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OPINIÃO PÚBLICA COM MAIS SUMO!

por Manuel Joaquim Sousa, em 27.01.14

Os programas de Opinião Pública estão-se a massificar um pouco por todos os canais de informação, quer na rádio, quer na televisão - sinal de que a opinião dos espectadores também conta e gera interesse na audiência. Esta é também a consequência da liberdade de expressão que, felizmente, existe no nosso país e que permite aos anónimos opinarem sobre todos os assuntos. 
 
Estes programas têm tanto de bom e democrático como de mau e pouco sumo a retirar em síntese porque a existe um grande número de pessoas que pouco percebe sobre os temas ou pouca capacidade tem de expressão que seja capaz de chegar a todos os que estão a ouvir. Há assuntos que são mais complexos em que a formação de opinião sobre estes exige uma capacidade de estudo muito intensiva. Também existe quem apenas deseja falar - falam de outros temas que não têm haver com o tema do programa do dia, contribuindo para a perda de tempo, tão necessária para que outras pessoas possam falar e deixar questões e apontamentos algo interessantes. 
 
Por vezes, tento ouvir estes programas, mas sei o risco que corro em ouvir nada de jeito a ponto de mudar de canal; creio que os media tenham esta noção quando criam estes espaços de opinião, que de longos se podem tornar curtos para o que é realmente interessante. 
 
Longe de mim pensar que se deva erradicar estes espaços; porém, devem ser repensados de forma que as duas ou uma hora sejam mais construtivas para o debate e para a formação de opinião. Mais cuidado para quem produz e edita e mais cuidado a quem deseja participar.

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PRAXE – UM MÉTODO ESTRANHO DE INTEGRAÇÃO.

por Manuel Joaquim Sousa, em 27.01.14

Depois da tragédia que aconteceu na praia do Meco, para a qual ainda poucas explicações existem, volta-se a falar do tema praxes (não sei até que ponto o que aconteceu tem haver com praxes) – um tema que vem sempre ao de cima quando alguma coisa de grave acontece no meio académico, com origem nesse método de integração de novos estuantes.

Sim, método de integração dos estudantes no meio académico, é desta forma que se entende por praxar os estudantes a quem chamam de caloiros. Durante a maioria do primeiro ano de universidade, os caloiros são sujeitos às mais diversas provas, que são as diversões dos senhores doutores de comissão de praxe - que na maioria dos casos e salvo raras exceções, são os desejos de autoridade sem qualquer respeito pela dignidade dos estudantes.

Posso ser um ignorante por pensar desta forma acerca deste método de integração, quando eu nunca fui estudante universitário e, por já ter alguma idade, acho que não são brincadeiras, mas meras criancices, onde não vejo qualquer beneficio de integração.

Sei que quem não deseja ser praxado pode negar-se a tal, mas corre o risco de rejeição por parte dos colegas – pois se assim não fosse, ninguém ou quase ninguém queria ser praxado.

Por muito que defendam a benevolência das praxes e me tentem convencer dos seus benefícios e desmistificar que não é nada do que se fala para aí, a história de casos desastrosos e com final triste é a prova de que são um erro e reforçam as caricaturas e o estereótipo que existe desde de sempre, a ponto de derem proibidas nos tempos ainda antes da primeira republica.

Apesar da discussão que se está a gerar nos dias que correm e da preocupação do Sr. Ministro da Educação, creio que acabará por se esfumar o assunto até que novos casos sejam noticiados e haja mais motivo para se discutir.

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Neste primeiro mês do ano é tempo de correr atrás das previsões astrológicas para 2014, para saber como vai correr estes próximos 12 meses - os sonhos, os desejos, aquilo que tanto quero vai-se concretizar? (A acreditar nas inúmeras passas que comi na viragem do ano, todas de uma só vez com os desejos todos inumerados, tudo se vai concretizar.) 
 
Por esta altura do ano são variados os títulos lançados nas livrarias e inúmeras as revistas que lançam as suas edições especiais com as previsões para cada signo. Além disso, os tempos modernos da Rede abrem um leque de opções ilimitadas para estudarem e conhecerem as previsões para o próximo ano. Há previsões para todos os gostos - se não gostarem do astrólogo x sempre podem optar pela vidente y - e temos a possibilidade de escolher aquilo que mais convier. As previsões e os estudos são tantos que podemos perder o ano todo a consultar e rapidamente estamos no final do ano ainda a estudar as previsões. 
 
