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COMO ME IRRITAM OS GRITINHOS NA TV

por Manuel Joaquim Sousa, em 11.03.15

Nestes últimos dias decidi tirar umas férias para acompanhar umas obras lá em casa e, de vez em quando, ao meio da manhã, vou tomar o meu cafezito ali ao lado. O que eu tenho reparado é na fantochada de programas que passam na televisão generalista portuguesa - já tinha uma noção, mas agora fiquei com a consciência disso mesmo. Aqueles talkshows são tão fraquinhos. As pessoas atrás batem palmas porque lhes pagam para isso e é a sua função ali - não têm outra utilidade. Mentira, também cantam em coro o número 760 para onde os espetadores devem ligar para ganhar o prémio.

A piorar a situação é que a Estação Pública segue a mesma linha. O Canal 1 também tem o mesmo tipo de programas, quando deveria primar pela diferença do setor privado. Ou estarei errado?

Poderão sempre argumentar que o público que está em casa a esta hora não quer outra alternativa e a prova é que as audiências comprovam a preferência das pessoas. Pois, a questão das audiências até mesmo na RTP tem a sua importância. Audiências não implicam qualidade, mas serviço público implica diferença de conteúdos. A minha sorte é que facilmente desligo do que está a passar na televisão - exceto quando se ouvem aqueles gritos em coro ensaiados. A sorte é que em casa tenho alternativas da TV paga, onde encontro muitas opções para ver, ms há muitos que não têm.

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Então começa a terceira série da Casa dos Segredos, na TVI, e ninguém me diz nada...

Eu sei que já aqui fiz a minha declaração de amor à RTP e não a retiro, mas a Casa dos Segredos e a Teresa Guilherme no seu melhor, não se pode perder. Qual crise qual Passos Coelho, eu queria ver as novas personalidades deste país e que têm segredos para revelar, maiores que os meus segredos.

 

Ai não se deve ver o programa; dizem que é fraco e de baixa cultura; fomenta a burrice nos espectadores - mas aquilo é a maior paródia nacional. Lembram-se que na série anterior aprendeu-se muito de cultura geral. Lembram-se de questões como: O que é um grupo de pássaros? Um passarinheiro. Um país da América do Sul? África e fica para cima de Portugal (depende da posição do globo ou do mapa). Onde fica o alpendre (de uma casa)? Dizem que se pode encontra-lo num Globo. Qual é o maior mamífero terrestre? Dinossauro. Qual o antónimo de bué? É fixe.

Estes eram as coisas que a Cátia ensinava aos portugueses. Sentiram-se mais ricos com estes conhecimentos? Claro que sim. Então porque dizer tão mal deste programa. Isto sim, é serviço público de qualidade, digno de ser transmitido na RTP.

 

 

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RTP COM NOVA ADMINISTRAÇÃO DEIXA-ME TRISTE

por Manuel Joaquim Sousa, em 05.09.12

É com tristeza que tenho conhecimento da escolha da nova administração da RTP. Com que então não me convidaram - depois das sugestões, ideias para relançar o serviço público e depois de uma apaixonada carta de amor à RTP.

Eu estava decidido a manter no ar o "Preço Certo em Euros", com o Fernandinho Mendes; estava disposto a criar programas só para vermos a Catarina Furtado descer as escadas e gritar "Pró palco"; estava disposto a manter o Malato para entreter o nosso público depois do jantar; estava disposto a manter o José Rodrigues do Santos no telejornal, só para piscar o olho no final de cada emissão; estava disposto a manter o João Baião em diversos programas só para animar a malta sempre a saltar; estava disposto a manter a Sílvia Alberto em programas com estúdios grandes só para ver caminhar em minissaia, como no Top Chef.

Pretendia eu a revolução do serviço público, mantendo o que há de bom e tradicional na RTP.

Estou triste...

Público: http://www.publico.pt/Media/a-estreia-de-alberto-da-ponte-no-servico-publico-1562002 

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A MINHA DECLARAÇÃO DE AMOR À RTP

por Manuel Joaquim Sousa, em 02.09.12

Aproveito o momento para fazer a minha declaração de amor à RTP por tudo o que ela representa para mim, enquanto continua a ser espezinhada em praça pública por determinados "conselheiros" como António Borges.

Eu quero que a RTP continue a ser o serviço público alternativo a que eu tenho direito -— pago mensalmente para que assim seja. A minha relação com a Estação Pública vem da minha infância - ainda do tempo em que via apenas desenhos animados e as séries juvenis. Isso continuou para além dos anos; mesmo com o aparecimento dos canais privados, que apesar da oferta não me satisfaziam por completo— - além de que cresci numa terra em que os privados demoraram a chegar (mesmo que desejasse uma lufada de ar fresco não a tinha).

