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BLOGUE DO MANEL

A vida tem muito para contar e partilhar com os demais. Esta é a minha rede social para partilhar histórias, momentos e pensamentos, a horas ou fora de horas, com e sem pés nem cabeça. Blogue de Manuel Pereira de Sousa

BLOGUE DO MANEL

A vida tem muito para contar e partilhar com os demais. Esta é a minha rede social para partilhar histórias, momentos e pensamentos, a horas ou fora de horas, com e sem pés nem cabeça. Blogue de Manuel Pereira de Sousa

A BRANCA TELEVISIVA

Manuel Pereira de Sousa, 26.08.12

Em tempos que se fala da RTP e da concessão de serviço público, deixo-vos um texto escrito na sequência da polémica sobre as audiências medidas pela nova empresa responsável e que é seriamente criticada pelos Operadores de Televisão.

Terça-feira, 17h25m, alguém pega no comando da televisão e muda de canal. A acção deste alguém multiplicada por 247800 pessoas, que também assistiam ao programa do “Portugal no Coração”, da RTP, deixaram o primeiro canal sem qualquer espectador em antena. Instala-se o pânico na Estação Pública porque todos os espectadores mudaram de canal.
O que aconteceu? Porquê esta mudança? Foi um acto combinado? Uma forma de protesto? Contra a venda do canal? A programação da Estação Pública não está a corresponder às expectativas?

Enquanto o programa continua na sua normalidade, o colapso na sede da RTP provoca correrias nos corredores, entradas e saídas nos gabinetes, telefonemas em tudo quanto é telefone, e-mails para e do Conselho de Administração; tudo gira em torno da branca televisiva.
Para além do pesadelo na RTP, já os outros Meios de Comunicação Social concorrentes, imprensa e rádios noticiam o sucedido; nos sites, Blogosfera e redes sociais são aos milhares os comentários. Em instantes, o país fica em suspenso, mas ninguém, uma alma sequer, premiu o botão do comando do primeiro canal, para ver a emissão que continuou normalmente. 
Fazem-se os primeiros balanços dos prejuízos, 12,9 milhões, um valor provisório, que dependerá das consequências que as marcas dos espaços publicitários desencadearão com este apagão. Está tudo comprometido; o programa que contratou meios e que terá de os pagar; as marcas que contrataram aqueles minutos específicos para publicidade; o canal que não pode avançar para intervalo porque não vai passar os spots publicitários sem espectadores em antena.


A esta hora, o Governo reúne-se de emergência. O canal público que está à venda tem o seu valor comercial em causa e que tenderá a desvalorizar. O Ministro das Finanças está preocupado porque o encaixe da venda do primeiro canal será revisto em baixa no défice. O Primeiro-Ministro faz uma primeira declaração ao país, para estabilizar os ânimos e os mercados. O súbito “apagão” agonia os portugueses, que já pensam nas possíveis medidas extraordinárias que serão tomadas, para compensar as perdas.
Enquanto o Governo continua reunido, o plenário da Assembleia da Republica aquece com a habitual troca de acusações entre a direita e uma esquerda assanhada - no imediato atiram responsabilidades aos grupos económicos interessados no canal em moeda barata.
Nos cafés, as discussões mantêm-se acesas entre os que defendem o serviço público e os que desejam a privatização de um canal em tempo de contenção de despesas; mas nem por isso, ninguém, uma alma sequer, pega no comando para ver a emissão do “Portugal no Coração”.
Os canais de notícias desdobram-se em debates com comentadores de serviço e directos televisivos; os generalistas exploram a tragédia e o horror nos talk shows da tarde.

Apenas num único lugar há silêncio: no Palácio de Belém. O Sr. Presidente Cavaco Silva mantém o silêncio.
Na RTP mantém-se o caos. Normalidade apenas no estúdio. 

São 17h55m, o primeiro canal passa a ser visionado, nesse preciso instante, por 295700 espectadores. O país respirou de alívio.
Pelos vistos a RTP descobriu que se tratou de um erro técnico por parte da empresa responsável pela medição de audiências.


