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PAGAM TODOS PARA O NOVO BANCO

por Manuel Joaquim Sousa, em 10.08.14

Já referi neste espaço que a economia portuguesa sofre do Ébola há muito tempo. Na última semana o PSI20 caiu 7% acumulando perdas de 17% desde Janeiro deste ano. As crise no BES e todas as alterações que estão a decorrer na sua salvação fizeram-se sentir em perdas acentuadas nos restantes bancos – ainda que estejam numa situação aparentemente mais segura. BPI caiu 15,5%, Millennium BCP 17% e Banif 22%. São dados preocupantes. A banca portuguesa vale neste momento 1400 milhões de Euros. O empréstimo do Estado é de 3,9 mil milhões.

O Novo Banco – criado em tempo recorde, enquanto a restante banca descansava o seu fim de semana – precisa de uma injeção de dinheiro superior ao que se esperava e superior à almofada que o BES dizia existir de 2,1 mil milhões de Euros. Uma almofada que não dá conforto – é muito baixa.

A opção de se criar o Novo Banco - o lado bom do BES - e separar o lixo tóxico - que fica no mau banco – foi a solução que o Banco de Portugal criou como forma de salvar o que ainda resta do BES e para segurar os clientes. É a solução que o tempo dirá se boa se má. Alguma coisa tinha de ser feita rapidamente. Muito tempo já se perdeu com esta história.

Durante a semana que passou a comissão parlamentar permanente – se assim se chama – ouviu de Maria Luís Albuquerque esclarecimentos que não foram novidades perante o que já havia sido dito numa entrevista à SIC. Desde sempre reiterou que a decisão foi do Banco de Portugal, que o governo nada decidiu. Aquilo que a Sra. Ministra das Finanças disse foi que o governo “sacode a água do capote” e despe-se de todas as responsabilidades presentes e futuras dos acontecimentos. Por essa razão, o Sr. Primeiro-Ministro continuou as suas férias. O Governo dá assim a impressão de normalidade e de que o assunto é da economia privada. Errado. O Governo tem responsabilidades no assunto. Quem gere o dinheiro da Troika? O Governo. Quem vai emprestar 3,9 mil milhões ao Novo Banco? O Governo. Quem vai pagar parte do juros deste empréstimo? O contribuinte. Quem gere o que os contribuintes pagam de impostos e juros dos empréstimos da troika? O Governo. Concluindo: o Governo é responsável na gestão do caso do BES. Poderei ter cometido erros pelo meio do meu raciocínio de perguntas e respostas, mas é desta forma que a informação nos chega e é desta forma que faço a relação entre tudo.

O juro a ser pago pelo Novo Banco por este empréstimo é baixo, o que pode obrigar o Estado a pagar a diferença desse juro com o juro real aplicado pela troika. Significa isto que os portugueses terão de pagar através dos seus impostos uma boa parte para salvar a banca. É justo? Não, não é. Nem para os clientes como eu. Nem para os que não são clientes. Todos estarão a pagar por um prejuízo do qual não têm responsabilidades.

Mesmo que parte do dinheiro venha do tal fundo de resolução pago pela banca para estas situações criticas, não deixa de ser um imposto que cada cliente paga ao Estado através da Banca e a Banca vê neste fundo um investimento futuro para uma aquisição – o Novo Banco é esse investimento. Se esse investimento não fosse assim tão rentável não estariam agora interessados no reforço do fundo de resolução.

O Novo Banco pode nascer mais seguro. Há dinheiro fresco. Qual a garantia do seu sucesso? Se o pânico dos depositantes levar a levantamentos sucessivos? Deixa de ter clientes, dinheiro em caixa, deixa de ter valor comercial, crédito, deixa de conseguir pagar o empréstimo. O sucesso é incerto e há sempre o risco dos portugueses terem de carregar mais este prejuízo nas suas vidas e nas suas economias, independentemente do banco a que pertencem.

