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Havia um homem perdido nos confins do tempo e do espaço, num mundo completamente abstrato, onde apenas se visualizava sobre a sua cabeça um grande ponto de interrogação, que para si constituía uma grande dor de cabeça por ser pesado e algo encomodativo para transportar. O ponto de interrogação era tão grande quanto maior o número de interrogações e de dúvidas que se criavam na sua cabeça, sobre tudo e mais alguma coisa, sobre si e sobre o mundo, como se o mundo fosse alguma vez para ser decifrado.


A vida desse homem, como calculam, não era de todo fácil. Conviver com o ponto de interrogação era pior que... sei lá... uma pessoa estranha com a qual não trocamos qualquer tipo de comunicação, mas que anda sempre atrelada a nós. Não era fácil porque, por causa do seu ponto de interrogação, não conseguia caminhar direito e porque as outras pessoas olhavam para si de forma estranha e duvidosa e por isso lhe torciam o nariz inconscientemente só pelo facto de ver este homem, que mais parecia alguém perdido.


É certo que o homem era aluado, estranho, mas para quê torcermos o nariz só porque na sua vida tenha como companhia um ponto de interrogação? Não pode o homem questionar-se a si próprio sobre o mundo que o rodeia e sobre as pessoas? Não tem direito uma pessoa a sentir-se perdido ao longo da sua caminhada pela cidade com a esperança de que vai encontrar a solução para as suas questões? Pois, achamos que até pode, mas o julgamento que fazemos nem sempre é o melhor e pensamos nós que aquele é mais um tolo que faz parte da nossa sociedade. É de facto só mais um tolo porque nós também temos uma dose de tolisse porque também nós transportamos um ponto de interrogação sobre a cabeça ou mesmo às costas porque também nós temos a nossa crise de existência e queremos descobrir tudo o que acontece no mundo e saber porque nos acontece. Esquecemos que a mesma figura que este homem faz é a mesma que fazem todos os que deambulam pela rua, mesmo pensando que estão a seguir o rumo correcto. Uns terão o ponto de interrogação mais pequeno que outros, tudo depende das quantidade de questões que se colocam e da quantidade de respostas que pensam ter encontrado.
Certamente já tiveram a sensação de se sentirem com um enorme ponto de interrogação na cabeça e perdidos na rua por onde passam todos os dias. Não se preocupem, pois não são os únicos com essa sensação. Vejam quantos pontos de interrogação tem a rua por onde caminham e vejam que são tantos quanto o número de pessoas que caminham convosco. Agora imaginem na dimensão do ponto de interrogação de cada um.
Digam qualquer coisa.

Por: M. Brunner 


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