(Este texto trata-se de uma crónica de Manuel Joaquim Sousa. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência).

 

CECÍLIA FAZ ARTE AO RESTAURAR IMAGEM ECCE HOMO, DO SEC XIX

Manuel Pereira de Sousa, 23.08.12
(Fonte de vídeo: www.sic.pt)

O conceito de arte está profundamente baralhado entre nós. Quanto mais evoluímos como seres pensantes mais baralham a arte e o que querem dela ou o que representa para todos nós.

Lá por termos acesso à arte de uma forma cada vez mais ampla, não significa que sejamos todos apreciadores de arte e críticos conceituados, a ponto de menosprezar o esforço de muitos pela criatividade.

A Cecília, de 80 anos, cidadã Espanhola, é vítima daqueles que criticam a arte de forma pouco construtiva. Teve a humilde ideia de artista plástica de restaurar uma imagem de Cristo, há muito degradada pelo passar do tempo - uma forma de recuperar uma obra de Elias Garcia Martínez. Pelos vistos a senhora teve de sair a meio do restauro para ir buscar o filho e quando voltou a “tenda já estava armada” e não pode terminar o seu trabalho.  Como é possível que esta senhora não tenha terminado o restauro que a pintura estava a precisar? Como é possível tão grande polémica em torno de alguém que já pinta desde os 5 anos, que já fez muitas exposições e vendeu muitos quadros?

São questões que eu, defensor da arte que rompe com as tradições e as leis conservadoras (até fiquei admirado com esta designação), não consigo responder. Lá por Cecília não ter a mesma projeção que Picasso ou até que o criador original Elias Garcia Martínez, não significa que a sua arte seja menor.

Quando o Picasso fez os seus traços e rabiscos o mundo da arte e dos críticos abriram a boca de espanto; quando Dali pintou aqueles abstratos exagerados (frutos da sua loucura) a admiração e a tentativa de encontrar um significado é um trabalho filosófico; Leonardo D Vinci pintou a pobre Mona Lisa e agora o Louvre é motivo para milhões de visitantes; quando Paula Rego expõe as suas obras de mulheres grosseiras, eis que se torna na crítica e exposição das realidades sociais; quando a grande Cecília restaura uma imagem de Cristo com uma arte mais moderna, abrem-se as bocas da crítica como se ela fosse uma herege.

O que dirá o Cristo no meio de tudo isto?
Quem nunca pintou mal que atire a primeira pedra.

Vou tentar entrevistar Cristo para ver o que pensa sobre tudo isto.


(Escrito de forma irónica e de acordo com o novo acordo ortográfico)

A REVOLTA CONTRA O PINGO DOCE É COMPRAR AO LADO

Manuel Pereira de Sousa, 23.08.12

Porque todos falam (pelo menos a maioria) da recente campanha do Pingo Doce aos seus clientes - aquela dos pagamentos por Multibanco apenas para compras superiores ou igual a 20 Euros - eu também quero falar e deixar a minha humilde e sábia opinião.

Já repararam que cada vez que o Pingo Doce faz alguma coisa com impacto para os seus clientes é amplamente anunciado nos media? Acho que se trata de publicidade gratuita, para fazer frente às campanhas publicitárias do Continente, nos intervalos da programação.

 

Primeiro: a transferência de todo o património para sede na Holanda (já quase todas as empresas do PSI 20 haviam transferido para o exterior e ninguém se lembrou disso).

Segundo: a campanha dos 50% de desconto em compras, no dia 1 de Maio, a ponto de provocar o caos e a ordem publica nas lojas de todo o país.

Terceiro: a campanha dos pagamentos por Multibanco.

Quarto: ainda não sei o que vai ser, mas já estão todos à espera.

