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CRÓNICA DE SÁBADO À NOITE

por Manuel Joaquim Sousa, em 13.01.14

 

Sábado à noite é aquele dia em que optamos por sair (eu e os meus amigos) para nos divertirmos um pouco. É uma verdadeira noite em que tudo pode acontecer – de muito bom e espetacular ou simplesmente uma seca (mentira) – basta que, para isso, passemos parte do nosso tempo a olhar em volta.

Por vezes, as nossas noites podem parecer uma seca e ser sempre mais do mesmo, mas são noites fantásticas, nem que seja para nos rirmos um pouco com as situações hilariantes que partilhamos – partilhamos através de um minúsculo telemóvel ligado à internet e voltado para as maravilhas do facebook. Sim, no facebook também se encontram coisas fantásticas que partilhadas podem fazer as delícias de Sábado à noite num bar, onde com música alta pode ser difícil manter uma conversa, mas uma imagem ou várias pode ser suficiente para preencher o tempo com gargalhadas.

 

A página O Horror da Noite Portuguesa é o resultado do trabalho daqueles fotógrafos que andam na noite atrás dos que querem ficar retratados como amantes da noite e da companhia. É toda uma mistura de pessoas fashion e em plena diversão, com uma sensualidade fora do normal e muito fotogénicas. É certo que em muitas das fotografias o estado dos fotografados já não é o mais sóbrio – gabo a sua coragem em deixar-se registar para a posteridade.

Por momentos, pensei que estaria a ser preconceituoso, mas não, as fotografias são terríveis e não há mais qualquer comentário que se possa fazer senão ver e é difícil conter uma gargalhada ou um olhar de espanto.

É triste da nossa parte usar esta página como diversão para soltar gargalhadas, enquanto bebíamos o nosso fino e comíamos os amendoins. Quem estava ao nosso lado e via três cabeças concentradas num minúsculo telemóvel poderia achar que éramos uns tolinhos, mas estariam também eles doidos por saber de que nos estaríamos a rir para também eles se rirem.

Há momentos assim, a diversão pode estar onde menos espera e estes tesouros deprimentes podem fazer um bom momento.

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ENCERRAMENTO DOS CTT: QUANDO O CARTEIRO TRAZ BOAS NOTÍCIAS

por Manuel Joaquim Sousa, em 10.06.13

 

                                                                                                          Fonte: Youtube


Ouve-se o som da motorizada a quebrar o silêncio que se vive na terrinha – hora de chegada do carteiro. Todos os dias, na hora do costume, segue ele o seu trajecto para despachar os postais e as cartas. Bate à porta da cozinha da Sra. Maria, para entregar a carta da filha, que está em França, com as fotografias do neto – a Sra. Maria ainda não tem facebook ou um computador; para na residencial do Sr. Ramiro, para deixar os postais de Natal dos seus clientes do Verão; segue para a casa da D. Alice, a fim de entregar os documentos que chegam da Assembleia da Republica; paragem na tasca do Sr. José, onde deixa o jornal da terra. Enquanto isso, a Sra. Palmira vai aos correios, para lhe pagarem a reforma; o Sr. António que quer saber como estão as suas poupanças; o Sr. Francisco que quer despachar uma encomenda, para os seus filhos da Capital.


Nas terras pequenas esta é uma imagem que começa a ser passado porque a tecnologia revolucionou muitas necessidades e alterou formas de comunicação, que começam a ser exclusivas dos idosos, e muitas estações dos Correios começam a encerrar. São tempos da crise? É culpa do desenvolvimento tecnológico? Poderia ser. Crise não é porque os CTT têm um lucro fantástico. Desenvolvimento tecnológico sim, mas muita gente ainda está dependente dos meios tradicionais. Culpa também das aldeias e pequenas vilas que têm cada vez menos gente. Porém, o fundamento deste encerramento está relacionado com as intenções do Governo em privatizar os CTT. Em nome da economia e da força dos tempos se condena e se fecha ao exterior uma série de terras onde ainda há gente (se não houvesse…). Vejo uma terra como o Gerês que sofreu de uma tentativa de encerramento, quando se trata de uma estação que serve várias freguesias e lugares com muita população e com muito turismo. É insustentável condenar esta terra a um tipo de isolamento como medida de poupança.

Em alternativa a estes encerramentos sucessivos, procura-se entregar os serviços a papelarias e tabacarias – a propósito lembro-me da piada de Pedro Fernandes, no programa 5 Para a Meia-noite, da RTP1, em que retratam como seria o serviço postal em talhos e nas Igrejas.

