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Fui apanhado de surpresa, através das redes sociais de uma nova polémica surgida no programa Prós e Contras, emitido na RTP1, acerca do testemunho de Martim Neves e da intervenção de Raquel Varela. Argumentos de ambos os lados numa discussão que, a meu ver, não tem contraditório e que se trata de uma partilha de um testemunho - o sonho e a concretização de Martim como designer de moda e a emancipação da sua marca (se bem pude perceber).

Martim Neves aos 15 anos começou a desenvolver o seu projecto criando uma marca de moda que se tornasse acessível à grande maioria das pessoas e teve a inteligência de publicita-la com ajuda das miúdas mais bonitas da sua escola - tinha a ideia e soube criar a estratégia para a concretizar e obter sucesso. Hoje, com 16 anos é um caso de sucesso na área de empreendedorismo - um exemplo para muitos outros jovens e outros empreendedores -; é um rapaz sonhador, ambicioso e com ideias próprias para o seu projecto.

Independentemente da crise que o país atravessa, do desemprego que atinge cada vez mais jovens, não podemos usar esta desgraça para condenar o talento e o trabalho de Martim. Com isto, pretendo dizer que as declarações de Raquel Varela por muito verdadeiras e alarmantes que possam parecer não se enquadram com este testemunho, de um jovem que em tempo algum pode ser responsabilizado pela forma como trabalhadores no nosso ou noutros países são tratados.
A mesma questão poderia ser devolvida à interveniente: será que ela sabe onde e em que condições a roupa que usa foi produzida?

É impensável que se tente desvalorizar o trabalho de empreendedores e de pessoas que alcançaram o sucesso em tempos de crise; impensável obrigar que as outras pessoas baixem os braços e deixem de luta pelos seus sonhos só porque existe muita gente no desemprego. Por muito que o Salário Mínimo Nacional seja baixo e que obriga as famílias a um esforço orçamental, tal não deve ser motivo para que as pessoas prefiram cruzar os braços e fiquem no desemprego. Entre duas escolhas: é melhor o Salário Mínimo que o desemprego.


A luta pelo aumento dos salários é outra - é mais que aceitável - e tem de ser feita em tempos adequados para que essa luta tenha uma outra força ou um outro valor. A forma como Raquel Varela introduziu o assunto foi errada, despropositada, descontextualizada e provocou a revolta em pessoas que poderiam ser solidárias e apoiantes das causas dos trabalhadores e que, nesse momento, passaram a ter uma postura de reprovação.  Com esta intervenção, arrisco a dizer que o papel da esquerda está dificultado com a imagem que se criou. As perguntas poderiam ser feitas a quem governa, a quem tem responsabilidades sociais, a quem provocou o caos em que vivemos.

Deixem que existam muitos Martins Neves em Portugal, para que exista mais valor acrescentado, mais projectos, mais pessoas com sonhos e ambição, que possam ser um motor para que o nosso país encontre um rumo melhor. 

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