 

Como português que sou e que protesta contra todas as situações, pois com certeza que estou revoltado com esta medida porque a crise faz-me andar com pouco dinheiro no bolso e só posso pagar com o multibanco. Com esta ladroagem que anda por aí, não me arrisco a andar com dinheiro no bolso; só ando com uns trocados para pagar o café se for o caso. Como no Multibanco só se pode fazer levantamentos a partir dos 10 Euros eu não vou levantar 10 Euros quando podia pagar um Kg de arroz e quatro pães com o cartão. Concordam comigo? Quando não tiver 10 Euros na conta para levantar, como pago a minha despesa?

Mas, protesto não protestando. Como? Não vou para a porta do Pingo Doce manifestar ou moer a cabeça às senhoras da caixa; a minha forma de protesto é ir ao Minipreço que fica do outro lado da rua ou continuar a comprar nos supermercados ao pé de casa - que até tem boas ofertas em termos de preço/qualidade. Eu apoio o comércio tradicional.

Antes do Pingo Doce fazer qualquer alteração, como as que fez nos últimos dias, deveria existir um referendo à população, para saber o que se pensa. Assim evita-se a indignação dos clientes, que depois de tantos protestos continuam a encher os carrinhos abnegados que estão com esta situação.

O TUBARÃO EM ÁGUAS PORTUGUESAS NÃO ERA O ATAQUE DA TROIKA. APÓS INTERROGATÓRIO FOI MULTADO POR TRANSGRESSÃO

Manuel Pereira de Sousa, 22.08.12

Um tubarão terá sido avistado junto da costa, em Vila Nova de Mil Fontes, provocando o pânico de centenas de pessoas que se encontram na praia e a banhar-se na águas do estuário do Rio Mira. O primeiro avistamento terá ocorrido no dia 21 de Agosto, por volta das 16h:20m, por vários banhistas que alertaram os nadadores salvadores. Logo de seguida foram hasteadas as bandeiras vermelhas por precaução e a polícia marítima tratou de fazer uma vigia pela zona, para saber do que se tratava.

Inicialmente, por falta de informações, apenas dos testemunhos, foi difícil descrever de onde terá surgido o tubarão e qual o circuito que estava a fazer. Porém, ao final de algumas horas, a polícia marítima, com ajuda dos Serviço de Informação, encontraram o tubarão parado bem perto da costa portuguesa a falar ao telefone. Os agentes de segurança abordaram o desconhecido para obter informações mais precisas do que se estaria a passar. Desconfiaram se tratava de uma contratação da troika, para lançar mais um ataque sobre os portugueses, de forma a provocar fortes atenções sobre si, enquanto Pedro Passos Coelho anunciaria a medida de corte do 13º mês, sem que os portugueses contestassem.

 

Decretada a ordem de prisão, o tubarão foi sujeito a um longo interrogatório, a fim de saber realmente quem o contratou, ou seja, se terá sido a troika. Ao que tudo indica, o tubarão estaria a fugir da troika - este costuma navegar em alto-mar (como quem diz, em auto-estrada) por questões migratórias (o mesmo que acontece no mês de Agosto com os emigrantes que por cá passam) e devido à crise, assim como, implementação de portagens em alto-mar, optou por navegar junto à costa para poupar na viagem.

Após serem dadas como provadas as declarações prestadas pelo tubarão, a polícia marítima decidiu autuar o dito por excesso de velocidade em águas costeiras, pondo em risco a vida de pessoas. Além disso, ficou sujeito a apresentações periódicas na capitania até decisão final do Tribunal, por ter sido apresentada queixa por alteração da ordem pública.
Por esta razão, será natural que, regularmente, o tubarão seja visto perto da zona costeira para apresentação às autoridades até o processo em Tribunal ficar terminado (já devem imaginar quanto tempo vai demorar).

Neste momento, as pessoas podem voltar sossegadas até à praia e conviver com o animal, que aproveitou para apanhar uns raios de sol em terras portuguesas. 

