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Não digam nada a ninguém. Segredo absoluto. Eu vou comprar a RTP.
Aquela ideia maravilhosa (que os portugueses estão a gostar) do Sr. Dr. António Borges achar que se deve dar a concessão da RTP para uns 15 a 25 anos foi minha. Pensavam que lhe tinha saído da cabeça? Mentira. Fui eu que lhe dei o toque, assim num daqueles jantares de negócios à grande, com um bom vinho a acompanhar para convencer o homem a lançar a ideia deste negócio.

Foi um grande negócio. 20 Milhões de Euros de lucro por ano já dá um certo jeito – 260 milhões das contribuições pagas na fatura da EDP mais uns 40 milhões em publicidade e gastos de 180 milhões – e não tenho de ter muito trabalho porque esse é garantido. Eu se calhar até consigo gastar menos que os 180 milhões de Euros; basta que contrate pessoal a ganhar o salário mínimo, renegoceio os salários das estrelas televisivas, mais a ajuda de alguns que estão pelo rendimento mínimo (já que agora têm de fazer trabalho para a comunidade, que seja para a RTP – que trabalha para a comunidade) e devo conseguir fazer televisão por 100 milhões. Destes 100 milhões já estou a contar com o ordenado de eventuais contratações por troca de favores (sabem como são estas coisas dos negócios, é em qualquer lado).

Quanto à questão de acabarem com o Canal 2, ainda estou a ponderar. Se calhar, para diminuir a pouca discórdia que existe por aí, fico com ele e arranjo uma programaçãozita que dê para as minorias culturais (pelo menos é o que dizem os especialistas – são poucos os que sintonizam). Falo com as Universidades para produzirem conteúdos a título gratuito, só para fazer alguma divulgação destes jovens, que querem muito mostrar que produzem com qualidade.

Quanto à programação dos restantes canais é um assunto a pensar com calma. Vou pôr no ar o que der mais audiência, para manter o mercado publicitário assegurado - não podem haver fugas de anunciantes para a concorrência. Estou aberto a qualquer tipo de ideias (baratas) para programas com interesse para as massas e que ponha as pessoas por aí a falar da RTP como se não existisse outra estação de televisão. Programas/concursos como: Maratona às promoções do Pingo Doce; Quem foge mais aos impostos; Quem pede mais faturas; Quem consegue apertar o cinto e Quem acerta no preço da gasolina. Acho interessante estimular a produção nacional com séries e telefilmes: Apanhem o gangue dos multibancos; Paixão pela Troika; Justiça Penosa; Guerra dos submarinos. Programas semanais de economia e educativos como: A venda do que é nacional; Os estudos de Relvas. Como podem concluir, todos têm a ganhar com a concessão da RTP.

Mas, para já, não contem a muita gente, para ver se fazemos isto sem grandes alaridos porque isto de PPPs é “sete cães a um osso” e não quero pagar muitos favores.

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A BRANCA TELEVISIVA

por Manuel Joaquim Sousa, em 26.08.12

Em tempos que se fala da RTP e da concessão de serviço público, deixo-vos um texto escrito na sequência da polémica sobre as audiências medidas pela nova empresa responsável e que é seriamente criticada pelos Operadores de Televisão.

Terça-feira, 17h25m, alguém pega no comando da televisão e muda de canal. A acção deste alguém multiplicada por 247800 pessoas, que também assistiam ao programa do “Portugal no Coração”, da RTP, deixaram o primeiro canal sem qualquer espectador em antena. Instala-se o pânico na Estação Pública porque todos os espectadores mudaram de canal.
O que aconteceu? Porquê esta mudança? Foi um acto combinado? Uma forma de protesto? Contra a venda do canal? A programação da Estação Pública não está a corresponder às expectativas?

Enquanto o programa continua na sua normalidade, o colapso na sede da RTP provoca correrias nos corredores, entradas e saídas nos gabinetes, telefonemas em tudo quanto é telefone, e-mails para e do Conselho de Administração; tudo gira em torno da branca televisiva.
Para além do pesadelo na RTP, já os outros Meios de Comunicação Social concorrentes, imprensa e rádios noticiam o sucedido; nos sites, Blogosfera e redes sociais são aos milhares os comentários. Em instantes, o país fica em suspenso, mas ninguém, uma alma sequer, premiu o botão do comando do primeiro canal, para ver a emissão que continuou normalmente. 
Fazem-se os primeiros balanços dos prejuízos, 12,9 milhões, um valor provisório, que dependerá das consequências que as marcas dos espaços publicitários desencadearão com este apagão. Está tudo comprometido; o programa que contratou meios e que terá de os pagar; as marcas que contrataram aqueles minutos específicos para publicidade; o canal que não pode avançar para intervalo porque não vai passar os spots publicitários sem espectadores em antena.


A esta hora, o Governo reúne-se de emergência. O canal público que está à venda tem o seu valor comercial em causa e que tenderá a desvalorizar. O Ministro das Finanças está preocupado porque o encaixe da venda do primeiro canal será revisto em baixa no défice. O Primeiro-Ministro faz uma primeira declaração ao país, para estabilizar os ânimos e os mercados. O súbito “apagão” agonia os portugueses, que já pensam nas possíveis medidas extraordinárias que serão tomadas, para compensar as perdas.
Enquanto o Governo continua reunido, o plenário da Assembleia da Republica aquece com a habitual troca de acusações entre a direita e uma esquerda assanhada - no imediato atiram responsabilidades aos grupos económicos interessados no canal em moeda barata.
Nos cafés, as discussões mantêm-se acesas entre os que defendem o serviço público e os que desejam a privatização de um canal em tempo de contenção de despesas; mas nem por isso, ninguém, uma alma sequer, pega no comando para ver a emissão do “Portugal no Coração”.
Os canais de notícias desdobram-se em debates com comentadores de serviço e directos televisivos; os generalistas exploram a tragédia e o horror nos talk shows da tarde.

Apenas num único lugar há silêncio: no Palácio de Belém. O Sr. Presidente Cavaco Silva mantém o silêncio.
Na RTP mantém-se o caos. Normalidade apenas no estúdio. 

São 17h55m, o primeiro canal passa a ser visionado, nesse preciso instante, por 295700 espectadores. O país respirou de alívio.
Pelos vistos a RTP descobriu que se tratou de um erro técnico por parte da empresa responsável pela medição de audiências.


(Este texto trata-se de uma crónica de Manuel Joaquim Sousa. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência).

 

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