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José Sócrates volta a Portugal com o seu espaço de comentário, um "animal da comunicação", talvez uma das suas melhores praias. Recupero uma entrevista ao então Provedor do Público, Joaquim Vieira, publicada num meu outro blogue, a 27 de Novembro de 2009, sobre a liberdade de expressão e o poder. Segue o trabalho:

O conceito de liberdade de expressão será sempre um conceito muito relativo de avaliar, ao qual terá de existir sempre uma necessidade de ponderação exigente por parte dos  intervenientes como jornalistas e órgãos de comunicação social e os visados das notícias. Será sempre complicado avaliar a importância de um acontecimento para ser considerado notícia, assim como, determinados comentários não passam de um pau de dois gumes - que tanto podem ser declarações de defesa como podem ser entendidos como ameaça à liberdade de expressão.

O conceito de liberdade de expressão com a comunicação social foi questionado, por diversas vezes, no anterior mandato de José Sócrates, tendo este provocado alguma má imagem, devido ao teor das acusações e devido também às críticas e reacções manifestadas, quando as mesmas deveriam revelar mais prudência e contenção. As reacções de José Sócrates às várias situações com que se cruzou não provocaram estragos de maior neste curto espaço de tempo eleitoral, mas não teremos real percepção dos efeitos que possam causar num futuro mais longínquo com o desfecho de casos como o Freeport, em que o seu nome esteve implicado desde o início.
Apesar de este caso estar resolvido do lado inglês, com o arquivamento do processo por falta de provas, por aqui, este ainda poderá ter novos desenvolvimentos, devido também aos processos judiciais que envolvem o nome de José Sócrates e de vários jornalistas - provenientes de queixas do primeiro-ministro contra notícias que colocaram em causa o seu bom nome.

Neste ponto de processos judiciais entre os jornalistas e os «afectados» pelas notícias coloca em questão o velho problema, para alguns, do sigilo profissional como a protecção das fontes, mesmo que perante um juiz. Muitos consideram importante o levantamento do sigilo, outros contestam (ainda bem) porque estamos a pôr em causa a vida pessoal e profissional de terceiros, ainda que possa parecer importante para a constituição de prova perante um juiz. 
O levantamento do sigilo profissional condena o futuro do jornalismo e o futuro da investigação jornalística porque as fontes jamais pretenderão estar de alguma forma expostas. É claro que qualquer cidadão anónimo ou figura pública tem direito de apresentar uma queixa como forma de manter a sua segurança e legitimidade. O restante trabalho dependerá sempre do juiz, que terá o papel de avaliar cada um dos casos.

Uma figura pública terá de ter a noção que qualquer dos seus passos é controlado pela comunicação social - está obviamente mais exposta que qualquer outro cidadão - e qualquer suspeita será do interesse geral, sobretudo se estivermos perante um assunto público. Caso assim seja, isso é um assunto público e tem todo o interesse de se tornar numa notícia.


Sabemos muito bem que qualquer investigação que afecte um terceiro, que afecte um poder ou um grupo de peso considerável, pode representar uma asfixia a um órgão de comunicação social. Asfixia pelos custos de investigação, asfixia pelos elevados custos judiciais e asfixia pela limitação do acesso à publicidade e limitação de venda ou limitações às receitas que garantem a sustentabilidade e viabilidade económica das empresas de comunicação.

Segue a publicação de uma entrevista que tive a oportunidade de realizar ao Provedor do Jornal «Público», Joaquim Vieira, que nos apresenta uma visão consciente das interrogações que envolvem a liberdade de expressão e as relações desta com personalidades públicas, tendo como ponto de partida o caso Freeport, apenas um dos casos que visaram o primeiro-ministro.

Manuel Sousa - A actuação de José Sócrates, em relação ao caso Freeport, com processos judiciais sobre alguns profissionais da comunicação social, tem sido uma atitude correcta ou considera precipitada, quando o processo judicial em torno do caso ainda teve poucos desenvolvimentos?
Joaquim Vieira
 - Acho que é uma atitude para ganhar dividendos políticos a curto prazo, permitindo-lhe dizer que reagiu aos artigos que o punham em causa, mas que o vai prejudicar num prazo mais alargado, pois acho não existir, à luz da jurisprudência, qualquer hipótese de José Sócrates vir a ganhar esses processos.  