O Homem é mesmo assim, vive na necessidade de saber o que lhe vai acontecer amanhã e, por vezes, esquece que existe um presente que necessita de ser vivido, necessita de ter atenção. Perder demasiado tempo com as previsões pode condicionar o futuro que está a chegar e que livremente estamos a construir. O pior é que muita gente que diz não ligar às "coisas do signo", mas gosta de folhear a revista e fixar a atenção nas previsões - por mais desastrosas que sejam.  

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OS INFILTRADOS

por Manuel Joaquim Sousa, em 22.01.14

No artigo anterior do meu blogue refiro-me ao filme "12 Anos Escravo", tendo referido que neste filme é retratado algo intemporal - que ainda hoje se pratica -, quando poderia pensar que a sociedade já evoluiu o suficiente, para que tais atos fossem condenados e eliminados. 
 
Os infiltrados, assim chamam os Israelitas aos africanos oriundos da Eritreia e do Sudão, que chegam os milhares a Israel, para fugirem á fome e à miséria. A reportagem da SIC, da autoria de Henrique Cymerman, retrata bem a forma como os africanos são tratados - são presos, trabalham de dia, mas a partir das 22 horas são obrigados a permanecer na prisão construída para o efeito. Na própria reportagem faz referência que são os próprios africanos que constroem a prisão e as vedações que os separam da restante comunidade. Na rua israelitas dizem aos africanos que não são dali. 

O século XX deixou marcas muito profundas, que por vezes se apagam da memória. Os Israelitas estão a fazer o mesmo que os Nazis fizeram com os Judeus, por altura da II Guerra Mundial. Os judeus deixaram de ser livres, passaram a viver em guetos, andavam com marca no corpo para serem identificados como Judeus e depois passaram para campos de concentração onde foram mortos aos milhares, em câmaras de gás. Podem dizer que não existe qualquer comparação entre as épocas e os atos, mas a ideia é a mesma e o sentimento de exclusão e repulsa começa por aqui - se não fosse a comunidade internacional não saberíamos que outras medidas seriam tomadas. 
 
Não se pretende que Israel acuda a todos os problemas de África, mas a solução encontrada não terá sido acertada aos olhos da comunidade internacional - Israel tem um grave problema de integração com diversos povos. A História dá as suas voltas e esperava-se que israelitas não fizessem o mesmo que aos seus antepassados.

 

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12 ANOS ESCRAVO PODERIA SER UMA HISTÓRIA DOS NOSSOS DIAS.

por Manuel Joaquim Sousa, em 19.01.14

Há filmes que nos marcam ou nos deixam a pensar sobre a forma como os humanos se tratam e a necessidade de serem seres superiores, mesmo entre si – fazendo da raça uma forma de seleção.  “12 Anos Escravo” – que acabo de ver há momentos no cinema – é uma história verídica, do século XIX, nos EUA, de um homem negro, com família, que perde a sua liberdade e é transformado num escravo. No decorrer da história são recorrentes as agressões físicas e morais dos brancos sobre os negros, com cenas de dor e sofrimento cru, sem que se tenham poupado nas imagens terríveis – os atos de violência e as marcar que ficam.

É incrível como a raça humana se pretende distinguir e procure encontrar na moral fundamentos para isso. Neste filme é bem patente a interpretação que o branco faz das Escrituras, como se Elas ditassem a lei que os favorece em relação aos negros e como extinguem Deus do que é sua propriedade – os escravos – e sejam estes os responsáveis pelo que de bom ou mau acontece ao mundo.

A escravatura existe desde os primórdios da História, esteve na base de muitas civilizações e impérios – o império português também marca aqui a sua presença com o tráfico de seres humanos, desde a altura dos descobrimentos até à entrega das suas colónias.

