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A MINHA MÃE PENSAVA QUE HOJE TINHA DE VOTAR

por Manuel Joaquim Sousa, em 28.09.14

“O Costa quer é outro tacho”, foi a frase várias vezes repetida por uma idosa à mesa do café, juntamente com mais duas amigas. Como dá para ver uma apoiante de Seguro nesta cavalgada até ao poder do PS.

É hoje o grande dia, em que saberemos qume vai ser o candidato do PS a primeiro-ministro – assim definem alguns artigos da imprensa nacional. Porém, muito mais importante que isso, pelo menos no momento mais imediato, é saber de que forma ficará o PS – o after day. Poderemos ter um partido muito dividido para alegria da coligação PSD/CDS.

Nos últimos tempos as notícias têm sido tantas que parece estarmos perante eleições legislativas em que o futuro do país se decide hoje. Tivemos três debates televisivos como se estes candidatos tivessem assim tanto que discutir, para que os simpatizantes e filiados tivessem de escolher dois rumos diferentes para o PS. Na realidade, a discussão foi medíocre. A clareza entre o que um pensa e o que o outro deseja fazer é ténue. Achei que as questões foram mais pessoais – pouca estratégia política e poucas ideias claras quanto ao futuro.

A publicitação desta campanha foi tanta que duas destas idosas pensavam que tinham de ir votar, desconhecendo que apenas os militantes e simpatizantes inscritos é que poderiam fazer. Mas, não apenas elas pensavam assim. Ontem, a minha mãe que pouco percebe de política – muito pouco – enquanto estava na cozinha teve uma reflexão profunda sobre as eleições no PS e perguntou-me:
- Qual deles é melhor o Costa ou o Seguro? – eu a caminhar pela casa parei e pensei a que propósito vinha tal pergunta.
- Nem sei. Acho que são os dois iguais. – respondi – Porque perguntas?
- Assim nem se sabe em quem votar – havia aqui qualquer coisa que não estava a bater certo.
- Eles lá sabem o que devem escolher; também não és militante, não tens que te preocupar.

- Eu pensava que tínhamos de ir votar amanhã – agora percebi aquela preocupação em saber o que fazer com o seu voto.
- Não, só para os militantes e os que se inscreveram como simpatizantes.
Seria só a minha mãe que ficou baralhada com a quantidade de notícias que circularam por aí e que causaram alguma confusão acerca destas eleições? Hoje confirmei através das conversas de café que não. Há muita confusão – por falta de atenção das pessoas e por excesso de mediatismo em relação a certos assuntos.

Espero que no after day – como se costuma chamar ao dia seguinte – os portugueses não pensem que Pedro Passos Coelho já não é primeiro-ministro ou isto fica uma grande confusão.

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A OUTRA FORMA DE VER A MORTE

por Manuel Joaquim Sousa, em 18.09.14

“Intermitências da Morte”, de José Saramago. Um livro que recomendo que se leia. Eu achei fantástico. Terminei há pouco tempo de o ler. Quanto mais perto estava do fim, mais me apetecia continuar a ler e ignorar tudo o resto que estava a acontecer a meu lado. Já alguém, para além de José Saramago, escreveu desta forma sobre a morte? (escrevo o nome da personagem em letra pequena não vá ela revoltar-se) A morte é encarada como a personagem principal do livro de forma perfeitamente natural e sem necessidade de ser a olharmos como um terror de quem nem ousamos ouvir o nome.
Esta obra fez-me pensar em dois pontos de vista. De nada vale tudo fazer para ser imortal porque o caos torna-se maior e o mundo entraria em colapso imediato. Seria o colapso do Estado Social, da economia que depende da morte – funerárias, coveiros, padres, Igreja, medicina – e da população mundial que se tornaria em excesso. No princípio seria uma alegria. Depressa se iria desvanecer. Rapidamente todos os esforços para a conquista da imortalidade seriam enterrados e destruídos. Facilmente muitos gostariam que a morte, em qualquer altura, estivesse presente nas nossas vidas. Caso contrário, ficaríamos condenados a andarmos por aí a cair aos bocados como se fossemos uns zombies.

A outra perspetiva é imaginar quem é ela – a morte. Porque a vemos como um esqueleto envolto de um manto preto, com um capuz, agarrando uma gadanha que utiliza para executar o seu golpe fatal. Porque nos descrevem a figura desta forma? Poderia ser uma personagem mais bonita, apesar do seu ato ser de uma dolorosa misericórdia?