MS
- Será legitimo que se processem estes profissionais, tendo em conta que poderemos estar a provocar um caos judicial em torno do mesmo assunto, que passa a ser tratado de forma diferenciada prejudicando o apuramento da verdade? Poderemos estar a julgar erradamente os profissionais de forma mais rápida que o esclarecimento do caso Freeport?
JV
 - Processar pessoas por alegado abuso da liberdade de imprensa (ou da mera liberdade de expressão) é um direito que assiste a qualquer cidadão. À justiça caberá julgar da pertinência dessas queixas.  

MS
 - Partindo da ideia de que as notícias tornadas públicas sejam fruto de uma investigação séria e credível por parte dos profissionais de comunicação, é legítimo que as fontes possam ser divulgadas em Tribunal, como prova de assegurar a verdade dos factos e sustentar a verdade dessas notícias?
JV -
 Em nenhuma circunstância é legítimo que o jornalista divulgue as fontes às quais garantiu confidencialidade. 

 MS - Em situações como estas, o sigilo profissional poderá ser considerado como uma segurança do jornalista perante um tribunal, de forma a ter a sua defesa garantida e a impossibilidade de julgamento? Estará nesta situação, um jornalista em vantagem sobre o queixoso por difamação?
JV -
 A prova da verdade dos factos não é essencial para a justiça avaliar o teor das queixas apresentadas por abuso da liberdade de imprensa. É sim, do ponto de vista do jornalista e do órgão de informação, a prova do interesse público da notícia e de que se agiu de boa-fé.  

MS 
- Existe um limite definido que estabeleça até que ponto vai a liberdade de imprensa na publicação de notícias que coloquem em causa o bom nome e legitimidade de uma pessoa?
JV
 - Considerando-se que há interesse público nessa informação (tratando-se os visados, por exemplo, de figuras públicas, sujeitas a um escrutínio jornalístico maior do que as pessoas anónimas), a notícia deve ser publicada.  

MS
 - Estarão as empresas, direcções e grupos económicos de determinado meio de comunicação dispostos a avançar com uma investigação jornalística, tendo em conta as consequências futuras que podem surgir? No panorama geral, estarão os meios de comunicação social dispostos a avançar com as investigações e a tornar públicos factos que podem por em causa uma personalidade de Estado?
JV -
 Nem sempre. Os receios são muitos por várias razões: custos da investigação, custos com a justiça, receio de desagradar aos poderes visados pela investigação, receio de asfixia económica como retaliação de quem o pode fazer. 

 MS - Considera que a actuação de José Sócrates está a limitar a liberdade de expressão e de informação?
JV -
 Não. Pode constituir um constrangimento, mas é dever dos que fazem informação não se deixarem intimidar por este tipo de atitudes."

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QUAL A IMPORTÂNCIA QUE DÁS? MASSACRE OU SALVAMENTO?

por Manuel Joaquim Sousa, em 30.12.12


(Imagens do Jornal de Notícias, edição de 30-12-2012)
 

 

Ao ler o jornal de hoje vem-me à memória algo que venho pensando há muito tempo: na vida, a importância que se dá aos acontecimentos, por vezes, torna-se incompreensível aos olhos da razão. Como comparação: Uma notícia sobre o mérito de alguém que salva outra pessoa que estava a afogar-se e uma outra sobre o massacre, em Homs, na Síria, onde morreram 220 pessoas. Qual das duas merece mais destaque no jornal? O salvamento.

Os atos heroicos de seres individuais recolhem atualmente grande número de fãs – de “likes” e partilhas nas redes sociais – e rapidamente se espalham pelo mundo; ao contrário de uma série de acontecimentos muito mais dramáticos, que acontecem todos os dias, nos países em conflito onde se produz uma série de atentados contra a dignidade humana, de muitos milhares de pessoas, a quem lhes é reservada uma nota de rodapé - ausência de partilhas ou de “likes”.

Que critérios utilizam as pessoas para reagirem de forma tão diferente a acontecimentos de dimensões incomparáveis? Será que este tipo de ação é uma censura que impomos a nós próprios?