Tu RTP estiveste sempre lá, nunca me abandonaste, nem nos tempos em que o adolescente que havia em mim quisesse romper com uma relação de anos. Eu vivi com amargura os momentos do homem, Manuel Subtil, que se barricou no interior das instalações. Eu senti felicidade quando a RTP saiu do terrível edifício 5 de Outubro para as novas instalações que a dignificou.


Perdoa-me RTP pelos anos em que não te via, em que me revoltei contra a televisão e em que, por birra, decidi não sintonizar; mas mantive a minha ligação através da Antena 1. Mesmo tendo suprimido a televisão de minha casa, eu trabalhava num local de atendimento ao público onde tu eras sempre a escolhida para todo o dia (só eras substituída pela Sportv nas alturas do futebol). Eu assistia a tudo o que gostava ou não, mas o amor é mesmo assim: gostar dela com todos os seus defeitos e virtudes e defende-la com o coração. Eu assistia à Praça da Alegria, ao Jornal da Tarde, ao Portugal no Coração, ao Portugal em Directo, ao Preço Certo Em Euros, ao Telejornal, à Operação Triunfo, ao Natal dos Hospitais, aos especiais de informação, à transmissões da Cova da Iria, ao Top+ e a tantos outros programas. Através da RTP eu assisti ao começo da Guerra no Iraque, com o Carlos Fino, acompanhei cada momento as exéquias de João Paulo II e nomeação de Ratzinger ou mesmo morte de Lúcia, a vitória do FCP na Liga dos Campeões e a todas em emissões em directo da minha cidade, entre tantos acontecimentos que mudaram o mundo e me mudaram também a mim (tudo isto, todo dia e todos os dias no trabalho). Gostasse ou não, eu estava lá.


Entretanto, em casa chegou o cabo e voltei para as séries da Fox ou AXN, mas nem por isso deixei de estar ao lado da RTP. A RTP Memória fez-me reviver um passado brilhante; revi séries, programas humorísticos do Herman ou até os Jogos Sem Fronteiras (que tanto adorava e me lembro como se fossem hoje), a Mulher do Sr. Ministro, Esquadra de Polícia, enfim... Passei a gravar muitos programas do Canal 2 (como lhe chamo) para ver quando tenho tempo. O meu apreço e amor pela RTP2 é tão grande que não sei o que vai ser de mim sem os seus programas como o Biosfera, o Olhar o Mundo, Documentários, as entrevistas de Maria Flor Pedroso, o Palcos entre outros que ficaram na sua história como o Bombordo ou o 5 Para a Meia-Noite, os Contemporâneos. O que vai ser de mim para as tardes de Domingo, em que estou na terrinha e vou ter que gramar com os programas secantes pelas aldeias e vilas com musica pimba ou aqueles filmes que já passaram tantas vezes na televisão? O que vai ser de mim ao ter de gramar com overdoses de publicidade quando estou a ver algo que gosto? RTP2 não deixes que acabem contigo, não me destroces o coração.


Quem vai passar os Jogos Olímpicos? Quem vai transmitir desporto para além do futebol?


Também a rádio - que todos se esquecem de referir - é a minha companhia no carro, em casa, até mesmo enquanto passeio pela rua. Uma rádio feita por bons profissionais, isenta de publicidade. Quem vai defender e passar musica portuguesa de vários estilos como na Antena 1 ou na Antena 3? Onde vou poder ouvir e deliciar com o Portugalex, da 1, A Hora do Sexo, da 3, o Amor é, Falar Global. Isto é serviço público de uma rádio que é publica (da qual não tenho ciúmes que outros também gostem).


Eu sofro com tudo o que dizem aqueles que querem acabar com a minha RTP. Eu não aceito que a entreguem a alguém que desvirtue o seu carisma, aquele que me manteve próximo durante tantos anos. Não deixem que a RTP seja uma vendida e se transforme numa prostituta do serviço privado, que apenas nos dá matança, horrores, novelas, drogas publicitárias, noticiários eternos e que esquece muitos projectos inovadores de televisão. A RTP dá lucro, basta que seja gerida coerentemente. Eu quero uma RTP que, mais tarde, eu recorde com alegria pelos bons momentos que passamos juntos.

RTP perdoa as minhas infidelidades, em que e troquei por outras, mas tu serás sempre a quem recorrerei nos momentos mais difíceis porque estás sempre lá.

