Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


11/09: AMÉRICA FERIDA

por Manuel Joaquim Sousa, em 11.09.12

Em poucos minutos o mundo mudou. Passados 11 anos muitos acontecimentos são consequência desses minutos, de uma manhã, de 11 de Setembro, de 2001. Morreram 2753 pessoas de todo o mundo, na sua maioria americanos, que trabalhavam no World Trade Center - as míticas Torres Gémeas, símbolo do poder americano. Muitas vítimas continuam por identificar, guardados numa tenda perto do Ground Zero, alguns impossíveis de identificar porque estão completamente queimados.

Durante horas o mundo ficou em suspenso com os sucessivos acontecimentos - que rapidamente chegaram aos quatro cantos do mundo. Em directo acompanhamos o desenrolar de grande parte dos acontecimentos. Primeiro, o embate na Torre Norte; depois um novo embate na torre sul; de seguida um avião que se despenhou contra o Pentágono; entretanto a torre sul cai e um outro avião cai na Pensilvânia; por fim o colapso da Torre Norte. Uma sequência de acontecimentos que horrorizaram o mundo e sobre os quais não existia qualquer ideia de pararem e não dava para perceber o que estava realmente a acontecer.


No suspenso do horror de um acontecimento macabro e inigualável no mundo globalizado, uma parte do mundo islâmico e radical regozijava-se com o sucesso de uma operação preparada com o mínimo detalhe. A América ficou ferida. O coração financeiro (WTC), militar (Pentágono) foram atingidos, apenas o coração político não foi porque o avião terá caído antes de chegar ao destino.

Uma ferida exposta que tentou envergonhar o orgulho e a superioridade americana face ao mundo, sobretudo face ao mundo islâmico radical, que sempre se sentiu ferido e vitimizado com a política militar americana e as suas ofensivas pelo mundo. Mas, o mundo também ficou ferido com o 11 de Setembro - não apenas porque morreram pessoas de cerca de 90 países, mas porque se consciencializaram que estamos muito vulneráveis a diversas ameaças vindas de onde menos se esperam. Bali, Madrid ou Londres são os melhores exemplos.

Em poucos minutos o mundo mudou e em poucos minutos a liberdade cultural e religiosa passou a ser vista de forma desconfiada, com reservas e mesmo rejeitada por muita gente. É certo que muitos americanos pagaram com a vida um ódio que não tinham e, por isso, não mereciam o que lhes aconteceu. Também é verdade que o mundo muçulmano passou a ser observado como fanático, radical, quando a maioria não se regozija com o que aconteceu e não pactua com a escalda de violência. De boas intenções está o inferno cheio e a violência é um acto que procura limpar e vingar as vítimas de ambos os lados da barricada. Por isso, o orgulho americano não se baixou e as intervenções militares no Afeganistão e no Iraque são a prova de que nenhuma das partes está disposta a resignar-se em nome da paz.

De nada valem as teoria da conspiração inventadas pelos anti-americanos, que reconhecem os americanos como os responsáveis e criadores dos atentados ou que nenhum avião caiu sobre o Pentágono porque nenhum país, muito menos os EUA, está disposto a ferir o seu próprio orgulho. Os EUA poderão ser responsáveis pelos atentados do ponto de vista das suas atitudes, posições e intervenções militares ao longo da História, que alimentaram ódios e explodiram de uma forma inteligente.


Depois do 11 de Setembro o mundo tornou-se diferente, as pessoas passaram a ter atitudes e comportamentos diferentes para evitar um perigo eminente, que não se sabe onde está, mas que realmente existe em qualquer parte do mundo. Os simples hábitos diários passaram a ser controlados de forma mais rigorosa em nome da segurança nacional e a privacidade deixou de ser um bem próprio, mas um bem público, para a detecção de qualquer suspeita. Porém, enquanto uns fazem o controlo apertado nos aeroportos, nas telecomunicações, na Internet, etc, outros procuram as falhas do sistema de segurança para lançar novas ameaças e espalharem novamente o terror. A guerra contra o terrorismo parece ser um guerra bem pior que os conflitos convencionais e que marcaram a História da Humanidade, em que se sabe quando começou e se sabe quando terminou ou quando o fim poderá ocorrer. Esta é uma guerra que não se conhece o fim. Não é uma guerra de Estados, mas de culturas e essas são sempre as piores e que se travam no dia-a-dia, de cada vez que se cruzam. Enquanto todos os diferentes Homens não foram capazes de darem as mãos, haverá sempre alguém, um que seja, a incitar à violência, à guerra que não é santa, mas infernal. Quando isso acontece a Humanidade entra no ponto de regressão da sua evolução para uma sociedade perfeita e para um mundo perfeito. Os inocentes são sempre os que mais sofrem como em qualquer guerra.

