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O RISCO DE FICARMOS CEGOS

por Manuel Joaquim Sousa, em 25.01.17

A velocidade com que podemos publicar algo na Internet é fantástico. Partilhar, com todos, o que nos vai na veia ou na alma permite uma sensação de ser capaz de chegar ao grande público. Permite sentir que a voz é ouvida e que pode chegar a cada vez mais longe. Se alguém liga ao que escrevo ou escrevem isso é outra coisa diferente. O perigo da Internet e das redes sociais está na capacidade de se chegar a uma  fonte inesgotável de informação, infinita, que nos torna incapazes de processar tudo. Resultado: a tendência de ler fragmentos, contextos incorretos, apenas umas linhas de um todo, falta de tempo para pensar de forma pausada aquilo que se lê, tendência para a crítica fácil no calor do momento. Não sei até que ponto estes e outros perigos, que por aqui continuaria a enumerar, poderão levar o Homem ao colapso. Poderemos chegar a extremos pouco saudáveis nas relações sociais. Com necessidade de partilhas se informação, nem sempre se verificam fontes, a ponto de mentiras se tornarem verdades - verdade depende do elevado número de partilhas. É bom parar mais vezes para pensar no caminho que estamos a seguir.

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CRÓNICA DE UM VERÃO NEGRO

por Manuel Joaquim Sousa, em 12.08.16

Acho lindo a publicação de imagem em homenagem aos nossos bombeiros – os heróis da tragédia -, mas não quero publicar essa homenagem no meu mural do facebook ou outra rede social porque cairei no risco, como os restantes: não lembrar destes heróis após a tragédia, nos outros meses do ano.

 

Para qualquer lugar que vá, nestes últimos dias, e olho para o horizonte reparo no céu carregado, no fumo que o vento espalha por todo o lado. Observo as montanhas à minha volta e vejo "fumarolas" aqui e ali, umas mais medonhas que outras. Confesso que sinto uma dor ao assistir a este cenário; tristeza por saber que as florestas deste país vão sendo delapidadas pelas chamas. As nossas florestas são indefesas, ficam muito à mercê de quem lhe quer mal – afinal muitos dos fogos são ateados por pessoas a meu ver sem qualquer escrúpulo. Em vários momentos do dia acedo ao site dos Fogos para perceber o panorama nacional – nem sempre estamos a ganhar a batalha porque o tempo não ajuda – calor, vento, falta de humidade -; quem dera que viesse uma chuva para apagar os fogos, molhar os solos, acalmar esta tormenta; quem dera, era um maná dos céus. Evito ler as notícias ou até o telejornal porque sei bem que o panorama não está fácil e ainda há muito que resolver. Até as redes sociais evito de aceder porque os incêndios passaram a ser as partilhas do dia e por lá circulam opiniões e comentários arrepiantes dos mais diversos lados – incendiários de opinião entre os que querem penas de morte, penas pesadas, os que defendem os bombeiros, os que acham que deve arder tudo na Madeira, os que acusam o governo e mais alguns -; a liberdade de expressão é um direito que assiste a todos e que me permite escrever estas palavras, mas no calor do momento há palavras e opiniões escritas sem ponderação – já chega de falta de ponderação em relação à gestão do património natural do nosso país, que é da responsabilidade de todos sem exceção. Acho lindo a publicação de imagem em homenagem aos nossos bombeiros – os heróis da tragédia -, mas não quero publicar essa homenagem no meu mural do facebook ou outra rede social porque cairei no risco, como os restantes: não lembrar destes heróis após a tragédia, nos outros meses do ano. Sim, esses bombeiros estão lá sempre, por vezes, a sobreviver e a manter as corporações com dificuldades financeiras e humanas e poucos serão os que terão o gesto de contribuir. Quantos compram aquelas rifas que os bombeiros vendem nas filas de trânsito? O governo que pague, dirão. Faço parte desses que olha com indiferença. Quando a tragédia passar, as vozes, que agora se levantam, vão-se calar e voltará tudo à mudez do costume até à chegada do próximo verão.