 As políticas de poupança, ainda que com fundamento económico, não podem ser tão lineares, no que trata de serviços públicos como este e pago pelos utilizadores. O Governo deveria preocupar-se no repovoamento de zonas do interior abandonadas, para libertar as cidades onde as oportunidades são escassas. Um Centro de Saúde, uma Escola, os Correios são exemplos de serviços que fixam as pessoas ou pelo menos não condenam ao isolamento aqueles que não podem mudar-se para a cidade.
 

O carteiro ainda é aquele que traz boas notícias…

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OS FILHOS DA MADRUGADA E A PROCURA DE ABRIL

por Manuel Joaquim Sousa, em 25.04.13

A madrugada já está crescida, já é uma senhora bem madura com filhos para criar; mas ao fim de 39 anos, ainda se sente ansiosa por realizar o seu desejo, o desejo de concretizar Abril. Uma infância que parecia tribulada, cheia do medo da madrasta ditadura e sempre agarrada à prima democracia, que nasceu no mesmo dia. As primas, por vezes, estão juntas, mas em muitas outras vezes seguem o destino oposto como mandam os senhores do poder.


A madrugada segue só o seu caminho e desiludida com o amanhã que se constrói porque os seus filhos vivem medos, frustrações, desalentos e desorientações em relação ao dia que daí a pouco se levanta. À madrugada faltam as vozes que gritam na rua por um novo amanhã e um novo Abril; o Abril libertador que todos desejam como um crente que anseia pelo seu Messias. A madrugada sente a fraqueza das vozes dos seus filhos que ora gritam, ora se calam como que rendidos às circunstâncias do momento porque lhes faltam as ideias e a capacidade de caminharem independentes como a sua mãe decidiu caminhar quando se separou com a prima da madrasta ditadura.

Até quando a saudosa e saudosista madrugada será capaz de aguentar o desalento de encontrar e concretizar o tão desejado Abril? 

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QUANDO O SENTIDO ALTRUÍSTA QUE FALHA NAS EMPRESAS

por Manuel Joaquim Sousa, em 03.03.13

Algumas empresas necessitam de ensinar os seus funcionários a serem mais altruístas - não quero dizer que o altruísmo anda "pelas ruas da amargura", até porque Portugal é um país de pessoas muito solidárias - ou então sou eu que no meu dia-a-dia de trabalho me debato pela proximidade e ajuda com cada cliente porque antes de vendermos o que quer que seja devemos perceber, compreender, ajudar e aproximarmo-nos do nosso cliente.

Porque razão, todo este palavreado? - perguntarão vossemecês.

Hoje, ao fim da tarde, estava eu no supermercado de uma cadeia de média distribuição nacional a fazer as minhas compras e dirijo-me à caixa para pagar; como estava alguém ainda a colocar as coisas dentro do saco, eu fiquei na divisão ao lado, no meu mundo, a querer meter tudo no saco com maior rapidez e a pegar no cartão cliente, mais o cartão para pagar; a jovem da caixa começa a mandar "bitaites" para o senhor do lado - que olho de imediato e vejo que era um senhor de idade e até com algumas limitações, a tentar arranjar as coisas dentro do saco que não estavam muito bem acondicionadas - "Vai pôr as garrafas deitadas!", "Assim parte!". A senhora da caixa não estava ocupada, estava à espera que eu terminasse o pagamento e que nós lhe libertássemos a caixa, para o próximo cliente. O pobre do homem, lá a arranjar-se com o saco, só disse: "É por isso que eu gosto de ir ao supermercado (xpto) porque lá as meninas ajudam a pôr as coisas nos sacos". A jovem, que por sinal até tem ar de ter muita cantiga, ficou calada, incomodada e sem resposta, mas nem por isso se atreveu a ajudar o homem, enquanto esperava que eu me despachasse e saíssem os talões de pagamento. Ficou um silêncio incómodo naquele momento. O Homem foi saiu primeiro do que eu e nem foi necessário que eu o ajudasse.

Por muito que não seja procedimento ao Operador de Caixa colocar os produtos nos sacos do cliente, há situações que devem quebrar a regra e acima da política comercial deve estar o sentido de humanidade para com as pessoas - afinal não é tão custoso meter meia dúzia de produtos num saco, quando noutras superfícies do género - até maiores e com muitos mais clientes - fazem-no como procedimento.

Amanhã será que aquele senhor vai lá voltar para fazer compras? Por vezes, prefere pagar uns cêntimos a mais e sentir alguma comodidade e sem necessidade de passar por um embaraço. 

