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POR FALAR EM PRIMAVERA: E OS INCÊNDIOS

por Manuel Joaquim Sousa, em 22.03.14

Receber a primavera com tempo de outono - que bom. Isto do tempo já não é o que era, ao que vejo anda tudo um bocado trocado. Os invernos estão cada vez mais rigorosos ou pelo menos chuvosos e os verões cada vez mais quentes. Deixamos de ter quatro estações para ter duas ou três estações. É com este tempo que temos que viver, são as mudanças ambientais a que estamos sujeitos - talvez fruto das nossas ações diárias pouco amigas do ambiente. 
 
Estes dias esteve um pouco de sol e até com um ar convidativo para uma ida à beira-mar e nas notícias já havia relatos de fogos florestais em algumas zonas do país. Ao que parece, os incendiários estão atentos às mudanças do clima e este verão poderão não dar descanso aos nossos bombeiros.  
 

Por falar em incêndios, desde o verão passado, terrível quanto a fogos florestais, que não se ouviu mais nada sobre a preparação para mais uma época - preparação de meios para os bombeiros, limpezas de matas e cuidados para evitar os sucessivos cenários de horror na floresta portuguesa. Temo que o assunto apenas tenha interesse de saber debatido e trabalhado quando o fogo estiver às portas de mais umas casas - desgraçados aqueles que ficam com os seus bens em risco.

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No Sábado passado partilhei no meu facebook um desabafo: “As canções a concurso para o Festival Eurovisão da Canção perderam o brilho de outros tempos e mesmo a capacidade de serem intemporais. Agora fazem lembrar as tardes de domingo dos canais privados, mas numa versão mais requintada. A música portuguesa consegue fazer melhor.”

Poderia ser um comentário um tanto ou quanto saudosista ou de um velho do restelo, apesar de ser ainda um jovem; mas, há muitos anos atrás, ainda miúdo, eu vidrava com o festival da canção, fossem as finais portuguesas fossem as finais na Europa. Mesmo aqueles a que não assisti por ser demasiado pequeno ou porque ainda não era nascido, gosto de relembrar as músicas porque são verdadeiramente intemporais.

Em Portugal produz-se muito boa música, mas isso não está a ter reflexo neste festival nos últimos anos e este ano sem exceção. No Sábado, com a proeza das boxes de televisão da atualidade recuei na emissão, só para ter um conhecimento do que estava em concurso e poder ter uma opinião sobre o assunto. Resultado: desilusão total, a ponto de ter de passar à frente na emissão. Posso dizer que naquela gala apreciei muito mais a abertura protagonizada pelo Henrique Fiest e pela interpretação de Lúcia Moniz, da eterna música “Silêncio e Tanta Gente”, do festival de 1984, interpretado por Maria Guionot. As música finalistas a votação do público nem davam para perceber ao certo as letras e fizeram-me mesmo lembrar as festinhas de fim-de-semana que passam em vários canais, só que neste caso num ambiente requintado; alguns gritos e berros, muita produção visual e até recurso a vento para esvoaçar cabelos e vestidos – para mim isto deveria ser mais acessório, mas foi o que consegui destacar.

Não conheço muito bem o processo de seleção dos letristas e que tipo de convites e sugestões foram pedidas, mas há bons letristas em Portugal e com trabalhos dignos de reconhecimento. Custa-me a entender este tipo de gosto. A escolha também é da responsabilidade do público e se a maioria apostou nestas músicas, há que aceitar – nota-se a falta de critério por quem votou e nota-se que as tendências culturais do público mudaram em relação a outros tempos e pesa-me saber que a escolha vai pouco em função da qualidade das letras e da composição das músicas.

 

Não há argumentos para esmiuçar mais o meu desagrado ou mesmo tristeza em saber que a nossa representação está muito aquém da qualidade do nosso país.

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QUAL O FUTURO DA UCRÂNICA?

por Manuel Joaquim Sousa, em 19.03.14

O resultado do referendo na Crimeia, com 96,77% dos votos a favor da anexação à Rússia, provocou ainda mais crispação nas relações entre a Rússia, a vencedora, e a UE e EUA, os derrotados - derrotados porque desde o início classificam este referendo como inconstitucional e, por esta razão, não reconheceram a derrota e lançaram ameaças de sanções sobre pessoas e bens russos.

Para quem acompanha de longe o desenrolar da situação, como eu, fica um pouco perplexo ao tentar perceber todo o desenrolar da situação desde o início e com alguns receios quanto ao futuro – haverá possibilidade de se caminhar para a terceira guerra mundial? (Quero acreditar que este é um cenário exagerado).

Primeiro, o presidente Viktor Ianukovichn foge porque a situação na Ucrânia torna-se incontrolável devido à sua política de aproximação a Moscovo, quando, a julgar pelas manifestações em massa nas rua de Kiev, o povo preferia uma aproximação à UE. É natural que perante este cenário a UE acolha de bom agrado esta exigência do povo e marque uma presença de força e pressão, para que o presidente mude de posição neste xadrez político. Com a ausência de Viktor Ianukovich, as posições não serenaram e do lado da Rússia, que pretende o seu alargamento como que a reconquista do que perdeu no passado, movimentou forças militares para a zona da Crimeia – inicia-se a disputa por um território anteriormente Russo e entregue à Ucrânia de forma leviana e ao que dizem recheada com um pouco de álcool.

