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TARDE DE SÁBADO. É NATAL.

por Manuel Joaquim Sousa, em 20.12.14

Já cheira a Natal. Já cheira há muito tempo. Mas hoje estamos mais próximos. Nota-se pelo movimento das ruas da cidade nesta tarde de sábado. A azáfama das famílias na corrida atrás das prendas de Natal é imensa. Quanto mais se caminha em direção ao centro maior é o movimento natalício. A cidade está cheia de luz. Está toda enfeitada com sinos, estrelas, luzes penduradas nas fachadas ou a atravessar de um lado ao outro das ruas em forma de arcos e cascatas. Há fumo no ar. São os vendedores de castanhas espalhados pelas praças, que abanam as brasas para assar as castanhas que vendem a quem passa nesta tarde tão fria. Todavia quente pela energia das pessoas. Há centenas ou mesmo milhares de pessoas que caminham lentamente colados em cada montra para ver os modelos e os que não hesitam em entrar para fazer mais uma compra. São às meias dúzias os sacos de papel que cada um carrega ao longo da Rua. Há ainda aqueles que contrariam o frio e a azáfama das compras, que vestem uns calções e decidem correr por entre as ruas da cidade. São muitos. Há alegria no ar. Há o barulho das pessoas que conversam, cumprimentam quem passa. Há qualquer coisa de especial que não vejo nos restantes dias do ano. Só por isso o Natal é fantástico. Para além das conversas há outro barulho. Não é barulho. São vozes de coro. Chegaram num instante e colocaram-se na escadaria da Praça e cantam músicas de Natal. São doces. Cantam com alma. Prendem quem passa. Arrancam o lado emotivo. Provocam silêncio. No final, há palmas. Atrás destes há muitos que não ouvem as músicas e fazem fila para um retrato ao pé da árvore de Natal. É linda. Toda branca. Só com luzes. Um pequena estrela dourada no cimo. Está digna de retirar um uau de quem passa. Um cenário destes nas ruas da minha cidade preenche qualquer ser humano. São horas de entrar num café. Ficar bem quente a ver o mesmo cenário que se passa lá fora. Para se sentir a sensação numa outra dimensão e anotar o cenário de uma tarde de sábado. São houras de ouvir poesia. São vésperas de Natal. Pena que o Natal não seja todos os dias.

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