Qual o papel da comunicação social que decide as prioridades em função do que é mais económico para preencher as páginas dos jornais, tendo o leitor tem que aceitar a escolha que lhes é imposta?
 

Será que o que está mais próximo choca mais que o que acontece num lugar mais distante? Para a comunicação social deveria ser diferente, adequar os espaços e as importâncias dos assuntos de acordo com a sua dimensão porque a importância que lhes é dada nem sempre se deve à proximidade geográfica do acontecimento, mas à facilidade com que consegue chegar até este de forma mais barata.

A crise que se vive no jornalismo e as dificuldades que enfrentam nos tempos que correm é o motivo, para que a emoção se sobreponha à razão e a qualidade seja secundarizada em nome da audiência.

 

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SER BURLÃO E TER ESTATUTO

por Manuel Joaquim Sousa, em 28.12.12

Artur Batista da Silva tem sido badalado, nos últimos dias, nas notícias por más razões – enganou jornalistas, congressistas, público e muitas outras pessoas. Enganou pela sua posição social e profissional com um currículo que tem tanto de esplêndido e rico como de falso. Porém, apesar de todas as críticas que lhe foram feitas por aqueles que o acolheram e ouviram a sua opinião, ainda se tenta defender com mensagens e notas de imprensa dizendo pertencer à ONU como voluntário e, por essa razão, não aparecer nos registos ou ficheiros da instituição – estranho será pensar que uma instituição destas não tenha registo dos seus especialistas, consultores ou sei lá o quê. É inaceitável que o próprio queira alimentar uma polémica que o deixou ascender e que lhe provocou uma grande queda.
Sabemos bem que o linchamento a que está sujeito foi por ter abanado de forma corrupta o casulo da comunicação social que lincha e pica até à morte quando se sente ferida – um poder duro e que impõe mais respeito que qualquer outro poder.

Como pode alguém de um momento para o outro surgir com um currículo excecional, capaz de enganar qualquer um, sem que se tenha feito qualquer pesquisa sobre origens, trabalho, percurso? Artur Batista da Silva tem uma inteligência e uma boa capacidade de engodo da sociedade, que chega a esconder um passado em que foi condenado por dois atropelamentos e por abuso de confiança fiscal.

Ser burlão permitiu ter um estatuto que de outra forma não teria, só assim foi mediático com as suas posições e opiniões técnicas sobre o estado da economia nacional. Tornou-se numa personagem credível com todos os dados que apresentou e de forma sustentada. De que valem agora as suas posições? Mesmo que os estudos sejam verdadeiros, de que valem as suas opiniões? Tornaram-se marginais, inconsequentes e meras opiniões de um cidadão.
Culpa de quem? Quando para se ter protagonismo e credibilidade implica ter currículo rico, mesmo que a posição/opinião defendida seja a mesma que um cidadão anónimo com uma escolaridade mínima - de que vale a minha opinião de cidadão, mesmo que me baseie em estudos e perceba dos assuntos?

Em Portugal, ser burlão pode ser caminho para o estatuto e isso replica-se também à classe política, que adquire estatuto quando o povo é burlado com promessas que não são concretizáveis.

Henrique Monteiro, no semanário Expresso, falava do lixo que muitas vezes nos chega pela Internet, de muita informação que é falsa e contraditória porque carece de validação de fontes e porque os meios pela qual nos é entregue não tem credibilidade e fiabilidade, para que seja validada como oficial. Porém, uma semana após esta opinião, somos confrontados com o dilema da credibilidade da dita informação oficial e de fonte segura, que permitiu a burla de Artur Batista da Silva e lhe deu estatuto que este desejava - todos estamos sujeitos ao erro e ao falso julgamento e as fontes de informação seguras ou inseguras são permeáveis a que estas situações aconteçam. Ninguém pode falar de total segurança quando pode deixar brechas.

Público: http://www.publico.pt/sociedade/noticia/artur-baptista-da-silva-mantem-que-e-colaborador-voluntario-da-onu-1578740

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BRAGA DE PORTA ABERTA

por Manuel Joaquim Sousa, em 23.12.12


Fotografias da abertura em: http://www.facebook.com/media/set/?set=a.269867339749747.60561.269789916424156&type=3

 

Braga sempre foi conhecida por ter a “porta aberta” desde sempre – todos são bem recebidos na cidade dos Arcebispos. Copiando uma frase que circula pelo Facebook “Antes de nascer Portugal Braga já era capital” - uma cidade de grande importância no Império Romano, Bracara Augusta.