Como traça a morte o destino de cada ser humano? Com que objetivo? Qual a base em que se apoia para condenar alguém? Qual a rotina? Quando terminará os seus trabalho?

A obra de José Saramago permite pensar na morte sem tabus e ajuda a encara-la como um mal menor, apesar de ser um mal maior contra o qual lutamos inutilmente – todos temos o mesmo fim; uns mais cedo que outros.

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A BORBOLETA TEM VIDA CURTA TAL COMO O NOVO BANCO

por Manuel Joaquim Sousa, em 14.09.14

Todos sabem que a borboleta tem vida curta. O seu exponencial de beleza depois de se libertar do casulo é curto. Curta poderá ser a vida do Novo Banco – que adotou a borboleta como símbolo. Os acontecimentos desta semana dão provas do que aqui falo e confirmam os meus receios em relação à solução encontrada para resolver um dos casos mais complexos da banca portuguesa.
A equipa presidida por Vítor Bento chegou ao antigo Banco Espírito Santo sem saber o que iria encontrar. A imagem de solidez que sempre foi passada para o exterior, levava a crer que o banco estava sólido financeiramente e que a guerra entre a família Espírito Santo para tomar o poder era sinal de que existia dinheiro, para além do grande poder nisto tudo. A equipa de Vítor Bento recebe em mãos um presente envenenado – tal como Cadilhe quando entrou para o BPN. Depois a mesma equipa de gestão é reconduzida após a decisão do Banco de Portugal em dividir o Banco em dois – o Novo e o mau. Ao que parece a decisão não foi bem vista pelo Presidente reconduzido e pela sua equipa. Foi-lhe pedido que continuassem no banco construindo uma estratégia a longo prazo com o objetivo de ser vendido. Porém, os gestores são confrontados com mudanças de rumo e a estratégia de governação do Novo Banco é para uma venda a curto prazo. Terão sido estas as razão para que Vítor Bento, José Honório e João Moreira Rato apresentassem a sua demissão. É no mínimo compreensível porque é impossível que uma empresa – numa situação desastrosa – esteja constantemente a mudar de rumo, sem que se dê tempo à apresentação de qualquer projeto e à execução de qualquer estratégia.

Este tipo de decisões, vindas do Banco de Portugal, mostra como o caso é terrível e mostra como não estamos preparados a lidar com a situação. Todas as decisões que se tomem são más; porém, o Banco de Portugal terá de tomar a que for menos má e que represente menos prejuízo para o Estado e contribuintes.

No meio de toda esta confusão não se ouve a voz do Governo, que sempre se desviou do caso. Mas, é imprescindível que tome posição. Não pode fazer “ouvidos moucos”. Esta atitude em nada ajuda à estabilização desta situação.

O mais impressionante em tudo isto é que as decisões ou pretensões do Governo, que nada diz ou decide, sejam comunicadas ao público através dos comentadores políticos – como Marques Mendes, na SIC, que divulgou a venda rápida do Banco.

Não há administração que sobreviva às diversas intensões que lhes são comunicadas e aos anúncios do que vai acontecer vindos de fora.

Sou muito leigo em assuntos relacionados com a Banca para criticar as opções do Presidente do Banco de Portugal – assim como a maioria do povo português ou dos clientes do Novo Banco -, mas isso não invalida que tenha uma série de questões ou comentários a fazer de acordo com as notícias que tenho vindo a ler sobre o assunto. O semanário Expresso revela em título “FMI TINHA GES NA MIRA HÁ UM ANO”. Porquê esta surpresa?
FMI já tinha denunciado preocupação com o grupo GES no segundo semestre de 2013 - assunto que seria aprofundado aquando da 10ª avaliação da Troika. Em Novembro, o FMI teria contactado a CMVM com indícios que seriam suficientes para a preocupação que haviam manifestado – lembrem-se que este foi o único banco que não recebeu qualquer ajuda do Estado. Em Julho deste ano, o FMI recomendou uma supervisão bancária.
Faz sentido que só agora se tenha chegado à triste conclusão do estado do grupo BES?
Como disse, sou um leigo na matéria, mas faz-me confusão algumas das coisas que leio.

