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A MORTE VENDE MAS NÃO ESTÁ À VENDA

por Manuel Joaquim Sousa, em 27.02.11

Por: Manuel de Sousa    
manuelsous@vodafone.pt    

A morte vende. Esta é a conclusão a que chegam muitos especialistas da comunicação social. Vende a morte por homicídio ou simplesmente a morte de um famoso. O público interessa-se e a procura de informação aumenta consideravelmente, a ponto de se esgotarem as inúmeras edições de jornais e revistas e aumento de audiências nas várias plataformas de jornalismo.   
Mas, até que ponto tal importância à morte de alguém pode ser considerado ético e com importância de notícia de destaque e tão esmiuçada?   
Efectivamente a morte não deveria ter mais destaque e os media deveriam limitar-se às informações do que aconteceu, porém, o público interessa-se pelo que aconteceu e pretende sempre saber mais e mais pormenores, enquanto que, todos os testemunhos e histórias são insuficientes para esse público exigente e sedento. Como é obrigação dos jornais informar e satisfazer os interesses do público, terão que dar todo o destaque necessário, correndo o risco de se tornarem sensacionalistas e inoportunos. Os que mais criticam esta forma de actuação são, na maioria dos casos, aqueles que consomem este tipo de informação e que se encontram em fase de exaustão e em que a produção jornalística já não tem mais por onde dissecar e, por isso, entrar por um ciclo vicioso.   
O que motiva o interesse pela morte? Tudo. A forma como aconteceu e quanto mais dramático forem os factos, maior importância terá. As pessoas envolvidas, quanto mais populares e conhecidas melhor para aumentar o interesse e para se encenarem tantas histórias quanto possíveis. Quando a morte afecta uma figura pública, existe o carinho e a proximidade dos admiradores que procuram toda a informação disponível por questão de proximidade que estabeleceram de forma anónima ou até como forma de homenagem e conservação da memória.   
É impossível conhecer a fronteira da ética e interesse jornalístico quando se depende de um público exigente e meticuloso. Por esta razão, o jornalismo convive inevitavelmente com o sensacionalismo e conhecer a fronteira entre o que é notícia e o que não é varia de pessoa para pessoa.

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