Há muitas interrogações que não se resolveram na criação do Novo Banco porque há bens e pessoas que podem ingressar no Novo Banco. Poderá não ser assim tão linear porque bens e imóveis a quem pertencem? Servem de garantia ao Novo Banco ou ao banco mau?

A distinção entre ativos para o banco bom e ativos tóxicos para o banco mau baseiam-se em quê? Se eu tivesse um ativo que ficasse no banco mau teria todo o direito de saber com que critério e poderia recorrer à justiça para um reclassificação desse ativo porque no fundo entraram como poupanças e com garantias. Assim se podem criar processos sucessivos de inúmeros clientes inconformados. Assim se pode contaminar o banco bom com prejuízos. Assim 3,9 mil milhões se podem tornar em muito pouco. Assim o banco mau se torna bom.

São inúmeras as interrogações e incertezas que os contribuintes gostariam de ver acautelados para sua segurança. São as explicações que todos têm direito já que todos pagarão mais um prejuízo com maior impacto que o BPN. São negócios de risco como aqueles que ditaram o fim do BES.

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ECONOMIA PARALELA: 44 MIL MILHÕES DE EUROS!!!

por Manuel Joaquim Sousa, em 01.10.13

O montante atingido pela economia paralela em 2012 foi de 44 mil milhões de Euros (perceberam bem, 44 mil milhões de Euros) – um valor quase que suficiente para tirar o país dos pesados défices orçamentais e que paga grande parte dos 78 mil milhões de Euros emprestado pela troika no último resgate.


Esta é, em meu entender, a razão pela qual ainda existe muito dinheiro em circulação e a razão para existência de muitas empresas que declaram prejuízos sucessivos ou poucos lucros declaram, apenas o necessário para justificar a sua existência. A tendência de aumento deste tipo de economia será maior quanto maior a política de austeridade que este governo continuar a implementar sobre os contribuintes e empresas.

 

Se um produto fica mais barato 23% por não ter emissão de factura e isso para a empresa que o vende garante o cliente, então por não fazer uma venda na economia paralela? Este deveria ser o raciocínio impensável num país civilizado, porém, é fomentado pela política fiscal do governo e do Estado.

 

Se em lugar de uma política austera para os trabalhadores existisse uma política fiscal adequada aos tempos de crise, a grande maioria dos 44 mil milhões de Euros seriam tributados/facturados e os cofres estatais estariam a ganhar com isso.

 

Desconfio que este valor de 44 mil milhões de Euros ainda esteja aquém do valor real – deve haver muito mais dinheiro escondido. “O dinheiro onde está não fala”.

 

Paga com factura ou sem?

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UM GOVERNO ENTALADO - ELEIÇÕES ANTECIPADAS?

por Manuel Joaquim Sousa, em 08.07.13

A política portuguesa está tão quente quanto o Verão que vivemos – se não fosse esta crise governativa nem teríamos Verão – e, ao que parece, o calor vai continuar enquanto Presidente da Republica não se pronunciar ou enquanto o Governo mantiver em funções.
Em nome da estabilidade política, honrar os compromissos internacionais e manter a credibilidade externa do país, Pedro Passos Coelho decidiu que este Governo deve manter funções e, por essa razão, foram muito importantes as reuniões com Paulo Portas – o Ministro demissionário.

Confesso que tenho dificuldade (muitos também a terão) em perceber que estratégia tem o Primeiro- ministro e onde consegue ver essa credibilidade internacional e mesmo nacional, da mesma forma que não percebo a dita estabilidade política quando o que vivemos é uma verdadeira crise política.

