionário continue a desresponsabilizar-se das suas opções e das suas estratégias na condução do país nos últimos anos.
A necessidade de pagar a dívida pública que vence dentro em breve, a necessidade de injecção de fundos em diversas empresas públicas, tecnicamente falidas, a necessidade de baixar drasticamente o défice público, foram os motivos que inevitavelmente conduziram à decisão tomada hoje. Era inevitável por muito que se adiasse semana após semana.
Apesar dessa ajuda, é também certo que tenham de ser tomadas medidas de austeridade e que os afectados serão os mesmos de sempre.


Haveria necessidade de se chegar a este ponto? Não. Muito poderia ser feito enquanto era tempo, a começar pela gordura do Estado que não preocupou o executivo. A oposição apresentou propostas viáveis? Sim, não foram tidas em conta por não irem de encontro aos interesses de quem estava no poder.
É importante rever as obras públicas e a sua necessidade imediata ao país; evitar os desvios orçamentais das obras públicas; repensar, fundir e encerrar institutos públicos e fundações desnecessárias; repensar a constituição de empresas e organismos públicos onde poderiam existir cortes nas direcções, mordomias, subsídios e afins; cortar nas despesas desnecessárias como cartões de crédito, carros de alta cilindrada e ao serviço permanente de executivos e cargos de topo; cortar nas telecomunicações; cortes nos estudos e mais estudos que nunca surtem em efeitos, práticos; acabar com as Parcerias Público Privadas; cortar nos organismos do Governo tornando mais pequeno e sem tachos desnecessários; obrigar que as empresas como a CP, Refer sejam geridas com responsabilidade e com a responsabilização de que as descapitalizam; cortar subsídios atribuídos sem qualquer justificação ou aqueles que usufruem deles possam e devam desenvolver trabalhar onde o Estado mais precisar destes. São algumas das medidas que podem ser aplicadas no imediato e que levariam a um controlo das finanças públicas, mas ao mesmo tempo para as quais não há coragem de serem aplicadas e evitar os sacrifícios que vêm sendo exigidos aos que menos podem.
O Governo pede ajuda externa e José Sócrates apresenta-se com discurso de vitimização. É necessário falar verdade ao país seja o PS, sejam os restantes partidos de oposição e é necessário que a próxima campanha seja exemplar e realista. Os portugueses atingiram um ponto de exaustão, que poderá resultar numa explosão social da qual se desconhecem as consequências.

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