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É dia de Portugal. O Sr. Presidente já discursou? Questiono isso mesmo por saber que o Sr. Presidente discursa sempre nesta data em que se lembra Portugal, Camões e as Comunidades. Não ouvi o discurso. Acho que poucos o ouviram. Acho que poucos lhe darão ouvidos e o acharão interessante. A voz do nosso Presidente pelos vistos é assim - pouco acolhedora, pouco consensual, pouco voltada para os portugueses.

Sabem que é dia de Portugal? O que é Portugal nos dias de hoje? O que será de hoje em diante? Podemos entrar numa vertente muito filosófica e triste tal como o fado ou como o velho do restelo, que Camões falava na sua epopeia. Portugal parece ser, por vezes, um país indefinido, sem rumo e sem objetivos concretos para o futuro; sem uma imagem de marca que sirva de alavanca para a modernidade e para o crescimento. Vivemos acanhados por causa da crise e da culpa que os governantes nos depositaram pelo estado atual da economia e das finanças - somos sim culpados por quem elegemos. Creio que o nosso país está muito desaproveitado nos seus recursos materiais e humanos. Desaproveitado porque valoriza muito pouco o que tem dentro das suas fronteiras e valoriza ainda o que vem de fora. Mas, quem nos dirige pouco acredita nos portugueses e prefere aconselhar a emigrar. Se ainda vivemos na espera do D. Sebastião numa noite de nevoeiro estamos tramados porque nem ele parece querer alguma coisa de nós. Eu gostaria muito mais que viesse um Infante D. Henrique, que "agarrasse" no português e o voltasse para o futuro e lhe atribuísse uma obrigação de fazer o melhor pelo seu país na sua área. Faz falta a Portugal uma alternativa que oriente, com estratégia a longo prazo, para que o desenvolvimento e o caminho se construa geração após geração. Por vezes, ainda duvido que tenhamos soberania para conduzir o destino do país como desejamos e não ao sabor dos outros, que não sabem o que é Portugal e que conhecem tão pouco a realidade de cada português para emitirem uma qualquer opinião sobre o que deve ser feito.

Somos soberanos. Temos capacidades. Somos Portugal.

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Pelas últimas notícias a "Barca do Inferno" parou a sua viagem - foi a decisão da RTP suspender o programa. Na segunda, em direto, na RTP Informação, o programa decorria normalmente quando Manuela Moura Guedes saiu em direto - pareceu que se tratava de uma cópia à atitude de Santana Lopes, na SIC Notícias há uns anos. Foi a chegada de José Mourinho a Portugal que motivou esta saída? Não. Foram mesmo as circunstâncias do debate semanal, que se tornou aceso.

Já tive oportunidade de ver o "Barca do Inferno" algumas vezes - não sigo com regularidade - e posso dizer que o nome foi bem escolhido. Nilton está rodeado de verdadeiros furacões políticos e com "pelo na venta" para mostrar que sabem do que falam e que falam com conhecimento de causa, com algum domínio da razão sobre o outro, ou melhor outra. Conhecem os temas melhor do que eu - ainda bem que têm conteúdo. Pena que, por vezes, o programa se torne numa verdadeira barca a caminho do inferno quando a discussão se torna acesa e começam a aumentar os decibéis das suas vozes, a ponto de não se perceber bem o que tanto tentam falar - pobres dos meus ouvidos que têm de aguentar. É impossível ver este programa sem ter o comando na mão para controlar o volume constantemente porque tanto conversam calmamente como no segundo seguinte espetam farpas e então é o fim. Gostava que um dia o Nilton "saísse de fininho" e ver se eram capazes de abalroar a mesa enorme que as separa para andarem à estalada, aos puxões de cabelos, enquanto debatiam os temas quentes da nossa política - uma forma diferente de ver política, de se fazer política. Perdoem-me as mulheres, pois não quero exagerar, mas juntar só mulheres num debate destes, com personalidades vincadas que cada uma tem não me pareceu que fosse um exercício fácil para o apresentador. Não consigo imaginar que no fim do programa consigam ser amistosas e capazes de conversarem amenamente sobre a cor do cabelo, as unhas de gel ou as roupas que escolheram para o direto. Não as consigo ver numa mesa de café a contar piadas umas às outras ou a comentar os modelos que entram e saem. Não as consigo imaginar irem à casa de banho juntas tão comum no sexo feminino. Perdoem-me pelo desabafo, mas é impossível não partilhar.

Ver as imagens que circulam pela internet sobre a saída da Manuela Moura Guedes pode ser um pouco redutor e o melhor é ver o programa desde o início, para se perceber o contexto dos acontecimentos - é um exercício duro para os ouvidos, mas vale apena. A discussão era interessante - sustentabilidade da Segurança Social - e que tem andado nas bocas do mundo por causa de uma proposta socialista sobre a baixa da TSU para os trabalhadores. Todas estavam a opinar sobre esta sustentabilidade e, quer Manuela Moura Guedes, quer Raquel Varela, tinham dados bem sustentados, embora com ideias opostas sobre os princípios e formas de criar sustentabilidade na Segurança Social. Por sua vez, a Isabel Moreira, do PS, tinha umas ideias mas, pelo que me dá a parecer, estava a ler o papel, que a deixou numa posição sem grande capacidade de contra-argumentação sobre o assunto - o que terá motivado as questões de Manuela Moura Guedes, que se terá apercebido da fragilidade da opinião da sua colega e com isso ter uma posição dominante no debate. Foi o momento: é agora que eu a esmago. Lançou as perguntas e a Isabel Moreira respondeu de forma apática e pouco convincente focada na leitura que acabava de fazer. Era de esperar esta reação da Manuela? Talvez. Todos conhecem o "animal jornalístico" que existe dentro de si, o seu ódio de estimação pelo PS e pelos amigos do seu "inimigo" José Sócrates. Nilton põe ordem no debate, tentou avançar, chamou a atenção à Manuela. Ela não gostou e sentiu-se a mais. Saiu. O debate continuou.

A RTP parece ter a infeliz ideia de suspender o programa, quando agora poderia ter o sucesso desejado e ser a alavanca de audiências para o canal de Notícias da Estação Pública. Estamos perante um verão quente, movimentações para as legislativas e posteriormente para as presidenciais. Não há direito a acabar com este programa que poderia apimentar ainda mais a política portuguesa. Seria interessante perceber a continuidade, descobrir novos moldes para acender o debate e a polémica. Seria interessante ver os assuntos importantes serem debatidos de uma forma diferente da habitual formalidade.

Agora que estavam a chegar ao inferno abandonam a barca….

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