Felizmente que o mundo mudou e hoje vivemos em tempos de liberdade – ainda que a igualdade esteja aquém do desejado -, pelo menos nas nossas sociedades, pois sabemos que a escravatura ainda não foi erradicada em diversos lugares do mundo. Sabemos que em terras de África, em países da Ásia e não só, a escravatura continua como se estivéssemos parados no tempo; são homens e mulheres que trabalham sem quaisquer condições laborais ou sem qualquer proteção social e de saúde, para além dos salários miseráveis que auferem. São aos milhares. Todos, nós os do mundo dito evoluído, bem sabemos, embora assobiemos para o lado como se fosse um problema que a nós não nos interessa. Sabemos bem que os escravos de hoje são aqueles que produzem e alimentam o consumo de outros, que buscam produtos em quantidade e de baixo custo. Apenas se fala desta gente quando um prédio cai e lá dentro morrem centenas de trabalhadores que confecionam roupa para grandes cadeias de distribuição.

Há uns meses atrás, vi uma reportagem na SIC Notícias sobre a escravatura em África, nas culturas do cacau para as grandes marcas mundiais de chocolate. Não sabia eu, e muita gente não sabe, que comemos chocolate fabricado por algumas marcas que “pagam” a escravatura em países onde as crianças não sabem o que é ir à escola e que são deliciadas com agressões físicas.

 

“12 Anos Escravo” é um bom filme, daqueles que apesar de retratar outra época nos deve apelar à consciência: a liberdade é algo muito valioso que todas as sociedades devem preservar; e não podemos esquecer que este drama ainda existe e nós indiretamente pactuamos com ele, pois ignoramos uma escravatura que está bem presente e convive com o consumismo dos nossos tempos.

E tu, és livre ou serás também escravo, escravo do tempo?

 

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Eusébio da Silva Ferreira morreu há duas semanas e ainda continua a ser lembrado em diversos lugares do mundo, nas sucessivas homenagens que lhe foram feitas. A maior homenagem, no Estádio da Luz, aconteceu há uma semana, outra das maiores aconteceu de forma espontânea nas ruas de Lisboa, no dia em que o caixão circulou por várias ruas em jeito de despedida. Esta é a prova que Eusébio foi homem do povo e admirado por ele, independentemente das ligações clubísticas de cada um.

Numa altura em que as emoções estão mais calmas e o contágio das manifestações populares também, fará sentido começar a pensar na transladação dos seus restos mortais para o Panteão Nacional - com as emoções à flor da pele foram muitos os que se lembraram desta ideia, como sinal de reconhecimento nacional ao jogador -, mas a ida para o Panteão deve ser mais ponderada, racional e numa altura em que as emoções estejam mais serenas – estas decisões não devem ser precipitadas.

A Igreja de Santa Engrácia é sem dúvida o maior lugar de destaque que uma figura pode ter, pois procura preservar a memória de pessoas que pelos seus feitos, nas diversas áreas. A transladação de personalidades sempre foi responsabilidade da Assembleia da Republica e após um rigoroso estudo das personalidades em questão, de forma a que seja do mais amplo consenso a passagem de alguém para este lugar de destaque. Se antes uma decisão destas teria um prazo mínimo de anos (creio que cinco), com a morte de Amália o prazo foi reduzido (um ano creio), com a morte de Eusébio procurou-se reduzir a dias.

Nada tem de ser forçosamente rápido, a memória de Eusébio não se esfuma se estiver sepultado onde está porque o seu nome no futebol deixou uma marca muito profunda que perdurou deste o tempo de jogador até à sua velhice. Por isso, o tempo deve ser o melhor conselheiro para que se prepare algo que seja do mais amplo consenso político e popular.

A própria Presidente da Assembleia da Republica ficou contagiada pelo calor das emoções do momento, quando no dia das exéquias fúnebres manifestou uma opinião baseada apenas no argumento financeiro de uma operação como esta – falou em centenas de milhares de euros, quando os valores rondam a meia centena de milhar. É certo que, num país em crise todo o dinheiro gasto deve ser ponderado em função das necessidades do momento, mas é necessário analisar o todo e as circunstancias que envolvem esta operação.

Por todas as razões e mais algumas é necessário que esta discussão seja bem ponderada, longe das emoções clubísticas do momento, de forma que, caso se concretize a transladação, a mesma seja feita num ambiente do maior consenso e com o menor número de criticas possível porque, se assim não for, poderemos estragar a imagem que marcou a vida de Eusébio da Silva Ferreira.

