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CANSADA - O NOVO HINO

por Manuel Joaquim Sousa, em 10.03.15

(Fonte:Youtube)

"Estou cansada" assim é a música, o novo hino da APAV interpretado por oito vozes - Aldina Duarte, Ana Bacalhau, Cuca Roseta, Gisela João, Manuela Azevedo, Marta Hugon, Rita Redshoes e Selma Uamusse -, letra de Rodrigo Guedes de Carvalho e arranjos, produção musical, piano de Filipe Melo e com participação da Orquestra Sinfonietta de Lisboa.

O Dia da Mulher foi lembrado ontem - concordando ou não  -, mas é importante que continue a ser lembrada todos os dias porque todos os dias há vítimas de maus tratos, violência doméstica e mortes. Muitas mortes que poderiam ser evitadas, não fossem muitas mulheres sujeitas à estupidez de companheiros e apaixonados.

Há um duro caminho para evitar mais violência e mais mortes. Há que transmitir apoio e força a estas mulheres que não sabemos se conhecemos porque muito se passa dentro de portas à margem da sociedade. Esse silêncio é perigoso e infelizmente chega a ser definitivo.

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A FORÇA DE UM MEET

por Manuel Joaquim Sousa, em 26.08.14

Acordamos para uma nova realidade provocada pelas Redes Sociais. Antes eram banhos gelados para angariação de fundos. Atualmente são os “meet”. Parece que passou muito tempo entre estes dois sucessos das redes sociais. Não, a importância dos meet na comunicação social foi de um dia para o outro. A Rede é mesmo assim – instantânea e rápida, quase mais rápida que o tempo.

O que é um meet? Palavra estranha. Mais que isso. Pelos vistos é uma espécie de ajuntamento de pessoas convocada pelas redes sociais e que se espalha com muita rapidez, onde supostamente é atribuído uma forma de vestir, um código a seguir. O que fazem? Dizem que é para passar o tempo livre que tem nas férias. O que temos visto nas notícias, suscita outra opinião sobre este tipo de organização. Pelo menos foi o que nos chegou – mesmo que se tenham feito outras meets com intenções mais pacíficas e que em nada se identifica com as notícias dos últimos dias.

O meu word não conhece o termo meet – prefiro que continue a manter-se assim.

Também não sabemos se uma meet que deu problemas de maior, como aquela que ocorreu junto ao Centro Comercial Vasco da Gama, seja o motivo para que outras com as mesmas intenções venham a ocorrer. Estaremos perante um fenómeno que os Media ajudaram a criar baseado num caso e seja agora a oportunidade para aqueles que pretendem “arranjar confusão”? Poderiam os Media ficar alheios a este fenómeno? Estarão a ter uma atitude sensacionalista?

Pelo que se comenta poderá continuar a crescer em outros acontecimentos livres como no recente concerto de Anselmo Ralph, em Cascais. Diz-se também que poderia ter sido uma tragédia. Nunca saberemos ao certo. Tudo o que se gera nas redes sociais é incerto.

Sabemos bem que cada vez mais fácil, rápido e gratuito partilhar conteúdos e convocar encontros, manifestações através das redes sociais. Este é o risco da facilidade na era digital. Funciona tanto para o bem como para o mal. Os convites podem tornar-se virais e é incerto saber qual a proporção e a aceitação que vão ter junto do público.

Porquê este fenómeno? Ao que se pensa ser uma forma dos jovens encontrarem uma ocupação nas férias, há também uma necessidade de afirmação que os jovens têm nestas idades. Necessidade de se identificar com estas modas para ser cool; necessidade de afirmação perante os outros; necessidade em filmar, fotografar, criar eventos dos quais se possam orgulhar no seu meio.
O destaque que foi dado nos últimos dias pelos órgãos de comunicação social gera o motivo e a concretização desses jovens, que vêem as suas necessidades concretizadas – ego cheio. Há uma certa dose de imaturidade nestes jovens, que nem pensam nas consequências desastrosas que estão a causar e na possibilidade de um meet sair fora do seu controlo – aquele que convoca pode deixar de ser aquele que domina e transforma a intensão inicial.