Paulo Portas, independentemente de se gostar das suas ideias ou opções, foi um Ministro muito importante na governação; assumiu o papel da economia que o Ministro da pasta não assumiu e soube vender a imagem do país no estrangeiro (o caso mais recente dos negócios acordados com o México) – foi uma diplomacia económica. Porém, discordava da falta de política económica no Ministério das Finanças – mais preocupado com as medidas de austeridade.
Vítor Gaspar tinha a ideia da austeridade, de aumentar a receita por via de impostos a todo o custo, tinha a obsessão do défice e poucas ideias ou nenhumas para melhoramento e lançamento da economia.
Pedro Passos Coelho estava ao meio, aceitar o trabalho de Paulo e agradado com o trabalho de Vítor porque era este que mantinha a credibilidade externa – a troika gosta de austeridade, logo gostava de Gaspar. Chegados ao ponto, em que duas das mais importantes peças do actual governo se demitem e sem outras substituições de peso, mais uma crise à mistura como pode o governo apelar em nome de estabilidade –os mercados não acreditaram e isso notou-se na queda da Bolsa e no aumento dos Juros, para não falar dos níveis que descemos nas queridas empresas de rating. Temos um governo entalado, que continua a querer ser entalado pelos partidos no poder para tentar chegar ao fim sem desmoronar – ao governo faz-se o mesmo às casas em devoluto.

Nesta situação de crise política, vamos para eleições antecipadas? Aceitam? Querem?

Os partidos da oposição estão desejosos por essas eleições (é preciso ter coragem para governar o país); muita gente receia porque Portugal fica ingovernável até lá e porque se gasta muito dinheiro – uma má opção.
Tudo isto são falsas questões – teremos mais prejuízos se não existir um rumo seguro. A queda das cotações na bolsa atingiram num dia os milhares de milhões de Euros de perda para as empresas – mais que o dinheiro gasto em campanhas -; o valor dos juros já aumentou, muito mais se o governo tivesse demitido e o cenário de eleições fosse garantido; a credibilidade interna e externa não existe porque ninguém (mesmo que está fora) percebe o que se passa na política. Além do mais, vivemos numa democracia e terá chegado à altura do povo também expressar em voto o que pretende para o seu futuro (se quiser manter vota em quem está).

Existe o medo dos portugueses em eleições porque não existem alternativas – uma verdade; porém, jamais se poderá pensar desta forma ou então a democracia perde o seu sentido. Existem pessoas em Portugal capazes, tudo depende da capacidade das forças políticas chamarem essas pessoas para que se criem essas alternativas, em vez da preocupação com os lugares de destaque e a distribuição dos tachos. Teremos que pensar sempre numa solução de coligação com definição clara de objectivos e de estratégia para país.

Perante estas ideias, será a melhor solução eleições antecipadas? – Assim evita-se um impasse muito grave que nos leva para a falência do país.

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VOLTA GASPAR, ESTARÁS PERDOADO?

por Manuel Joaquim Sousa, em 01.07.13

A notícia de hoje – demissão de Vítor Gaspar, Ministro das Finanças – apanhou-me de surpresa porque jamais acreditaria que este elemento do Governo se iria demitir de funções, até porque era um dos ministros do “núcleo de ferro” do Primeiro-Ministro e nele estaria depositada muita confiança. Da mesma forma que, sou apanhado de surpresa quando tomo conhecimento da nova titular das finanças do nosso país.

A reacção de jornais comentadores e gentes da blogosfera foi imediata e o que não faltam são textos de opinião sobre o assunto – chega agora mais um texto a juntar-se à amálgama de opiniões e dissertações.

Dizem, alguns analistas e comentadores, que chegará o tempo em que os portugueses dirão: “Volta Gaspar, estás perdoado”. Iremos ter saudades das medidas de austeridade e tentativas de sufoco que o ex-ministro das Finanças nos foi colocando no decorrer das nossas vidas? Esta baixa no Governo irá contribuir para a mudança de políticas estratégicas para a economia portuguesa? Será desta que o governo fica mais unido para uma governação diferente porque já se viu livre do “patinho feio”? Será que Gaspar reconheceu que a sua estratégia estava errada e, por isso, o Governo deva mudar de rumo? Com que imagem ficará Portugal perante as instituições internacionais, quando o bom aluno se despede e entrega o rumo das finanças a outra pessoa?
Acho que poderia continuar por aqui a fazer mais questões para o futuro que se avizinha - que é incerto tal como era antes -, e que agora corre o risco de ficar no silêncio de Belém em nome de uma estabilidade política que pode estar condenada – não sabemos se amanhã um outro ministro toma a mesma iniciativa e o Governo se revele ser um castelo de cartas.