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No artigo anterior falei sobre a Bola de Ouro que Cristiano Ronaldo conquistou para Portugal e que o nosso país é grande na produção de génios em várias áreas. Continuo a acreditar nessa mesma ideia e para a reforçar dou o exemplo de José Luis Arnaut, ex-ministro do Governo de Durão Barroso e advogado especializado em Direito de patentes, nomeado para o conselho consultivo internacional da Goldman Sachs – um dos cargos mais importantes e restritos na banca mundial.

 

É sem dúvida mais uma grande notícia para o país e que foi sendo falada ao longo destes dias, embora mais discretamente que a do jogador Cristiano. Porém, os motivos não são os melhores e o orgulho nacional não se tem manifestado com grande regozijo; afinal, alegadamente fala-se numa “troca de favores”, já que na recente oferta pública de venda dos CTT, Arnaut acompanhou a compra de 5% das ações por parte da Goldman e permitindo que o banco seja o maior acionista. Segundo notícia do Expresso, de 11 de janeiro, a firma de Advogados de Luís Arnaut representou os interesses de alguns bancos como o Goldman. Além destes pontos que se ligam entre o banco e o que tem sido feito na economia nacional (feitos dos quais muitos são críticos), o ex-ministro, esteve associado a diversas operações de grande importância como as privatizações da REN e da ANA – no caso da REN foi nomeado administrador não-executivo, sendo esta empresa cliente do seu escritório de advogados.

 

A condução de José Luis Arnaut para o banco é algo que não temos nem devemos ter qualquer escolha, intervenção ou impugnação. Não conheço as leis que regem os grandes negócios e, por isso, não quero aqui dizer que este senhor tenha cometido alguma ilegalidade – tem o seu mérito pelo trabalho que teve em qualquer das situações. Mas (existe sempre um mas), todos sabemos que juntando todas as peças, há promiscuidade nestes negócios e alguma imoralidade, talvez imoralidade legal, não sei.

 

Sem dúvida que somos um país de gente bastante premiada com bolas de ouro, mesmo que algumas delas impliquem a venda dos anéis a investidores estrangeiros.

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PORTUGUESES SÃO MESTRES NAS BOLAS DE OURO

por Manuel Joaquim Sousa, em 13.01.14

Ainda nem vi as notícias e já sei que o Cristiano Ronaldo conquistou uma Bola da Ouro - concretizou-se a grande probabilidade de ganhar o troféu.

Ainda que a sua carreira seja mais no estrangeiro que em Portugal (por cá ficam apenas as exibições ao serviço da Seleção), é mais um português a ser premiado por um feito na sua área e isso é digno de realce para o ego nacional.

Na realidade, esta é mais uma prova a confirmar o que venho sempre a dizer: os portugueses são magníficos e são gente de grandes capacidades e capazes de vencer em qualquer que seja a sua área - cultura, desporto, ciência, gastronomia, etc. - e nas mais diversas áreas há um nome português a marcar a diferença.

O país não tem dinheiro para pagar ao Ronaldo aquilo que ele vale, mas poderia ter para agarrar outras pessoas que têm de emigrar para fazerem trabalhos na sua carreira e trazer mais mérito, prestígio e investimento para Portugal.

Somos uma fábrica de Bolas de Ouro, pena que os méritos continuem lá fora.

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CRÓNICA DE SÁBADO À NOITE

por Manuel Joaquim Sousa, em 13.01.14

 

Sábado à noite é aquele dia em que optamos por sair (eu e os meus amigos) para nos divertirmos um pouco. É uma verdadeira noite em que tudo pode acontecer – de muito bom e espetacular ou simplesmente uma seca (mentira) – basta que, para isso, passemos parte do nosso tempo a olhar em volta.

Por vezes, as nossas noites podem parecer uma seca e ser sempre mais do mesmo, mas são noites fantásticas, nem que seja para nos rirmos um pouco com as situações hilariantes que partilhamos – partilhamos através de um minúsculo telemóvel ligado à internet e voltado para as maravilhas do facebook. Sim, no facebook também se encontram coisas fantásticas que partilhadas podem fazer as delícias de Sábado à noite num bar, onde com música alta pode ser difícil manter uma conversa, mas uma imagem ou várias pode ser suficiente para preencher o tempo com gargalhadas.