Neste ano de 2012, Braga foi Capital Europeia da Juventude – um grande acontecimento para a cidade e para o país, ainda que tenha sido bem cá para o Norte. Porém, este acontecimento parece que passou bastante despercebido por entre a população, mesmo que os eventos e acontecimentos tenham tido uma participação de público acima do esperado. A importância que os órgãos de comunicação social deram ao acontecimento ficou muito aquém do esperado – Braga foi tratada como cidade de pouca importância para o resto do país. Por vezes, pensei que Braga Capital Europeia da Juventude era um acontecimento de uma cidade de outro país. Arrisco a dizer que a comunicação social esteve mais em Braga por causa dos encontros futebolísticos que propriamente devido aos acontecimentos culturais.

Este tratamento minimizado em torno da cidade é bem o reflexo de que vivemos num país em que Lisboa é a capital e o resto é paisagem. Mesmo Guimarães, aqui bem perto, que foi a Capital Europeia da Cultura teve mais destaque na abertura e depois para o final e o resto do ano também passou despercebida aos olhos de muitos (a abertura e o fecho foi bem acolhida na RTP).

Assim se vê a importância que se dá aos acontecimentos culturais que correm no nosso país. Os orçamentos são cada vez mais reduzidos e os espetáculos são feitos com o mínimo possível porque existe a ideia tacanha dos nossos governantes que a cultura é um produto menor.

Braga viveu, em 2012, uma experiência bem diferente e que poderá ser a porta aberta para outras experiências culturais, que tanto necessita – este é o investimento futuro que lhe falta. Foi a vida que muito lhe faltava. Enquanto isso, terá sempre que conviver com uma certa ignorância dos olhares da capital do reino.

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A LUTA DE SOBREVIVÊNCIA DE ALEXANDRA DELGADO

por Manuel Joaquim Sousa, em 23.10.12


                                       (Imagem SICAlexandra | Viver com HIV


«A coisa que mais me assusta é ficar sozinha. Os meus pais não vão durar para sempre. E se eu não encontrar alguém que me aceite como eu sou, eu não vou ter ninguém a quem me agarrar. Quando eles partirem, quem é que me vai dar colo e quem é que me vai dar força para continuar, se eu não encontrar alguém que me aceite e que saiba ver a Alexandra e não a portadora do HIV? Porque eu sou a Alexandra. Eu não sou o HIV.»
 

São palavras de Alexandra Delgado, uma jovem de dezanove anos, portadora de HIV desde que nasceu, à reportagem da SIC, em “Momentos de Mudança” – uma reportagem com uma qualidade excecional, quer no assunto, quer na fotografia, que demonstra a qualidade do jornalismo que se produz, mesmo em tempo de crise.

A Alexandra recebeu muitos apoios através do Facebook de espectadores que viram a reportagem porque, com dezanove anos, demonstrou ser uma jovem madura, lutadora, consciente dos problemas e dificuldades da vida e das dificuldades dos seus pais, também eles portadores do HIV. Uma jovem com plena noção do que é viver com um orçamento familiar de trezentos e poucos euros/mês (184 euros do pai e o restante da mãe) e do esforço que isso representa.
Vimos as dificuldades de uma família que vive isolada numa aldeia alentejana, onde o emprego não existe e para sobreviver tem de cortar no que se come – é raro entrar peixe em casa, sumo só no Natal e o jantar chega a ser ovos mexidos com café.

Este é o país real, duro, que os governos não conhecem ou preferem ignorar.

Viver com o HIV não é fácil, numa sociedade que ainda se fecha no medo, no preconceito e na ideia errada que só acontece aos outros e não nas famílias normais. O acesso à saúde não é o desejável – a Alexandra teve de optar quanto às vacinas a tomar por serem muito caras.