Ao que se sabe, o pedido de demissão do Ministro terá já muitos meses, mas que foi aguentando a muito custo – na mesma proporção das olheiras que estavam bem vincadas no rosto do ex-governante -, enquanto que a sua imagem foi ficando cada vez mais desgastadafalhas consecutivas nas previsões, austeridade em cima de austeridade e quebra da procura interna foram os motivos do desgaste contínuo. Pelo menos, o ex-ministro teve a plena lucidez de que tinha uma credibilidade “minada”- estaria a lutar em vão contra os chumbos do Tribunal Constitucional e estaria a dividir o Governo ao impor a sua política -, tendo decidido conscientemente que a melhor opção para todos seria a saída.

Para trás ficam as famosas expressões como o “desvio colossal”, “enorme aumento de impostos”, “os portugueses são o melhor povo do mundo” ou que a culpa da retracção da economia se deve ao mau tempo. Tudo isto para justificar cada vez mais sacrifícios, numa política que se baseou no controlo das finanças pública através do aumento da receita fiscal e menos nas despesas públicas e gorduras do Estado.

O ex-ministro Vítor Gaspar, sabia que o iriam desrespeitar no momento em que a reforma da Administração Pública fosse colocada em prática, e o Ministro da Educação, Nuno Crato, foi o primeiro a ceder em relação às reivindicações dos professores, que deitaram por terra qualquer tentativa de colocação em prática de uma reforma como a que desejava fazer.

O elemento que se segue chama-se Maria Luís Albuquerque, até agora Secretária de Estado do Tesouro e muito preocupada com o regresso de Portugal aos mercados e preocupada com os tão falados swaps em Empresas Públicas.
 Volto novamente às questões: Seria esta a única alternativa dentro do Governo para a pasta das Finanças? Não pondo em causa a sua inteligência, é legítimo ou moralmente aceite que uma pessoa que está debaixo de fogo porque foi responsável por contratos swap, enquanto esteve na REFER, ser nomeada para Ministra, quando a oposição pede a sua demissão? Será que demissão pode ser promoção? Seria conveniente que a substituição de Vítor Gaspar fosse apenas quando o caso dos swaps estivesse terminado e esclarecido? Estamos a correr o risco de ter uma Ministra das Finanças que no início de funções está já desgastada? Na urgência de ser escolhido alguém para as Finanças, seria Paulo Macedo, Ministro da Saúde, a alternativa mais credível e consensual?

Que tipo de política de finanças será posta em prática? Qual a receita para a cura?
Acho que já são questões a mais que estou a colocar, para tempos que se avizinham difíceis para nós e mesmo para o Governo.

Terá o Sr. Presidente da República algo a dizer sobre o assunto publicamente?

Manuel Joaquim Sousa

http://www.publico.pt/politica/noticia/vitor-gaspar-de-saida-do-governo-1598899
http://www.publico.pt/economia/noticia/maria-luis-albuquerque-e-a-nova-ministra-das-financas-1598904 

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CROÁCIA – O 28º MEMBRO DA UNIÃO EUROPEIA. QUE FUTURO?

por Manuel Joaquim Sousa, em 01.07.13

Dizem que numa parede em Zagreb, na Croácia, está escrito: “Jovens, saiam da Croácia”. Se fosse em Portugal não seria estranha porque esta recomendação veio do nosso primeiro-ministro e não de um graffiti.