 

Segundo, o referendo é apresentado como solução deste impasse, mas não é do agrado dos EUA e da UE, por se tratar inconstitucional. Porquê? Ao que sei, o único motivo é a sua realização sob pressão e ameaças aos eleitores. Ameaças? Como considerar ameaças se a maioria do povo da Crimeia sempre se declarou a favor da anexação à Rússia? Não acredito que este resultado seja reflexo dessa suposta ameaça - sempre me pareceu, à luz do que leio, que o desejo do povo sempre foi esse. O que me parece, existe um medo de se abrir um precedente para outras regiões da Ucrânia optarem por escolher, sob referendo, o seu futuro e consequentemente uma possível anexação de mais regiões à Rússia, permitindo que o império Russo cresça e se aproxime de outros países como a Polónia – a História reescreve-se.

Apesar deste medo do Ocidente, existem poucos argumentos que possam tornar as posições da UE legitimas para a sua vitória neste braço de ferro; sabemos bem que esse medo é também alimentado pela dependência energética das potências europeias – o gás e os gasodutos que passam para o ocidente através da Ucrânia. Por outro lado, quais as vantagens que a Ucrânia pode ter em ficar aliada ou fazer parte da UE? Quais as garantias para uma solução económica de um país que se encontra em bancarrota – enquanto que a mesma UE não resolve os problemas económicos de alguns países-membros? Se o anúncio da entrega de dinheiro para recuperar a economia não foi convincente deixa de existir qualquer argumento válido para esta disputa. Não vejo na posição da UE qualquer ato de caridade, apenas puro interesse.

A Ucrânia vive este impasse da divisão; porém, o seu futuro não será mais certo e próspero com a integração da Rússia e isso a população tem a noção - acham que será a saída mais válida.

A UE pode avançar com as sanções, mas creio que será sempre o elo mais fraco porque existe sempre o receio do fecho das torneiras do gás; no caso da Rússia, mesmo que os oligarcas russos fiquem com os seus interesses económicos comprometidos, tal não será suficiente para que o desejo de construção do império Russo à imagem de Putin seja abandonado – ao Presidente Putin pouco lhe importa os oligarcas.

A História continua…

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CRIME SEM CASTIGO...

por Manuel Joaquim Sousa, em 15.03.14

Crime sem castigo. Esta é a expressão em que penso quando fico a saber que Jardim Gonçalves não terá qualquer tipo de punição por parte da justiça porque os crimes pelos quais está a ser julgado estão prescritos. Poderia pensar que a matéria criminal é irrelevante para que a prescrição fosse insignificante; porém, estamos a falar de alegada informação falsa e falsificação de contas, além de 17 offshores a quem o BCP emprestou dinheiro, para alegadamente aumentar o seu capital. Digo na minha modesta opinião de cidadão comum, que vive com o seu modesto salário: todas as acusações são de matéria muito grave e envolve muito dinheiro – certamente que muito dele proveniente dos seus clientes.

Sabemos bem que a banca dá muito lucro, apesar de alguns bancos estarem este ano em situação de graves prejuízos e que o seu lucro depende em primeiro lugar dos seus clientes que depositam, pedem emprestado, compram produtos lícitos ou tóxicos. Por essa razão, o dever de cada entidade bancária seria de total transparência para com os seus clientes, independentemente dos lucros gerados. Pelos vistos, transparência tem sido muito pouca na banca portuguesa, a julgar pelos caos BCP, BPN, BPP – grandes gigantes que se livrarão das multas que o regulador – Banco de Portugal – reclama pela atuação pouco transparente e de matéria criminal.

A prescrição no caso de Jardim Gonçalves, foi uma tática simples na malha da lei que lhe permitiu safar-se do julgamento; pior, esta mesma abriu um precedente para que João Rendeiro - outro banqueiro em apuros – se livre dos crimes pelos quais é julgado em tribunal.

De quem é a culpa? Dos arguidos? – cometeram crime, mas estão a utilizar formas legais de escaparem do julgamento – Dos tribunais? – apenas investigam a verdade dos factos e decidem sobre o que é determinado pela lei – Da lei? – esta foi redigida por um legislador e, por vezes, não prevê situações graves como o tempo dos tribunais para investigar julgar ou os sucessivos recursos impostos – Do legislador? – o redator das intensões do poder político em função da vontade destes – Do poder político? - sim, aquele que permite que esta sucessão em cadeia aconteça e o criminoso não seja julgado.

Estamos perante um caso onde não há simplesmente condenação ou absolvição, não há julgados; quando isto acontece a justiça torna-se inútil – coisa que nunca em tempo algum deveria ser.

Quanto ao Banco de Portugal, que culpa tem em todo este processo? Que efeitos têm a sua missão de regulação?

Crime sem castigo. Continua a ser o que penso em relação a tudo isto.

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