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A SARDINHA ESTÁ CARA!

por Manuel Joaquim Sousa, em 24.06.15

No S. João sabe bem uma sardinha assada na brasa - que cheiro que sinto no ar, dos fogareiros espalhados nas varandas e nos jardins desta cidade -, com uns pimentos verdes, uma batata cozida, um caldo verde e um bom vinho. O S. João proporciona o que deveríamos fazer mais vezes durante o ano: o convívio, a festa, a euforia. Afinal, esta vida são dois dias e o que se leva dela são os bons momentos que confraternizamos com os outros.

A propósito da sardinha, nesta época o seu valor está muito alto. Exagerado. No Porto, dizem as notícias que anda pelos 15 Euros o quilograma, mas na cidade de Braga, no mercado, já chega aos 20 Euros o quilograma. Exagero. Acho que vou esperar mais uns dias e depois compro a um preço bem mais acessível.

A sardinha gorda e graúda, temperada com umas pedras de sal, com a pela queimada da brasa. Que delícia só de pensar.

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GERÊS: O PARAÍSO!

por Manuel Joaquim Sousa, em 22.06.15


Um destes dias decidi voltar à cidade por um caminho diferente do habitual. Queria fugir à confusão do regresso dos turistas. Atravessei a montanha desde a Vila do Gerês até São João do Campo, ou melhor nos tempos modernos é Campo do Gerês.
Estava uma tarde de torrar. Parar ao sol era um verdadeiro sacrifício e mesmo desaconselhado. Poucas pessoas existiam por ali, os poucos que ainda restavam estavam em cima de penedos a admirar a paisagem ou debaixo de sombras a relaxar. Uma boa alternativa para fugir à confusão das praias a que somos confrontados com frequência. Desafiei o calor, parei o carro e tirei esta foto. Foi apenas para congelar este momento. Mas, a fotografia é muito redutora da incrível beleza do lugar. O silêncio e a paisagem fizeram-me pensar que andamos à procura do paraíso quando ele está tão perto de nós e não nos apercebemos.

 

 

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A BÍBLIA É UM LIVRO DE MAUS COSTUMES COMO DIZ SARAMAGO?

por Manuel Joaquim Sousa, em 22.06.15

Nos cinco anos da morte de José Saramago recupero um texto que escrevi sobre este grande escritor e os temas em que nos faz pensar.

Um «manual de maus costumes», este é o comentário que resume a opinião do escritor José Saramago em relação à Bíblia, não percebendo como é que um livro «cheio de horrores, incestos, traições, carnificinas» se tornou num guia espiritual para religiões como a Católica e mesmo o Judaísmo. Considera também que «sem a Bíblia, seriamos pessoas diferentes».

Todos estes comentários foram feitos durante a apresentação do seu novo livro «Caim», em Penafiel, a 18 de Outubro. Sem dúvida que o seu livro já deu muito que falar e ainda não se encontrava à venda nas bancas. Faltará saber se com toda a polémica instalada as vendas poderão corresponder às expectativas criadas em torno deste título.

Com estes comentários torna-se ainda mais evidente a personalidade de José Saramago, que sempre foi bastante polémica e muitas vezes criticado pela sociedade portuguesa. Criticado pela sua forma de ser, pelas palavras que dirige e que muitas vezes chocam as pessoas, ainda que em muitas situações tenha a sua razão. É claro que os recentes comentários acerca da Bíblia como «manual de maus costumes» feriram muitos católicos. Feriram tanto mais quanto maior o conservadorismo religioso existente no nosso país. Apesar de vivermos num país de livre opinião e de livre opção de ideologia religiosa, ainda é tabu que se tenham estas opiniões públicas e será sempre com grande polémica cada uma das reacções, que apesar de tudo não foram tão duras quanto as afirmações do escritor. Por até não serem tão duras, custa também a crer que José Saramago fique admirado com a reacção da Igreja Católica, tal a noção de lucidez que o autor tenta transparecer nos seus livros, na sua escrita ou nas suas palavras. É claro direito da Igreja defender-se das críticas tanto ou mais frivolamente quanto maiores forem essas críticas lançadas pelo escritor José Saramago.