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QUANDO O COMANDO NOS TIRA O SOSSEGO

por Manuel Joaquim Sousa, em 28.02.13

Que bem que se está aqui no sofá, com aquecedor ligado, manta de lã pelas costas, a ver televisão e a relaxar de mais um dia de trabalho. Ao mesmo tempo estou irritado porque por mais que carregue nos botões de comando da box não consigo mudar de canal. Carrego, carrego e nada, nada de nada; as pilhas estão gastas e não tenho mais pilhas para trocar - que chatice.
Porque razão é que carregamos com mais insistência quando o problema não é nos botões, mas nas malditas pilhas que têm a mania de estarem gastas?


Ainda bem que a Universidade de Aveiro está a inventar um comando em que não é necessário pilhas - vai ser a grande inovação, quando estiver no mercado, mas até lá ainda vou ter de comprar pilhas para este.

A única forma de resolver no imediato é ter de levantar para mudar no próprio equipamento. Toca a sair do cómodo sofá para mudar de canal ou então bem que fico a ouvir a enfadonha telenovela que está a passar neste momento e que já me deixou suficientemente colado, enquanto me decido a arrastar até à televisão.

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CRÓNICA 1: A RESIGNAÇÃO DE BENTO XVI

por Manuel Joaquim Sousa, em 20.02.13

Uma semana depois da resignação, as notícias continuam a falar sobre Bento XVI e o futuro da Igreja Católica. Aqui fica mais uma crónica.

 

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A MINHA CRÓNICA 0: A TENTATIVA

por Manuel Joaquim Sousa, em 18.02.13
Tentei inovar. Eu tentei, mas nem por isso saiu alguma coisa de jeito. 
Eis a primeira crónica em áudio. Tenho dificuldade em reconhecer a minha voz e aquele tom - um bocado à tio - que nada se parece comigo. 
A ideia parece boa, mas ainda está em fase de concepção.

No final, nem, microfone do chinês aguentou. Ele é o chinês...
 

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UM PONTO FINAL NA HISTÓRIA DA MARGARIDA.

por Manuel Joaquim Sousa, em 27.08.12

A defesa da honra das mulheres, não só das gordinhas, foi o que pretendi com o meu artigo REESCREVO A CRÓNICA DE MARGARIDA REBELO PINTO E PERCEBO PORQUÊ A GORDINHA, aqui no blogue. Esperava eu que a minha singela opinião e forma de escrita fosse capaz de transmitir alguma indignação e pôr realmente os “pontos nos iis”.
Pelas reações recebidas, fiquei com a sensação de ter sido bem acolhido pelo público feminino e mesmo masculino (com igual direito de se indignarem). Por isso, considero que os objetivos foram alcançados – pena que a visada e criticada por muitos não vá ler este artigo (ou se o lesse ignoraria por completo).

Respondendo a quem já me questionou se era capaz de substituir a autora da crónica no semanário “Sol”: sim, seria capaz de fazer algo melhor ou pelo menos mais digno para homens e mulheres. Poderia até brincar, mas manter a dignidade que todos merecem.
Só que a sorte de escrever para um semanário não está ao meu alcance neste momento (acredito mais que me saia o Euromilhões) porque ninguém me conhece e não tenho livros publicados (independentemente da qualidade). Só com um movimento social é que o Sol contrataria este cidadão.

Se atacar Margarida Rebelo Pinto é fácil, banal como a escrita light e atrai audiência ao meu sítio, até é verdade; mas, o que me moveu foi a revolta que me fez teclar noite dentro, em vez de ficar a dormir um sono tranquilo. Não quero ser o moralista de serviço (para isso já temos a escritorazinha), apenas expressar uma opinião livre e revoltada. Foram milhares os que cá passaram em dois dias – coisa que nem imaginava (pensava que vinham cá meia dúzia).
A todos os que aqui escreveram e deixaram a sua opinião agradeço o tempo dedicado. Voltem sempre e sejam livres de aceitar ou repudiar as minhas opiniões.

Às gordinhas quero que continuem a ignorar as opiniões menores da outra que se acha boa (se forem magras para muitos homens perdem o interesse, mas isso são gostos). O que interessa é que sintam bem consigo próprias e com os outros. Procurem ser felizes. Se quiserem perder uns quilos não seja por causa da outra, mas por vontade própria (força) e com cabeça.

O ar deprimido e triste é da outra. Uma mulher pode ter beleza, forma, produção visual top e com isso encher o olho a qualquer homem (uma verdade). Porém, se por dentro for vazio, oco, uma câmara de ar (que ventania), deita por terra toda a sensualidade.

Mulheres, cuidem do interior e isso passa para fora – isso vos fará mais bonitas.

