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BLOGUE DO MANEL

A vida tem muito para contar e partilhar com os demais. Esta é a minha rede social para partilhar histórias, momentos e pensamentos, a horas ou fora de horas, com e sem pés nem cabeça. Blogue de Manuel Pereira de Sousa

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A vida tem muito para contar e partilhar com os demais. Esta é a minha rede social para partilhar histórias, momentos e pensamentos, a horas ou fora de horas, com e sem pés nem cabeça. Blogue de Manuel Pereira de Sousa

PÁSCOA AINDA É O QUE ERA

Manuel Pereira de Sousa, 19.04.14

Já passaram dois mil anos daquela que é a história mais narrada, retratada em filme, em peças de teatro, em música, entre outra possíveis formas de expressão – falo da paixão e morte de Cristo.

Apesar dos tempos, contagiado por momentos em que a fé vacila, a morte de Cristo e a Ressurreição continua a ser um dogma de fé para muitos crentes, aqueles que acreditam que existe algo para além desta difícil vida terrena. A vida de Cristo continua ser contagiante, continua a ter seguidores e terá sempre porque este homem, independentemente da divindade, trouxe no seu tempo uma revolução filosófica e humanista que transcende a religião a que é sempre conotado – digo que Jesus foi para todos e não apenas para os tementes a Deus. A ler cada uma das suas parábolas sabemos bem que continuam a fazer sentido no nosso tempo e que ainda continuam a saciar aqueles que buscam algo mais que o superficial e efémero com que nos enchem a vida.

Haverão sítios em que a Páscoa pode passar despercebida, mas há outros onde é vivida com intensidade muito forte e mesmo contagiante. Vivo em Braga e confesso que admiro a Semana Santa de Braga. A forma como é preparada com todo o detalhe, desde a parte cultural à parte religiosa e todo o cerimonial dão uma importância digna que esta semana merece. A tradição de cada cerimónia, de cada procissão continua ano após ano; quando poderia pensar que tudo isto estava em desuso e que as gerações mais novas estão cada vez mais desligadas destas tradições, reparo que são elas os sustento humano destes acontecimentos e que são cada vez mais os jovens a comparecer nas cerimónias típicas da época.

A Páscoa é sem dúvida uma festa fantástica pelo que representa e pelo valor cultural e religioso que tem para muitos.

Uma Páscoa feliz!

BRAGA: EXPROPRIAR PARA QUÊ?

Manuel Pereira de Sousa, 16.05.13

Braga passa despercebida aos olhos do nosso país, apesar de ser uma das maiores cidades do nosso país. Porém, existem alturas em que o seu nome é público por razões menos boas e que envolvem a política e os negócios de alegado favorecimento – expropriação de terrenos contíguos à Casa das Convertidas.

Segundo denúncias da oposição, a Câmara teria intenção de expropriar terrenos para a construção de uma Pousada da Juventude, sendo que esses pertencem a familiares directos do Presidente da Câmara, Mesquita Machado. Os terrenos terão sido vendidos quatro dias antes a uma imobiliária, para depois ser iniciada a aquisição por parte da autarquia. Apesar dessa venda, o valor a ser pago pela autarquia seria para pagamento da hipoteca existente em nome dos familiares do Presidente da Câmara.
Além disso, ainda não existe projecto para a pousada ou qualquer certeza para o financiamento do projecto, apenas uma pressa na expropriação dos ditos terrenos.

O assunto tem andado na boca das gentes da cidade, que têm condenado estas actuações e que apenas foram travadas graças à denúncia vinda dos partidos da oposição, que mostraram-se, ainda bem, atentos ao desenrolar do processo e permitiram que o mesmo fosse travado a tempo.

Por muito cristalino que seja o processo, para o cidadão comum tem tudo menos de cristalino – trata-se de um alegado favorecimento familiar. Falta saber se isto continuará impune perante a lei ou mesmo nas eleições – se bem que Mesquita Machado está de saída da presidência do Município.

Mesmo que exista transparência, que duvido seriamente, para quê expropriar terrenos para um projecto que não existe e que nem garantia de financiamento existe?

Assim se organiza o poder autárquico e assim se criam buracos públicos que os portugueses mais tarde têm de pagar. Qual o peso dos buracos “camarários” no défice público?

BRAGA DE PORTA ABERTA

Manuel Pereira de Sousa, 23.12.12


Fotografias da abertura em: http://www.facebook.com/media/set/?set=a.269867339749747.60561.269789916424156&type=3

 

Braga sempre foi conhecida por ter a “porta aberta” desde sempre – todos são bem recebidos na cidade dos Arcebispos. Copiando uma frase que circula pelo Facebook “Antes de nascer Portugal Braga já era capital” - uma cidade de grande importância no Império Romano, Bracara Augusta.