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AS GENTES DO NORTE QUEM SÃO?

por Manuel Joaquim Sousa, em 13.09.14

Muitas vezes dizem que as pessoas do Norte são rudes, brutas – dizem mais os que são do Centro e do Sul. É certo. Há um fundo de verdade.
Porque são brutos? São gente da labuta. São os que mais trabalham, embora com salários mais baixos em relação a outras regiões do país. São apelidados de brutos porque são tendencialmente frontais. Cara a cara. Olho no olho. Dizem tudo o que lhes vai dentro. Não enviam recados por ninguém. As gentes do Norte são assim “carago”.
Porém, são pessoas doces, acolhedoras, dão tudo o que têm quando recebem alguém em sua casa – acompanhada da frase repetida vezes sucessivas “pobres, mas honestos”. São gentes deste Portugal que me é tão querido.

Chego ao Porto. Pedalo na bicicleta até a uma esplanada – a mesma de sempre, junto ao Douro pela margem de Gaia. É o sitio ideal para ficar a admirar o centro histórico do Porto que desce até ao rio. Chega uma senhora para me atender – a empregada do costume, de meia idade, morena, cabelos negros, voz forte e pronuncia cerrada.
- Olá bebé. O que queres?
- Bom dia. Uma meia de leite, por favor.
Hui! Que se passou aqui? – pensei – é a primeira vez que sou recebido desta forma, mesmo aqui. Achei estranho uma desconhecida tratar-me por bebé, até porque a minha aparência de bebé já se perdeu há umas décadas.
É assim que está a tratar todos os clientes (turistas) sentados ao lado, tenham eles mais ou menos idade que eu. Estranho tratamento? Sim. Alguém manifestou incómodo? Não. Terão estranhado esta abordagem? Certamente que sim. No fundo todos gostam – acho eu. É diferente. É próximo. É doce. Faz falta nos dias de hoje – a pensar que em muitos locais o atendimento ao público é feito de forma mais sisuda.
Enquanto serve os clientes trata os colegas de forma carinhosa e vai cantando qualquer música que lhe vem à memória, em qualquer idioma – ainda que idiomas inventados e muito próprios.
As gentes do Norte e do Porto são assim: diferentes e próximas. Longe de qualquer código imposto pela aparência. É a sua identidade. São senhores da sua terra e não escondem o calão, nem o berro ao fulano que está do outro lado da rua. Isto é ser verdadeiro. É ser genuíno. Há um orgulho por estas gentes do Norte.
Saia umas Tripas à Moda do Porto, faz favor.

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O MUNDO MUDOU HÁ 13 ANOS

por Manuel Joaquim Sousa, em 12.09.14

O mundo mudou. Já lá vão treze anos. O tempo passou com uma rapidez que a memória das pessoas começa a deixar cair no esquecimento aqueles acontecimentos. São trezes anos em que o mundo mudou e que após isso se tentaram resolver sucessivas crises com sucessivos conflitos e guerras. Guerras se sucederam para impor a ordem, para se mudar regimes. Entretanto outros se sucederam. O mundo mudou, mas nem por isso ficou mais calmo. Em 2011 escrevi as palavras abaixo:

Em poucos minutos o mundo mudou. Passados 10 anos muitos acontecimentos são consequência desses minutos, de uma manhã, de 11 de Setembro, de 2001. Morreram 2753 pessoas de todo o mundo, na sua maioria americanos, que trabalhavam no World Trade Center - as míticas Torres Gémeas, símbolo do poder americano. Muitas vítimas continuam por identificar, guardados numa tenda perto do Ground Zero - alguns impossíveis de identificar porque estão completamente queimados.