Homens, é melhor cuidarmo-nos porque elas vão arrasar.

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Há coisas do passado que quando são remexidas dão estragos dolorosos piores que nos momentos em que são lançados. Margarida Rebelo Pinto, em Setembro de 2010 publicou o artigo As gordinhas e as outras que parece ter passado despercebido ("sei lá" porquê), mas que agora o Semanário "SOL" decide republicar e eis que se instala uma revolta contra a escritora (deve ser a magricelas da crónica) um pouco por toda a internet - blogosfera e Redes Sociais não ficaram indiferentes.

Ao princípio não estava a perceber muito do que se estava a passar ao ouvir tanta revolta contra a escritora, até ter lido na integra o artigo. Qual o objectivo de o ter escrito?

Poderiam existir várias explicações para a situação:

- Necessidade de lançar a sua carreira de escritora de sucesso, para ganhar ainda mais leitores e não cair no esquecimento;

- Ataque a alguém que pertence a um grupo de amigos próximo;

- Desejo de ser a personagem da crónica, para ter a liberdade de "fazer chichi num beco do Bairro Alto".

Das três possíveis, acredito que as últimas duas encaixam-lhe perfeitamente - pela forma como escreve e espezinha aquelas que são as gordinhas do grupo. As gordinhas parecem tirar as atenções da magrinha, que passa despercebida, e com quem os outros não querem nada mais que curtir uma rapidinha sabe-se lá em que canto.

Ora bem. Homem que sou vou pôr os "pontos nos iis".
Espero que não me acusem de plágio, mas apeteceu-me pegar na crónica e reescreve-la com a minha visão. A rosa e itálico são as palavras de Margarida Rebelo Pinto a preto são da minha autoria. 

 

Serve esta crónica para retratar e comentar um certo elemento que existe frequentemente em grupos masculinos e que responde pelo nome genérico de ‘Gordinha’.

A Gordinha é aquela amigalhaça companheirona que desde o liceu cultivava o estilo maria-rapaz, era espertalhona e bem-disposta, cheia de energia e de ideias, sempre pronta para dizer asneiras e alinhar com a malta em programas. Ora acontece que a Gordinha é geralmente "rechonchudinha" e com muitas formas, tornando-se aos olhos masculinos algo até apetecível - não como a outra que só serve em noites longas regadas a mais de sete vodkas, nas quais o desespero comanda o sistema hormonal, transformando - a numa mulher sexy, mesmo que seja uma burra com belas unhas e um bronzeado falso, feito à última da hora.

A Gordinha é porreira, é fixe, é divertida, quer sempre ir a todo o lado e está sempre bem-disposta, portanto a Gordinha torna-se uma espécie de mulher do grupo que todos protegem, porque, no fundo, todos gostam do seu à-vontade e descompromisso com as críticas. E é assim que a Gordinha acaba por se tornar muito popular, até porque, não tem problemas em arranjar um namorado, que na maior parte dos casos, faz a outra - a meninas bela e bem comportadas - ficar roída de inveja. Mesmo tendo namorado está sempre muito disponível para os mais variados programas, nem que seja ir comer um bife à Portugália e depois ao cinema.

À partida, não tenho nada contra as Gordinhas, nem me irrita que haja quem considere que tenham um estatuto especial entre os homensque tanta inveja faz à outra. Às Gordinhas tudo é permitido como a qualquer outra: podem dizer palavrões, falar de sexo à mesa, apanhar grandes bebedeiras e consumir outras substâncias igualmente propícias a estados de euforia, podem inclusive fazer chichi de pernas abertas num beco do Bairro Alto sem que ninguém veja; pois são práticas, descomprometidas para as criticas da outra e não por uma questão de graça. Quanto a isso, só a outra é que acha razão para condenar.

A outra acha que se uma miúda gira faz alguma dessas coisas surge logo um inquisidor de serviço a apontar o dedo para lhe chamar leviana, ordinária, desavergonhada e até mesmo porca. A outra acha que não tem direito a esse tipo de comportamentos porque não é one of the guys: acha-se uma mulher mais do que todas e, consequentemente, deve comportar-se como tal. E o que mais irrita é quando as Gordinhas apontam também elas o dedo às giras, quando estas se tentam comportar de forma semelhante porque o sonho da gira é ser como a gordinha.

