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A OUTRA FORMA DE VER A MORTE

por Manuel Joaquim Sousa, em 18.09.14

“Intermitências da Morte”, de José Saramago. Um livro que recomendo que se leia. Eu achei fantástico. Terminei há pouco tempo de o ler. Quanto mais perto estava do fim, mais me apetecia continuar a ler e ignorar tudo o resto que estava a acontecer a meu lado. Já alguém, para além de José Saramago, escreveu desta forma sobre a morte? (escrevo o nome da personagem em letra pequena não vá ela revoltar-se) A morte é encarada como a personagem principal do livro de forma perfeitamente natural e sem necessidade de ser a olharmos como um terror de quem nem ousamos ouvir o nome.
Esta obra fez-me pensar em dois pontos de vista. De nada vale tudo fazer para ser imortal porque o caos torna-se maior e o mundo entraria em colapso imediato. Seria o colapso do Estado Social, da economia que depende da morte – funerárias, coveiros, padres, Igreja, medicina – e da população mundial que se tornaria em excesso. No princípio seria uma alegria. Depressa se iria desvanecer. Rapidamente todos os esforços para a conquista da imortalidade seriam enterrados e destruídos. Facilmente muitos gostariam que a morte, em qualquer altura, estivesse presente nas nossas vidas. Caso contrário, ficaríamos condenados a andarmos por aí a cair aos bocados como se fossemos uns zombies.

A outra perspetiva é imaginar quem é ela – a morte. Porque a vemos como um esqueleto envolto de um manto preto, com um capuz, agarrando uma gadanha que utiliza para executar o seu golpe fatal. Porque nos descrevem a figura desta forma? Poderia ser uma personagem mais bonita, apesar do seu ato ser de uma dolorosa misericórdia?

Como traça a morte o destino de cada ser humano? Com que objetivo? Qual a base em que se apoia para condenar alguém? Qual a rotina? Quando terminará os seus trabalho?

A obra de José Saramago permite pensar na morte sem tabus e ajuda a encara-la como um mal menor, apesar de ser um mal maior contra o qual lutamos inutilmente – todos temos o mesmo fim; uns mais cedo que outros.

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