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BLOGUE DO MANEL

A vida tem muito para contar e partilhar com os demais. Esta é a minha rede social para partilhar histórias, momentos e pensamentos, a horas ou fora de horas, com e sem pés nem cabeça. Blogue de Manuel Pereira de Sousa

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A vida tem muito para contar e partilhar com os demais. Esta é a minha rede social para partilhar histórias, momentos e pensamentos, a horas ou fora de horas, com e sem pés nem cabeça. Blogue de Manuel Pereira de Sousa

MANUELA MOURA GUEDES SALTOU DA BARCA. FORAM TODOS PARA O INFERNO!

Manuel Pereira de Sousa, 10.06.15

Pelas últimas notícias a "Barca do Inferno" parou a sua viagem - foi a decisão da RTP suspender o programa. Na segunda, em direto, na RTP Informação, o programa decorria normalmente quando Manuela Moura Guedes saiu em direto - pareceu que se tratava de uma cópia à atitude de Santana Lopes, na SIC Notícias há uns anos. Foi a chegada de José Mourinho a Portugal que motivou esta saída? Não. Foram mesmo as circunstâncias do debate semanal, que se tornou aceso.

Já tive oportunidade de ver o "Barca do Inferno" algumas vezes - não sigo com regularidade - e posso dizer que o nome foi bem escolhido. Nilton está rodeado de verdadeiros furacões políticos e com "pelo na venta" para mostrar que sabem do que falam e que falam com conhecimento de causa, com algum domínio da razão sobre o outro, ou melhor outra. Conhecem os temas melhor do que eu - ainda bem que têm conteúdo. Pena que, por vezes, o programa se torne numa verdadeira barca a caminho do inferno quando a discussão se torna acesa e começam a aumentar os decibéis das suas vozes, a ponto de não se perceber bem o que tanto tentam falar - pobres dos meus ouvidos que têm de aguentar. É impossível ver este programa sem ter o comando na mão para controlar o volume constantemente porque tanto conversam calmamente como no segundo seguinte espetam farpas e então é o fim. Gostava que um dia o Nilton "saísse de fininho" e ver se eram capazes de abalroar a mesa enorme que as separa para andarem à estalada, aos puxões de cabelos, enquanto debatiam os temas quentes da nossa política - uma forma diferente de ver política, de se fazer política. Perdoem-me as mulheres, pois não quero exagerar, mas juntar só mulheres num debate destes, com personalidades vincadas que cada uma tem não me pareceu que fosse um exercício fácil para o apresentador. Não consigo imaginar que no fim do programa consigam ser amistosas e capazes de conversarem amenamente sobre a cor do cabelo, as unhas de gel ou as roupas que escolheram para o direto. Não as consigo ver numa mesa de café a contar piadas umas às outras ou a comentar os modelos que entram e saem. Não as consigo imaginar irem à casa de banho juntas tão comum no sexo feminino. Perdoem-me pelo desabafo, mas é impossível não partilhar.

Ver as imagens que circulam pela internet sobre a saída da Manuela Moura Guedes pode ser um pouco redutor e o melhor é ver o programa desde o início, para se perceber o contexto dos acontecimentos - é um exercício duro para os ouvidos, mas vale apena. A discussão era interessante - sustentabilidade da Segurança Social - e que tem andado nas bocas do mundo por causa de uma proposta socialista sobre a baixa da TSU para os trabalhadores. Todas estavam a opinar sobre esta sustentabilidade e, quer Manuela Moura Guedes, quer Raquel Varela, tinham dados bem sustentados, embora com ideias opostas sobre os princípios e formas de criar sustentabilidade na Segurança Social. Por sua vez, a Isabel Moreira, do PS, tinha umas ideias mas, pelo que me dá a parecer, estava a ler o papel, que a deixou numa posição sem grande capacidade de contra-argumentação sobre o assunto - o que terá motivado as questões de Manuela Moura Guedes, que se terá apercebido da fragilidade da opinião da sua colega e com isso ter uma posição dominante no debate. Foi o momento: é agora que eu a esmago. Lançou as perguntas e a Isabel Moreira respondeu de forma apática e pouco convincente focada na leitura que acabava de fazer. Era de esperar esta reação da Manuela? Talvez. Todos conhecem o "animal jornalístico" que existe dentro de si, o seu ódio de estimação pelo PS e pelos amigos do seu "inimigo" José Sócrates. Nilton põe ordem no debate, tentou avançar, chamou a atenção à Manuela. Ela não gostou e sentiu-se a mais. Saiu. O debate continuou.