A Alexandra é uma rapariga forte, ultrapassou uma adolescência complicada com o sentimento que os seus pais tinham culpa da sua doença, mas cedo percebeu que pode acontecer a qualquer um. A vida continua e esta jovem é uma lição de vida para muitos e o orgulho para os seus pais, que desejam o melhor futuro para ela, apesar das dificuldades dos nossos tempos. Hoje está na Universidade, no curso de Assistente Social, mais uma vitória na conquista por um sonho.

Há testemunhos de coragem que merecem ser retratados, para que em muitas pessoas, famílias cresça a esperança que amanhã tudo pode ser melhor, mesmo que os tempos sejam difíceis.

Parabéns Alexandra! Força e coragem para o futuro. Como dizia o seu médico: Bom dia alegria!




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QUANDO A SIC CHEGOU À TERRINHA

por Manuel Joaquim Sousa, em 08.10.12
Fonte: Blogue SIC

Eu conheci a SIC mais tarde, que o seu nascimento.
 

Vivia no Gerês, com 8 anos, quando surgiu esta frescura na televisão, mas que eu conheci anos mais tarde. Ainda me lembro de estarmos sempre a sintonizar o aparelho para ver se surgia alguma coisa na televisão; mas na realidade não se via mais nada que uma grande chuva na imagem e um fantasma do símbolo da estação.
 

Lá na Terrinha ninguém tinha ainda a SIC; todos viviam na ansiedade de um dia ter a alternativa à estática estação do Estado. Porém, muitos anos se passaram até esse sonho se tornar realidade. Até isso acontecer, o que se dizia da SIC? Muito pouco. Por incrível que pareça, ainda me lembro de ouvir os mais velhos lá do sítio, nas conversas de rua dizerem que este canal tinha umas cenas quentes à Sexta-Feira à noite (senas de sexo puro como nunca antes tinha passado na televisão) - já estou mesmo a imaginar o que se diria por esse país ainda conservador e fechado às novidades, acharem que este era o canal depravado que veio acabar com a moral e o sossego da televisão pública.

Um dia a SIC chegou à Terrinha. Lembro-me bem que em minha casa começamos a ver num Sábado à tarde. Tarde de azáfama. O pai no telhado para virar a antena para o sítio certo, o meu irmão a sintonizar o aparelho e a dizer-me se estava melhor ou pior ou se a antena se tinha de virar mais para a esquerda ou para a direita e eu a berrar lá para o telhado - sintonizar a televisão e coordenar a antena era algo complicado. «Mais prá direita, mais um bocado. Agora dá bem. Agora dá pior. Piorou. Volta a rodar. Não mexas mais. Está bem assim».

O que me lembra de estar a dar? Hum. Lembro-me do «Chuva de Estrelas», o «Mini Chuva de Estrelas» e a telenovela era «Irmãos Coragem» e sem esquecer do «Ponto de Encontro» (que o meu avô achava mágico as pessoas, separadas há anos, aparecerem no programa como se fosse magia; eu tentei explicar como tudo se fazia, mas ficou sempre aquela ideia de magia).
 

Apesar de fiel a alguns programas da Estação Pública e defensor da causa pública que sou, lá em casa a SIC passou a dominar durante todo o tempo em que se via televisão. Foi uma grande novidade. Foi uma nova forma de ver televisão. Por vezes estranhava aquele jornalismo fora do que estava habituado a ver, a ponto de o achar sensacionalista, mas tudo mudou.
 

Se a TSF foi a novidade para a rádio, a SIC foi a novidade para a televisão.
 

Posso dizer que os grandes acontecimentos do mundo e do país foram acompanhados através das emissões da SIC e SIC Notícias (11 de Setembro, Invasão no Iraque, Tragédia de Entre-os- Rios, Morte de Amália, emissões do tempo das eleições, etc).

No fundo, o meu avô tinha razão, a televisão tinha magia e a SIC trouxe uma magia diferente à forma como se lia o mundo.

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Então começa a terceira série da Casa dos Segredos, na TVI, e ninguém me diz nada...

Eu sei que já aqui fiz a minha declaração de amor à RTP e não a retiro, mas a Casa dos Segredos e a Teresa Guilherme no seu melhor, não se pode perder. Qual crise qual Passos Coelho, eu queria ver as novas personalidades deste país e que têm segredos para revelar, maiores que os meus segredos.