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A TECNOLOGIA IRRITA-ME!!!

por Manuel Joaquim Sousa, em 21.05.16

As novas tecnologias irritam-me tantas vezes. São a grande revolução dos nossos tempos. Em qualquer lugar posso fotografar e partilhar com o mundo o que estou a ver e como me estou a sentir. Em qualquer lugar abro uma aplicação de escrita e de notas para apontar as ideias brilhantes e aquilo que me vai na alma no momento. Dispenso os cadernos e posterior edição no computador, para enviar para um qualquer lugar – vai logo para as redes sociais e para o meu blogue. Dispenso as cassetes e os cds e toda a “carrada” de coisas para ter música. Posso ler em qualquer lugar um livro ou um jornal, enquanto espero para ser atendido ou quando não tenho nada para fazer. Tantas maravilhas que a tecnologia do portátil, do tablet e do smartphone me pode proporcionar. A tecnologia está presente na minha vida. Irrita-me. Irrita-me a dependência que crio nestes aparelhos. Irrita-me quando quero ligar ou fazer algo e por alguma razão “encrava”. Irrita-me quando tenho de fazer as atualizações necessárias. Irrita-me quando toda a gente está à minha volta e de olhos pregados nos aparelhos, sem trocarem qualquer palavra, mas a partilhar coisas e a pôr “likes” nas coisas uns dos outros. Irrita-me tanta coisa em mim e nos outros por causa destes aparelhos que se apoderam da minha vida – e eu não sou dos mais dependentes dos seres humanos que existem por aí. Ainda dispenso o telefone por uns longos momentos enquanto relaxo, ainda dispenso as redes sociais por uns dias seguidos, ainda gosto de usar a máquina de escrever, as canetas e o papel e ainda gosto do livro em papel e de folhear o jornal de grandes dimensões, que ocupa toda a mesa de café. Mas a tecnologia é maravilhosa.

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AVÉ CHEIA DE GRAÇA AO BLOCO DE ESQUERDA

por Manuel Joaquim Sousa, em 29.02.16

Finalmente a adoção por casais de mesmo sexo é permitida. Portugal é um país que sai da linha do preconceito em nome do interesse da criança – interesse no sentido de haver oportunidade das crianças serem acolhidas numa família, independentemente da opção sexual dos casais. Trata-se de uma vitória que provocou alguma azia em Belém e algum exagero pelos lados do Bloco de Esquerda – refiro-me ao recente cartaz, polémico cartaz, que não publico, para evitar prolongar a campanha do BE. Primeiro, como católico não tenho qualquer preocupação ou estigma em relação à utilização do nome e imagem de Jesus, ou qualquer outra figura religiosa, em comparações e até no humor – liberdade de expressão com respeito é o meu princípio. Alias, Jesus deve estar mais preocupado e triste com outras questões bem mais tristes e preocupantes, das quais somos responsáveis – em vez do coro de anjos defensores do bom nome e respeito. Segundo, religião e política são áreas de pensamento que não se devem cruzar, de forma a evitar colisão de valores e posições – já por isso vivemos num estado laico e quem nos dera que todos os Estados do mundo fossem laicos. Sendo o BE um partido que sempre procurou separar as águas - política e religião -, deveria ter outra sensibilidade em relação a este assunto do cartaz. Notei em toda a história uma falta de maturidade política e sensibilidade. No próprio partido o cartaz não foi bem aceite, como poderia ser aceite na sociedade sem levantar polémica? É claro que foi um assunto, esporádico e já esquecido, até mesmo nas redes sociais – a vantagem da política nas redes sociais é esta: por maior que seja a contestação, no dia seguinte já todos esqueceram o assunto e estão mais interessados em partilhar outras historietas -, onde a memória política é muito curta e obtusa. Como é um assunto viral e sem consistência para ficar presente, foram evitados problemas internos no BE e aqui abrir a velha caixa de Pandora que existe em relação à sua liderança – em tempos o BE teve um pai e uma mãe, poderia ter dois pais ou duas mães (comparação que poderiam ter utilizado). A associação de que Jesus teve dois pais não é óbvia para a temática de adoção por casais do mesmo sexo – Jesus viveu com um pai adotivo e uma mãe. Poderiam ter escolhido outra comparação e não uma mera provocação que poderia ter um preço elevado à imagem do partido. Deixo essas comparações, associações aos cartoonistas e humoristas, com liberdade de pensar, sem qualquer prisão a ideias políticas – liberdade de expressão e criatividade para estes, que já lhes custa muito caro. Não uso o mesmo slogan “Je suis BE”, da mesma forma que usaria “Je suis Charlie”. De qualquer das formas e desnecessário que se cometam exageros nos comentários e nas reações – gastem a energia em assuntos mais sérios e importantes.