Esta frase é uma demonstração da dura realidade de um país que, hoje, 1 de Julho, passa a ser o 28º membro da União Europeia. Apesar da grande mudança que se avizinha para os Croatas, o seu optimismo parece esmorecido e hoje os festejos poderão ser amenos. Desde 2004 que este país se candidatou à entrada no então grupo dos 27, porém, com o passar do tempo e depois de saberem como se vive no sul da Europa e a crise que esses países estão a viver, o número de apoiantes à adesão desceu de uns 85% para 60% e dentro dos que são Europeístas, apenas uma metade acredita que o futuro será diferente, melhor.

Duvidemos que o futuro da Croácia seja mais risonho do que o seu percurso até aqui, pois estará agora debaixo de olho dos que comandam a Europa e tomam decisões que vão muito para além da soberania nacional. Merkel estará atenta a este país e poderá exigir que sejam colocadas em prática políticas de austeridade (que bela forma de começo como novo Estado-membro), para controlo de uma dívida pública que ronda os 60% do PIB e do défice que ronda os 4,4%. Porém, as políticas de austeridade poderão provocar efeitos igualmente nefastos como no Sul da Europa, dado que a situação económica Croata é muito débil – recessão há 4 anos; queda de 11% do PIB; um desemprego a rondar os 20%; as empresas de rating a considerar este país como lixo; problemas de sustentabilidade na saúde e segurança social; problemas gravíssimos com a corrupção.

Como podemos receber este novo parceiro? Que esperanças lhe poderemos dar? Que futuro para a Croácia? Será que lhe está a ser entregue um presente envenenado? Poderá a União Europeia admitir mais países (com dificuldades) para o seu conjunto quando tem sérios problemas para resolver?

http://www.publico.pt/mundo/noticia/croacia-e-o-28%C2%BA-pais-da-uniao-europeia-1598819

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PELO FIM DAS COMISSÕES NAS CONTAS

por Manuel Joaquim Sousa, em 26.06.13

PELO FIM DAS COMISSÕES NAS CONTAS

Já devem ter ouvido falar deste assunto nas notícias. Antes de assinar leiam em: http://www.deco.proteste.pt/Resources/Campaigns/contasemcustos-peticaocompleta.pdf a petição completa.

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COPO MEIO VAZIO OU MEIO CHEIO EM DOIS ANOS DE GOVERNO!

por Manuel Joaquim Sousa, em 06.06.13

Por estes dias o Governo fez dois anos que se encontra em funções - já parece que está há muitos anos no poder, tal a agonia lenta em que o país se encontra. Ainda me lembro do momento em que o Governo foi apresentado aos portugueses e que o Sr. Primeiro-Ministro foi fazer a sua visita ao Palácio de Belém - estava eu de férias em Lisboa, fui até ao Palácio de Belém e todo o aparato já tinha desaparecido (certamente para almoçar) e depois apanhei o autocarro até à Assembleia da Republica que estava fechada e não permitiram fotografias à entrada. Nesse momento, o país político estava de férias na expectativa do que estava para vir (pena não ter chegado mais cedo para ver se arranjava um tacho para mim).

Desde esses anos para cá muita coisa já aconteceu – não são assim tantos anos, são apenas dois, mas parecem muitos – continuo a dizer que vivemos uma agonia lenta, que tem provocado muita revolta no nosso povo, que se vê obrigado a pagar por uma crise que não tem culpa (pelo menos eu e os que me rodeiam não têm culpa); assim se cumpre o velho ditado: “paga o justo pelo pecador”. Enquanto uns pagam, aqueles que provocaram a crise continuam intocáveis – os responsáveis pelo BPN (que pagaria uma crise); os políticos que geriram mal as obras públicas; os políticos que geriram mal as empresas públicas e os famosos swaps; os políticos que gastam em secretárias, motoristas, carros e despesas de deslocação como se vivêssemos num estado rico. Poderia continuar a enumerar erros e responsáveis, mas acabaria por provocar depressão e cansaço naqueles que estão a ler.

