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VOLTA GASPAR, ESTARÁS PERDOADO?

por Manuel Joaquim Sousa, em 01.07.13

A notícia de hoje – demissão de Vítor Gaspar, Ministro das Finanças – apanhou-me de surpresa porque jamais acreditaria que este elemento do Governo se iria demitir de funções, até porque era um dos ministros do “núcleo de ferro” do Primeiro-Ministro e nele estaria depositada muita confiança. Da mesma forma que, sou apanhado de surpresa quando tomo conhecimento da nova titular das finanças do nosso país.

A reacção de jornais comentadores e gentes da blogosfera foi imediata e o que não faltam são textos de opinião sobre o assunto – chega agora mais um texto a juntar-se à amálgama de opiniões e dissertações.

Dizem, alguns analistas e comentadores, que chegará o tempo em que os portugueses dirão: “Volta Gaspar, estás perdoado”. Iremos ter saudades das medidas de austeridade e tentativas de sufoco que o ex-ministro das Finanças nos foi colocando no decorrer das nossas vidas? Esta baixa no Governo irá contribuir para a mudança de políticas estratégicas para a economia portuguesa? Será desta que o governo fica mais unido para uma governação diferente porque já se viu livre do “patinho feio”? Será que Gaspar reconheceu que a sua estratégia estava errada e, por isso, o Governo deva mudar de rumo? Com que imagem ficará Portugal perante as instituições internacionais, quando o bom aluno se despede e entrega o rumo das finanças a outra pessoa?
Acho que poderia continuar por aqui a fazer mais questões para o futuro que se avizinha - que é incerto tal como era antes -, e que agora corre o risco de ficar no silêncio de Belém em nome de uma estabilidade política que pode estar condenada – não sabemos se amanhã um outro ministro toma a mesma iniciativa e o Governo se revele ser um castelo de cartas.

Ao que se sabe, o pedido de demissão do Ministro terá já muitos meses, mas que foi aguentando a muito custo – na mesma proporção das olheiras que estavam bem vincadas no rosto do ex-governante -, enquanto que a sua imagem foi ficando cada vez mais desgastadafalhas consecutivas nas previsões, austeridade em cima de austeridade e quebra da procura interna foram os motivos do desgaste contínuo. Pelo menos, o ex-ministro teve a plena lucidez de que tinha uma credibilidade “minada”- estaria a lutar em vão contra os chumbos do Tribunal Constitucional e estaria a dividir o Governo ao impor a sua política -, tendo decidido conscientemente que a melhor opção para todos seria a saída.

Para trás ficam as famosas expressões como o “desvio colossal”, “enorme aumento de impostos”, “os portugueses são o melhor povo do mundo” ou que a culpa da retracção da economia se deve ao mau tempo. Tudo isto para justificar cada vez mais sacrifícios, numa política que se baseou no controlo das finanças pública através do aumento da receita fiscal e menos nas despesas públicas e gorduras do Estado.

O ex-ministro Vítor Gaspar, sabia que o iriam desrespeitar no momento em que a reforma da Administração Pública fosse colocada em prática, e o Ministro da Educação, Nuno Crato, foi o primeiro a ceder em relação às reivindicações dos professores, que deitaram por terra qualquer tentativa de colocação em prática de uma reforma como a que desejava fazer.

O elemento que se segue chama-se Maria Luís Albuquerque, até agora Secretária de Estado do Tesouro e muito preocupada com o regresso de Portugal aos mercados e preocupada com os tão falados swaps em Empresas Públicas.
 Volto novamente às questões: Seria esta a única alternativa dentro do Governo para a pasta das Finanças? Não pondo em causa a sua inteligência, é legítimo ou moralmente aceite que uma pessoa que está debaixo de fogo porque foi responsável por contratos swap, enquanto esteve na REFER, ser nomeada para Ministra, quando a oposição pede a sua demissão? Será que demissão pode ser promoção? Seria conveniente que a substituição de Vítor Gaspar fosse apenas quando o caso dos swaps estivesse terminado e esclarecido? Estamos a correr o risco de ter uma Ministra das Finanças que no início de funções está já desgastada? Na urgência de ser escolhido alguém para as Finanças, seria Paulo Macedo, Ministro da Saúde, a alternativa mais credível e consensual?

Que tipo de política de finanças será posta em prática? Qual a receita para a cura?
Acho que já são questões a mais que estou a colocar, para tempos que se avizinham difíceis para nós e mesmo para o Governo.

Terá o Sr. Presidente da República algo a dizer sobre o assunto publicamente?

Manuel Joaquim Sousa

http://www.publico.pt/politica/noticia/vitor-gaspar-de-saida-do-governo-1598899
http://www.publico.pt/economia/noticia/maria-luis-albuquerque-e-a-nova-ministra-das-financas-1598904 

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CROÁCIA – O 28º MEMBRO DA UNIÃO EUROPEIA. QUE FUTURO?

por Manuel Joaquim Sousa, em 01.07.13

Dizem que numa parede em Zagreb, na Croácia, está escrito: “Jovens, saiam da Croácia”. Se fosse em Portugal não seria estranha porque esta recomendação veio do nosso primeiro-ministro e não de um graffiti.


Esta frase é uma demonstração da dura realidade de um país que, hoje, 1 de Julho, passa a ser o 28º membro da União Europeia. Apesar da grande mudança que se avizinha para os Croatas, o seu optimismo parece esmorecido e hoje os festejos poderão ser amenos. Desde 2004 que este país se candidatou à entrada no então grupo dos 27, porém, com o passar do tempo e depois de saberem como se vive no sul da Europa e a crise que esses países estão a viver, o número de apoiantes à adesão desceu de uns 85% para 60% e dentro dos que são Europeístas, apenas uma metade acredita que o futuro será diferente, melhor.

Duvidemos que o futuro da Croácia seja mais risonho do que o seu percurso até aqui, pois estará agora debaixo de olho dos que comandam a Europa e tomam decisões que vão muito para além da soberania nacional. Merkel estará atenta a este país e poderá exigir que sejam colocadas em prática políticas de austeridade (que bela forma de começo como novo Estado-membro), para controlo de uma dívida pública que ronda os 60% do PIB e do défice que ronda os 4,4%. Porém, as políticas de austeridade poderão provocar efeitos igualmente nefastos como no Sul da Europa, dado que a situação económica Croata é muito débil – recessão há 4 anos; queda de 11% do PIB; um desemprego a rondar os 20%; as empresas de rating a considerar este país como lixo; problemas de sustentabilidade na saúde e segurança social; problemas gravíssimos com a corrupção.

Como podemos receber este novo parceiro? Que esperanças lhe poderemos dar? Que futuro para a Croácia? Será que lhe está a ser entregue um presente envenenado? Poderá a União Europeia admitir mais países (com dificuldades) para o seu conjunto quando tem sérios problemas para resolver?

http://www.publico.pt/mundo/noticia/croacia-e-o-28%C2%BA-pais-da-uniao-europeia-1598819

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