FUTEBOLCLORE I: O ARRANQUE DA 1ª LIGA

Manuel Pereira de Sousa, 19.08.12

Neste fim-de-semana arranca a nova época do campeonato de futebol. Começa também a ocupação de muitos portugueses interessados pelo que se passa na 1ª Liga, dentro e fora de campo.
Bem, fora de campo é o que mais polémica traz e o que mais impacto tem nos media que cobrem o futebol - o jogo que se passa dentro das quatro linhas fica, na realidade, para segundo plano.

 

O Sr. Gordo e o Sr. Magro há muito que estão a tomar a sua cerveja ao balcão do café em silêncio, por falta de assunto futebolístico, já que pouco conversam quanto ao resto.

- Este período é difícil, diz o Sr.. Gordo.

- Então porquê? responde Sr. Magro.

- Porque estou ansioso que comece o campeonato, para ver se temos algum assunto de jeito para conversar. Este intervalo entre o fim e o início de uma época, são um bocado dolorosos, são frios.
- Este fim-de-semana já vamos ter assuntos para discutir toda a semana. Os jornais já vão criar histórias, para que haja tema de conversa. Mas olha que nos últimos dias já temos tema para falar.
- Qual tema qual quê? Ainda não começaram os jogos.

- Então não estás a par do caso Luisão? Aquilo deu que falar. O árbitro ficou estatelado no chão com um empurrão.
- Eh pá! Claro que vi. Nem quero falar disso. Foi uma vergonha para o futebol.

- Vergonha porquê? O árbitro era um fraquinho. Onde já se viu cair sem sentidos sem mais nem menos e depois cancelar o jogo.
- E Achas bem o que o jogador fez? Achas bem agredir um árbitro? Aquilo é agressão. Não é coisa pouca.
- Eh! Não exageres. Aquilo não foi nada. O tipo é que era um lingrinhas.
- Lingrinhas pá! Lingrinhas! Um árbitro é preparado para arbitrar um jogo, não para levar com empurrões. Aquilo não é um jogo de lutas.

- Ele foi é defender a equipa. Agiu como um capitão.
- Capitão. Agiu como um brutamontes. Da mesma forma que é capitão deveria respeitar as regras do jogo e o árbitro que é o juiz da prova, que decide como bem entende. Respeito. Sabes o que é? O Benfica parece que não.
- Não venhas com essas tretas pá.
- É verdade! Vê como eles se riram da situação lá no campo. Como se tivessem feito uma grande coisa. Esperemos que seja castigado.

- Pudera até teve a sua graça. Até me admira a tua moralidade e não toleres o que aconteceu.

- Não é moralidade, é veres e saberes que aquilo foi vergonhoso, ainda para mais fora de Portugal.

 

Assim continuaram. Sr. Gordo e o Sr. Magro a discutir os episódios de folclore. Se repararam não discutiram o que aconteceu durante o jogo, a prestação de cada equipa, apenas o insólito empurrão do Luisão que fez o árbitro cair redondo no chão. Tudo o que aconteceu antes foi esquecido. É assim que se vive o futebol nacional. Chegou o tempo das acusações mutuas entre os dirigentes. 

TAMBÉM QUERO FÉRIAS!

Manuel Pereira de Sousa, 18.08.12

Hoje o que mais ouvi no final do dia de trabalho foi: «Boas férias para mim!», «Férias!», «Eu também não venho!», para além de já sermos massacrados durante todo o dia com a constante contagem decrescente que vão fazendo. Eu também queria dizer o mesmo, estar na mesma excitação de querer ir de férias, mas há que aguentar mais umas semanas, até à chegada da minha vez.
O mal de estarmos constantemente a ouvir esta forma de despedida faz com que o corpo e a cabeça travem uma batalha terrível contra o cansaço e o pensamento de que ainda tenho de esperar - há que mentalizar que ainda não chegou a minha vez e ainda tenho muito que trabalhar até lá.

Férias são férias, que todos as gozem muito bem, mas que não me chateiem a moleirinha e que tenham dó por quem fica ali a penar num imenso espaço que se transforma e algo vazio.


Muitos perguntarão: Porque não vais também?