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POSSO VIVER AUSENTE DO FACEBOOK?

por Manuel Joaquim Sousa, em 28.02.16

Não somos livres. Pelo menos como desejado. Pensamos ser livres, mas estamos presos. São as máquinas, as redes sociais, as outras pessoas que nos impedem das decisões que queremos tomar e queremos manter. Na realidade, vivemos reféns. Se num dado momento apago a conta do Facebook para me abstrair de tudo o que por lá se passa – muito barulho, muita conversa sem conteúdo, muito mau português, muita raiva, muita informação falsa e muita vida privada exposta clara e gratuitamente -, há uma série de pessoas, que bem intencionadas, tentam saber o porquê da ausência. É uma preocupação excessiva aquela que existe se alguém desaparece das redes sociais. Como se deixasse de existir quando não estou presente. Não somos livres. Vivemos presos ao virtual. Entre a justificação da saída e me manter por lá sem ter qualquer atividade útil, prefiro ficar por lá no sossego. Parece que estar lá significa estar bem, quando estou bem melhor se estiver ausente das redes – valorizo e dou atenção a outras coisas realmente mais importantes. Estar lá, em muitas pessoas é sinal de desespero, necessidade de afirmação, necessidade de personalidade. Não quero generalizar – nem todos são assim (ainda bem). Precisa a sociedade de ser mais livre, de ser menos condicionada, de olhar mais para o lado que para os ecrãs. Há tanta realidade que nos passa ao lado e desejamos entender a realidade que se passa num outro local qualquer. É bom ter consciência do que se passa no mundo, mas é triste se ignorar aquilo que está à minha volta, a poucos metros de distância. Conheço quem não está nas redes sociais. São pessoas com cultura, vida social, conhecem bem o que as rodeia – procuram fontes credíveis. Isto é ser livre.

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COMO É VIVER SEM REDES SOCIAIS?

por Manuel Joaquim Sousa, em 21.04.15

Estamos cada vez mais agarrados ao facebook, twitter, instagram e mais uma parafernália de redes sociais. Parece que tudo se tornou num vício e não conseguimos desligar por um momento. Qualquer coisa que aconteça lá vamos a correr atrás do Facebook. Entramos numa mania de ser sociais. Ao mesmo tempo caímos na tendência de sermos anti-sociais. Para quê encontrar com as pessoas se as temos num clique de telefone?

Não nos importamos que as baterias do nosso telefone durem menos porque este está sempre a conectar para ver se há novidades. Depois há aquela tendência para ver todas as notificações recebidas de quem fez gosto e comentou e comentou o comentário e assim sucessivamente. Daqui a pouco necessitamos de secretárias para gerirem a nossa rede social, capaz de fazer uma triagem do que para nós é importante e assim recebermos o que realmente interessa.
As redes sociais são massacrantes. Por muito que o pessoal diga que lá vai poucas vezes, as poucas vezes representam um tempo perdido em excesso, quando certamente esse tempo era mais útil a fazer uma outra coisa qualquer, mesmo na internet.
Os blogues também consomem o seu tempo na escrita de artigos, mas aqui existe uma diferença muito grande: não recorremos a eles a toda a hora e momento. Torna-se num ato mais saudável de partilha porque obriga-nos a ser sociáveis. As redes sociais são a partilha imediata, sem pensar nas razões, são o julgamento fácil e precipitado das pessoas e dos acontecimentos. Quem vem aos blogues procura opinião estruturada, ideias interessantes para tudo, até para o dia-a-dia. Os blogues por si só são mais construtivos (há excepções) e o tempo a ele dedicado não se torna perdido.

Por essa razão, que cada vez mais gosto da blogosfera. Partilho menos que numa rede social. Partilho com mais principio, meio e fim. Penso mais no que pretendo dizer e na mensagem que procuro passar ao meu público. Uma forma de se evitar a pastilha mascada e oferecida ao outro.

Seremos capazes de desligar das redes sociais para sermos mais úteis a nós próprios?