Como em muitas outras ocasiões, as polémicas vão sendo esquecidas, após viverem o momento da sua glória na altura em que são criadas e lançadas. As organizações religiosas dificilmente ruem por mais abanões que aqui e acolá se vão fazendo em relação aos seus dogmas. Poderão existir outras coisas piores e mais graves que apenas críticas ou livros.

José Saramago diz que não escreve contra Deus porque como ateu não acredita na sua existência. Ele escreve contra as religiões porque estas não aproximam as pessoas como apregoam. Não escreve contra Deus, mas no fundo parece que este lhe é uma preocupação e por intermédio das religiões seja um alvo a abater. Todos os crentes, sejam Católicos, Judeus, Muçulmanos, Hindus ou qualquer outra profissão de fé, têm o livre direito de criticar as estruturas religiosas que defendem, que guiadas por homens têm os seus erros e as suas virtudes e que sob os seus erros devem mudar para estarem tão próximas quanto possível das doutrinas que professam.

As críticas do escritor e prémio Nobel não deixam de ser de todo pertinentes e não deixam de merecer alguma atenção por muito polémicas que sejam ou por algum exagero no seu fundamento. Há sempre algum fundamento de verdade que merece a nossa atenção para a discussão.

A Bíblia em si não é um manual de maus costumes e resumi-la a isso será um erro tão crasso como resumir que a obra de José Saramago não representa qualquer valor para a literatura portuguesa e que o seu prémio Nobel não tem significado algum para a mediocridade dos seus livros. A Bíblia é um livro que combina a componente histórica com a componente religiosa e mística. Negar os horrores lá retratados é negar o mundo e uma história que existiu, que nem sempre foi a melhor, a mais séria e nem sempre constituiu o melhor exemplo para as civilizações que se seguiram. Caso apenas retratasse as maravilhas de um povo ou da Humanidade da altura, não faria sentido também a vinda de um Messias que restaurasse a ordem, que trouxesse novos princípios e novas visões de pensamento a seguir.

Numa conferência sobre ciência e religião, realizada em Braga, por volta de 2007, com o Cientista Alexandre Quintanilha e o Professor, Teólogo e Padre Anselmo Borges, este último dizia que «a Bíblia não foi ditada por Deus e que deve ser lida de uma forma crítica. Se seguida à risca quantos sobreviveriam à face da Terra?». Este é o sentido crítico que lhe devemos dar, portanto, não significa que esse sentido crítico deva esvaziar todo o seu sentido ideológico e que pode muito contribuir para um mundo melhor. É importante discutir um livro como guia espiritual, até porque a espiritualidade deve ser questionada.

José Saramago diz-nos que «sem a Bíblia seriamos pessoas diferentes. Provavelmente melhores». É uma opinião que não podemos de facto confirmar à partida. Poderíamos viver também muito piores. Como livro que deve ser interpretado de forma crítica, é natural que muitos os façam de uma forma errada e, por isso, se tornem em más pessoas e tornem o mundo pior. Mas também existem muitas «pessoas melhores» que são seguidoras desse livro de maus costumes. Como qualquer obra escrita, pode ter a interpretação que lhe quisermos dar mediante convicções, opiniões e conveniências do momento. Da mesma forma que o livro «Caim» possa ser interpretado de várias formas possíveis. Espero ter a oportunidade de ler esta obra e que esta represente uma boa base de discussão, assim como, corresponda às expectativas da polémica lançada pelo seu autor.

As declarações de Saramago também tiveram o intuito de uma certa promoção da sua obra. Se assim não fosse poucos saberiam que o «Caim» estava nas bancas. As suas declarações são tanto ou mais polémicas quanto maior for a sua intenção em tocar no intimo e nas crenças de cada um. Ficaria eu surpreendido se em vez de críticas à Bíblia, José Saramago encontrasse nela um exemplo a seguir. Se assim fosse, os seus princípios ateus há muito que teriam caído e Saramago não pretende deixar cair esses princípios, que no fundo o incomodam como incomodam qualquer um.

