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A ordenação de mulheres continua a ser um assunto delicado para a Igreja Católica, sobretudo para os elementos mais conservadores do clero. As afirmações do Cardeal Patriarca de Lisboa, José Policarpo, não caíram bem no seio do Vaticano, a ponto de ser chamado a uma audiência com o Cardeal Tarcisio Bertone, o Secretário de Estado do Vaticano, segundoo notícia do Público Online de hoje.

Ainda me chocam estas posições da Igreja Católica, presa a tradições de nomeação apenas de homens para o sacerdócio, como se as mulheres não tivessem qualquer capacidade para desempenhar a sua vocação e como se esse impedimento pusesse em causa algum dogma de fé ou desencadeasse um problema teológico.
Não pode a Igreja fechar-se de um debate aberto entre os seus membros sobre esta questão, quando entre si não existe um concenso de posições, que geram sucessivos mal entendidos e que traduzem para o exterior uma imagem de tradicionalismo e conservadorismo infundado, que muitos crentes não entendem.

Os passos para a abertura a novas realidades são necessários e os príncipios de igualdade entre pessoas deve também ser aberto às mulheres, que durante séculos foram um pilar na construção e evolução do Cristianismo e que sempre estiveram presentes na Igreja sob outras formas e outros cargos demonstrando cumprimento de deveres insttituidos por uma instituição de liderança masculina.

Os tempos são outros e é necessário mais abertura e diálogo entre todos os que têm um papel activo na construção e evolução da Igreja e dos seus princípios.

Manuel de Sousa
manuelsous@sapo.pt

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BENTO XVI, A GATA BORRALHEIRA DO VATICANO.

por Manuel Joaquim Sousa, em 16.03.11

Por: Manuel de Sousa

O Papa Bento XVI foi nos últimos tempos e será nos próximos tempos um acontecimento nacional e mesmo internacional. Com a sua chegada aumenta o número de notícias acerca dos pormenores da sua visita e a sua figura que até aqui desconhecíamos, mas que ainda assim nunca revelarão a totalidade da sua figura.

Neste fluxo de informação fala-se do bom e do mau, do positivo e negativo, do supérfluo e relevante e criam-se mitos ou desmistificam-se histórias há muito construídas sobre a sua personalidade. A necessidade de conteúdos/informação e a sede com que se bebe tudo o que se conta, obriga que assim seja, mesmo que pelo meio existam os habituais exageros.

Ao contrário de João Paulo II, de grande popularidade e expressividade com o público e, por isso, mais cativante; Bento XVI não tem a mesma popularidade e não atrai a mesma quantidade de pessoas a um local. É um Papa que vende muito menos em muitas áreas de negócio e, por isso, também é menos apreciado.

Quando foi eleito no seu conclave, sabiam os Cardeais que a popularidade deste homem jamais seria a mesma do seu antecessor mas que, mediante as necessidades da Igreja e do seu tempo, este seria a figura necessária à continuidade de uma Instituição que necessita de continuar o seu trabalho de limpeza de um passado menos claro em várias vertentes.

Assumir os recentes casos de pedofilia e fazer com que a verdade seja exposta, dirigir-se constantemente às vítimas e famílias não é fácil para qualquer chefe de uma instituição, que tem de lidar com a justificada indignação de muitos fiéis. Continuar a esconder a ferida como se fez durante anos e anos só traria efeitos cada vez mais devastadores. Falta saber como saberá lidar com estes casos no futuro e se será capaz de tomar decisões justas para com os que sofrem.

Bento XVI não tem o mesmo carisma que o seu antecessor, talvez se preocupe mais em olhar para dentro, mesmo que as pessoas gostem que se olhe para fora. O Vaticano é uma casa muito grande, que precisa de ser bem arrumada e limpa porque por lá anda muita gente boa e má. Tem de lavar muitas roupas para que a brancura mais pálida e amarelecida desapareça. O Papa tem de ser uma espécie de gata borralheira que tem de cuidar da casa sem tempo para se divertir com diversões que muitos lhe colocam para desviar a atenção. Por essa razão, não pode ser, neste momento, alguém desatento ao que se passa dentro, caso contrário muitos larápios tentarão aproveitar-se do que lá há por dentro. É claro que este ponto de vista é figurado, mas não deixa de ser uma verdade.

Eu questiono-me mais sobre a Instituição Igreja do que sobre a fé que tenho. Como tal, não posso tecer juízos de valor sem antes compreender tudo o que se passa dentro de portas da instituição. Em tudo onde existe mão humana há coisas e más, tento separar o trigo do joio e deitar à fogueira tudo aquilo que não interessa. Há que criticar e apontar e dar tempo para resolver e, por isso, espero para um novo juízo.

Bento XVI pode não ser efusivo na proporção que desejaríamos, mas isso não significa que não seja real, verdadeiro e em privado seja uma boa pessoa. Dizem os que o conhecem melhor que é uma pessoa memorável e com apreço pelas pessoas. Se todas as pessoas que não fossem efusivas fossem más, então a maioria era má, até eu. Por muito contestável que este homem possa ser e até pelo conservadorismo de algumas posições e opções que também contesto, não podemos pôr de parte a sua inteligência, poder de análise e reflexão sobre os temas mais controversos e actuais. Podemos considerar um teólogo para além de professor. Quem teve a oportunidade de ler algumas das suas obras ou textos pessoais, em que é expressa a sua opinião pessoal sobre muitos temas nota uma consciência sobre os problemas sociais do mundo. A sua posição sobre a economia global e europeia, publicada na sua última encíclica, faz-nos pensar que estamos numa crise porque os nossos governantes assim o quiseram. A sua posição e exposição na primeira encíclica, por exemplo, mostra a realidade actual das relações amorosas e sociais actuais muito para além de uma só visão religiosa. Numa Igreja manchada que o seu antecessor teve de limpar com muito esforço, Bento XVI tem de continuar esse trabalho e também tem sido um dos poucos elementos de uma pesada instituição com a frontalidade de publicamente criticar opções e posições do que vai dentro, antes de criticar o que está fora.

Chegado a este ponto, pouco me interessa de um Papa efusivo. Preocupa-me mais os problemas sociais, económicos e políticos do mundo e a necessidade de serem resolvidos para o bem de todos. Concordo e discordo de muitas posições da Igreja Católica. Felizmente, tenho liberdade para o dizer, mas enquanto a procissão vai no adro não quero defender e ofender o pontificado de Bento XVI. Se eu ou tu estivéssemos no seu lugar, mesmo que cépticos, o que faríamos? As circunstâncias e o meio nem sempre nos levam e permitem a fazer o que queremos e pensamos e isso vê-se no dia-a-dia.

manuelsous@vodafone.pt

P.S.: Pelo menos o Catolicismo permite-me criticar e apontar, sem que seja apedrejado ou condenado a pena de morte por heresia.

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