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ESTAREMOS NÓS DEPENDENTES DA TECNOLOGIA COMO O JOÃOZINHO?

por Manuel Joaquim Sousa, em 29.12.14

O João está no seu silêncio habitual. Sentado no banco de trás do carro dos seus pais mantem o seu olhar preso ao tablet que traz em mãos, a jogar um qualquer jogo que vem instalado no aparelho. Ele e os seus pais estão de regresso a casa depois de um fim-de-semana na casa dos avós.
- Falta muito para chegar? – perguntou ao pai, que vai a conduzir.
- Mais uma meia-hora e chegamos – responde o pai que seguia na sua maior das calmas a aproveitar o sol de final de domingo.
- Ainda falta meia-hora! Nunca mais chegamos; já disseste isso há pouco.
- Pois disse; nem passaram cinco minutos desde a última vez que me questionaste; qual é a pressa?
- Estou a ficar sem bateria para continuar o jogo; estou a precisar de fazer uma atualização e preciso de ligar ao wifi.
- Mais uma vez gastaste a internet toda que tinhas no cartão?
- Claro; na casa dos avós não há wifi e tive que ter a internet do cartão ligada;
- Desligavas o tablet e aproveitasses os poucos momentos com os teus avós.
- É uma seca na casa dos avós não ter net; não sei como conseguem; eu não conseguia.
- Não conseguias porque estás habituado às tecnologias desde pequeno e porque nós temos possibilidade de fazer as tuas vontades quando tiras boas notas na escola; no nosso tempo não havia nada disso; e no teu, mãe, havia? – questionou o pai para a esposa que ia ao lado a olhar para a paisagem.
- Já era bem bom quando, na tua idade conseguia ter aquela boneca que as minhas amigas também tinham ou quando conseguíamos aquele jogo de pintura se não desse erros nos ditados de português.
- Que seca; no vosso tempo não havia nada disto?
- Não – responderam os pais em conjunto.
- Quando os avós vos levavam a passear como passavam o tempo da viagem?
- Apreciava a paisagem como agora – disse a mãe.
- Ou então trazíamos os livros de banda desenhada ou os primeiros calhamaços com histórias mais sérias para ir lendo de tempos a tempos.
- Nem um jogo?
- Não – respondeu o pai.
- Já experimentaste olhar lá para fora para apreciar o sol dourado deste fim de tarde e ver como ele doura o rio e as casas lá em baixo? - Que é que isso interessa? Se calhar é por isso que nunca mais chegamos a casa; o pai vai tão devagar.
- Pois vou. Não é todos os dias que eu e a mãe e tu partilhamos um momento tão calmo; durante a semana andamos sempre nas pressas, agora queremos ter o nosso tempo fora de casa e aproveitar para apreciar a paisagem e o sol.
- Então apreciem; a mim isso não me diz nada.
- Tu que és tão moderno – enervou-se o pai – sabias que as pessoas aproveitam estes momentos, esta paisagem, para fotografar e para partilhar nas redes sociais?
- Isso não é para mim; já basta fazer likes nas fotografias que as miúdas da minha turma publicam; mas só faço os likes para elas não me chatearem a cabeça; falta muito para chegar?
- Falta – resmungou o pai -; se estás sem bateria paciência.
- Tu é que és o culpado porque não trouxeste o teu carregador de isqueiro; agora não posso continuar para avançar para o nível seguinte; ainda por cima tenho que enviar pedidos aos meus amigos do facebook porque preciso deles para subir mais níveis.
- Lamento, mas vais ter de esperar – disse o pai.
- Oh! – desesperou o miúdo.
- Vai fazer birra o menino vai? Vais ter de ter paciência – disse-lhe a mãe.

 

O João ficou “embufado” porque os pais estavam a dificultar a sua vida de dependência das tecnologias. Este rapaz é um dos que pertencem à geração Z, nascidos depois de 1997, que não conhecem outras realidades para além da virtual. A dependência de tecnologia parece ter ultrapassado estratos sociais e tornou-se transversal, apesar de alguns produtos serem proibitivos às bolsas dos pais; porém, existem alternativas no mercado mais baratas que fazem o efeito para o que as crianças necessitam.

