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UM GOVERNO ENTALADO - ELEIÇÕES ANTECIPADAS?

por Manuel Joaquim Sousa, em 08.07.13

A política portuguesa está tão quente quanto o Verão que vivemos – se não fosse esta crise governativa nem teríamos Verão – e, ao que parece, o calor vai continuar enquanto Presidente da Republica não se pronunciar ou enquanto o Governo mantiver em funções.
Em nome da estabilidade política, honrar os compromissos internacionais e manter a credibilidade externa do país, Pedro Passos Coelho decidiu que este Governo deve manter funções e, por essa razão, foram muito importantes as reuniões com Paulo Portas – o Ministro demissionário.

Confesso que tenho dificuldade (muitos também a terão) em perceber que estratégia tem o Primeiro- ministro e onde consegue ver essa credibilidade internacional e mesmo nacional, da mesma forma que não percebo a dita estabilidade política quando o que vivemos é uma verdadeira crise política.

Paulo Portas, independentemente de se gostar das suas ideias ou opções, foi um Ministro muito importante na governação; assumiu o papel da economia que o Ministro da pasta não assumiu e soube vender a imagem do país no estrangeiro (o caso mais recente dos negócios acordados com o México) – foi uma diplomacia económica. Porém, discordava da falta de política económica no Ministério das Finanças – mais preocupado com as medidas de austeridade.
Vítor Gaspar tinha a ideia da austeridade, de aumentar a receita por via de impostos a todo o custo, tinha a obsessão do défice e poucas ideias ou nenhumas para melhoramento e lançamento da economia.
Pedro Passos Coelho estava ao meio, aceitar o trabalho de Paulo e agradado com o trabalho de Vítor porque era este que mantinha a credibilidade externa – a troika gosta de austeridade, logo gostava de Gaspar. Chegados ao ponto, em que duas das mais importantes peças do actual governo se demitem e sem outras substituições de peso, mais uma crise à mistura como pode o governo apelar em nome de estabilidade –os mercados não acreditaram e isso notou-se na queda da Bolsa e no aumento dos Juros, para não falar dos níveis que descemos nas queridas empresas de rating. Temos um governo entalado, que continua a querer ser entalado pelos partidos no poder para tentar chegar ao fim sem desmoronar – ao governo faz-se o mesmo às casas em devoluto.

Nesta situação de crise política, vamos para eleições antecipadas? Aceitam? Querem?

Os partidos da oposição estão desejosos por essas eleições (é preciso ter coragem para governar o país); muita gente receia porque Portugal fica ingovernável até lá e porque se gasta muito dinheiro – uma má opção.
Tudo isto são falsas questões – teremos mais prejuízos se não existir um rumo seguro. A queda das cotações na bolsa atingiram num dia os milhares de milhões de Euros de perda para as empresas – mais que o dinheiro gasto em campanhas -; o valor dos juros já aumentou, muito mais se o governo tivesse demitido e o cenário de eleições fosse garantido; a credibilidade interna e externa não existe porque ninguém (mesmo que está fora) percebe o que se passa na política. Além do mais, vivemos numa democracia e terá chegado à altura do povo também expressar em voto o que pretende para o seu futuro (se quiser manter vota em quem está).

Existe o medo dos portugueses em eleições porque não existem alternativas – uma verdade; porém, jamais se poderá pensar desta forma ou então a democracia perde o seu sentido. Existem pessoas em Portugal capazes, tudo depende da capacidade das forças políticas chamarem essas pessoas para que se criem essas alternativas, em vez da preocupação com os lugares de destaque e a distribuição dos tachos. Teremos que pensar sempre numa solução de coligação com definição clara de objectivos e de estratégia para país.

Perante estas ideias, será a melhor solução eleições antecipadas? – Assim evita-se um impasse muito grave que nos leva para a falência do país.

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O FALHANÇO DE PEDRO, O PASSOS COELHO

por Manuel Joaquim Sousa, em 02.07.13

Por vezes não se percebe como funciona a comunicação dentro do Governo; então o Primeiro-Ministro falou com Paulo Portas acerca da nomeação da nova Ministra das Finanças? Poderiam ter chegado a acordo antes desta nomeação, de forma a ser evitada uma crise política? Apesar de Pedro Passos Coelho poder “cortar e riscar” no seu Governo, tem de saber como lidar com uma coligação e prezar pela comunicação interna (não apenas pensar na comunicação externa como no novo modelo de comunicação diário). 


O falhanço de Pedro faz crescer a ideia e a razão para que sejam convocadas eleições antecipadas porque não há estratégia, políticas, credibilidade, moralidade para que o Executivo continue o seu mandato.

O falhanço de Pedro não é recente, os empresários e trabalhadores, desempregados e reformados estão contra o que foi feito até aqui e quando o consenso social deixou de existir, o governo deixou de fazer sentido.

O falhanço de Passos Coelho foi a falta de sentido – orientação.

Manuel Joaquim Sousa

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VOLTA GASPAR, ESTARÁS PERDOADO?

por Manuel Joaquim Sousa, em 01.07.13

A notícia de hoje – demissão de Vítor Gaspar, Ministro das Finanças – apanhou-me de surpresa porque jamais acreditaria que este elemento do Governo se iria demitir de funções, até porque era um dos ministros do “núcleo de ferro” do Primeiro-Ministro e nele estaria depositada muita confiança. Da mesma forma que, sou apanhado de surpresa quando tomo conhecimento da nova titular das finanças do nosso país.

A reacção de jornais comentadores e gentes da blogosfera foi imediata e o que não faltam são textos de opinião sobre o assunto – chega agora mais um texto a juntar-se à amálgama de opiniões e dissertações.