Felizmente que vivemos num país com liberdade de expressão, em que não se tomam posições extremistas como em outros países, basta recordar das polémicas em torno das caricaturas do profeta Maomé. Criticas existirão sempre, mas como já disse, o debate também é saudável para se quebrarem tabus que ainda existam ou até para se cimentarem ideias. Apesar de ter a noção de polémica gerada e de estar preparado para tal, Saramago deve ter ficado surpreendido pela contestação proveniente não apenas da hierarquia da Igreja, mas também de muitos quadrantes da população que se diz não lerem a Bíblia. Neste mundo da informação é bom que se ouçam opiniões a favor e contra.

José Saramago não deixa de ser um grande escritor, apesar das suas posições radicais e crescentes em relação à religião. Muitas das suas posições são compreensíveis e inquestionáveis, contudo, outras mostram algum azedume forte e por vezes infundamentado, onde deveria ter a noção de determinados limites para a liberdade e respeito do outro. Não será com extremismos que se conseguem mudar as coisas ou chamar as pessoas à razão dos factos. Será sim, com o uso do poder da razão e do equilíbrio. Se Saramago é defensor da Teoria da Relatividade, sabe que não é detentor de verdades absolutas como, por vezes, parece transparecer.

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AMANHECER NO BOM JESUS

por Manuel Joaquim Sousa, em 21.06.15

 

 

O bom de procurar vencer os desafios de acordar cedo para praticar exercício proporciona a recompensa final - uma imagem magnífica, que nem sempre se consegue deslumbrar todos os dias.
Estes dias levantei ainda o dia estava a acabar de nascer, ainda a cidade estaria acordar para mais um dia, peguei na minha bicla e segui em direção ao Bom Jesus do monte, em Braga. Ainda são uns bons quilómetros para lá chegar e mais que a distância é a subida um pouco difícil para os principiantes - o verdadeiro desafio. Cheguei lá cima para a primeira paragem do itinerário a que me propus. Fantástico. Senti que estava a chegar ao céu ao atravessar uma neblina que cobria a cidade e que envolvia o Bom Jesus. Cenário belo aquele que nem sempre é possível captar com uma lente, mas apenas com a memória.
O esforço compensou. Foi um excelente presente para guardar na memória. A nossa vida é preenchida de memórias e as boas merecem o seu lugar de destaque.
Quem vem a Braga deve visitar o Bom Jesus - é como ir a Roma e ver o Papa. Um conselho para a viagem: subir no elevador movido a água ou subir a escadaria a pé e apreciar a paisagem, a natureza, as capelas com a Via Sacra, descansar numa esplanada, visitar a Igreja (agora Basílica), descontrair e lanchar no parque.
No meu caso, foi descer a alta velocidade para a cidade. Havia um dia de trabalho pela frente.

 

 

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HÁ VIDA PARA ALÉM DA INTERNET

por Manuel Joaquim Sousa, em 21.06.15

A dependência da internet é muito grande. Maior do que aquilo que julgo. Certamente não serei o único a pensar desta maneira. Mas, por maior que seja essa necessidade é importante que se saiba viver momentos sem ela. A Internet não pode dominar o Homem, quando foi este o criador desta maravilha tão útil para os nossos dias. Estive fora uns dias e nesse local a palavra internet foi ocasional, apenas nos locais onde o wifi estava disponível para o público geral. Ao princípio confesso que foi difícil, mas com o tempo fui percebendo que não era assim tão desvantajoso e que até foi útil estar sem internet. Há mais prazeres na vida para ocupar o tempo - ler. A leitura foi uma boa companhia. Que bom que era passar mais tempo sem a internet para me dar mais à leitura do papel, que sempre me seduziu em relação às versões eletrónicas. Em dois dias li a revista "Visão" do princípio ao fim e o jornal "Expresso" todo, incluindo a quase totalidade da revista "E". Estes prazeres são mais enriquecedores do que a internet. Com a versão papel não fiquei dependente da capacidade de rede ou disponibilidade do wifi, nem tão pouco preocupado com a necessidade de carregar o telefone ou o computador. A única desvantagem foi não conseguir atualizar o meu blogue com as coisas sem interesse.