Será que da parte dos pais há alguma cota de responsabilidade? Como podem controlar os seus filhos, muito avançados que estão na rede? Como lhes podem pedir contas do local para onde vão e com quem vão? Será que estes problemas com meets são causados por famílias em que os pais estão pouco interessados com a vida dos seus filhos e o que eles contribuem para a sociedade?

Estarão as nossas autoridades preparadas para estas novas formas de insegurança? - podem ter proporções incalculáveis e a força musculada tem efeitos futuros imprevisíveis, dada a sensibilidade dos casos e os resultados ou consequências futuras, assim como, a imagem que é passada das forças policiais.

As escolas estarão preparadas para estes fenómenos? Sabemos bem que estes mega-agrupamentos de escolas, com elevada concentração de alunos e diminuição de pessoal, dificultam o controlo de atos violentos até à chegada de uma intervenção policial. Ainda me lembro de quando, há muitos anos atrás, no liceu a mensagem de uma porrada ou acerto de contras entre dois indivíduos ou grupos, a determinada hora do dia, circulava a uma velocidade galopante. Hoje é tudo muito pior e mais grave. A facilidade com que os atos chegam à internet para o mundo e para a comunidade escolar aumenta a ameaça. Espero que toda esta minha ideia seja uma criação e não passe de um caso isolado.

Os locais públicos, com entradas gratuitas para concertos, onde se esperam grandes multidões facilitam a ação do meets com más intensões. Ao contrário de festivais de Verão em que é necessário pagar e onde o controlo dos movimentos de pessoas é mais controlado por polícias e seguranças privados. Da mesma forma que os carteiristas procuram locais livres e grupos de pessoas para fazerem a sua ocasião. O mesmo pode acontecer para ação de grupos de pessoas mal-intencionadas. Pessoas em geral, não pretendo aqui falar em etnias, raças ou cor porque estes movimentos criam-se de qualquer forma, sem qualquer motivo sem qualquer predominância racial. Espero que estes casos não levem a ações xenófobas sem qualquer fundamento na população em geral.

Os meet terão o seu tempo. Espero que já tenham terminado. Espero que exista uma moda mais benéfica para o bem comum – a afirmação de identidade dos jovens também pode ser feita de forma mais construtiva para a sociedade.

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O QUE MOTIVA 100 MIL JOVENS NAS "JOTAS" PARTIDÁRIAS?

por Manuel Joaquim Sousa, em 22.08.14

Fui atraído a ver uma reportagem em destaque no sapo com o título O que motiva os 100 mil jovens inscritos nas "jotas" partidárias?, emitida pelo Porto Canal. Realmente é uma excelente questão para refletir. 100 mil jovens inscritos – é um número considerável. Em Portugal, apesar da emigração ainda existem muitos jovens, muito mais que 100 mil, mas é um número bastante elevado de inscritos em partidos políticos, quando o espectro político português é pequeno – essencialmente PS, PSD, CDS, PCP e BE.

Com exceção ao BE, todos os partidos têm os seus membros “jotas”, que partilham da ideologia base do partido e que são a grande porta de entrada para muitos jovens chegarem á política ativa e profissional – tendo em conta que a política não estará ao alcance de todos, mas ainda assim permite que muitos consigam ter um lugar ativo em órgãos públicos.
Há muito a ideia por aí, não sei se correta ou incorreta, que as “jotas” são uma mera porta de entrada para o poleiro e alternativa a muitos jovens que não querer fazer parte do mercado de trabalho e encontrar um emprego para a vida na política. Quero acreditar que nem todos sejam assim, se possível uma minoria.

A “jota” que importância tem para a política? A ideia que tenho, para além do trampolim para a política profissional e ingresso nos partidos “velhos”, é de uns jovens que pretendem mudar o mundo, mudar a sociedade, que se juntam em manifestações estudantis e que andam de noite a colar cartazes para o partido “velho”. Estou errado? Quanto à sua opinião, será que conta para alguma coisa? Qual o peso de cada voz? Que podem estes jovens fazer mais pela sociedade?