Dizem, alguns analistas e comentadores, que chegará o tempo em que os portugueses dirão: “Volta Gaspar, estás perdoado”. Iremos ter saudades das medidas de austeridade e tentativas de sufoco que o ex-ministro das Finanças nos foi colocando no decorrer das nossas vidas? Esta baixa no Governo irá contribuir para a mudança de políticas estratégicas para a economia portuguesa? Será desta que o governo fica mais unido para uma governação diferente porque já se viu livre do “patinho feio”? Será que Gaspar reconheceu que a sua estratégia estava errada e, por isso, o Governo deva mudar de rumo? Com que imagem ficará Portugal perante as instituições internacionais, quando o bom aluno se despede e entrega o rumo das finanças a outra pessoa?
Acho que poderia continuar por aqui a fazer mais questões para o futuro que se avizinha - que é incerto tal como era antes -, e que agora corre o risco de ficar no silêncio de Belém em nome de uma estabilidade política que pode estar condenada – não sabemos se amanhã um outro ministro toma a mesma iniciativa e o Governo se revele ser um castelo de cartas.

Ao que se sabe, o pedido de demissão do Ministro terá já muitos meses, mas que foi aguentando a muito custo – na mesma proporção das olheiras que estavam bem vincadas no rosto do ex-governante -, enquanto que a sua imagem foi ficando cada vez mais desgastadafalhas consecutivas nas previsões, austeridade em cima de austeridade e quebra da procura interna foram os motivos do desgaste contínuo. Pelo menos, o ex-ministro teve a plena lucidez de que tinha uma credibilidade “minada”- estaria a lutar em vão contra os chumbos do Tribunal Constitucional e estaria a dividir o Governo ao impor a sua política -, tendo decidido conscientemente que a melhor opção para todos seria a saída.

Para trás ficam as famosas expressões como o “desvio colossal”, “enorme aumento de impostos”, “os portugueses são o melhor povo do mundo” ou que a culpa da retracção da economia se deve ao mau tempo. Tudo isto para justificar cada vez mais sacrifícios, numa política que se baseou no controlo das finanças pública através do aumento da receita fiscal e menos nas despesas públicas e gorduras do Estado.

O ex-ministro Vítor Gaspar, sabia que o iriam desrespeitar no momento em que a reforma da Administração Pública fosse colocada em prática, e o Ministro da Educação, Nuno Crato, foi o primeiro a ceder em relação às reivindicações dos professores, que deitaram por terra qualquer tentativa de colocação em prática de uma reforma como a que desejava fazer.

O elemento que se segue chama-se Maria Luís Albuquerque, até agora Secretária de Estado do Tesouro e muito preocupada com o regresso de Portugal aos mercados e preocupada com os tão falados swaps em Empresas Públicas.
 Volto novamente às questões: Seria esta a única alternativa dentro do Governo para a pasta das Finanças? Não pondo em causa a sua inteligência, é legítimo ou moralmente aceite que uma pessoa que está debaixo de fogo porque foi responsável por contratos swap, enquanto esteve na REFER, ser nomeada para Ministra, quando a oposição pede a sua demissão? Será que demissão pode ser promoção? Seria conveniente que a substituição de Vítor Gaspar fosse apenas quando o caso dos swaps estivesse terminado e esclarecido? Estamos a correr o risco de ter uma Ministra das Finanças que no início de funções está já desgastada? Na urgência de ser escolhido alguém para as Finanças, seria Paulo Macedo, Ministro da Saúde, a alternativa mais credível e consensual?

Que tipo de política de finanças será posta em prática? Qual a receita para a cura?
Acho que já são questões a mais que estou a colocar, para tempos que se avizinham difíceis para nós e mesmo para o Governo.

Terá o Sr. Presidente da República algo a dizer sobre o assunto publicamente?

Manuel Joaquim Sousa

http://www.publico.pt/politica/noticia/vitor-gaspar-de-saida-do-governo-1598899
http://www.publico.pt/economia/noticia/maria-luis-albuquerque-e-a-nova-ministra-das-financas-1598904 

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QUEM SÃO ESTES POLÍTICOS TECNOCRATAS?

por Manuel Joaquim Sousa, em 21.04.13

Dizem os jornais que existiu por aí uma renovação governamental - pelo menos Miguel Relvas já "abalou" e seguiu de férias para fora do país (se calhar emigrou). Os portugueses pouco devem ter reparado nos efeitos dessa governação e que mudanças poderão trazer para o executivo e para a política nacional. Renovação de fundo, para que exista um rumo ao contrário não existiu e esta foi uma míni manobra que não terá deixado o partido da coligação muito satisfeito.

Este é um governo de tecnocratas e poucos políticos, mas ao que parece as acções tecnocratas não têm resolvido os problemas do nosso país, antes a agravar. Esperava-se que a nível da economia existissem alterações de fundo porque nos últimos anos apenas existiram políticas financeiras e pouco ou nada de políticas económicas, para além de equipas de charme em visitas presidenciais ao exterior (pena que nem todas as empresas possam exportar).

O Governo pede à Caixa Geral de Depósitos para emprestar dinheiro às empresas, da mesma forma que pede aos bancos para invistam na compra de dívida pública. Que raio de política económica é esta que se pratica em Portugal e que nos condena a todos (empresas e empregados)? Que políticos e tecnocratas são estes que apenas sabem extorquir dinheiro ao povo e depois vêm uns senhores dizerem que aguentamos a crise "Ai aguenta, aguenta".

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