 

A era digital está a transformar o mundo a cada instante e a sua evolução é extremamente rápida que nem dá tempo aos consumidores adaptarem-se a um produto – tablet, pc, smartphone – que logo existe um ainda melhor e que se torna no desejo de quase todos. Em 2012, cerca de 85% dos lares portugueses já tinham acesso à internet e a proliferação dos pacotes fixos dos diversos operadores, que antes eram móveis, provocou esta revolução digital, quando se pensava que o que era fixo tinha os seus dias contados. Os jovens são sem dúvida aqueles que estão a provocar esta revolução digital porque só conhecem o mundo desta forma e são eles que também criam o consumo nos seus pais, que tentam manter-se atualizados e que até são seduzidos pelos seus filhos a experimentar. Porém, existe o problema cada vez maior em controlar o que os miúdos fazem na rede, os riscos que isso pode trazer para a sua educação ou comportamento. É do consenso dos pais que não podem deixar os seus filhos muito tempo ligados às redes sociais, nos chats ou na internet porque sabem o vicio que isso provoca e os riscos consequentes; afinal a veracidade do que se lê na rede é muito questionável. Os operadores têm aplicações que ajudam os pais a controlar os filhos, seja no que estão a fazer na rede, seja com quem estão a comunicar por chamada e por telefone e até definir horas em que podem utilizar os seus smartphones, mas ainda assim todo o cuidado é pouco. Sem dúvida que a rede e esta versatilidade de equipamentos apetrechados com as mais diversas aplicações tem muito de bom para a sociedade e para o seu dia-a-dia; todavia a dependência faz esquecer de outros prazeres da vida, de outras coisas que as gerações anteriores valorizavam e que hoje são vistas como antiquadas.

O fascínio pelo VHS – quando se podia gravar aqueles filmes que davam tarde –, pela cassete – gravar música em cima de música e desencravar as fitas que saíam -, o vinil – que voltou a ser moda - e as disquetes – que comprava às dúzias – estão cada vez mais distantes das pens, das clouds, do mp3, do streaming, das boxs que gravam e que puxam atrás. Ainda me lembro de quando, já adulto, tive o meu primeiro telemóvel; comunicava com os amigos por toques para não pagar e da maravilha que foi quando surgiram os primeiros sms gratuitos. Agora temos os messengers do facebook, vibers, wattsapp, etc. Os jovens da geração do João são cada vez mais multitask, mas ao mesmo tempo não conseguem absorver com profundidade todo o conhecimento a que têm acesso – é tudo muito superficial; os assuntos deixaram-se de se estudar a fundo. Ler um título nas redes sociais de algo que aconteceu merece logo um like, uma série de comentários sem bases, sem que se tenha lido em detalhe o que aconteceu. Dá a sensação que quanto mais acesso se tem à informação, mais se deixa escapar.

 

Os jovens já preferem uma pesquisa no Google para fazer um trabalho em alternativa às velhas enciclopédias que nos obrigavam a copiar dezenas de páginas, que agora se faz com um copy paste e que permitem ter a mesma avaliação final, mesmo que não se tenha lido o que foi colado no trabalho. Até que ponto estarão preparados os professores para lidar com esta geração Z? Quando estes conseguem rapidamente mostrar que são mais ágeis na informática e que conseguem com uma aplicação nos markets resolver todas as questões e problemas que o professor manda para trabalho de casa. Mas, mais que os professores, como consegue os sistema educativo fazer frente a uma evolução que se está a impor sem que se esteja a adaptar às novas realidades dos alunos, do conhecimento e da própria forma de ensinar? Tudo isto merece uma boa discussão porque a tecnologia continuará a aumentar, melhorar e a estar cada vez mais acessível ao comum dos habitantes deste planeta como de pão para a boca.

 

Finalmente o João e os pais chegaram a casa. O João saiu com rapidez para chegar à porta do apartamento porque lá já apanhava wifi de sua casa para o “pauzinho” de bateria que ainda tem para gastar – nem se preocupou em trazer o saco com as suas coisas. O tablet estava em perigo de vida.

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Onde estamos seguros? Em lado nenhum. Onde podemos proteger as nossas coisas, sem que ninguém as furte? Em lado nenhum. Vivemos numa insegurança permanente. Os larápios deixaram de estar apenas no virar da esquina para apanhar mais uma bolsa por esticão; de tentar entrar nas nossas casas para levar o que lhe apetecer. Os larápios andam também pela rede – modernizaram-se. Estão em todo lado à espreita, em diversos locais da internet, enquanto nós acedemos com alguma ingenuidade e, por vezes, com falta de precauções.