Durante horas o mundo ficou em suspenso com os sucessivos acontecimentos, que rapidamente chegaram aos quatro cantos do mundo. Em directo podemos acompanhar o desenrolar de grande parte dos acontecimentos. Primeiro, o embate na Torre Norte, depois um novo embate na torre sul, de seguida um avião que se despenhou contra o Pentágono, entretanto a torre sul cai e um outro avião cai na Pensilvânia, por fim o colapso da Torre Norte. Uma sequência de acontecimentos que horrorizaram o mundo e sobre os quais não existia qualquer ideia de pararem e não dava para perceber o que estava realmente a acontecer. No suspenso do horror de um acontecimento macabro e inigualável no mundo globalizado, uma parte do mundo islâmico e radical regozijava-se com o sucesso de uma operação preparada com o mínimo detalhe.
A América ficou ferida. O coração financeiro (WTC), militar (Pentágono) foram atingidos; apenas o coração político não foi porque o avião terá caído antes de chegar ao destino. Uma ferida exposta que tentou envergonhar o orgulho e a superioridade americana face ao mundo, sobretudo face ao mundo islâmico radical, que sempre se sentiu ferido e vitimizado com a política militar americana e as suas ofensivas pelo mundo. Mas, o mundo também ficou ferido com o 11 de Setembro. Não apenas porque morreram pessoas de cerca de 90 países, mas porque se consciencializaram que estamos muito vulneráveis a diversas ameaças vindas de onde menos se esperam. Bali, Madrid ou Londres são os melhores exemplos. Em poucos minutos o mundo mudou e em poucos minutos a liberdade cultural e religiosa passou a ser vista de forma desconfiada, com reservas e mesmo rejeitada por muita gente. É certo que muitos americanos pagaram com a vida um ódio que não tinham e não mereciam o que lhes aconteceu. Também é verdade que o mundo muçulmano passou a ser observado como fanático, radical, quando a maioria não se regozija com o que aconteceu e não pactua com a escalda de violência. De boas intenções está o inferno cheio e a violência é um acto que procura limpar e vingar as vítimas de ambos os lados da barricada. Por isso, o orgulho americano não se baixou e as intervenções militares no Afeganistão e no Iraque são a prova de que nenhuma das partes está disposta a resignar-se em nome da paz. De nada valem as teoria da conspiração inventadas pelos anti-americanos, que reconhecem os americanos como os responsáveis e criadores dos atentados ou que nenhum avião caiu sobre o Pentágono porque nenhum país, muito menos os EUA, está disposto a ferir o seu próprio orgulho. Os EUA poderão ser responsáveis pelos atentados do ponto de vista das suas atitudes, posições e intervenções militares ao longo da História que terão alimentado ódios, que explodiram de uma forma inteligente.

Depois do 11 de Setembro o mundo tornou-se diferente, as pessoas passaram a ter atitudes e comportamentos diferentes para evitar um perigo eminente, que não se sabe onde está, mas que realmente existe em qualquer parte do mundo. Os simples hábitos diários passaram a ser controlados de forma mais rigorosa em nome da segurança nacional e a privacidade deixou de ser um bem próprio, mas um bem público, para a detecção de qualquer suspeita. Porém, enquanto uns fazem o controlo apertado nos aeroportos, nas telecomunicações, na Internet, etc, outros procuram as falhas do sistema de segurança para lançar novas ameaças e espalharem novamente o terror. A guerra contra o terrorismo parece ser um guerra bem pior que os conflitos convencionais e que marcaram a História da Humanidade. Esta é uma guerra que não se conhece o fim. Não é uma guerra de Estados, mas de culturas e essas são sempre as piores e que se travam no dia-a-dia, de cada vez que se cruzam. Enquanto todos os diferentes Homens não foram capazes de darem as mãos, haverá sempre alguém, um que seja, a incitar à violência, à guerra que não é santa, mas infernal. Quando isso acontece a Humanidade entra no ponto de regressão da sua evolução para uma sociedade perfeita e para um mundo perfeito. Os inocentes são sempre os que mais sofrem como em qualquer guerra.

O que mudou desde então?

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DUELO DE CAMARADAS – COSTA E SEGURO

por Manuel Joaquim Sousa, em 10.09.14

Hoje foi o segundo frente-a-frente - António Seguro e António Costa. Ontem não tive a possibilidade de ver - apesar de poder voltar atrás na emissão para assistir ao primeiro debate, acho que não quero fazer. Dizem os comentadores que nada de novo se passou que fosse útil ao debate ou à discussão de ideias. Hoje, pelo que dizem, a estratégia de ambos mudou um pouco. De ontem ficou-me a ideia que António Seguro disse: se for primeiro-ministro e tiver de aumentar impostos demite-se. Saberá este senhor qual o estado do país? Terá ideias suficientemente claras e evidentes que garantam o crescimento da receita do Estado sem recurso ao aumento de impostos? Há soluções – eu acredito, mas falta ouvi-las da boca destes candidatos.