 

A página O Horror da Noite Portuguesa é o resultado do trabalho daqueles fotógrafos que andam na noite atrás dos que querem ficar retratados como amantes da noite e da companhia. É toda uma mistura de pessoas fashion e em plena diversão, com uma sensualidade fora do normal e muito fotogénicas. É certo que em muitas das fotografias o estado dos fotografados já não é o mais sóbrio – gabo a sua coragem em deixar-se registar para a posteridade.

Por momentos, pensei que estaria a ser preconceituoso, mas não, as fotografias são terríveis e não há mais qualquer comentário que se possa fazer senão ver e é difícil conter uma gargalhada ou um olhar de espanto.

É triste da nossa parte usar esta página como diversão para soltar gargalhadas, enquanto bebíamos o nosso fino e comíamos os amendoins. Quem estava ao nosso lado e via três cabeças concentradas num minúsculo telemóvel poderia achar que éramos uns tolinhos, mas estariam também eles doidos por saber de que nos estaríamos a rir para também eles se rirem.

Há momentos assim, a diversão pode estar onde menos espera e estes tesouros deprimentes podem fazer um bom momento.

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FALTA DE SIMPATIA É ALGO QUE INCOMODA.

por Manuel Joaquim Sousa, em 11.01.14

Para quem vai a uma loja, café ou qualquer outro tipo de estabelecimento comercial é muito desconcertante quando a falta de simpatia ou um sorriso é a marca das pessoas que nos atendem.

 

Infelizmente a atitude pouco simpática é muito comum no nosso país e, por vezes, sinto que em alguns sítios me estão a atender para fazer um frete ou por mera obrigação e tudo o que peço é como se fosse a coisa mais difícil do mundo - coisas difíceis como tirar um café, pedir que registe o totoloto, pedir um chá. Compreendo que há clientes difíceis de aturar e muito esquisitos, mas isso não significa que o atendimento seja “carrancudo” ou que outros tenham que apanhar com a má disposição. Um povo como o português, conhecido por ser muito acolhedor e muito simpático, fica muitas vezes em causa quando deixa que esta imagem menos boa passe para o lado do cliente.

 

A atitude carrancudo com que me deparo em alguns sítios faz-me mudar de ideias e optar por outros locais onde sabem o que desejo sem ter que falar muito e têm sempre uma simpatia, mesmo que os seus dias estejam a ser muito difíceis - momentos difíceis temos todos. Isto é o que torna os clientes fieis a determinadas casas e marcas, que nem sempre são casas especiais, mas que conquistam por ter um atendimento especial. Poderia argumentar que o empregado terá sido uma má escolha e que certamente não merecia estar naquele emprego - em lugar dele deveria estar um desempregado que era capaz de fazer muito melhor -, mas a culpa é também dos patrões que manifestam igual falta de simpatia com os clientes. O dono da casa é o culpado do ambiente da sua casa e da qualidade dos seus funcionários, pois é responsável pelo que acontece dentro de suas portas.

 

Eu comecei muito jovem a trabalhar com público e experimentei várias áreas de atendimento, desde hotelaria, comercio e restauração; sempre me foi incutido que a simpatia e a boa disposição deveriam ser uma marca no meu atendimento, para além da competência em fazer o que me pediam. Essa responsabilização que o meu chefe/patrão me incutia fez-me saber ser um funcionário que sempre primou por esses valores e ao, mesmo tempo, muito atento à forma como sou atendido.

 

A primeira impressão quando recebemos um cliente marca o atendimento até ao final. O simples ato de dizer “Bom dia, o que deseja?” pode ser interpretado de muitas formas, tudo depende da forma como o dizemos - carrancudo ou com um sorriso na face. Sei bem o impacto que o “Bom dia”, quando peço um café logo pela manhã, tem no resto do meu dia como cliente ou a retribuição que dou tem no dia de quem me atendeu. A simpatia e a boa disposição é algo que se contagia, ainda que exista uma vida cheia de coisas por resolver ou problemas a tratar, mas deve haver sempres espaço para um sorriso e para a disponibilidade em atender bem - se a intenção é que o cliente volte e o negócio possa crescer.

 

A falta de simpatia incomoda-me muito e a falta de vontade em fazer algo incomoda muito mais e isso justifica muita coisa que acontece no nosso país.

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