Na mesma reportagem, uma jovem do Bloco de Esquerda, diz: “Não fazemos o que muitos partidos fazem, que é ter uma jotinha, que depois toma posições que o partido dos mais velhos não pode tomar porque isso já fica mal ao partido dos mais velhos” – O BE não tem “Jota”. Por sua vez, um jovem da JS diz: “A JS é um espaço mais reivindicativo que está mais à frente do PS”, posição que vai de encontro à opinião de um elemento da JSD.
Se há uma discrepância entre a “jotas” e os partidos mais velhos, qual o sentido da sua existência? Até que ponto as suas ideias chegam à luz da concretização sem sofrerem o corte do partido oficial? Faz sentido existirem como parte integrante de um partido socialista ou social-democrata se estão contra as correntes destes? Qual o objetivo das “jotas” se as ideias dos seus militantes esmorecem quando estes transitam para o partido “velho”? Valeu a pena defende-las?

 

Na reportagem percebemos que a JCP está em total sintonia e continuidade com o PCP, mesmo sendo um órgão com total autonomia – à uma obediência aos princípios do Partido Comunista. Serão estes e os do BE mais coerentes por seguirem a mesma linha?

Será que esta discrepância entre o pensamento “jota” e o partido “velho” é também um motivo para o descrédito da política, para a falta de renovação ou para o afastamento de muitos jovens que poderiam e pretendiam ter um papel mais ativo na sociedade?

Não sei até que ponto os novos e antigos pensaram sobre esta matéria, se é que lhes seja útil pensar sobre isso, se é que existe espaço para tal.

Voltando à ideia dos 100 mil jovens – são muitos jovens e muita massa cinzenta onde existe gente com ideias e capacidades de avançar para um futuro diferente e mais credível na política portuguesa. Estaria aqui uma forma de mudança, de aproximação e de combate ao desinteresse nacional nos políticos, traduzido numa abstenção tendencialmente elevada?

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12 ANOS ESCRAVO PODERIA SER UMA HISTÓRIA DOS NOSSOS DIAS.

por Manuel Joaquim Sousa, em 19.01.14

Há filmes que nos marcam ou nos deixam a pensar sobre a forma como os humanos se tratam e a necessidade de serem seres superiores, mesmo entre si – fazendo da raça uma forma de seleção.  “12 Anos Escravo” – que acabo de ver há momentos no cinema – é uma história verídica, do século XIX, nos EUA, de um homem negro, com família, que perde a sua liberdade e é transformado num escravo. No decorrer da história são recorrentes as agressões físicas e morais dos brancos sobre os negros, com cenas de dor e sofrimento cru, sem que se tenham poupado nas imagens terríveis – os atos de violência e as marcar que ficam.

É incrível como a raça humana se pretende distinguir e procure encontrar na moral fundamentos para isso. Neste filme é bem patente a interpretação que o branco faz das Escrituras, como se Elas ditassem a lei que os favorece em relação aos negros e como extinguem Deus do que é sua propriedade – os escravos – e sejam estes os responsáveis pelo que de bom ou mau acontece ao mundo.

A escravatura existe desde os primórdios da História, esteve na base de muitas civilizações e impérios – o império português também marca aqui a sua presença com o tráfico de seres humanos, desde a altura dos descobrimentos até à entrega das suas colónias.

Felizmente que o mundo mudou e hoje vivemos em tempos de liberdade – ainda que a igualdade esteja aquém do desejado -, pelo menos nas nossas sociedades, pois sabemos que a escravatura ainda não foi erradicada em diversos lugares do mundo. Sabemos que em terras de África, em países da Ásia e não só, a escravatura continua como se estivéssemos parados no tempo; são homens e mulheres que trabalham sem quaisquer condições laborais ou sem qualquer proteção social e de saúde, para além dos salários miseráveis que auferem. São aos milhares. Todos, nós os do mundo dito evoluído, bem sabemos, embora assobiemos para o lado como se fosse um problema que a nós não nos interessa. Sabemos bem que os escravos de hoje são aqueles que produzem e alimentam o consumo de outros, que buscam produtos em quantidade e de baixo custo. Apenas se fala desta gente quando um prédio cai e lá dentro morrem centenas de trabalhadores que confecionam roupa para grandes cadeias de distribuição.

Há uns meses atrás, vi uma reportagem na SIC Notícias sobre a escravatura em África, nas culturas do cacau para as grandes marcas mundiais de chocolate. Não sabia eu, e muita gente não sabe, que comemos chocolate fabricado por algumas marcas que “pagam” a escravatura em países onde as crianças não sabem o que é ir à escola e que são deliciadas com agressões físicas.

