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BLOGUE DO MANEL

A vida tem muito para contar e partilhar com os demais. Esta é a minha rede social para partilhar histórias, momentos e pensamentos, a horas ou fora de horas, com e sem pés nem cabeça. Blogue de Manuel Pereira de Sousa

BLOGUE DO MANEL

A vida tem muito para contar e partilhar com os demais. Esta é a minha rede social para partilhar histórias, momentos e pensamentos, a horas ou fora de horas, com e sem pés nem cabeça. Blogue de Manuel Pereira de Sousa

SOMOS UM BOM POVO!

Manuel Pereira de Sousa, 15.01.17

Donald Trump está quase a tomar posse. Até lá vamos assistindo às despedidas de Obama e de toda a sua equipa. Nesta ronda das despedidas, saltou-me a curiosidade da despedida do Embaixador dos EUA em Lisboa, aquele que foi muito falado na altura do Euro 20016, pela sua forte confiança na vitória de Portugal.

Nesta hora da despedida, deixou uma mensagem de coragem aos portugueses e deixou o povo português de “peito cheio” ao considerar-nos como o povo mais acolhedor e o melhor povo do mundo. É tão bom ouvir esta opinião, independentemente de onde venha e da simpatia que se possa ter pela pessoa. É nestes pequenos reconhecimentos que me enche o orgulho em ser português. Não somos nem pequenos, nem tacanhos, nem tão pouco mesquinhos como nos achamos muitas vezes ou como, cá dentro, alguns nos querem apelidar. Somos simplesmente grandes, acolhedores e capazes de fazer grandes feitos. Precisamos sim, muitas vezes, é de pessoas que nos saibam liderar e conduzir para os grandes feitos dos quais fomos sempre capazes ao longo da nossa História.

A CONVERSA NA MESA DO LADO! O PODER DA COMUNICAÇÃO

Manuel Pereira de Sousa, 13.01.17

Há alturas que me apetece levantar da cadeira e meter conversa com as pessoas da mesa do lado, para lhes explicar onde fica a empresa que tanto procuram. O poder de falarmos a mesma linguagem numa conversa é determinante para que alguém seja compreendido e aceite pelos demais.

 

Estou a tomar o meu café descansado da vida. Na mesa do lado estão duas pessoas de idade na conversa; um de volta de papéis que mais parece um contrato ou uma fatura e outro de volta do telefone à procura de uma morada no Google maps. Por muito que tente ficar alheio à conversa do lado e concentrar-me na minha leitura: não dá. Estão demasiado próximos para me conseguir alhear; estão a provocar uma ansiedade e uma vontade de meter conversa para tentar esclarecer. Mas, não gosto de me meter na conversa dos outros, nem tenho motivo para o fazer - sujeito-me a levar uma resposta menos agradável.

 

Um dos senhores anda preocupado com uma fatura de uma empresa energética com quem já terá rescindido o seu contrato, mas que ainda assim lhe atira um valor superior a 100 Euros para pagar. O senhor precisa de ir a um ponto de contacto para tratar da situação, mas não sabe onde. O outro senhor pesquisa no Google maps e encontra a loja, mostra no telemóvel onde fica e os pontos de referência. Digamos que, para o outro senhor, que não parece ligar a tecnologias, olhar para aquele mapa ou não olhar é a mesma coisa: não percebe nada.

 

Chega outra pessoa à mesa que fica a par da conversa, o senhor do telemóvel está constantemente a explicar onde fica e como se vai para a dita loja - prova a veracidade da sua informação com o mapa -, mas é incompreendido por muito que repita. Este senhor precisa de alguém que ateste a sua credibilidade.

 

A mente humana tem tanto de maravilhoso e inteligente como de fixação por ideias tão próprias, que se torna incapaz de abrir a outros pontos de vista e perspetivas – não há esforço de um para procurar entender a ajuda do outro ou até para lhe pedir ajuda e provar a veracidade da informação: irem os dois à Loja. Digamos que o tempo que perderam a explicar seria suficiente para se deslocarem ao local.

 

O poder de falarmos a mesma linguagem numa conversa é determinante para que alguém seja compreendido e aceite pelos demais; se não existir esta capacidade, o comunicador fica entregue à solidão das suas ideias e teorias, por mais certas que estejam.

OBRIGADO SOARES MESMO NÃO GOSTANDO DE TI!

Manuel Pereira de Sousa, 10.01.17

Os últimos dias ficaram marcados pela morte de Mário Soares. A vida é mesmo assim. As grandes personalidades também morrem. Normal, pensarão os que leem. Por vezes, acreditamos que as grandes pessoas são imortais - de certa maneira são. Além disso, Mário Soares foi uma grande pessoa - será imortal na História, lugar que lhe é devido e que ninguém lhe tira.
Poderei estar a ser exagerado, por contágio do fluxo de informação que temos tido nos últimos dias, mas consigo estar distante das notícias e das opiniões, para tentar uma análise mais pessoal possível.
Soares não foi a pessoa perfeita. Sempre ouvi histórias, umas mais próximas que outras, que este não era a pessoa mais humilde e próxima, um tanto arrogante longe do considerado público. São histórias das quais há lugar para a dúvida porque a interpretação que cada um faz de alguém é sempre subjetiva. Mas acredito que não seria a pessoa mais fácil do mundo.
Soares não foi o político mais perfeito do mundo. As decisões que tomou não foram consensuais, como as de qualquer político que defende uma determinada ideologia que nunca é aceite pela generalidade. Foi um político com erros cometidos como qualquer outro.
Soares foi um grande Homem determinante para aquilo que somos hoje como povo e como país. Nunca gostou que lhe chamassem "pai da democracia"; diria que foi um homem da democracia e da liberdade (não esquecendo todos os outros que lutaram pelos mesmos ideias). Por muitas críticas que lhe possam fazer, estas são feitas porque este lutou pela liberdade que nos permite exprimir de forma diferente sem qualquer julgamento político, que a muitos, como ele, tiveram no exílio ou, na impossibilidade, ficaram nas masmorras da prisão.
Fazer, neste momento, um julgamento de tudo o que foi responsabilidade política de Mário Soares será talvez apressado. O tempo das redes sociais apressa muita coisa, inclusive a opinião, por vezes, exagerada dos acontecimentos e das pessoas. É importante, com o seu devido tempo, perceber os factos e as circunstâncias para se avaliar o papel desta personalidade.
Será fácil dizer que se cometeram erros, que o país passou pelo PREC de forma catastrófica; que a descolonização foi feita de forma errada. Mais difícil é saber de que outra forma tudo poderia ter sido feito, dadas as circunstâncias difíceis em que o país vivia. Uma coisa é o desejável outra o possível. Fácil é para aqueles que assistem de fora e que na hora de exercer o ato democrático conquistado, preferem ficar no seu comodismo.
A Soares agradeço ter nascido em democracia; fazer parte da União Europeia.
Obrigado Soares, mesmo não gostando de ti como pessoa.

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