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Pelos vistos os programas de culinária vieram para ficar - uma moda que está para se manter, a ver pelos canais especializados em culinária que agora existem nos nossos pacotes de televisão paga. Além disso, temos os programas "Masterchef" que enchem a programação de diversos canais com várias versões e temporadas, de rodagens em vários países. Bem, e os livros que enchem as prateleiras das livrarias e dos supermercados? E as dietas para todos os gostos e feitios? Enfim... há muito por onde escolher.

Gastronomia
Acho que ainda tenho mercado para me lançar nesta coisa da culinária e ser um Oliver em tamanho pequeno.
Sugestão para o dia de amanhã que almoço no trabalho. Algo muito saudável e fácil de preparar. Não arranjei o nome para este prato. Temos uma massa Tagliatelle Nido com Mistura de Legumes Chineses salteados e cogumelos.

Como preparar:
Num tacho, em lume brando, coloca-se um fio de azeite, alho picado e um pouquinho de gengibre. Assim que o azeite fica quente adiciona-se um pouco de piri-piri e umas pitadas de sal. De seguida colocar cogumelos frescos, previamente lavados e laminados sem mexer. Os cogumelos começar a libertar água e então mexe-se para que o tempero se espalhe por todos os cogumelos e lhe dê sabor. Ao fim de alguns minutos junta-se um pacote de legumes daqueles de mistura de legumes chineses e envolve-se tudo muito bem, para que estes apanhem o sabor daquele molho. Deixar cozer por uns minutos em lume brando. Por fim, é só adicionar a massa e envolve-la no salteado de legumes. Vai-se adicionando água aos poucos para que a massa coza, mas não fique com muita água. Convem confirmar se é necessário acrescentar um pouco de sal ou outro tempero.

Para os mais golosos podem experimentar juntar um pouco de queijo ralado ou umas natas antes da massa estar cozida. Também deve ficar bom. Mas só se não cometeram asneiras recentemente.

Já tenho água na boca!

Se experimentarem digam como ficou.

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EM CIMA DA BICLA: ATÉ AO BOM JESUS.

por Manuel Joaquim Sousa, em 15.06.15

Depois de algum tempo parado na atividade física decidi retomar os meus circuitos de bicicleta pela cidade. Que bem que sabe no final do desafio. Custa, por vezes, levantar cedo, mas vale a pena o sacrifício de levantar. Quando volto a casa estou pronto para começar mais um dia de trabalho. A energia é outra, acho que não me apanham na pedalada ao longo do dia. Seria normal ir cansado para o trabalho depois do esforço físico; na realidade vou com mais energia e disposição. O bem do exercício matinal é a capacidade de ajudar a dissipar a má disposição ou o temperamento difícil que, por vezes, estupidamente se tem ao acordar. Não sou o único nesta prática diária porque afinal vão chegando atletas a conta-gotas. Aqueles que conseguem fazer o seu treino pela manhã ao longo da semana e tão cedo são verdadeiros corajosos. Bem, agora sentado no Bom Jesus, de Braga, com a cidade ainda a acordar envolta no nevoeiro e já há uma brigada de homens a trabalhar no restauro. Acaba de chegar um grupo de alemães, de certa idade, maravilhados com o cenário e eu aqui no meio deles. Estou a tentar passar despercebido.

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Estava numa breve passagem entre links para idealizar um outro post para o meu blogue e por segundos parei a ler o título de uma notícia onde dizia que José Cid não gostou da fotografia a Quaresma, que foi capa do recente número da revista Cristina.

Bem, por mais que quisesse ignorar a notícia porque até nem gosto das "notícias" da vida dos famosos, não pude deixar de pesquisar ambas as fotografias para tentar perceber melhor a notícia - dinheiro vivo e a revista Cristina foram as fontes das fotos que publico neste post. Quando fiz uma dessas pesquisas no Google, para encontrar as imagens, reparei que o assunto até teve muita projeção na Internet - fogo!


