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ADEUS 1 DE DEZEMBRO

por Manuel Joaquim Sousa, em 02.12.11

Por: Manuel de Sousa


 


Assim acabou… Foi ontem o último dia em que se comemorou a Restauração da Independência de 1640. O 1 de Dezembro deixará de ser feriado nacional – segundo a vontade do governo - a bem da nossa economia para recuperarmos da crise. Dizem que não faz sentido parar a meio da semana para um feriado sem importância, num país em que existem feriados a mais - entre religiosos e civis. Será que existem assim tantos feriados? Será que somos um país que arranjamos motivos para não trabalhar? Será que o 1 de Dezembro não faz qualquer sentido no calendário de feriados?

Os feriados não são assim tantos para o número de dias do ano em que trabalhamos. Não é pela abolição de dois que o país vai ter mais produção e que a economia vai dar um salto desejado. Se bem que os feriados, sobretudo os que calham numa Sexta ou numa Segunda permitem a dinamização da economia porque muitos aproveitam para sair das suas rotinas para outras paragens. O comércio, turismo teriam a ganhar com estes feriados, pois é destes que muitos empregos ainda subsistem em Portugal como bolhas de ar para mais uns trocos na facturação.

Os portugueses ainda são povo que trabalha, desde que organizados e incentivados – compare-se com a qualidade de produção e serviços que existe em Portugal; compare-se com a boa imagem que existe dos emigrantes portugueses. Certamente que o aumento da produtividade se resolve com outros métodos e não com o corte de dois dias a meio da semana num ano de trabalho.


Quanto à importância do 1 de Dezembro, para muitos deve ser relativa, pois nem todos os portugueses sabem o que representa este dia, apenas sabem que é um dia de pausa. O dia da restauração da independência por graça é retirado por não ter importância – afinal a nossa soberania já não existe porque agora pertencemos à Troika e dependemos das decisões dos senhores da Europa. Ficaremos à espera do dia em que novamente recuperaremos a nossa soberania e aí estaremos em condições de criar um novo feriado nacional, que certamente deverá fazer mais sentido para os portugueses - 1640 já lá vai há muito tempo.

Curioso também lembrar que em 1640, altura em que se dá a restauração, Portugal era uma província de Espanha (sob os desígnios da Dinastia Filipina) e vivia numa crise económica que nem os negócios dos descobrimentos estavam ajudar, ou melhor que estavam arruinados com os impostos que éramos obrigados a pagar para manter o império Espanhol. Hoje estamos numa situação semelhante – a História é feita de ciclos – e necessitamos de uma nova restauração para recuperar a soberania que os nossos políticos entregaram em troca de uns fundos.

Enfim… Por muitos votos de protesto que surjam a vontade será inevitável. Adeus 1 de Dezembro.


manuelsous@sapo.pt

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