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SERVIÇO PÚBLICO PORQUÊ E PARA QUÊ?

por Manuel Joaquim Sousa, em 31.08.12

Nos últimos dias temos assistido à defesa do serviço público de televisão - algo positivo, sem dúvida. Porém, esta defesa deixa de existir (ou esmorece) quando deixa de existir polémica. Porquê?

Nas Redes Sociais existem "movimentos" de apoio e defesa de manutenção da RTP2 - talvez com mais pessoas que aquelas que realmente assistem aos programas do canal. Porque será? Eu não vejo, mas defendo que deve existir?

 

Nos tempos "mortos" contesta-se a forma de financiamento e as audiências situadas abaixo de valores expectáveis. Que valores são considerados aceitáveis? Porque só agora se levanta a bandeira da qualidade em detrimento das audiências?

Questões que merecem reflexão, antes da aplicação de qualquer modelo.

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A BRANCA TELEVISIVA

por Manuel Joaquim Sousa, em 26.08.12

Em tempos que se fala da RTP e da concessão de serviço público, deixo-vos um texto escrito na sequência da polémica sobre as audiências medidas pela nova empresa responsável e que é seriamente criticada pelos Operadores de Televisão.

Terça-feira, 17h25m, alguém pega no comando da televisão e muda de canal. A acção deste alguém multiplicada por 247800 pessoas, que também assistiam ao programa do “Portugal no Coração”, da RTP, deixaram o primeiro canal sem qualquer espectador em antena. Instala-se o pânico na Estação Pública porque todos os espectadores mudaram de canal.
O que aconteceu? Porquê esta mudança? Foi um acto combinado? Uma forma de protesto? Contra a venda do canal? A programação da Estação Pública não está a corresponder às expectativas?

Enquanto o programa continua na sua normalidade, o colapso na sede da RTP provoca correrias nos corredores, entradas e saídas nos gabinetes, telefonemas em tudo quanto é telefone, e-mails para e do Conselho de Administração; tudo gira em torno da branca televisiva.
Para além do pesadelo na RTP, já os outros Meios de Comunicação Social concorrentes, imprensa e rádios noticiam o sucedido; nos sites, Blogosfera e redes sociais são aos milhares os comentários. Em instantes, o país fica em suspenso, mas ninguém, uma alma sequer, premiu o botão do comando do primeiro canal, para ver a emissão que continuou normalmente. 
Fazem-se os primeiros balanços dos prejuízos, 12,9 milhões, um valor provisório, que dependerá das consequências que as marcas dos espaços publicitários desencadearão com este apagão. Está tudo comprometido; o programa que contratou meios e que terá de os pagar; as marcas que contrataram aqueles minutos específicos para publicidade; o canal que não pode avançar para intervalo porque não vai passar os spots publicitários sem espectadores em antena.


A esta hora, o Governo reúne-se de emergência. O canal público que está à venda tem o seu valor comercial em causa e que tenderá a desvalorizar. O Ministro das Finanças está preocupado porque o encaixe da venda do primeiro canal será revisto em baixa no défice. O Primeiro-Ministro faz uma primeira declaração ao país, para estabilizar os ânimos e os mercados. O súbito “apagão” agonia os portugueses, que já pensam nas possíveis medidas extraordinárias que serão tomadas, para compensar as perdas.
Enquanto o Governo continua reunido, o plenário da Assembleia da Republica aquece com a habitual troca de acusações entre a direita e uma esquerda assanhada - no imediato atiram responsabilidades aos grupos económicos interessados no canal em moeda barata.
Nos cafés, as discussões mantêm-se acesas entre os que defendem o serviço público e os que desejam a privatização de um canal em tempo de contenção de despesas; mas nem por isso, ninguém, uma alma sequer, pega no comando para ver a emissão do “Portugal no Coração”.
Os canais de notícias desdobram-se em debates com comentadores de serviço e directos televisivos; os generalistas exploram a tragédia e o horror nos talk shows da tarde.

Apenas num único lugar há silêncio: no Palácio de Belém. O Sr. Presidente Cavaco Silva mantém o silêncio.
Na RTP mantém-se o caos. Normalidade apenas no estúdio. 

São 17h55m, o primeiro canal passa a ser visionado, nesse preciso instante, por 295700 espectadores. O país respirou de alívio.
Pelos vistos a RTP descobriu que se tratou de um erro técnico por parte da empresa responsável pela medição de audiências.


(Este texto trata-se de uma crónica de Manuel Joaquim Sousa. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência).

 

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