Eis o que escreveu o tio José Cid: "Três fotos tão semelhantes e no entanto tão diferentes no seu objectivo! A de Quaresma mais recente, só vende a imagem (muito abaixo do nível das geniais trivelas). A do Bruno Nogueira no início da carreira sem saber o que fazer, sem piada nenhuma e confirmada ao longo do tempo (magrinho que parece o Gandhi). A minha (há 20 anos atrás) batendo-me pela música portuguesa solidário com os músicos e poetas esquecidos, e arrastando atrás de mim toda uma nova geração despida de preconceitos que sabem que me bato e baterei pelas causas em que todos acreditamos e que são urgentes . O resultado é simples: Vinte anos depois, tenho a partir de agora 40 grandes concertos para fazer até final de Setembro! Vemo-nos lá! Vai ser uma festa! Beijinhos e abraços. Tio Zé"

Segundo dá para perceber vinte anos separam as fotografias - Cid em nome da música, Quaresma mais relacionada com uma entrevista de vida. Propósitos diferentes, mas não deixam de ter o objetivo comum: a imagem. Mesmo que Cid pretenda dizer que o seu era diferente, acredito que (com todo o respeito que tenho por ele) a imagem foi o grande objetivo, nem que seja com a intenção de provocar. O comum são as magnificas carreiras de ambos, cada uma na sua área.

Qual das imagens permanecerá mais no tempo? Talvez a de José Cid; pela época em que foi tirada, pois naquele tempo foi muita ousadia da sua parte e foi capaz de chocar muito mais que o Quaresma nos dias de hoje. Ficará na memória por mais tempo a fotografia do José Cid porque, ainda hoje, passados 20 anos, muitos ainda se lembram e por isso é que continua a ser objeto de comentário. E aqui nem sequer a estética corporal consegue fazer grande rivalidade. Nota-se a evolução que o homem foi tendo em termos de estética e o cuidado crescente que agora temos comparado com vinte anos atrás. Mas, talvez o sexo feminino possa comentar com melhor conhecimento de causa a evolução masculina ao longo dos anos.

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É SÓ CHINESES!

por Manuel Joaquim Sousa, em 14.06.15

Lá vamos indo por entre prateleiras longas, corredores apertados, muitas vezes sem saída que nos obriga a fazer o caminho de retorno de mãos vazias. É terrível o choque visual a que os nossos olhos estão expostos, de tão lindas que são as roupas, de tão úteis que são aqueles objetos que vendem. É terrível o cheiro ao longo das prateleiras muito propício a espirros e manifestação de alergias - ainda acham que o fumo do tabaco é prejudicial.

 

Com o tempo lá nos fomos habituando ao crescimento de lojas de chineses. Foram crescendo e aparecendo como cogumelos. Pelo que se sabe, aproveitaram-se da crise no comércio local, na falência de várias lojas de rua, aproveitaram-se de espaços comerciais que seriam destinados a shoppings. Construíram um império - o ponto de partida para depois vendermos empresas em saldo aos chineses. Sim, os chineses estenderam o seu império para Portugal - nada contra as lojas, embora evite lá entrar.

Entrar numa loja de chineses é um exercício de heróis. Se antes estas lojas eram mais pequenas e onde se esperava à porta para se conseguir entrar, de tão entulhadas que estavam; hoje, são de dimensões impressionantes - chegam a ter vários pisos. Semelhança com as antigas: continuam atulhadas de coisas de todos os tipos. O desafio é encontrar aquilo que se procura - ou se conhece bem o espaço ou há que correr tudo à procura do que se deseja. Pedir ajuda de um funcionário, que normalmente é chinês, é outro desafio porque falam e falam, apontam para um sitio qualquer na esperança de termos percebido. Lá vamos indo por entre prateleiras longas, corredores apertados, muitas vezes sem saída que nos obriga a fazer o caminho de retorno de mãos vazias. É terrível o choque visual a que os nossos olhos estão expostos, de tão lindas que são as roupas, de tão úteis que são aqueles objetos que vendem. É terrível o cheiro ao longo das prateleiras muito propício a espirros e manifestação de alergias - ainda acham que o fumo do tabaco é prejudicial. No final de contas, nem sei se nos mandam seguir caminho só por sim e na realidade não sabem o que pedimos ou não sabem se têm. Outra coisa irritante é a forma como falam entre si: berram, e depois aquele idioma estranho que mais parece alguém com batatas quentes na boca não ajuda; gritam entre eles que estão na loja ou porque estão via skype com outros chineses (sim, já vi muito disto e o pior é que o cliente na caixa vê a outra pessoa por skype, mesmo em trajes menores a passear pela casa ou mesmo na cama).
Lá no trabalho temos o costume de dizer para ir ao chinês na hora de almoço encontrar o que tanto se procura - para casa, para uma festa, etc - e se não tiver no dia seguinte com toda a certeza que já tem. Este mito criou-se porque de facto aconteceu em diversas situações - não me perguntem como foi possível (há toda uma rede de idealização, fabrico, transporte que não entendo).