Autoria e outros dados (tags, etc)

AUSTERIDADE É O CAMINHO DO PARAÍSO E DO ÉDEN

por Manuel Joaquim Sousa, em 11.09.12

Não sei se a crónica ou texto que estou a tentar escrever, depois do anúncio do Sr. Primeiro-Ministro, será feita de uma forma cómica ou deprimente. Talvez de forma embriagada, para que não me choque – o mesmo estado que os capitães de Hitler se encontravam quando sabiam que tudo estava perdido e que o fim estava próximo. Assim receberei melhor as medidas que o nosso chefe de governo me destinou (corte, de forma faseada, de um salário por ano).

Não sei mais o que terei de pagar – assim como muitos portugueses – para manter o défice público dentro dos níveis solicitados pelas Entidades Internacionais. Sinto que o meu país perdeu a sua soberania e que agora temos de ser governados por outros senhores que olham para o seu umbigo. Também não percebo como o governo não entendeu que quanto mais austeridade impõe mais o país padece e mais longe ficamos das metas que nos impõem. Assim como, não percebo quais as receitas que a Toika pretende aplicar para que o país saia do buraco, quando no final de cada exame e de cada cálculo tudo está pior – depois é o povo que tem de pagar com o que já não tem.

Não percebo porque sou sempre eu o culpado de todo o mal da economia – até sou porque deixei de comprar para além do que estritamente necessário à minha sobrevivência – e das finanças quando mensalmente já pago (através dos descontos do meu salário) a minha parte ao Sr. Estado, para além dos impostos sobre cada alimento que compro.

Acima de tudo, nesta minha embriaguez, acredito que estamos perto de ver a luz ao fundo do túnel – o paraíso está próximo.
Nesse paraíso deixará de existir austeridade porque quando nos roubarem o último cêntimo da carteira e o último pão para comer, quando ficarmos sem as nossas casas – penhoradas pelos bancos e pelas finanças – estaremos livres porque se acaba a austeridade. Eles ficam com tudo e eu sem nada, livre.
Brevemente, estaremos nus, sem uma cueca para vestir e estaremos livres no jardim do Éden como Deus nos criou. Não teremos de trabalhar, suar de sol a sol, para contribuirmos para o Estado. Teremos apenas de cultivar para o caldo e pescar ou caçar para a refeição como os nossos irmãos primitivos; dormiremos debaixo das árvores e em grutas porque debaixo da ponte cobram imposto. Poderemos livremente trocar batatas que plantamos com os feijões e melões da vizinha e assim viveremos irmãmente.

Este é o paraíso desejoso que não tardará a surgir – o primeiro-ministro aponta a retoma para 2013 -, basta aguardar que nos saquem os últimos cêntimos. Estudar e emigrar não será necessário porque o tempo é para desfrutar.

No princípio era o Verbo e assim será novamente pela vontade dos nossos governantes.
Por muitos rodeios e explicações que se tenha dado neste discurso, este é o melhor entendimento que eu dou (e vós podereis dar) para uma visão mais pura e cristalina da crise, de forma a sentir-me guiado a caminho do paraíso.

Público: http://www.publico.pt/Economia/passos-1562130


Sol: http://sol.sapo.pt/seccao/interior.aspx?content_id=58635

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

subscrever feeds




Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mais sobre mim

foto do autor


Calendário

Setembro 2012

D S T Q Q S S
1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30




Tags

mais tags