 

“12 Anos Escravo” é um bom filme, daqueles que apesar de retratar outra época nos deve apelar à consciência: a liberdade é algo muito valioso que todas as sociedades devem preservar; e não podemos esquecer que este drama ainda existe e nós indiretamente pactuamos com ele, pois ignoramos uma escravatura que está bem presente e convive com o consumismo dos nossos tempos.

E tu, és livre ou serás também escravo, escravo do tempo?

 

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SEM FACEBOOK E SEM GOOGLE - O PRINCÍPIO DO FIM

por Manuel Joaquim Sousa, em 10.12.12

De um momento para o outro milhões de pessoas em todo o mundo ficaram sem Google chrome para navegar na internet – simplesmente fechou-se. Milhões e biliões de pesquisas ficaram a meio, milhares de sites perderam as suas visitas, milhares de negócios ficaram pendentes, milhões de Euros, dólares e mais moedas ficaram por transacionar, milhões de e-mails ficaram por enviar. Foi assim na tarde de hoje. O Google desapareceu sem explicação para o mundo inteiro. Milhões de pessoas foram obrigadas a regressar a outros navegadores, que estavam a perder utilizadores – o bom filho à casa retorna.

Esta noite, o facebook provocou uma onda de caos nas redes sociais – simplesmente desapareceu como se a ligação tivesse caído. Milhões de partilhas ficaram por fazer, milhões de conversas foram interrompidas e muito ficou por dizer a quem estava do outro lado, milhões de mensagens ficaram por enviar, milhões de visionamentos perderam-se, milhões de likes deixaram de ser feitos, milhões de pessoas perderam a sua identidade por minutos – milhões deixaram de existir e sentiram-se remetidos ao silêncio e ao isolamento do mundo.

A dependência tecnológica provoca nas pessoas uma efusiva histeria e pânico como se estivesse a acontecer a pior coisa do mundo, como se estivéssemos no fim. Por momentos, voltaram a outros tempos, em que não se falava em redes sociais. Por momentos, aqueles que vivem fora das redes sociais sentiram a alegria de não terem esta dependência e reforçaram a sua ideia vincada de continuarem a ficar à margem de uma sociedade socializada Online.

O facebook voltou e, ao que parece, foi uma das palavras com mais destaques no twitter, onde muitos libertaram a sua revolta e promessa de mudar para outra plataforma que não lhes falte. As redes sociais que impulsionam as pessoas para a organização, revolta, manifestação, queda e ascensão de pessoas e grupos podem tornar-se inimigas de si próprias e condenarem-se ao desaparecimento, por causa da reação imediata de cada um que se sente frustrado por não existir.

Até onde poderá chegar algo que durou poucos minutos?

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TÊM ALGUMA IDEIA DE COMO VAI SER O FIM DO MUNDO?

por Manuel Joaquim Sousa, em 06.12.12

Esta história do fim do mundo está a deixar muita gente perto da loucura. Agora que o dia 21 de Dezembro se aproxima, o assunto começa a fazer parte de muitas conversas do dia-a-dia – mesmo do meu e dos meus colegas de trabalho.

18 Horas, final de dia de trabalho para uns, intervalo para outros, juntos cá fora a fumar uns cigarros e um começo de conversa normal como:

- Já viste o novo vídeo da Pink?
- Ainda não!
- Potente meu! Tens de ver, é a tua cara!
 (…)
- Eu agora de séries apenas vejo a “Segurança Nacional” e Walking Dead”, que está qualquer coisa.
- Está muito fixe a série. Já viste aquela cena de quem morreu?
- Ainda não!
- Eh conta-me! Que eu não consigo ver a série.

Aquilo que seria uma conversa normal tornou-se aliciante, quando alguém se lembra de partilhar a notícia, em que nos EUA estão a oferecer uma bolsa de 700 dólares mensais a quem pretender fazer estudos de defesa a ataques de Zombies. Por aqueles lados (mais algumas pessoas que eu conheço) acreditam que eles existem e que não são um mito – eu só acredito em zombies se me disserem que os senhores do governo são zombies (da forma como nos comem e sugam, mais parece).
Do lado de cá do Atlântico devem achar muito estranho a atribuições de bolsas para estudos de coisas ridículas e irreais, fruto da imaginação de pessoas envolvidas em leituras e séries em quantidades acima do normal (qual é o normal? Não sei).