Com a proliferação das tecnologias e dos dispositivos móveis, sentimos a necessidade de aceder à rede em qualquer lugar, de tirar fotografias – aproveitar o momento -  e guardar no telefone, que depois fará um backup para uma dessas nuvens que proliferam por aí - as Cloud. Nuvens que nos oferecem gigas e gigas para guardarmos informação e assim acedermos em qualquer lugar. Fantástico. Eu e muitos deixamos de correr atrás das promoções dos discos externos e mesmo das pens, pois há alternativas gratuitas com mais memória e mais vantagens. O virtual é que é. Pensamos nesta facilidade e acreditamos que podemos evitar perdas de informação devido a erros dos nossos discos. O risco existe.

Existe? Sim. Recentemente foi público a entrada de um hacker na icloud, da apple, onde fotografias intimas de personalidades famosas foram roubadas e agora circulam pela Internet e se multiplicam em downloads feitos pelos admiradores.

É avassalador. É terrível ver alguém com a sua vida intima totalmente exposta para sempre. Por mais que descubram quem é o hacker, a vida privada dessa pessoa deixou de existir – as fotografias nunca mais sairão de circulação por causa das malditas partilhas ou da troca de e-mails entre amigos.

Pode ser algo muito interessante do ponto de vista de quem ataca estes depósitos de informação, sobretudo de famosos que estão mais vulneráveis às tentativas para se descobrir mais sobre a sua intimidade. Esquecem que um dia o mesmo lhes pode acontecer ou mesmo aos familiares. Será que nessa altura vão achar bonito e vão gostar? Não me parece.

 

Aos restantes recomenda-se proteção das suas senhas, criação de senhas complexas, pouco óbvias e algum cuidado na seleção das imagens que pretende guardar na cloud ou no telefone ou computador. Sou fã de cloud, mas o velho disco externo existe para aquilo que é sensível - embora nem sempre tenha a noção se está totalmente seguro. Nunca estamos, é certo.

Por estas razões, deixo de reclamar quando na empresa onde trabalho tenho de alterar a minha password forçosamente de tempos a tempos. Por esta razão, espero que outros deixem de reclamar também e deixem de adiar esta tarefa para o último dia do prazo. Por esta razão, espero que outros compreendam porque na minha empresa os critérios para criar uma password são muito restritos e têm de preencher critérios muito rigorosos. Da próxima tenho com este caso da icloud um motivo válido e sensibilizador quando um cliente reclamar que criar a sua conta tem excesso de passos de segurança: é para seu bem. Segurança em primeiro lugar, mesmo que isso dê trabalho.

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A FORÇA DE UM MEET

por Manuel Joaquim Sousa, em 26.08.14

Acordamos para uma nova realidade provocada pelas Redes Sociais. Antes eram banhos gelados para angariação de fundos. Atualmente são os “meet”. Parece que passou muito tempo entre estes dois sucessos das redes sociais. Não, a importância dos meet na comunicação social foi de um dia para o outro. A Rede é mesmo assim – instantânea e rápida, quase mais rápida que o tempo.

O que é um meet? Palavra estranha. Mais que isso. Pelos vistos é uma espécie de ajuntamento de pessoas convocada pelas redes sociais e que se espalha com muita rapidez, onde supostamente é atribuído uma forma de vestir, um código a seguir. O que fazem? Dizem que é para passar o tempo livre que tem nas férias. O que temos visto nas notícias, suscita outra opinião sobre este tipo de organização. Pelo menos foi o que nos chegou – mesmo que se tenham feito outras meets com intenções mais pacíficas e que em nada se identifica com as notícias dos últimos dias.

O meu word não conhece o termo meet – prefiro que continue a manter-se assim.

Também não sabemos se uma meet que deu problemas de maior, como aquela que ocorreu junto ao Centro Comercial Vasco da Gama, seja o motivo para que outras com as mesmas intenções venham a ocorrer. Estaremos perante um fenómeno que os Media ajudaram a criar baseado num caso e seja agora a oportunidade para aqueles que pretendem “arranjar confusão”? Poderiam os Media ficar alheios a este fenómeno? Estarão a ter uma atitude sensacionalista?

Pelo que se comenta poderá continuar a crescer em outros acontecimentos livres como no recente concerto de Anselmo Ralph, em Cascais. Diz-se também que poderia ter sido uma tragédia. Nunca saberemos ao certo. Tudo o que se gera nas redes sociais é incerto.