A RTP parece ter a infeliz ideia de suspender o programa, quando agora poderia ter o sucesso desejado e ser a alavanca de audiências para o canal de Notícias da Estação Pública. Estamos perante um verão quente, movimentações para as legislativas e posteriormente para as presidenciais. Não há direito a acabar com este programa que poderia apimentar ainda mais a política portuguesa. Seria interessante perceber a continuidade, descobrir novos moldes para acender o debate e a polémica. Seria interessante ver os assuntos importantes serem debatidos de uma forma diferente da habitual formalidade.

Agora que estavam a chegar ao inferno abandonam a barca….

JESUS QUE TANTO DÁ QUE FALAR.

Manuel Pereira de Sousa, 05.06.15

Pelos vistos o futebol vai continuar a dominar as notícias do dia a dia. Depois da grande polémica em torno dos festejos do Benfica, da carga policial envolvida e das cenas de pancadaria, eis que a ida de Jorge Jesus para o Sporting foi o toque final para o Benfica continuar a ser falado. Em relação a esta mudança nem me preocupei em ler muitas notícias, nem tão pouco seguir as redes sociais porque já sabemos que haverá muito ódio destilado por aí. Quer se goste ou não cada um é livre de seguir o seu caminho e fazer as escolhas profissionais que mais lhe interessa. Isso não tira o mérito ao treinador. O que muito me admira é a importância e o tempo de antena que este assunto tem merecido em todo o lado. As prioridades nas notícias por vezes fazem-me confusão, talvez por não ligar muito ao fenómeno futebolístico.

QUEM SE LEMBRA DA TELESCOLA?

Manuel Pereira de Sousa, 03.06.15

Hoje no trabalho, talvez a falar de idades (quem é mais velho que quem) veio à memória os tempos em que havia a Telescola. Alguém se lembra do que era a Telescola? Maioria dos jovens não sabe o que isso é – felizmente. Apesar de eu não ser assim tão velho, ainda me lembro deste tipo de ensino tão pouco pedagógico e incapaz dos alunos posteriormente se integrarem num sistema de aulas normal. Eu andei na telescola. Para quem não sabe, a Telescola era o ensino das disciplinas através de televisão. O meu quinto e sexto ano foi assim. Aprendi pela televisão. Sim, aprendi, Matemática, Ciências, Educação Física, Francês, Português, História e todas as outras disciplinas que fazem parte do ensino preparatório. Os manuais eram num papel muito fraco – ao meio do primeiro período já estavam todos esfarrapados. Vinham pelo correio e eram distribuídos pelos alunos após o pagamento no início ano letivo. Lembro-me que em algumas disciplinas era um manual por período, que chegavam á escola por correio, para depois nos serem entregados pelas professoras. Apesar das aulas serem por televisão tínhamos duas professoras – uma por cada grupo de disciplinas – que esclareciam algumas duvidas do que passava na televisão. Além disso, as professoras recebiam as cassetes, VHS, por correio, para colocarem no vídeo – era assim que assistíamos às aulas. Na televisão até o sumário passava. Alternativa era a professora que ditava o sumário segundo as regras que vinham no seus manuais distribuídas pelo Ministério da Educação. Os testes vinham também pelo correio, assim como a correção. Imaginem como era bonito assistir a educação física por televisão. Tínhamos um horário como os restantes meninos do liceus – nem sempre era cumprido e as aulas eram dadas ao sabor das necessidades de despachar as matérias. Era uma seca estar todo o tempo a ver as emissões, algumas delas era puxar a fita para a frente. Imaginem o que era comprar livro de educação física sem praticar, livro de música sem nunca termos aulas de música ou educação visual que nunca praticamos.

Por vezes, aparecia o inspetor lá na escola, a quem se batia continência e de quem escondíamos os livros debaixo das mesas por vergonha do terrível estado em que se encontravam. Este sistema de ensino era muito próprio de zonas em que as escolas secundárias e s+c não existiam ou ficavam distantes e normalmente as aulas eram nas escolas primárias. Ainda bem que anos mais tarde a telescola deixou de existir. Nem sabem o quanto isto prejudicou a integração no sétimo ano. As bases necessárias não existiam. As dificuldades em disciplinas como línguas, educação visual foram notáveis. Outros colegas tiveram dificuldades com a Matemática, ciências, etc. A organização da nova escola foi um choque. Não sabíamos ao certo o que se fazia quando a aula de História terminava e havia que mudar de sala para ir para Ciências; havia toques para entrar e sair, as aulas tinham tempos definidos; um professor por cada disciplina; ensino exclusivamente presencial, etc. Os horários faziam-se cumprir.

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