 

Ai não se deve ver o programa; dizem que é fraco e de baixa cultura; fomenta a burrice nos espectadores - mas aquilo é a maior paródia nacional. Lembram-se que na série anterior aprendeu-se muito de cultura geral. Lembram-se de questões como: O que é um grupo de pássaros? Um passarinheiro. Um país da América do Sul? África e fica para cima de Portugal (depende da posição do globo ou do mapa). Onde fica o alpendre (de uma casa)? Dizem que se pode encontra-lo num Globo. Qual é o maior mamífero terrestre? Dinossauro. Qual o antónimo de bué? É fixe.

Estes eram as coisas que a Cátia ensinava aos portugueses. Sentiram-se mais ricos com estes conhecimentos? Claro que sim. Então porque dizer tão mal deste programa. Isto sim, é serviço público de qualidade, digno de ser transmitido na RTP.

 

 

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HÁ UMA CURIOSIDADE POR GABRIELA?

por Manuel Joaquim Sousa, em 10.09.12

Sim. Há uma curiosidade por ver a nova telenovela – apesar de não ser consumidor de telenovelas faz muitos, muitos anos. Curioso porquê? Porque não sou do tempo de Gabriela, interpretada por Sónia Braga e durante tantos anos sempre ouvi que foi o grande acontecimento no Brasil e em Portugal – que durante a telenovela parava. Tenho curiosidade porque tenho curiosidade em relação à obra de Jorge Amado (se calhar vai ser diferente da obra escrita).


Será interessante ver o que, em outros tempos, era uma afronta aos costumes conservadores da época. Será que mudou muito desde então?

Fica a expectativa, de ser uma grande produção e de ser algo diferente das tradicionais novelas que são sempre muito do mesmo e que não me prendem à televisão.

Leiam a reportagem do Público em: http://www.publico.pt/Media/gabriela-sempre-gabriela-1562425?p=3

http://publico.pt/1562425 

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RTP COM NOVA ADMINISTRAÇÃO DEIXA-ME TRISTE

por Manuel Joaquim Sousa, em 05.09.12

É com tristeza que tenho conhecimento da escolha da nova administração da RTP. Com que então não me convidaram - depois das sugestões, ideias para relançar o serviço público e depois de uma apaixonada carta de amor à RTP.

Eu estava decidido a manter no ar o "Preço Certo em Euros", com o Fernandinho Mendes; estava disposto a criar programas só para vermos a Catarina Furtado descer as escadas e gritar "Pró palco"; estava disposto a manter o Malato para entreter o nosso público depois do jantar; estava disposto a manter o José Rodrigues do Santos no telejornal, só para piscar o olho no final de cada emissão; estava disposto a manter o João Baião em diversos programas só para animar a malta sempre a saltar; estava disposto a manter a Sílvia Alberto em programas com estúdios grandes só para ver caminhar em minissaia, como no Top Chef.

Pretendia eu a revolução do serviço público, mantendo o que há de bom e tradicional na RTP.

Estou triste...

Público: http://www.publico.pt/Media/a-estreia-de-alberto-da-ponte-no-servico-publico-1562002 

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A MINHA DECLARAÇÃO DE AMOR À RTP

por Manuel Joaquim Sousa, em 02.09.12

Aproveito o momento para fazer a minha declaração de amor à RTP por tudo o que ela representa para mim, enquanto continua a ser espezinhada em praça pública por determinados "conselheiros" como António Borges.

Eu quero que a RTP continue a ser o serviço público alternativo a que eu tenho direito -— pago mensalmente para que assim seja. A minha relação com a Estação Pública vem da minha infância - ainda do tempo em que via apenas desenhos animados e as séries juvenis. Isso continuou para além dos anos; mesmo com o aparecimento dos canais privados, que apesar da oferta não me satisfaziam por completo— - além de que cresci numa terra em que os privados demoraram a chegar (mesmo que desejasse uma lufada de ar fresco não a tinha).