Pois, isso é que era. Alguém tem de ficar para que as coisas rolem pelo melhor. Além disso, tirar férias em Agosto é fazer o mesmo que grande parte da população activa. Prefiro mais tarde, para evitar as confusões na ida para a praia, nas esplanadas, no espaço do areal. Se quiser sair, poupo dinheiro com os preços mais baixos e um atendimento mais cuidado e com mais qualidade. Nos últimos anos, até mesmo o tempo em Setembro tem estado uma maravilha, bem melhor que as incertezas de Agosto.

Mas no fundo, eu também quero férias!

OS ESCRITORES NÃO SÃO TOTÓS - APRECIAM O BELO DE FORMA PROFUNDA

Manuel Pereira de Sousa, 17.08.12

 Da página do grande escritor Pedro Chagas Freitas recolhi este texto que decidi partilhar convosco: 


Pedro Chagas Freitas

 

Dizem que os escritores têm ar de totós; que são uns tapadinhos; que vivem na solidão; que são neuróticos e outras coisas mais no se sentido menos positivo. Depois de lerem o texto que retirei do escritor Pedro Chagas, dá para ficar com a ideia do contrário?

Os escritores são homens como os demais? Sim, como humanos, são seres com as mesmas necessidades fisiológicas. Porém, são algo mais superior  porque apreciam o belo e o prazer de uma forma profunda, que conseguem transparecer para as palavras; enquanto dos demais apenas soltam suspiros e gemidos que se ficam só por aí.
Amor, sexo e paixão e toda a fogosidade ardente não pode ficar apenas no momento - ou então esvazia-se - tem de ficar imortalizado em palavras sentidas e profundas. Não se pretende menorizar os sentimentos dos demais, que não conseguem exprimir em belas palavras o fogo que sentiram no momento do prazer; apenas não se pode manter o preconceito dos escritores em relação ao amor (que não tem de ser sofrido) ou ao sexo (que não tem de ser tabu). Todos podem ser capazes de saborear e sentir arduamente os momentos quentes e fugazes do amor e do sexo - mais que meras necessidades fisiológicas do homem.

HELEN GURLEY: “AS BOAS RAPARIGAS VÃO PARA O CÉU, AS MÁS VÃO PARA TODO O LADO”

Manuel Pereira de Sousa, 15.08.12

“As boas raparigas vão para o céu, as más vão para todo o lado”, são palavras de Helen Gurley, a mulher que revolucionou a maneira de pensar por volta de 1965 e que nos deixa, com 90 anos. Ainda hoje, não será assim tão fácil tomar a liberdade de dizer ou escrever tais palavras publicamente, sobretudo em sociedades conservadoras e que se escandalizam por tudo e por nada. Da mesma forma, dizer que as mulheres deveriam ser felizes no sexo antes do casamento ou que as mulheres também sentem prazer quando o praticam é frontal, para derrubar a cultura machista ainda existente no país onde viveu e morreu.

É tão engraçado (que não tem graça nenhuma) a sociedade tão puritana que temos, defensora de valores morais e muito contestatária em relação ao sexo como profissão ou simplemente como amor e que fácilmente se desmoraliza nos seus seus actos - eu sou contra, isto é uma indecência e lá no fundo pensam: eu gostava de ser assim, de fazer o mesmo.

AS MENINAS DA PLAYBOY ANDAM TAPADINHAS!

Manuel Pereira de Sousa, 14.08.12

O facebook é uma daquelas maravilhas fantásticas que alguém inventou para se encontrar amigos, descobrir amigos e partilhar coisas e afins com quem já temos uma proximidade regular ou mesmo intensa. Para além disso, o facebook permite ter acesso de forma fácil, instantânea e automática a certas maravilhas que as gentes masculinas muito apreciam.
Não sei como isto aconteceu, se foi sugestão que eu aceitei, mas na minha página do facebook aparecem as coelhinhas da playboy e não só. Ao contrário do que possam pensar, nada de posições indecentes ou excessivamente descascadas (antes fosse) porque ultimamente a produção desta revista tem optado por meninas vestidas de cima a baixo - sei lá eu porquê.

