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EDROGAN NÃO QUER SER CHARLIE. TEM RAZÃO?

por Manuel Joaquim Sousa, em 13.01.15

Acabo de ler a notícia da Rádio Renascença Edrogan Não É Charlie. Fico a pensar. Dá que pensar.

 

Afastados que começamos a estar das emoções dos últimos dias em torno do terror em Paris e das emocionantes manifestações por toda a França, há que pensar em quem esteve presente e no papel de cada um no dia-a-dia por uma causa que agora luta. Refiro-me essencialmente aos lideres de inúmeros países que estiveram presentes na frente da manifestação. Foi emocionante? Foi de facto um momento raro. Porém, o que pensar da presença do Primeiro-Ministro de Israel também ele culpado de muitas mortes de palestinianos causados pelos sucessivos ataques contra a Faixa de Gaza? Estaremos a ser totalmente coerentes se não tivemos a pertinência de questionar estes líderes e exigir deles uma resposta em relação aos seus atos e às intensões nesta manifestação?
Estará a sua consciência mais tranquila quando se manifesta contra a morte de 17 pessoas e nos seus atos existe a morte de milhares, incluindo crianças que são as mais inocentes de todas as guerrilhas tolas dos adultos?

Numa manifestação não bastam apenas números, presenças de grandes lideres à cabeça da caminhada. É preciso coerência, transparência e dignidade. Por muito que me custe tenho que aceitar a opinião de Edrogan - pode não ser muito correto, mas também não teve a atitude de hipocrisia que dominou a cabeça da manifestação.

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RONALDO: O MENINO D' OURO!

por Manuel Joaquim Sousa, em 13.01.15

Apesar de não ser o melhor espectador de futebol que existe à face da Terra, quero aproveitar este meu espaço para lhe dar os parabéns. Parabéns Ronaldo!
Independentemente de qualquer critica que lhe queiram fazer - há sempre razões para criticar o craque -, este prémio é merecido. Disso parece que não há qualquer dúvida. Há um orgulho nacional por este jogador que é um prodígio capaz de atingir recordes. Ronaldo poderá vir a estar no top de todos os recordes - ainda lhe falta um à frente da Selecção Nacional que ainda não ganhou um campeonato do Mundo ou da Europa.

É pensar pequeno se acharmos que o Cristiano é o nosso único orgulho, quando temos outros vencedores, noutras áreas do desporto. Também há grandes personalidades de valor incalculável em áreas como a ciência, medicina, tecnologia ou até gastronomia. Porém, Cristiano é aquele que se destaca mais pela projecção que o futebol em todo o mundo. Há lugares no mundo onde nunca se ouviu falar de Portugal, mas de Ronaldo já ouviram.

Um dia, numa passagem por Barcelona, um Espanhol perguntou-me de que país era; disse que era de Portugal. A sua admiração foi directa para Cristiano Ronaldo. Portugal, ali perto, não era mais nada que o nome do jogador do Real Madrid.

Gostaria que Portugal fosse lembrado por outras razões e não apenas pelo craque da Madeira. Eu sei que as lendas sobrepõem-se a tudo o resto. Há sempre um desejo de mais. Pelo menos Portugal é destacado no mundo por ser o país de origem do grande jogador.

Mereceu o seu prémio pelo trabalho, persistência e vontade de vencer e de acreditar que pode ultrapassar o limite de outros para ficar na história do futebol. Ainda é novo, mas a sua imagem já se encontra imortalizada.

Parabéns Ronaldo! Por vezes, este povo trata-te mal quando não marcas golos pela Selecção, mas, em momentos como este, reivindica o goleador que és.

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PORQUÊ JE SUIS CHARLIE?

por Manuel Joaquim Sousa, em 10.01.15

No calor dos momentos, em que sentimos o perigo e o horror perto de nós, assim como, os atentados aos valores que tanto queremos na vida, leva-nos às afirmações mais sentimentais e revoltadas como forma de defesa daquilo que somos. O atentado em França contra o jornal Charlie Hebdo revoltou muita gente por esse mundo fora e, por isso, muitos assumiram a frase "Je suis Charlie". Quando vi a faixa negra em muitos perfis do Facebook parei para pensar se também deveria substituir a minha imagem por aquela palavra de ordem. Preferi antes partilhar no meu mural. Partilhar no mural para me associar à revolta que os franceses estavam a sentir porque enquanto bloguer, desejo ter liberdade de opinião em relação aos assuntos que me interessam comentar, independentemente dos visados.

 

Não substitui a fotografia do mural porque continuo a ser quem sou - um ser individual como qualquer um de nós. No entanto, conjugar o verbo être (que se utiliza para ser/estar) e afirmar "je suis Charlie" significa que defendo uma liberdade de expressão em todas as direções; significa a condenação do silêncio e a submissão às ideias que quero contrariar; significa querer ser critico, ainda que sarcástico, ao mundo que rodeia.

 

É certo que se isto não acontecesse meio mundo, como eu, não se lembrava de ser Charlie e é preciso que o pior aconteça para defender aquilo que afinal custa tão caro - a liberdade.