Tu RTP estiveste sempre lá, nunca me abandonaste, nem nos tempos em que o adolescente que havia em mim quisesse romper com uma relação de anos. Eu vivi com amargura os momentos do homem, Manuel Subtil, que se barricou no interior das instalações. Eu senti felicidade quando a RTP saiu do terrível edifício 5 de Outubro para as novas instalações que a dignificou.


Perdoa-me RTP pelos anos em que não te via, em que me revoltei contra a televisão e em que, por birra, decidi não sintonizar; mas mantive a minha ligação através da Antena 1. Mesmo tendo suprimido a televisão de minha casa, eu trabalhava num local de atendimento ao público onde tu eras sempre a escolhida para todo o dia (só eras substituída pela Sportv nas alturas do futebol). Eu assistia a tudo o que gostava ou não, mas o amor é mesmo assim: gostar dela com todos os seus defeitos e virtudes e defende-la com o coração. Eu assistia à Praça da Alegria, ao Jornal da Tarde, ao Portugal no Coração, ao Portugal em Directo, ao Preço Certo Em Euros, ao Telejornal, à Operação Triunfo, ao Natal dos Hospitais, aos especiais de informação, à transmissões da Cova da Iria, ao Top+ e a tantos outros programas. Através da RTP eu assisti ao começo da Guerra no Iraque, com o Carlos Fino, acompanhei cada momento as exéquias de João Paulo II e nomeação de Ratzinger ou mesmo morte de Lúcia, a vitória do FCP na Liga dos Campeões e a todas em emissões em directo da minha cidade, entre tantos acontecimentos que mudaram o mundo e me mudaram também a mim (tudo isto, todo dia e todos os dias no trabalho). Gostasse ou não, eu estava lá.


Entretanto, em casa chegou o cabo e voltei para as séries da Fox ou AXN, mas nem por isso deixei de estar ao lado da RTP. A RTP Memória fez-me reviver um passado brilhante; revi séries, programas humorísticos do Herman ou até os Jogos Sem Fronteiras (que tanto adorava e me lembro como se fossem hoje), a Mulher do Sr. Ministro, Esquadra de Polícia, enfim... Passei a gravar muitos programas do Canal 2 (como lhe chamo) para ver quando tenho tempo. O meu apreço e amor pela RTP2 é tão grande que não sei o que vai ser de mim sem os seus programas como o Biosfera, o Olhar o Mundo, Documentários, as entrevistas de Maria Flor Pedroso, o Palcos entre outros que ficaram na sua história como o Bombordo ou o 5 Para a Meia-Noite, os Contemporâneos. O que vai ser de mim para as tardes de Domingo, em que estou na terrinha e vou ter que gramar com os programas secantes pelas aldeias e vilas com musica pimba ou aqueles filmes que já passaram tantas vezes na televisão? O que vai ser de mim ao ter de gramar com overdoses de publicidade quando estou a ver algo que gosto? RTP2 não deixes que acabem contigo, não me destroces o coração.


Quem vai passar os Jogos Olímpicos? Quem vai transmitir desporto para além do futebol?


Também a rádio - que todos se esquecem de referir - é a minha companhia no carro, em casa, até mesmo enquanto passeio pela rua. Uma rádio feita por bons profissionais, isenta de publicidade. Quem vai defender e passar musica portuguesa de vários estilos como na Antena 1 ou na Antena 3? Onde vou poder ouvir e deliciar com o Portugalex, da 1, A Hora do Sexo, da 3, o Amor é, Falar Global. Isto é serviço público de uma rádio que é publica (da qual não tenho ciúmes que outros também gostem).


Eu sofro com tudo o que dizem aqueles que querem acabar com a minha RTP. Eu não aceito que a entreguem a alguém que desvirtue o seu carisma, aquele que me manteve próximo durante tantos anos. Não deixem que a RTP seja uma vendida e se transforme numa prostituta do serviço privado, que apenas nos dá matança, horrores, novelas, drogas publicitárias, noticiários eternos e que esquece muitos projectos inovadores de televisão. A RTP dá lucro, basta que seja gerida coerentemente. Eu quero uma RTP que, mais tarde, eu recorde com alegria pelos bons momentos que passamos juntos.

RTP perdoa as minhas infidelidades, em que e troquei por outras, mas tu serás sempre a quem recorrerei nos momentos mais difíceis porque estás sempre lá.

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