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O LIVRO DE 2012 - ESCOLHA PREFERIDA

por Manuel Joaquim Sousa, em 26.12.12

O ano de 2012, foi ano de muitas leituras, mas existe aquele livro que se destaca por: ser o livro que me acompanhou em duas viagens ao estrangeiro e pela história que bem poderia ser a do nosso país. Falo de “Ensaio Sobre a Lucidez”, de José Saramago.
Posso dizer que até é um livro pouco volumoso, mas que demorou o seu tempo a ler – uma história bem escrita e de forma simples – porque em cada capítulo era merecida uma paragem para pensar em tudo o que foi lido, perceber o sentido e perceber se em alguma altura a história poderia ser real – e podia.
Por muito que a capital, onde se desenrolaram os acontecimentos, pudesse ser uma qualquer, eu não deixo de direcionar o meu pensamento para a nossa capital e para a fuga do nosso Governo. Esta história poderia ser tão real porque, neste ano de 2012, o povo saiu, por diversas vezes, para a rua manifestando-se contra as medidas do Governo e contra a forma como fomos governados em tempos de democracia. Foram manifestações pacíficas, no seu geral, e únicas desde a restauração da democracia – no livro também existe a passagem da manifestação silenciosa pelas ruas da capital, por onde todos seguiam com a mesma determinação.
Tal como no decorrer do livro descreve que os defensores do regime que tentaram sair da capital - com medo do que as ações populares pudessem desencadear, mas por impossibilidade de ultrapassar as barreiras de cerco à capital tiveram de regressar – foram recebidos, não com uma banho de sangue, mas com apoio dos opositores, também os portugueses se uniram numa só voz, mesmo aqueles que nas urnas votaram para a eleição deste executivo.
Também este ano foi recheado de notícias protagonizados interferências de um Ministro no media portugueses, o que se assemelha com a história do Ministro do Interior que tenta minar a informação, para que a mensagem a passar não seja a realidade, mas aquela que provoque o medo.

Diria mesmo que José Saramago foi um profeta dos acontecimentos do nosso país, pois cada capítulo do livro simboliza trechos da História recente – se fosse vivo e se este livro fosse publicado em 2012, seria acusado de querer inflamar a política e apelar à abstenção maciça nas próximas eleições.

Somos conduzidos até à importância de sermos lúcidos na forma como vemos o que acontece à nossa volta, o que marca a diferença dos que evitam a cegueira procurando pensar por si próprios e usarem do direito à liberdade para lutarem por aquilo em que acreditam.

É um livro com uma presença política muito forte, mas que se justifica nos tempos que correm, quando tudo é dominado pela política ou dela depende – existe sempre o poder de mudar o que quer que seja, sem medo de ficarmos barricados na própria cidade.

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