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BLOGUE DO MANEL

A vida tem muito para contar e partilhar com os demais. Esta é a minha rede social para partilhar histórias, momentos e pensamentos, a horas ou fora de horas, com e sem pés nem cabeça. Blogue de Manuel Pereira de Sousa

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A vida tem muito para contar e partilhar com os demais. Esta é a minha rede social para partilhar histórias, momentos e pensamentos, a horas ou fora de horas, com e sem pés nem cabeça. Blogue de Manuel Pereira de Sousa

BANCO ALIMENTAR: A CARIDADE DO ESTADO E A CARIDADEZINHA DO CIDADÃO

Manuel Pereira de Sousa, 03.12.12

Os portugueses são de facto excecionais – continuaram a contribuir para o Banco Alimentar, quer em voluntariado ou em géneros alimentares. Ainda não sabemos o número de toneladas arrecadadas este fim-de-semana, mas crê-se que estará próximo do ano passado.
A crise não tem inibido as pessoas de serem solidárias e nem as declarações da Sra. Jonet (que acha que em Portugal não existe miséria).

Posso dizer que também contribui com um alguns alimentos, não pela Senhora Presidente, mas porque existem portugueses que realmente estão a precisar e que não têm culpa de determinadas declarações.

O Banco Alimentar é uma instituição com credibilidade (até ao momento) e, como tal, recebe a confiança de muitos portugueses. Preferia que estas instituições não tivessem a necessidade de existir - significaria que em Portugal as pessoas viviam sem as necessidades básicas ou pelo menos, nos tempos difíceis, existiriam formas eficazes de contrariar a pobreza crescente. Temo bem que o Governo se queira libertar das suas responsabilidades, de contribuir na ajuda aos portugueses, e se aproveite destas instituições para que façam todo o trabalho.

Viver num país em que se é solidário com o próximo é bom - trata-se de um sinal de acolhimento, respeito e humanidade –; porém, é importante que ser solidário e contribuir para a solidariedade não nos faça tornar num país de caridadezinha, em que existe o coitadinho que se queira aproveitar da bondade dos outros para todo o sempre como forma de ganhar o sustento. Os portugueses passam por uma situação de grandes sacrifícios e espero que não sejam tolerantes quando os parasitas estejam a contribuir para a queda do Estado Social.

Fala-se muito na renovação do Estado Social, que se torna cada vez mais insustentável – porque cada vez mais pessoas recorrem à ajuda que do Estado – quando mesmo assim se exigem mais sacrifícios e mais impostos. Então se querem cortar, retirar no Estado Social porque temos de pagar mais e mais? Será que se quer reestruturar o dito cujo porque as instituições de solidariedade estão a ter cada vez mais responsabilidade? O Estado reestrutura as ajudas porque sabe que os portugueses não se importam de dar o saquinho de compras para o banco Alimentar? Há caridadezinha no nosso país porque os responsáveis políticos preferem ignorar as necessidades das pessoas.

Enquanto os portugueses, como eu, estão ocupados a escolher o que colocar no saquinho ou a ajudar na recolha e embalamento de produtos, existe quem no Estado prefira aproveitar esse tempo para renovar frotas, nomear para cargos, entregar dinheiro a fundações dispensáveis, pagar buracos financeiros como BPN ou rendas às PPPs.
Esta é a discrepância do tipo de esmolas que o poder dá em relação ao tipo de esmolas do cidadão comum.

A HISTÓRIA DA RAINHA SANTA ISABEL!

Manuel Pereira de Sousa, 02.12.12

Era uma vez um Rei de nome D. Dinis que vivia, no Castelo de Leiria, com sua esposa de nome Rainha Santa Isabel.

A Rainha Isabel, que era muito alma muito caridosa e cuidava dos pobres dando-lhes esmolas e procurando empregos para estes, já que o Governo de seu marido poucas esperanças dava aos jovens que saíam licenciados da Universidade que criou.
É conhecido que a Rainha contrariava o Rei muitas vezes, por querer fazer aquilo que El-Rei nem sempre queria fazer, apesar de bom administrador do reino e da causa pública. Mas, a Rainha Isabel continuava no seu dia-a-dia de bondade para com os pobres, que nem dinheiros tinham para comprar produtos de marca branca.
Um dia a Rainha ia, no seu coche, para mais uma ação social ao domicilio de uns quantos pobres e, debaixo do seu manto, levava uma grande quantidade de compras do hipermercado - onde usou os talões de compras e os cartão de desconto (que representava uma poupança muito grande) - para distribuir pelos mais pobres, quando lhe apareceu, de surpresa, seu marido Rei D. Dinis e seu cavaleiros para confirmar as suspeitas de há muito tempo – El-rei sabia que desapareciam os talões e o acumulado do cartão era sempre gasto sem que aparecessem bens no frigorifico da cozinha (o que estava a deixar a criadagem preocupada com medo se ser acusada de roubo) – pois conhecia muito bem o espírito bondoso de sua esposa e imaginava o que levava debaixo do manto.
O Rei ironicamente perguntou:
- Que levais aí, Senhora?
Ao que a Rainha Isabel responde:
- São rosas, Senhor!
Nesse momento, a rainha abre o manto e onde estariam os sacos do supermercado estava um grande ramo de rosas vermelhas lindíssimas.
O Rei Dinis ficou muito surpreso e contente seguiu com a Rainha Isabel para o Castelo de Leiria, onde viveram felizes para sempre.