Andam por aí a apregoar a queda do Governo, para que esse flagelo social possa terminar ou então os nossos direitos estarão em causa - aqueles que dizem estar consagrados na Constituição (será que o Sr. Gaspar e o Sr. Passos conhecem a constituição?) -; porém, acredito muito pouco nas reuniões entre o principal partido da oposição e os seus parceiros à direita ou à esquerda como se estivéssemos na iminência de eleger o Sr. Seguro para líder do Governo. Também sinto desconfiança em relação à convenção/reunião/encontro promovido pelo Sr. Soares com toda a esquerda porque a esquerda em Portugal anda, há muito, de costas voltadas, mais que a própria direita com os partidos do centro-direita ou centro-esquerda. Por muito boas intenções que existam, parece que apenas sejam meras intenções.

Palhaços há muitos por aí e creio que podemos fazer parte do clube (sem ofensa para ninguém), pois muitas foram as mentiras – comparem o prometido na campanha e o que está a ser aplicado na realidade; comparem os objectivos e previsões do Governo e a realidade dos números. Não vale a pena falarmos em números de desemprego, dívida pública, agravamento fiscal, perda de poder de compra ou então ficarão deprimidos ao ler este artigo.

É possível encontrar algo de positivo nestes dois anos de Governo de coligação? Talvez, tudo depende como olhamos o copo – meio cheio ou meio vazio – os portugueses na sua maioria reparam que está meio vazio. Mas a crise é uma oportunidade…

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A CRISE ECONÓMICA É CULPA DOS LÍDERES CEGOS

por Manuel Joaquim Sousa, em 01.06.13

Vivem-se momentos de crise, crise económica – a mim parece-me que para além de económica é cultural. Os povos têm dificuldade em saber quem são e o que querem para o seu futuro de tão barrados que estão em seguir um caminho. Não sabem os governos como contornar uma crise – talvez porque não chegaram ainda à sua origem ou porque preferem não chegar.
Ensinam-nos a viver o imediato, a esquecer quem somos, as raízes que temos e o passado que vivemos – condenam-nos ao relativismo. O consumismo e a economia entram nas nossas vidas como a imposição do tempo que é imediato, e essa economia passou a ser relativista em vez de uma ciência exacta – por mais negros que sejam os resultados causados pela austeridade, mais austeridade nos impõem porque a forma como é vista é sempre relativa, para uns uma solução, para outros um problema.
As nações querem forçosamente resolver o problema para que exista um rumo positivo para o futuro, onde as incertezas deixem de existir – incertezas que sempre existirão enquanto os líderes continuarem cegos e apenas encontrem razão dos problemas no dinheiro.

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A CRISE ECONÓMICA E A QUESTÃO DO CAPITALISMO

por Manuel Joaquim Sousa, em 21.04.13

O texto que se segue o escrevi há alguns anos - creio que em 2008 -; porém, temo que ainda seja actual.
 
Estamos mais conscientes de que a crise ainda por aí e que veio para ficar. Não temos qualquer noção de quando possa parar, nem temos qualquer expectativa de quando será a tão desejada retoma. A crise deixou de ser nacional, passou a ser internacional e continua a afectar cada um de nós que tem de enfrentar a dureza do dia-a-dia.

Esta não é uma crise momentânea capaz de se ultrapassar de qualquer forma, mas uma crie estrutural, que afecta a economia das grandes empresas bancárias e seguradoras, que são o sustento e a base das empresas e pessoas que delas dependem com os depósitos das suas economias e dos seus empréstimos. Não sabemos qual o futuro da economia global com a falência de bancos Americanos com a participação de bancos nacionais ou de quem os nacionais dependem para garantir liquidez e sustento. 