Pelos vistos, há quem acredite que o fim do mundo que está próximo pode estar relacionado com ataques zombies (!) no nosso planeta e que poderá levar à extinção da espécie humana.

Existem programas de televisão – documentários - que acompanham a preparação de famílias e grupos para o fim do mundo; preparação que incluí treinos de ataque a possíveis ameaças vindas de animais ou árvores – muito para além do ataque de zombies. Existem bunkers construídos para abrigo de pessoas, treino de racionamento de alimentos para períodos prolongados, etc.

Como podem ver e pesquisar, existem pessoas muito bem preparadas para o pior, mas ainda não percebi o que vai acontecer ao planeta na realidade, para que seja o fim do mundo. Será a revolta de seres estranhos que aparecem do nada? Serão as emissões de explosões solares que irão destruir o mundo pelo fogo? Será o alinhamento de planetas que irá provocar forças de movimentos da Crosta Terrestre e alteração às leis da gravidade? Será uma força divina de punição do homem pelas suas ações?

Eu até gostaria que fosse a ressurreição de civilizações antigas e bíblicas que se revoltariam contra a sociedade atual e isso implicasse a reorganização do mundo numa nova ordem; em que lutaríamos pela disputa da evolução ou o regresso ao passado, se disputariam os conhecimentos da época com os conhecimentos atuais. Um fim do mundo que fosse mais espiritual, filosófico, cientifico, matemático, cultural, em vez de caos físico (bem esse acontecia como consequência).

Têm alguma ideia de como deveria ser o fim do mundo?

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UM MURRO NA MESA CONTRA "VOU-LHE USAR"

por Manuel Joaquim Sousa, em 01.12.12
(fonte: Youtube)
http://www.facebook.com/DarUmMurroNaMesa


Por vezes, vejo episódios da telenovela “Gabriela” e surpreendo-me como, em tempos antigos, a mentalidade das pessoas era tão fechada – fechada em conceitos que a sociedade determinava como verdades instituídas.
Se há expressão que me dá nojo e mesmo arrepio pelo significado que carrega é a de coronel Jesuino: “Se prepare que eu vou-lhe usar” – pronunciada quando pretende fazer sexo com suas esposas. Esta personagem tem no seu historial a morte da sua primeira esposa - apanhada em flagrante com um amante – do qual goza da completa imunidade e impunidade pelo crime cometido, tido como defesa da honra e bons costumes, ainda que este fosse frequentador de casas de prostituição; para além das constantes ameaças de morte da sua noiva, caso na noite de núpcias não sangrasse – a esposa teria de ser virgem. Para além desta personagem, existem outras que demonstram total desprezo pela mulher e com cenas de violência por atos das quais não tinham qualquer culpa.

Isto trata-se apenas de ficção – eu sei. Porém, ainda que distantes do tempo descrito na telenovela, estamos ainda muito próximos em formas de pensamento e atitudes – o que seria uma representação do passado ainda acontece. A violência doméstica existe, expressasse em números gordos, é considerada como um crime, mas ainda está muito escondida na sociedade. Existe medo das vítimas em denunciar a violência de que sofrem por temerem a sua vida. Tantas vezes as culpas das marcas físicas da violência são atiradas para os armários de casa, contra quem se bate muitas vezes, deixando que os agressores sejam impunes pelos atos cometidos irracionalmente.
Quantas vezes as mulheres são usadas sexualmente contra sua vontade?

Falamos do sofrimento das vítimas “diretas” da agressão, mas existem as vítimas que presenciam a tudo o que se passa na vida familiar e que psicologicamente ficam afetadas de forma profunda e, muitas vezes, para o resto da vida – memórias que os tempos não apagam.

O silêncio é a arma do agressor. É tempo de um murro na mesa.  

 

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AS CONVERSAS NO CAFÉ DA TERRA PEQUENA

por Manuel Joaquim Sousa, em 26.11.12

- Olha, quem é aquele que vai ali?
- Pelo carro é o Zé, filho da Maria.
- É mesmo. Vai com a mulher.
- Vão deixar o lixo na reciclagem. É sempre assim, os dois vêm colocar o lixo na reciclagem muitas vezes.
- Quem é aquele que vem acolá, a pé?
- É o Francisquinho.
- Ah! Coitado. Já vai todo tombado.
- A esta hora já deve estar com um copo a mais.