Pelo que se diz, no primeiro debate existiu muita tendência ao ataque pessoal. Hoje foi diferente. Existiram várias ideias e hipóteses, mas por vezes o debate queria fugir para a acusação - “fica-te mal”. Preocupa-me não se ter falado de défice, que tem sido um dos grandes assuntos que dominam a política económica do país e que certamente os portugueses tinham interesse em ver debatido. Falou-se da Europa. Falou-se de industrialização. Fugiu-se um pouco da educação. Não se quiseram comprometer em relação a alianças com outros partidos – talvez isso influencie em muito a decisão dos simpatizantes e filiados. Continuamos sem perceber ao certo que ambos pretendem para o Estado, para justiça e para a saúde. Serão questões que ainda podem chegar ao terceiro debate.

Será que António Costa se irá preparar melhor para amanhã? Será que Seguro dará mostras que tem capacidade para continuar a liderar o PS e ser uma alternativa para o país? Talvez amanhã tenha paciência para ouvir nova discussão.

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É MUITO DINHEIRO OS 2,3 MIL MILHÕES GASTOS NO FUTEBOL

por Manuel Joaquim Sousa, em 09.09.14

O valor é muito alto. É muito dinheiro. 2,3 mil milhões de Euros. Foi o gasto das cinco principais ligas europeias no mercado de transferências, este Verão. É muito dinheiro. É uma grandeza que a mim me ultrapassa quando quero saber a que corresponde uma quantia de dinheiro tão elevada. Sinto-me pequeno para entender. Vivemos mesmo num mundo de grandezas muito diferentes, que dificilmente se cruzam com as empresas que tentam ter os seus negócios por valores irrisórios a este nível.

A liga inglesa gastou mil milhões de euros - o valor mais alto. Para países como Portugal, mergulhados numa crise por terem um Estado que gasta mais do que amealha, é uma ofensa. Para muitas pessoas que trabalham diariamente por um salário, em alguns casos incerto, é uma afronta falar assim destes valores. E estamos só a falar das transferências, para nem falar dos outros valores gastos com as vedetas.

Custa-me perceber estas negociações, estes valores, este negócio de estrelas do futebol. Não estamos a falar da venda de pessoal de uma fábrica. Estamos a falar de meia dúzia de homens que jogam à bola.

Desculpem-me da minha moralidade fácil e tão pouco compreensiva, em que subvalorizo o valor dos jogadores do futebol em relação ao pessoal que trabalha numa fábrica ou num outro sítio qualquer, que vive na angústia de saber se amanhã tem trabalho e a fazer contas à vida para saber se chega ao fim do mês com alguns trocos na algibeira.

Haverá quem ache que penso pequeno, mas há coisas no mundo que me fazem alguma confusão. Nem sei se alguém me pode explicar de forma convincente.

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SILÊNCIO QUE AGORA FALA JORGE JESUS

por Manuel Joaquim Sousa, em 08.09.14

 

 

fonte da imagem: twitter

 

Pedro Boucherie Mendes tem razão. Ainda esta semana estava a almoçar e durante quase todo o tempo do meu almoço a televisão esteve a transmitir uma conferência de imprensa do Jorge Jesus. Durante quase todo o tempo, pensei que a televisão estava ligada na Benfica TV – não, não estava. Perguntei a outras pessoas que estavam ao meu lado se era assim tão importante o que ele estava a dizer - acho que ninguém estava a prestar atenção. Estaríamos em alguma fase futebolística tão importante que justificasse este tempo de antena? Pelos vistos não. Era uma semana como as demais. Peço desculpa aos meus amigos Benfiquistas – nada relacionado com o clube, diria o mesmo se fosse um outro treinador qualquer. Mas, é verdade que as nossas televisões estão mais preparadas para o futebol que para comentar e avaliar, com o mesmo detalhe, a decisão judicial do processo Face Oculta. Impressionante. Será uma questão de audiência porque o país se preocupa com muito com questões futebolistas?

Dada a importância do caso Face Oculta para a sociedade seria bem interessante que a comunicação social estivesse preparada para tratar do assunto com seriedade e destaque que merece. O meu receio é que o destaque agora dado seja inferior à fase do processo em que se falava de escutas, só porque um dos escutados foi o ex-primeiro-ministro, José Sócrates – o processo era mais que isso, quase 3000 páginas de acórdão. Ainda me choca algumas prioridades de assuntos e de polémicas nas notícias. Deve ser algo a que me terei de acostumar. 