Ser gira dá trabalho e requer alguma diplomacia, muita base, muito bronzeado, muita pintura, para esconder que na realidade é feia e não tem nada que se coma. É por isso que as suas amigas mais bonitas e boazonas que foram vendo a sua reputação ser sistematicamente denegrida por dois tipos de pessoas: os tipos que nunca as quiseram levar para a cama e as gordas que são desejadas em ser levadas para a cama. Uma mulher gira não pode falar alto nem dizer palavrões que lhe caem logo em cima porque o dizem de forma artificial encenada, repetida e ofensiva. Já uma Gordinha pode dizer e fazer tudo o que lhe passar pela cabeça, porque o sabe dizer com classe naturalidade, com graça e não por ter conquistado um inexplicável estatuto de impunidade.

Porquê? Porque não é vista como uma mulher, mas como um MULHER? Porque todos gostam dela? E, já agora, porque é que quando uma mulher está/é gorda nunca ninguém lhe diz, mas quando está/é magra, ninguém se coíbe de comentar: «Estás tão magra!?» porque gostam dela como ela é.


Espero que seja restituída a dignidade da gordinha sob a pseudo-inteligência da civilizada Margarida Rebelo Pinto. A sua crónica tem um outro lado escondido, que é a inveja de ser como uma gordinha.

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A BRANCA TELEVISIVA

por Manuel Joaquim Sousa, em 26.08.12

Em tempos que se fala da RTP e da concessão de serviço público, deixo-vos um texto escrito na sequência da polémica sobre as audiências medidas pela nova empresa responsável e que é seriamente criticada pelos Operadores de Televisão.

Terça-feira, 17h25m, alguém pega no comando da televisão e muda de canal. A acção deste alguém multiplicada por 247800 pessoas, que também assistiam ao programa do “Portugal no Coração”, da RTP, deixaram o primeiro canal sem qualquer espectador em antena. Instala-se o pânico na Estação Pública porque todos os espectadores mudaram de canal.
O que aconteceu? Porquê esta mudança? Foi um acto combinado? Uma forma de protesto? Contra a venda do canal? A programação da Estação Pública não está a corresponder às expectativas?

Enquanto o programa continua na sua normalidade, o colapso na sede da RTP provoca correrias nos corredores, entradas e saídas nos gabinetes, telefonemas em tudo quanto é telefone, e-mails para e do Conselho de Administração; tudo gira em torno da branca televisiva.
Para além do pesadelo na RTP, já os outros Meios de Comunicação Social concorrentes, imprensa e rádios noticiam o sucedido; nos sites, Blogosfera e redes sociais são aos milhares os comentários. Em instantes, o país fica em suspenso, mas ninguém, uma alma sequer, premiu o botão do comando do primeiro canal, para ver a emissão que continuou normalmente. 
Fazem-se os primeiros balanços dos prejuízos, 12,9 milhões, um valor provisório, que dependerá das consequências que as marcas dos espaços publicitários desencadearão com este apagão. Está tudo comprometido; o programa que contratou meios e que terá de os pagar; as marcas que contrataram aqueles minutos específicos para publicidade; o canal que não pode avançar para intervalo porque não vai passar os spots publicitários sem espectadores em antena.


A esta hora, o Governo reúne-se de emergência. O canal público que está à venda tem o seu valor comercial em causa e que tenderá a desvalorizar. O Ministro das Finanças está preocupado porque o encaixe da venda do primeiro canal será revisto em baixa no défice. O Primeiro-Ministro faz uma primeira declaração ao país, para estabilizar os ânimos e os mercados. O súbito “apagão” agonia os portugueses, que já pensam nas possíveis medidas extraordinárias que serão tomadas, para compensar as perdas.
Enquanto o Governo continua reunido, o plenário da Assembleia da Republica aquece com a habitual troca de acusações entre a direita e uma esquerda assanhada - no imediato atiram responsabilidades aos grupos económicos interessados no canal em moeda barata.
Nos cafés, as discussões mantêm-se acesas entre os que defendem o serviço público e os que desejam a privatização de um canal em tempo de contenção de despesas; mas nem por isso, ninguém, uma alma sequer, pega no comando para ver a emissão do “Portugal no Coração”.
Os canais de notícias desdobram-se em debates com comentadores de serviço e directos televisivos; os generalistas exploram a tragédia e o horror nos talk shows da tarde.

Apenas num único lugar há silêncio: no Palácio de Belém. O Sr. Presidente Cavaco Silva mantém o silêncio.
Na RTP mantém-se o caos. Normalidade apenas no estúdio. 

São 17h55m, o primeiro canal passa a ser visionado, nesse preciso instante, por 295700 espectadores. O país respirou de alívio.
Pelos vistos a RTP descobriu que se tratou de um erro técnico por parte da empresa responsável pela medição de audiências.


(Este texto trata-se de uma crónica de Manuel Joaquim Sousa. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência).

 

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