 

Criticar, debater, desenhar são tudo formas de expressão. Charlie Hebdo criticava sem olhar a quem - não apenas o Islamismo. Dessa forma, não entendo que seja tendencioso. Na sua mira esteve sempre a política, religião a sociedade. As suas publicações em nada se relacionam com o facto da França ter atitudes menos democráticas com algumas minorias - acredito que as tenha. Acredito que exista muito trabalho a fazer na integração. Mas integrar e acolher implica silenciar opiniões como Charlie Hebdo? Ou implica outro trabalho como igualdade de direito para os cidadãos e a possibilidade de viverem segundo as suas tradições, desde que não ponham em causa a vida dos outros?

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EU TAMBÉM ME TORNEI CHARLIE E TU?

por Manuel Joaquim Sousa, em 09.01.15

 

A imagem de fundo negro com inscrição “Je suis Charlie” tornou-se, nestes dias, numa das mais partilhadas do mundo através das redes sociais, como manifestação de solidariedade e pesar pelos acontecimentos em França - atentado as instalações do semanário satírico Charlie Hebdo, onde morreram doze pessoas entre funcionários, polícias e corpo redatorial do jornal.

 

Como qualquer atentado, foi horrível. Rápido, bem-sucedido, praticado por jovens com uma preparação fora do normal (embora pouca preparação mental). Foi horrível pelas vidas que se perderam. Foi horrível pelo ataque aos valores mais importantes de França - a liberdade de expressão.

Neste momento crítico, confirmamos que a liberdade de expressão tem um preço muito elevado e serve também para termos consciência disso mesmo. Por vezes, podemos cometer o erro de achar que a liberdade é um direito adquirido. Na realidade, não é um direito porque em todos os países onde se lutou por essa liberdade existiram custos elevados para muitas vidas.

 

A cultura ocidental é muito diferente de outras paragens, de outros países ou povos que vivem em repressão, e o contraste com países de maior liberdade leva à existência de quem festeje estes acontecimentos como uma grande vitória – embora a maior parte do mundo tenha condenado. Só quem vive em França é que consegue perceber a diferença entre o satírico Charlie e a tolerância do povo em aceitar de forma aberta todas as críticas, independentemente dos assuntos e temas que esta toca. Cartoons, sátiras são formas de expressão em relação aos nossos costumes, religiões, política ou sociedade. É saudável convivermos bem com a crítica. É saudável o respeito pela opinião do outro, seja em contexto sério ou satírico. O humor é mesmo assim - ninguém ri do bem, mas do mal do outro e do ridículo a que a espécie humana foi condenada. Brincar com Deus não tem mal algum porque imagem dessas caricaturas ou cartoons é aquela que outros homens, pelos seus atos, fazem passar sem que tenham consciência disso. Se Maomé tem um turbante foi porque a atitude de alguns e os seus atos fizeram outros criar essa imagem. O humor como qualquer forma expressão e arte merece o seu respeito ou a ignorância daqueles que não gostam e não se reveem - nada justifica atentado dia 7 de janeiro.

 

A melhor reação que podemos ter a este ataque é usar como armas: o papel, a caneta, o lápis e todo material de transmissão de opinião que nos vai no pensamento para algum suporte como forma de transmissão e divulgação. Usar estas armas implica coragem, mas são as armas mais fortes. A forma como uma caneta fere é mais profunda, duradoura e imortalizada em tantas almas, que uma arma convencional não consegue matar.

 

Podem aqueles três terroristas vingarem ou achar que vingaram Alá ou Maomé. Na realidade, não foram vingados, mas despertaram nos cidadãos de todo o mundo uma revolta bem pior. Poderão suscitar outros sentimentos mais dolorosos em relação a pessoas, culturas, sem que tenham culpa disso mesmo.

Charlie Hebdo não foi silenciado, mas tornou-se mais forte entre a dor da perda de preciosos elementos. Hoje há muitos mais. Hoje muitos de nós tornaram-se Charlie.

 

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ADEUS À FILIPA VACONDEUS

por Manuel Joaquim Sousa, em 07.01.15

Soube hoje ao final do dia que a Filipa Vacondeus deixou-nos e foi (perdoem-me a piada) com Deus - espero que para um mundo bem melhor que este em que vivemos.
A Filipa Vacondeus esteve sempre na minha memória desde que me lembro de ver televisão, já nos anos 80. Se me questionarem quais as receitas que me lembro do seu programa, direi que não me lembro de nenhuma, embora tenha sempre presente a imagem daquela senhora atrás da banca, de frente para a câmara da televisão a cozinhar e a ensinar os telespectadores.
Admirava a sua forma de falar para o público - tinha aquela voz de quem fala pelo nariz e sempre de uma forma muito chique. Ainda me lembro daquele gesto que fazia com as duas mãos para puxar os óculos para o sítio. Adorava aquele seu penteado, de cabelos armados que se usavam naquele tempo, em que não havia barrete de cozinheiro que lhe servisse. Adorava ver a emitação criada pelo Herman José, desde os tempos do "Tal Canal".
A única fase da D. Filipa que eu não apreciei foi quando começou a fazer publicidade aos trens de cozinha de uma marca conhecida, tipo televendas. Tudo o resto era adorável. Filipa Vacondeus era uma inspiradora de receitas baratas e simples, capaz de destornar qualquer vendedor de bimby.

Adeus Filipa! Espero que esteja em boa companhia.

 

 

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