Assim continuam as conversas de Domingo à tarde, lá pelo café do sítio - típico de terras pequenas, onde há que arranjar alguma coisa com que se possa ocupar o tempo, matar o silêncio, já que o tempo de chuva e frio é pouco convidativo para passeios na rua.

Por vezes, o rapaz que veio da cidade, e que vai ao café do sítio para ver os presentes e contar novidades da terra desenvolvida, fica estranho com o teor da conversa a que já não está habituado. Mas, a estranheza passa depressa ou não se lembrasse que sempre assim foi, mesmo nos tempos em que o rapaz por cá vivia.

O jovem rapaz, nos tempos em que vivia cá no sítio pequeno, não gostava nada destas conversas – que iam muito para além de comentar e perguntar quem é aquele, mas estendiam-se para pormenores da vida pessoal e privada de cada um, baseada no “diz que disse” e em julgamentos sem fundamento algum – e criticava, assim como, desejava ver-se fora daquele meio para um outro mais evoluído e desejado. Porém, hoje mantém esse desejo, mas sorri ao lembrar que tudo continua como antes, por mais voltas que o mundo dê.

Na terra pequena, a televisão apenas alimentou mais as conversas de mal dizer e de circunstância com a abundância das telenovelas, dos reality shows e talk shows sobre a vida alheia e cor-de-rosa. O mundo da televisão por cabo chegou, mas os programas tradicionais mantém-se no top das preferências.

Na terra pequena, novidades como as redes sociais espalharam-se da mesma forma que nas cidades, com os mais novos a mostrarem o seu destaque e modernidade. Também estas alimentaram as conversas tradicionais de café sobre a vida de cada um e as fotografias, comentários e afins que andam a circular por esse grupo pequeno. Para os restantes, trata-se da “pouca vergonha” que anda por aí a estragar namoros e que faz essa gente enrolar-se a torto e a direito com qualquer um.

Na terra pequena, tudo continua como antes – aos olhos do jovem da cidade – por mais informação ou evolução que haja. O respeito por esta forma de estar em sociedade faz com que, muitas vezes, entre no café calado e saia mudo, mas pensativo sobre tudo isto.

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AS LEIS SÃO COMO AS MULHERES, SÃO PARA SEREM RESPEITADAS

por Manuel Joaquim Sousa, em 08.10.12

"As leis são como as mulheres, são para serem violadas", afirmação de José Manuel Castelao Bragaño, 71 anos, quando estava a protestar contra uma ata. A sua ideia era violar a lei, um ato grave como violar uma mulher é também um ato grave.
 

Independentemente do cargo que este senhor desempenhava é mais que suficiente para pedir a sua demissão, por falta de ética com o trabalho e com as regras e ao mesmo tempo revela uma falta de humanidade para com as mulheres.

Não há grandes comentários que se possam fazer a esta afirmação que não sejam de repúdio a uma personagem, que numa frase demonstra o tipo de pessoa que é. O único comentário que posso fazer mesmo é: As leis são como as mulheres, são para serem respeitadas.

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AS IMAGENS DOS ROSTOS E DOS CARTAZES DA INDIGNAÇÃO

por Manuel Joaquim Sousa, em 17.09.12

Os portugueses sairam à rua para demonstrar a sua insatisfação e o limite dos seus sacríficios. São cada vez mais aqueles que contestam as medidas do Governo e que querem manifesta-lo de viva vós. Assim se exerceu um direito democrático nas ruas. O povo saiu em protesto, deixaram-se de acomodar no sofá enquanto lhes "espetam a faca".

 

Eu desloquei-me ao Porto, até aos Aliados, e retratei um pouco da indignação. São apenas imagens, mas os gritos e os slogans estão cá na cabeça como devem estar na cabeça daqueles que estiveram presentes.

 



Álbum completo em: http://www.flickr.com/photos/87325735@N08/sets/72157631547951056/


Imagens do Público em: http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/que-se-lixe-a-troika-os-protestos-sairam-a-rua-1563204

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