O Verão deste ano tem sido invernoso e estão com frio para tirarem os casacos e as meias acima do joelho? A crise afectou o pagamento dos cachets porque quanto mais despida mais cara?


Apesar de todo e o meu descontentamento, pode dizer-se que: o facto de ter feito "Gosto" na página permitiu que ao longo do dia o meu mural fosse decorado com imagens belas e dignas de serem vistas e apreciadas pelos meus lindos olhos.

Continuo a achar que as fotografias são muito originais, mas mais adaptadas a desfiles de moda do que propriamente a desfile e amostra do corpo - talvez seja para apelar à imaginação masculina sobre o que estará por debaixo de tanto tecido ou também para minimizar o trabalho de fotophop que é necessário fazer para encobrir algumas imperfeições (apesar da maioria das modelos ser suficientemente bonitas para superarem sem o teste photoshop).
São elas sentadas na cadeira de perna cruza e meia até ao joelho; deitadas no divã com olhar quente; na piscina em cima da bóia (até os biquínis são dos clássicos - muito tapados); são elas a sair do carro com alto vestido com muitos folhos; a bela da moreninha a puxar um bocadinho da camisola para mostrar apenas o umbigo; mas, a bela e tradicional deitada na praia com o belo do vestido fino e claro completamente molhado (para ficar transparente) apenas existe uma. Inacreditável.
Talvez a moda das fotografias eróticas esteja a mudar e eu ainda esteja preso ao tradicional.


Para as ladys que poderão estar a ler este artigo, também posso dizer que pelo meio existem modelos masculinos que também possam suscitar o interesse pela página da playboy - criada para ambos os sexos que apreciem as esculturas humanas e agora eventos de moda.

Porém, como português que sou, continuo a manifestar o meu descontentamento com o excesso de tecido existente nas modelos, ainda que os seus olhares sejam atraentes e os sorrisos interessantes.

OS CANHOTOS SÃO MESTRES DA MÃO ESQUERDA

Manuel Pereira de Sousa, 13.08.12


Há palavras sobre as quais tenho uma certa dificuldade em escrever o seu significado ou melhor o significado que lhes é atribuído nos dicionários de português – para mim, o significado pode ser outro.
 

Já repararam qual o significado de canhoto nos dicionários de português. Eu mostro-vos o exemplo do meu dicionário. Vejam a descrição até ao final e agora imaginem qual o estereótipo a que os destros são sujeitos pela sociedade. Até podem dizer que atualmente já não existem quaisquer complexos em relação às pessoas que escrevem preferencialmente com a mão direita, o que não parece real. Cerca de 10% da população portuguesa é conhota, o que não quer dizer que esses 10% sejam seres menores só porque usam a outra mão para fazer grande parte das tarefas. Não percebo, se existem duas mãos significa que ambas podem ser utilizadas em nosso favor e que não tem de existir complexo ou medo quanto a isso.
 

Por acaso, lembro-me que quando andava na escola, ainda bem miúdo, o meu colega de carteira era canhoto, assim como alguns naquela turma, e ter perfeita noção que a forma dele escrever não era de todo a norma dos restantes. Achava estranho a forma como escrevia, de folha meia torta, e a caligrafia era esquisita (a pernas do “v” e do “b” ficavam em rota ascendente sem qualquer ligação com as outras letras). Cheguei a tentar escrever da mesma forma, com muito custo, e facilmente desisti. A esta anormalidade achava o máximo porque ele fazia uma coisa que os restantes não tinham capacidade de fazer, era um génio. Se calhar os meus colegas pensavam o mesmo porque não me lembro, em tempo algum, serem diferenciados e apontados por dedos de mão direita dos restantes.

 

Eu agora até estou a teclar no computador com a mão esquerda para ver se me desenrasco – fico com a mão cansada de tentar escrever rápido e sem sucesso. Continuo a gabar a mestria.