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O BES EXIGE MÃO PESADA…

por Manuel Joaquim Sousa, em 31.03.15

Terminaram as audições. Agora é tempo de fazer o relatório final. É tempo do balanço político do que aconteceu. Ainda há muito trabalho pela frente, mas o mais importante, as audições dos responsáveis, já terminou. Assim se caminha para o final mais uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Assim se tenta chegar à conclusão do que aconteceu com o BES, melhor, com o Grupo Espírito Santo. Entender o que se passou no BES é pouco porque detrás há muitos envolvidos que levaram à queda do império e do que consideravam o Dono Disto Tudo.

Terminaram horas e horas, dias e dias de audições de elementos importantes para o processo, de onde se poderão retirar imensas conclusões para que no futuro se evitem situações semelhantes. Com esta comissão, os políticos saíram valorizados e prestigiados pela forma como conduziram os trabalhos sempre concertados, bem fundamentada e com irrelevância para as ideologias políticas. Assim devem funcionar as instituições para prestígio do voto que o cidadão deposita nas urnas.

Ricardo Salgado não é o Dono Disto Tudo, mas o grande responsável pela queda do grupo, do banco. Creio que ficou demonstrado que sempre foi resistente ao poder e sempre desejou estar no lugar de Presidente do Grupo para controlar todas as jogadas que levaram à exposição do BES ao GES. Foi a ideia de ser o controlador que o levou a cometer as decisões menos positivas para o banco. Não aceitou que o poder fosse partilhado com o Estado, negando a capitalização Estatal como as restantes instituições financeiras. Acreditou que a almofada existente seria suficiente, para engano dos seus clientes.

Ricardo Salgado é o principal causador de todos os estragos, a quem terá dado ordens para a venda de papel comercial do GES aos clientes do BES, comprometendo as economias sob a garantia de um bom investimento. Até grandes gestores como os da PT foram enganados em centenas de milhões de Euros condicionando assim o seu futuro e a consequente desvalorização da empresa. Até o Banco de Portugal e a CMVM pouca atuação tiveram, para evitar este descalabro, tendo aconselhado o aumento de capital por parte dos clientes. Se estas entidades ou empresas foram enganados, muito mais facilmente seria enganado o comum cliente sem qualquer conhecimento sobre os produtos tóxicos que estava a comprar. CMVM e Banco de Portugal não conseguiram conter a atuação de Ricardo Salgado e não tinham poderes para o afastar do Banco. A medida de resolução foi aplicada porque o BCE informou que iria impedir o BES de se financiar e solicitou a devolução de 3 mil milhões de Euros no prazo de 48 horas – valor que não estava disponível na dita almofada que Ricardo disse existir.

É fácil que se atirem culpas a Carlos Costa pelas decisões que tomou, mas sem poderes para fazer mais seria difícil avançar para uma alternativa melhor.

O caso BES é uma lição para as instituições que têm o dever de regular o mercado e em último recurso deveriam ter poderes para tomar a atitude, seja ela qual for para salvaguarda dos clientes e cidadãos – caso contrário de nada vale existir supervisão, que fica à mercê de relatórios que as consultoras apresentam em concordância com o que é pedido pelo cliente.

O que se espera em todo este caso é que a matéria produzida na Comissão Parlamentar tenha dados suficientes para apuramentos na justiça de verdadeiros culpados e sobre esses exista uma punição, para que desta história existam responsáveis. Custa a crer que perante as evidências não existam prisões permitindo que responsáveis tenham o seu tempo para destruir provas e preparar o terreno adequado à sua defesa. A mão tem de ser pesada.

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SALGADO - O POBRE

por Manuel Joaquim Sousa, em 08.08.14

Eles sabem fazer bem as coisas. São gente esperta. Quando alguém tenta apanhar alguma coisa já vai tarde. É o que dá para pensar quando vejo nas notícias que Ricardo Salgado não tem qualquer bem em seu nome – nem um carro. Aquele que era o Dono Disto Tudo transforma-se num pobre sem nada. Mesmo assim tem uma sala num hotel para trabalhar. Mesmo assim deve ter um motorista, uma casa onde viver e continua a alimentar-se. Não é caridade certamente. Sabem bem como colocar os seus bens a salvo de finanças, tribunais e de todos os que lhe possam cobrar pela gestão danosa que fez. Gestão danosa para os outros porque para si soube ter cuidados. O ex-Dono Disto Tudo agora deve rir de toda a “roda viva” em torno do banco e empresas do grupo, sem que um tostão do seu dinheiro sofra qualquer dano. Por vezes, há injustiças, mas é assim a vida…

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O FIM DE UM REGIME

por Manuel Joaquim Sousa, em 01.08.14

Num verão pouco quente em relação a incêndios florestais (ainda bem), há outros incêndios graves a marcar os acontecimentos e as notícias - o fim de um regime. 
 
"O Fim De Um Regime" é o título de uma reportagem, da autoria de Pedro Santos Guerreiro, na Revista do Semanário Expresso. O trabalho é muito interessante para tentar compreender o pouco que se conhece acerca do império Espírito Santo - BES e empresas GES. Apenas o que se conhece porque há sempre novidades a surgirem a público cada vez mais graves, reveladoras das entranhas do poder e da governação de um império que mexe muito com a estabilidade da economia portuguesa. A economia portuguesa mostra-se débil quando algo deste género acontece porque as poucas empresas de topo são detentoras da maior parte da riqueza nacional e a sua debilidade é a debilidade de tudo o resto, mesmo que não dependendo diretamente desse império. 

Serei sempre muito pequeno para conseguir compreender este momento; até mesmo para tecer qualquer julgamento credível do que é justo ou injusto e do que deveria acontecer. Tenho a dizer que tudo isto me choca. Como é possível que, nos tempos atuais, diversas empresas e entidades estiveram alheias a tudo isto, mesmo aquelas que investiram de olhos fechados em dívidas que são difíceis de liquidar (caso da PT)? Custa-me a acreditar em casos de gestão puramente danosa e alheia aos inúmeros especialistas. 
 
Quando me refiro à reportagem do Expresso, quero demonstrar que existiu um órgão de comunicação social que desde muito cedo se preocupou com o caso. Ainda me lembro das primeiras investigações, há anos, em que o BES declarou publicamente cortadas todas as relações comerciais e publicitárias com a Impresa. Enquanto isso, conta-nos o Expresso, alegadamente Ricardo Salgado investia em publicidade nos jornais como forma de os alimentar numa crise publicitária gerada pelas quebras de receitas. Férias e passeios a jornalistas para as conferências do grupo à custa do grupo. Sei lá se mais alguma coisa. 
 
Enquanto Ricardo Salgado era o DDT - Dono Disto Tudo - jamais alguém ousou alguma coisa contra. O silêncio foi para a família Espírito Santo ouro para a ascensão e construção da queda. Agora que Ricardo Salgado saiu do BES e da crise que se instalou na família, todos o atacam de todo o lado. A fera deixou de ser perigo e pode agora ser atacada e vaiada por aqueles que deixaram de ser ameaçados ou até alimentados de forma promiscua. 
 
Custa-me saber que além daqueles que depois da ascensão ficam em desgraça, há uma série de outras pessoas que têm a sua vida em risco e que nada sabem destes negócios e apenas cumprem o seu trabalho. Em relação a esses poucos se preocupam porque onde os abutres poderem buscar o dinheiro enquanto há e onde há, a raia pequena ficará sempre a penar num futuro incerto.

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