Sou um grande fã da rubrica "Bazar das Chinesices", que passa no "5 para a meia noite", da RTP1, de Pedro Raminhos; ele traz-nos as mais belas preciosidades das suas compras nos chineses - quão útil são os produtos, que qualidade de fabrico, que belas traduções dos nomes e das instruções (não há acordo ortográfico que lhes valha, nem sei como não são multados por isso).

A crise não atingiu apenas o comércio tradicional português. Também as lojas do chinês têm sucumbido à crise, fruto do baixo consumo (há muitas coisas do chinês que não são assim tão baratas quanto se pensa) e da concorrência das lojas vizinhas - foi isso que fez as lojas pequenas desaparecerem, as grandes abafaram o negócio. Quando várias lojas pequenas fecham, os donos e funcionários juntam-se para abrir uma de maiores dimensões. São negócios que vão para além da família.

Faço questão em evitar ao máximo entrar nestas lojas das quais duvido da qualidade do produto final, a não ser que pretenda comprar algo descartável e provisório para alguma atividade. Continuo a preferir o comércio português.

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É dia de Portugal. O Sr. Presidente já discursou? Questiono isso mesmo por saber que o Sr. Presidente discursa sempre nesta data em que se lembra Portugal, Camões e as Comunidades. Não ouvi o discurso. Acho que poucos o ouviram. Acho que poucos lhe darão ouvidos e o acharão interessante. A voz do nosso Presidente pelos vistos é assim - pouco acolhedora, pouco consensual, pouco voltada para os portugueses.

Sabem que é dia de Portugal? O que é Portugal nos dias de hoje? O que será de hoje em diante? Podemos entrar numa vertente muito filosófica e triste tal como o fado ou como o velho do restelo, que Camões falava na sua epopeia. Portugal parece ser, por vezes, um país indefinido, sem rumo e sem objetivos concretos para o futuro; sem uma imagem de marca que sirva de alavanca para a modernidade e para o crescimento. Vivemos acanhados por causa da crise e da culpa que os governantes nos depositaram pelo estado atual da economia e das finanças - somos sim culpados por quem elegemos. Creio que o nosso país está muito desaproveitado nos seus recursos materiais e humanos. Desaproveitado porque valoriza muito pouco o que tem dentro das suas fronteiras e valoriza ainda o que vem de fora. Mas, quem nos dirige pouco acredita nos portugueses e prefere aconselhar a emigrar. Se ainda vivemos na espera do D. Sebastião numa noite de nevoeiro estamos tramados porque nem ele parece querer alguma coisa de nós. Eu gostaria muito mais que viesse um Infante D. Henrique, que "agarrasse" no português e o voltasse para o futuro e lhe atribuísse uma obrigação de fazer o melhor pelo seu país na sua área. Faz falta a Portugal uma alternativa que oriente, com estratégia a longo prazo, para que o desenvolvimento e o caminho se construa geração após geração. Por vezes, ainda duvido que tenhamos soberania para conduzir o destino do país como desejamos e não ao sabor dos outros, que não sabem o que é Portugal e que conhecem tão pouco a realidade de cada português para emitirem uma qualquer opinião sobre o que deve ser feito.

Somos soberanos. Temos capacidades. Somos Portugal.

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