É certo que esta crise estava há muito programada, que mais cedo ou mais tarde iria mexer o mundo e provocar depressão do mundo financeiro e receio, medo, pânico no mundo particular e familiar. Os bancos investiram em produtos de investimento duvidosos na procura de lucro imediato que pudesse de alguma forma valorizar as instituições e valorizar o valor em bolsa. As instituições bancárias procuraram vender esses produtos e créditos aos seus clientes com todas as garantias possíveis e impossíveis para aumentar a sustentabilidade noutros mercados e noutras aquisições. A oferta aumentou e as facilidades aumentaram, as pessoas e as empresas iludiram-se arriscando o que tinham e não tinham. Neste ciclo vicioso de compra, venda, aquisições e sobrevalorizações, a Globalização ganhou força e os problemas de uma instituição bancária passaram a ser os problemas de todas, dadas as participações que têm uns com os outros.

Esta economia está cada vez mais confusa e débil com a crescente volatilidade dos mercados internacionais e as constates crises energéticas, políticas e sociais. Esse é o rumo de tudo na sociedade, não procuramos a simplificação, mas a complicação de tudo o que nos rodeia; isso faz com que o nosso cêntimo seja o cêntimo de todos e do meu cêntimo dependa muita gente ou mesmo a economia global. No mundo económico tanto temos muita importância como de repente a perdemos por completo. Não existem modelos económicos perfeitos e disso temos a prova por tudo o que a economia passou ao longo dos anos. Não foi a direita capitalista ou a esquerda nacionalista que conseguiram resolver crises económicas. Estiveram e estão de costas voltadas, mas há uma que depende da outra.

Toda esta situação deve-se ao crescente capitalismo que atingiu o seu auge e agora conhece a fase fatal de uma possível queda. Não temos ideia se vai cair, mas temos a noção que por mais forte que seja esse capitalismo torna-se muito frágil e o risco de colapso é real. As vítimas serão todos os que dependem dele quer que tenham apoiado ou apenas estão dependentes por necessidade. O capitalismo apresenta o seu lado mais negro que não olha a meios para atingir os seus fins, em que tudo é dinheiro e dinheiro é poder.
 

Nesta fase de decadência ou colapso, os senhores do capital recorrem ao poder estatal para assegurar o que está em risco de ruir. É o Estado o único salvador deste ciclo vicioso que se transforma numa bola de neve cada vez maior. No meio de todas estas jogadas está o particular penhorado pelos créditos e o contribuinte que vê o dinheiro dos seus impostos ser injectados para sustento do capital. O particular e o contribuinte são a mesma pessoa que paga em dobro o prejuízo provocado pelo neoliberalismo.

Chegados a este ponto, quem mais criticou as nacionalizações e o excessivo peso do Estado nas empresas, com o argumento de que prejudicava a mobilidade e a evolução da economia, assim como, a competitividade das empresas, agora recorre a esse Estado para segurar o património e a falta de liquidez.
 

O capitalismo mostra a sua fraqueza e incapacidade de lidar com situações de crise. Perante esta conclusão o que será possível fazer? Que volta há a dar? Renunciar por completo ao capitalismo e passamos às nacionalizações em massa?

As nacionalizações do seu tempo não foram assim tão boas, os prejuízos e a as capacidades de evolução e adequação à economia actual não foram as melhores. O nacionalismo desenfreado não será a melhor das soluções, mas uma forte regulação dos mercados por parte do Estado será o melhor para evitar o caos económico e o flagelo dos contribuintes. Devem haver entidades reguladoras independentes, inflexíveis ao grande capital e capazes de se fazerem impor no mercado.
 

A acção deverá ser rápida e urgente, já que não podemos evitar a crise actual e que no momento apenas podemos apoiar os mais prejudicados e desfavorecidos que têm a sua vida hipotecada e as suas poupanças em risco. O actual modelo económico não é perfeito, mas serve a presente situação económica como exemplo e alerta futuro para que tal não se torne a repetir.