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PS METIDO NUM CASO DE POLÍCIA?

por Manuel Joaquim Sousa, em 04.09.14

Já muito tenho falado de política. Continuo a falar porque há assuntos que não posso ficar indiferente. O PS. Sim, o partido que vive uma guerra interna, que passou a ignorar os problemas do país ou que simplesmente trocou a suas prioridades. Sim. Assistimos a uma troca de prioridades. Esta semana foi notícia o acerto dos debates entre Costa e Seguro, nos três canais generalistas. Há assunto para três debates? Estamos perante eleições de um partido ou eleições legislativas? Porquê tanto espaço dedicado, ainda que sejam partidos com peso elevado na sociedade?

No PS aparece dinheiro vindo do nada. Alguém misteriosamente pagou as cotas de militantes que morreram, que emigraram ou que simplesmente se afastaram do partido, para ficarem elegíveis para votar nas próximas eleições. Um caso de polícia? Seriedade precisa-se. Seriedade em nome da dignidade da política. Como podemos conquistar, despertar o interesse dos portugueses pela política, pela continuidade da democracia?
Justificações precisam-se, mesmo para aqueles que não fazem parte do PS. Não é um problema totalmente interno do PS, quando este se quer apresentar a eleições legislativas num futuro próximo. Com este caso de polícia, queremos que sejam eles que nos governem.

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Onde estamos seguros? Em lado nenhum. Onde podemos proteger as nossas coisas, sem que ninguém as furte? Em lado nenhum. Vivemos numa insegurança permanente. Os larápios deixaram de estar apenas no virar da esquina para apanhar mais uma bolsa por esticão; de tentar entrar nas nossas casas para levar o que lhe apetecer. Os larápios andam também pela rede – modernizaram-se. Estão em todo lado à espreita, em diversos locais da internet, enquanto nós acedemos com alguma ingenuidade e, por vezes, com falta de precauções.

Com a proliferação das tecnologias e dos dispositivos móveis, sentimos a necessidade de aceder à rede em qualquer lugar, de tirar fotografias – aproveitar o momento -  e guardar no telefone, que depois fará um backup para uma dessas nuvens que proliferam por aí - as Cloud. Nuvens que nos oferecem gigas e gigas para guardarmos informação e assim acedermos em qualquer lugar. Fantástico. Eu e muitos deixamos de correr atrás das promoções dos discos externos e mesmo das pens, pois há alternativas gratuitas com mais memória e mais vantagens. O virtual é que é. Pensamos nesta facilidade e acreditamos que podemos evitar perdas de informação devido a erros dos nossos discos. O risco existe.

Existe? Sim. Recentemente foi público a entrada de um hacker na icloud, da apple, onde fotografias intimas de personalidades famosas foram roubadas e agora circulam pela Internet e se multiplicam em downloads feitos pelos admiradores.

É avassalador. É terrível ver alguém com a sua vida intima totalmente exposta para sempre. Por mais que descubram quem é o hacker, a vida privada dessa pessoa deixou de existir – as fotografias nunca mais sairão de circulação por causa das malditas partilhas ou da troca de e-mails entre amigos.

Pode ser algo muito interessante do ponto de vista de quem ataca estes depósitos de informação, sobretudo de famosos que estão mais vulneráveis às tentativas para se descobrir mais sobre a sua intimidade. Esquecem que um dia o mesmo lhes pode acontecer ou mesmo aos familiares. Será que nessa altura vão achar bonito e vão gostar? Não me parece.

 

Aos restantes recomenda-se proteção das suas senhas, criação de senhas complexas, pouco óbvias e algum cuidado na seleção das imagens que pretende guardar na cloud ou no telefone ou computador. Sou fã de cloud, mas o velho disco externo existe para aquilo que é sensível - embora nem sempre tenha a noção se está totalmente seguro. Nunca estamos, é certo.

Por estas razões, deixo de reclamar quando na empresa onde trabalho tenho de alterar a minha password forçosamente de tempos a tempos. Por esta razão, espero que outros deixem de reclamar também e deixem de adiar esta tarefa para o último dia do prazo. Por esta razão, espero que outros compreendam porque na minha empresa os critérios para criar uma password são muito restritos e têm de preencher critérios muito rigorosos. Da próxima tenho com este caso da icloud um motivo válido e sensibilizador quando um cliente reclamar que criar a sua conta tem excesso de passos de segurança: é para seu bem. Segurança em primeiro lugar, mesmo que isso dê trabalho.

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