JÁ NÃO HÁ INDEPENDÊNCIA PARA COMEMORAR A RESTAURAÇÃO

Manuel Pereira de Sousa, 01.12.12

A terminar um dia de feriado – 1 de Dezembro – o último em que se comemora a Restauração da Independência – que ocorreu a 1 de Dezembro de 1640.
 

Restauração da independência? Sim, conta a História que, em tempos idos, vivíamos sob a dinastia Filipina – Filipe I (II em Espanha), Filipe II e Filipe III – que colocou em causa a soberania da nação.
Porque caímos nesta situação delicada? O Rei D. Sebastião, como todos sabem, desapareceu em terras de África (não se soube do seu paradeiro) sem deixar qualquer descendente (ainda era muito novo).

Assim está explicada a razão para que o dia de hoje seja declarado feriado e muito importante – ou não estivessem os portugueses contra o Governo por o ter eliminado. Eu concordo com o Governo. Sim, para quê sermos saudosistas e desejarmos um feriado que comemora a independência que já não existe? Não somos independentes, mas dependentes de ajuda exterior – pedida por certos governantes – que, para além de trazer umas tranches, corta e risca no que deve ser feito no nosso país - trata-se de uma espécie de governo tripartido.

Eu já andava desconfiado que a independência era condição do passado. A certeza confirmou-se quando o Presidente da Republica hasteou a bandeira nacional ao contrário, no dia 5 de Outubro, como que um pedido de socorro denunciando oficialmente a perda de soberania. Afinal, a Republica já não existe.

UM MURRO NA MESA CONTRA "VOU-LHE USAR"

Manuel Pereira de Sousa, 01.12.12
(fonte: Youtube)
http://www.facebook.com/DarUmMurroNaMesa


Por vezes, vejo episódios da telenovela “Gabriela” e surpreendo-me como, em tempos antigos, a mentalidade das pessoas era tão fechada – fechada em conceitos que a sociedade determinava como verdades instituídas.
Se há expressão que me dá nojo e mesmo arrepio pelo significado que carrega é a de coronel Jesuino: “Se prepare que eu vou-lhe usar” – pronunciada quando pretende fazer sexo com suas esposas. Esta personagem tem no seu historial a morte da sua primeira esposa - apanhada em flagrante com um amante – do qual goza da completa imunidade e impunidade pelo crime cometido, tido como defesa da honra e bons costumes, ainda que este fosse frequentador de casas de prostituição; para além das constantes ameaças de morte da sua noiva, caso na noite de núpcias não sangrasse – a esposa teria de ser virgem. Para além desta personagem, existem outras que demonstram total desprezo pela mulher e com cenas de violência por atos das quais não tinham qualquer culpa.

Isto trata-se apenas de ficção – eu sei. Porém, ainda que distantes do tempo descrito na telenovela, estamos ainda muito próximos em formas de pensamento e atitudes – o que seria uma representação do passado ainda acontece. A violência doméstica existe, expressasse em números gordos, é considerada como um crime, mas ainda está muito escondida na sociedade. Existe medo das vítimas em denunciar a violência de que sofrem por temerem a sua vida. Tantas vezes as culpas das marcas físicas da violência são atiradas para os armários de casa, contra quem se bate muitas vezes, deixando que os agressores sejam impunes pelos atos cometidos irracionalmente.
Quantas vezes as mulheres são usadas sexualmente contra sua vontade?

Falamos do sofrimento das vítimas “diretas” da agressão, mas existem as vítimas que presenciam a tudo o que se passa na vida familiar e que psicologicamente ficam afetadas de forma profunda e, muitas vezes, para o resto da vida – memórias que os tempos não apagam.

O silêncio é a arma do agressor. É tempo de um murro na mesa.  

 

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