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O DISCURSO SOMBRA (VERDADEIRO) DE PASSOS COELHO AO PAÍS

por Manuel Joaquim Sousa, em 13.09.12

Portugueses, é com profunda indiferença que me dirijo a vós, neste momento, para anunciar o que tanto desejei anunciar durante os tempos em que lidero este governo.
Eu sei que a grande maioria dos portugueses vive numa situação económica delicada, provocada por uma crise que não há forma de passar e que nos deixa constantemente sob a avaliação da Troika e sob ameaça das entidades externas. Perante este cenário, não quero continuar a ser objeto de constantes avaliações internacionais, mesmo que considerem que estamos a ser o “bom aluno”.
É certo que me candidatarei às próximas eleições legislativas; porém, tenho que ser cauteloso quanto ao meu futuro porque no pior e mais provável dos cenários terei de arranjar emprego após o meu mandato, pois não tenho dinheiro suficiente para me retirar do país e estudar no estrangeiro.

Não querendo desviar do discurso, e apresentadas as minhas preocupações pessoais, tenho a anunciar publicamente uma alteração à Taxa Social Única de todos os trabalhadores (público e privado) de 11% para 18% e a descida para as empresas de 23% para 18%. Considera o Governo que esta medida foi tomada em nome da equidade fiscal entre empresas e trabalhadores.
Sobre os trabalhadores, esta permite que descontem mais do seu salário para a Segurança Social, mas recebam menos em situação de desemprego. Também serve de castigo e penalização por todos os protestos e gozos que têm sido cometidos contra o Governo. Assim, terão perfeita noção que não vale a pena protestar porque o Governo tem sempre o poder e a autoridade de fazer o que bem entende. Espero com isto “amaciar” o povo revoltado.
O benefício dado às empresas é apenas destinado às que fazem parte de grandes grupos económicos, do PSI 20, para um aumento de distribuição de dividendos aos seus acionistas. Tenho perfeita consciência que não vai permitir a criação de mais emprego; também tenho a noção que as pequenas e médias empresas pouco beneficiarão desta medida; mas entendam que esta é a esmola do Estado, já que não conseguem financiamento junto da banca.
Além disso, na eventualidade de sair do Governo, por demissão ou derrota nas eleições, tenho de assegurar lugar em alguma empresa que tenha beneficiado com o aumento substancial dos seus lucros finais.

Estas são as razões porque decidi comunicar aos portugueses desta forma; assim não existirão dúvidas nem a resposta a qualquer tipo de questões.
Tenho a informar que governo numa maioria que me dá o direito de fazer o que bem entendo, mesmo que não tenha feito qualquer comunicação prévia ao parceiro de coligação, que espero que mantenha o seu silêncio sobre este anúncio ou expresse o seu apoio incondicional.
Por muito que os senhores jornalistas questionem os membros do Governo, devo informar que todos responderão da mesma forma, já que tive o cuidado de distribuir um documento com questões e respostas para que a linha de orientação seja a mesma.

Uma última palavra porque o arroz está quase pronto e não quero comer arroz queimado ou numa papa, lamento todas as medidas tomadas e lamento todo o meu desprezo pelos portugueses. Este foi o discurso mais duro e bizarro porque acabei de lixar todos os portugueses de uma forma brutal. Mas, têm de compreender, que para que o Governo e a classe política vivam com dignidade e sem cortes nos seus recursos é necessário que alguém tenha de padecer, independentemente de ser público ou privado.
Votos de uma vida dura e amarga. Tenho de ir porque a minha esposa já está farta de dar toques, tem o arroz à espera.
Até sempre.

 

(Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.)

Público: http://www.publico.pt/Economia/gaspar-havera-mais-medidas-temporarias-para-diminuir-o-defice-e-oe-rectificativo-1562752 

             http://www.publico.pt/Economia/gaspar-fala-em-riscos-catastroficos_1562747

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