Sabemos bem que cada vez mais fácil, rápido e gratuito partilhar conteúdos e convocar encontros, manifestações através das redes sociais. Este é o risco da facilidade na era digital. Funciona tanto para o bem como para o mal. Os convites podem tornar-se virais e é incerto saber qual a proporção e a aceitação que vão ter junto do público.

Porquê este fenómeno? Ao que se pensa ser uma forma dos jovens encontrarem uma ocupação nas férias, há também uma necessidade de afirmação que os jovens têm nestas idades. Necessidade de se identificar com estas modas para ser cool; necessidade de afirmação perante os outros; necessidade em filmar, fotografar, criar eventos dos quais se possam orgulhar no seu meio.
O destaque que foi dado nos últimos dias pelos órgãos de comunicação social gera o motivo e a concretização desses jovens, que vêem as suas necessidades concretizadas – ego cheio. Há uma certa dose de imaturidade nestes jovens, que nem pensam nas consequências desastrosas que estão a causar e na possibilidade de um meet sair fora do seu controlo – aquele que convoca pode deixar de ser aquele que domina e transforma a intensão inicial.

Será que da parte dos pais há alguma cota de responsabilidade? Como podem controlar os seus filhos, muito avançados que estão na rede? Como lhes podem pedir contas do local para onde vão e com quem vão? Será que estes problemas com meets são causados por famílias em que os pais estão pouco interessados com a vida dos seus filhos e o que eles contribuem para a sociedade?

Estarão as nossas autoridades preparadas para estas novas formas de insegurança? - podem ter proporções incalculáveis e a força musculada tem efeitos futuros imprevisíveis, dada a sensibilidade dos casos e os resultados ou consequências futuras, assim como, a imagem que é passada das forças policiais.

As escolas estarão preparadas para estes fenómenos? Sabemos bem que estes mega-agrupamentos de escolas, com elevada concentração de alunos e diminuição de pessoal, dificultam o controlo de atos violentos até à chegada de uma intervenção policial. Ainda me lembro de quando, há muitos anos atrás, no liceu a mensagem de uma porrada ou acerto de contras entre dois indivíduos ou grupos, a determinada hora do dia, circulava a uma velocidade galopante. Hoje é tudo muito pior e mais grave. A facilidade com que os atos chegam à internet para o mundo e para a comunidade escolar aumenta a ameaça. Espero que toda esta minha ideia seja uma criação e não passe de um caso isolado.

Os locais públicos, com entradas gratuitas para concertos, onde se esperam grandes multidões facilitam a ação do meets com más intensões. Ao contrário de festivais de Verão em que é necessário pagar e onde o controlo dos movimentos de pessoas é mais controlado por polícias e seguranças privados. Da mesma forma que os carteiristas procuram locais livres e grupos de pessoas para fazerem a sua ocasião. O mesmo pode acontecer para ação de grupos de pessoas mal-intencionadas. Pessoas em geral, não pretendo aqui falar em etnias, raças ou cor porque estes movimentos criam-se de qualquer forma, sem qualquer motivo sem qualquer predominância racial. Espero que estes casos não levem a ações xenófobas sem qualquer fundamento na população em geral.

Os meet terão o seu tempo. Espero que já tenham terminado. Espero que exista uma moda mais benéfica para o bem comum – a afirmação de identidade dos jovens também pode ser feita de forma mais construtiva para a sociedade.

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SE A MODA DO BANHO PEGA...JÁ PEGOU.

por Manuel Joaquim Sousa, em 18.08.14

 

fonte: SIC

 

Pelos vistos é moda. Com este Verão estranho parece ser uma moda esquisita. Que seja por uma boa causa - pelos vistos é. O banho público ou o banho gelado estão na moda pelo Facebook entre os famosos e os anónimos que se associam à ideia, por diversão ou por diversão e causas humanitárias. Há quem ache isto uma vergonha, sem interesse e banal. Até pode ser. Mas, em tempos que a moralidade das pessoas anda tão baixa, a iniciativa é interessante tendo como ponto de vista o bem humanitário da ação. Tudo o que contribui para um mundo melhor é válido, por mais ridícula que possa parecer a ideia - se ela atinge o objetivo é sempre uma boa ideia.


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