Neste ano de 2012, Braga foi Capital Europeia da Juventude – um grande acontecimento para a cidade e para o país, ainda que tenha sido bem cá para o Norte. Porém, este acontecimento parece que passou bastante despercebido por entre a população, mesmo que os eventos e acontecimentos tenham tido uma participação de público acima do esperado. A importância que os órgãos de comunicação social deram ao acontecimento ficou muito aquém do esperado – Braga foi tratada como cidade de pouca importância para o resto do país. Por vezes, pensei que Braga Capital Europeia da Juventude era um acontecimento de uma cidade de outro país. Arrisco a dizer que a comunicação social esteve mais em Braga por causa dos encontros futebolísticos que propriamente devido aos acontecimentos culturais.

Este tratamento minimizado em torno da cidade é bem o reflexo de que vivemos num país em que Lisboa é a capital e o resto é paisagem. Mesmo Guimarães, aqui bem perto, que foi a Capital Europeia da Cultura teve mais destaque na abertura e depois para o final e o resto do ano também passou despercebida aos olhos de muitos (a abertura e o fecho foi bem acolhida na RTP).

Assim se vê a importância que se dá aos acontecimentos culturais que correm no nosso país. Os orçamentos são cada vez mais reduzidos e os espetáculos são feitos com o mínimo possível porque existe a ideia tacanha dos nossos governantes que a cultura é um produto menor.

Braga viveu, em 2012, uma experiência bem diferente e que poderá ser a porta aberta para outras experiências culturais, que tanto necessita – este é o investimento futuro que lhe falta. Foi a vida que muito lhe faltava. Enquanto isso, terá sempre que conviver com uma certa ignorância dos olhares da capital do reino.

RUI VELOSO A SALVO PORQUE NÃO GANHAMOS O EUROMILHÕES

Manuel Pereira de Sousa, 12.08.12

Existem pessoas neste mundo que podem bem ficar satisfeitas por eu, e mais algumas pessoas com quem joguei o Euromilhões, não termos ganho o prémio tão desejado.

Eis que alguém do grupo está a programar as suas férias para os lados de Porto Covo e, no meio do nada, surge a sugestão de contratar o Rui Veloso para cantar durante toda a viagem, de Braga até Porto Covo. Atenção! cantar sempre a música, Porto Covo, até à exaustão; até não poder mais; nem que o Rui ficasse todo rouquinho ou a cantar em murmúrios, como a Amália nos últimos tempos de carreira.
                                                                                                                                                         
                                                                                          Perdoa-me Amália e não me envies um raio porque eu gosto muito de ti e emociono-me quando oiço os teus fados - até abro os braços e bato com os deditos na palma da mão "Obrigada, Obrigada! Palminhas, Palminhas!" (aquilo que só ela fazia e que todos sabem o que é).

Por isso, o Rui deve estar satisfeito e feliz da vida por não ser alvo de tanta e temível crueldade. Ele ficaria tão saturado da música, mais saturado que ter de a cantar em cada espectáculo ou ter de a repetir interminavelmente quando está a compor e a gravar. A isto se chamaria exploração musical até ao limite - quiçá poderá um dia ser considerado crime.

 

Já que não há dinheiro para contratar o nosso Rui Veloso, há sempre alguém que tenha a música gravada que possa emprestar à minha colega para ouvir no carro durante a viagem - não é a mesma coisa, mas tapa o buraco. Eu não tenho cá o Rui Veloso, mas tenho o Youtube a fazer o milagre musical de reproduzir repetidamente a música de Porto Covo.

(Neste momento, escrevo apressadamente para não ouvir muitas vezes a música - já vai na segunda repetição - apesar de gostar dela e de me lembrar Porto Covo).

 

                                                                                                      (fonte: Youtube)

 

Para que quem não sabe a letra na totalidade aqui vai (encontrada no Google):

 

Roendo uma laranja na falésia 

Olhando o mundo azul à minha frente,
Ouvindo um rouxinol nas redondezas,

No calmo improviso do poente

 

Eu não sei como se roem laranjas!? Será que é como se comem as maçãs? Por norma, descasco com afinco, com os dedos. O azul do mar em Porto Covo é magnifico e o pôr-do-sol deve ser espectacular. Só nunca ouvi foi os rouxinóis pelas redondezas.

Em baixo fogos trémulos nas tendas
Ao largo as águas brilham como prata
E a brisa vai contando velhas lendas
De portos e baías de piratas

 

A brisa a contar histórias (está bonito) deve meter um medo de morte como se fossem coisas de outro mundo. Será que o Rui ouve vozes do além? Dos piratas que rondavam aquela zona e que andam como almas perdidas atrás dos visitantes? Será que sabem de D. Sebastião?

Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Côvo

 

Ai o amor e o pessegueiro. Porque raio havia o rapaz de plantar um pessegueiro numa ilha? Isto pode ter interpretações muito perversas e pode ser a razão do amor ter resultado num sofrimento terrível.

A lua já desceu sobre esta paz
E reina sobre todo este luzeiro
Á volta toda a vida se compraz
Enquanto um sargo assa no brazeiro

Ao longe a cidadela de um navio
Acende-se no mar como um desejo
Por trás de mim o bafo do destino
Devolve-me à lembrança do Alentejo

 

O bafo do destino. Quantos já sentiram um bafo, vindo de algures, e se projectaram para outros destinos. Aqueles agradáveis que provocam sedução e aqueles que provocam a revolta do estômago e agonia do espírito.

Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Côvo

Roendo uma laranja na falésia
Olhando à minha frente o azul escuro
Podia ser um peixe na maré
Nadando sem passado nem futuro

Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Côvo 


Rui, da próxima vez que cantares esta música vais sentir mais liberdade porque o destino é teu amigo e te salvou de tamanho sacrifício - mais negro que as lendas que a brisa te contava dos piratas.

NO PEDAL PEDALAR, PEDALAR

Manuel Pereira de Sousa, 17.07.12

Hoje é um daqueles dias em que me sinto satisfeito. Um dia puramente normal como os demais, é certo, mas depois de uma longa viagem de bicicleta - longa de 11 km da totalidade (gente do pedal não se riam) - sinto-me muito bem pelo exercício. Foi um dia em que tive de puxar pelos músculos das pernas, dos braços e todos quantos tivesse para conseguir atingir o objectivo a que me tinha proposto quando saí de casa.

Mas, o que são 11 km, mesmo com algumas subidas? (Estão neste momento a perguntar alguns dos que lêem este artigo). Para mim é algo satisfatório porque aprendi a andar de bicicleta há poucos dias; semanas pronto; nem um mês. Pois, aos 29 anos ultrapassei o grande dilema de não saber andar de bicicleta (que vergonha!).

 

Mas, posso explicar porque não aprendi em pequeno.

 

Eu vivia numa aldeia (agora vila) lá num alto, ou seja, à porta de casa tinha uma grande rampa e a minha mãe tinha o medo de com uma bicicleta me estampar por ali abaixo

                                         (já me estampava a correr, imaginem de bicicleta).

Porém, comecei a magicar a ideia que se calhar até era fixe andar de bicicleta, como motivo de fazer algum desporto ao ar livre, de forma económica e quiçá uma alternativa ao automóvel - para evitar o trânsito nesta cidade (Braga). De um momento para o outro... feito... comprei a dita cuja. E depois? Um dia combinei com a minha cunhada para me ensinar - aí começou o grande trabalho - segurando no slim para eu não cair.
Foram horas de um domingo, final de tarde, vividas com intensidade - umas conquistas, mais umas frustrações pelo meio; avanços e recuos. No final do dia as minhas pernas estavam estouradas e o meu rabo... Pois, o meu rabo estava tudo em cangalhas, mesmo a precisar de um novo.

Continuei. Força de vontade lá em cima. Se os miúdos que passavam por mim nas suas bicicletas com a maior das descontracções eu também iria conseguir. Nos dias seguintes, depois do trabalho, ao cair da noite, sozinho, nas traseiras dos prédio (para não fazer figuras) lá tentava eu, mais uma e depois outra; mais vitórias, mais recuos, mais uma "pisadura", mais uma dor de rabo. Mas consegui. Consegui.

Ultrapassei a fase do medo, da vergonha e ando como um homem grande. Agora, à excepção de ir para o trabalho (porque a gente transpira pelo caminho) vou de bicicleta para os vários pontos da cidade ter com o pessoal para tomar café. Um loquete para prender o veículo a alguma coisa, capacete para proteger a cabeça, farol e reflectores para viagens nocturnas, água, Cambra de ar suplente, bomba d'ar, e lá vou eu ao caminho.

Sinto um gozo muito grande por andar de bicicleta e satisfeito por esta maravilha. Faz bem à saúde porque praticamos exercício, poupamos gasolina e desgaste do carro, chegamos aos mesmos locais, contribuímos para a melhoria do ambiente. Vantagens e mais vantagens.

 

Estou maravilhado! Três a quatro vezes por semana lá vou eu às voltas pela cidade, à procura de uma perspectiva diferente do que vejo, aliviar a cabeça da rotina.

 

Recomendo.

 

Juntem uns trocos e comprem algo simples em pouco tempo compensam com o que se poupa em combustíveis cada vez mais caros.

Uma mudança de atitude para o meu bem e daqueles que me rodeiam.