Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

HOJE, JE SUIS O QUÊ?

por Manuel Joaquim Sousa, em 04.09.15

A imagem choca. Trata-se de uma imagem que não necessita de qualquer legenda. Facilmente sabemos o que retrata. A imagem tornou-se num símbolo, para algo que está às nossas portas, mas para o qual ainda estamos a acordar. Falo da fotografia do menino morto que deu a uma praia. A imagem que está a correr mundo. Capaz de arrancar lágrimas e indignação aos que condenam aquilo que está a acontecer no Mediterrâneo. Já nos comoveu. Será que é capaz de comover quem decide as políticas da Europa? Será capaz de comover aqueles que erguem os muros com medo de perder identidade e de perder o país? Não tocará no coração de muita gente. Infelizmente. Toca pelo menos nos milhares e milhões de pessoas anónimas que sentem a revolta por tudo o que está a acontecer. Falamos de seres humanos. Não falamos de mercadorias. Não falamos de embargos económicos para travar conflitos. Para as mercadorias há tratados, leis, suspensões imediatas. Para a humanidade os tratados estão a ser pensados e as reuniões ainda são segundo plano. Quantas mais crianças têm de dar à costa? Sem vida. O que faríamos se nas nossas praias todos os dias chegasse uma criança morta, enquanto apanhamos saudosos banhos de sol? Ficaríamos calados? Quietos? Simplesmente pena? Se este fosse o meu filho? Como reagiria no meu do sofrimento? Se fosse o teu filho? O que farias para vingar a sua morte? Procuramos desviar esses pensamentos. Não podemos. Qualquer um de nós poderia viver aquela história. Eu tenho vergonha da Europa neste momento. Não aprendemos nada com a Segunda Guerra Mundial, com os campos de concentração para o extermínio. Desta vez a solução para o extermínio é o Mediterrânio. É triste que esta imagem tenha de ser utilizada para chocar a consciência de cada um. Mas assim tem de ser. Fechar os olhos é ignorar o mal que nos bate à porta. Quero acreditar que a Humanidade não se perdeu. O que podemos fazer? Se antes dissemos convictamente: “Je suis Charlie”. Hoje Je suis o quê?

Autoria e outros dados (tags, etc)

ESTÁ MAU TEMPO - CULPA DE QUEM?

por Manuel Joaquim Sousa, em 09.02.14

Além disso, a costa portuguesa sofre de uma falta de ordenamento e isso torna-se
numa das principais razões para a degradação costeira e o perigo para pessoas e
bens. Em vez de se protegerem dunas e manter as praias de forma intacta,
permitiu-se na construção desenfreada – hoje o mar ameaça bater novamente às
portas.

 

O tempo tem estado tão mau, que mesmo os que gostam de chuva já devem estar cansados destes dias de inverno. Sentimos na pele o quanto o clima está a mudar. Dizem os entendidos que se trata do aquecimento global, sobretudo nos polos e que vem provocando o desgelo e a consequente subida do nível da água do mar. Com este aquecimento dos polos, a atmosfera também está a mudar e tem estado muito violenta, sobretudo para quem vive no hemisfério norte. Ficamos expostos aos extremos – verões muito quentes e invernos tempestuosos.

A costa portuguesa está seriamente ameaçada e somam-se estragos enormes a cada passagem de uma nova tempestade. A força das ondas é tão forte que algumas praias estão a ser engolidas e a desaparecer – desaparecem mais rapidamente as que têm maior intervenção humana. Pelo que tenho visto nas notícias, as zonas onde mais se investiu para proteger as casas da fúria do mar são aquelas onde as tempestades e a força do mar se tem feito sentir com mais força. Quanto mais se luta contra a natureza, mais ela se manifesta contra o Homem – a gestão tem de ser ao contrário, em função da natureza. As grandes obras de betão e cimento – dizem os especialistas – resolvem o problema no imediato, mas não a longo prazo; a utilização de materiais naturais como areias ou madeira são os mais adequados para o controlo das marés e a proteção costeira.

Além disso, a costa portuguesa sofre de uma falta de ordenamento e isso torna-se numa das principais razões para a degradação costeira e o perigo para pessoas e bens. Em vez de se protegerem dunas e manter as praias de forma intacta, permitiu-se na construção desenfreada – hoje o mar ameaça bater novamente às portas.

Por muito que assunto seja debatido estes dias, em que se avizinha uma nova tempestade, acontece o mesmo que no verão com os incêndios – passada a época dos fogos e deixa-se de falar no assunto.
Este é o mal do nosso país que o faz permanecer imóvel – muito por culpa da classe política que só fervilha em função do tempo e da situação.

Autoria e outros dados (tags, etc)

UM PAPAGAIO DE PAPEL - TER TUDO E NÃO TER NADA

por Manuel Joaquim Sousa, em 28.06.13

Caminhava pela praia até que começo a ouvir umas gargalhadas de criança, que parecia estar entusiasmada com alguma coisa – de facto estava. Entretanto apercebo-me de um papagaio de papel a esvoaçar desordenadamente à mercê do vento; reparo que o pai da criança agarrava o papagaio por um fio e o filho corria na areia a perseguir o dito pássaro às gargalhadas e cheio de entusiasmo. Era apenas um papagaio de papel que estava a causar euforia e um grande momento à criança; era apenas um papagaio de papel com que o pai passava um belo momento com o seu filho – tão pouco.


As crianças têm essa capacidade de nos ensinar algo, que os adultos nem sempre dão valor – contentam-se com tão pouco; a coisa mais simples pode resultar num momento de felicidade entre pai e filho. Um papagaio de papel pode criar uma gargalhada e um desafio para o pai, que se recorda dos seus tempos de criança – até eu ficaria entusiasmado se tivesse um daqueles nas mãos e eu que nunca guiei um papagaio de papel.

Este ensinamento da criança e do seu pai vai contra uma lógica para o qual estamos formatados – consumir, comprar, possuir, para ser feliz. Desejamos sempre mais e melhor, luta-se pela posse e a felicidade em conseguir é tão efémera.

Em tempos de crise, onde o dinheiro escasseia e tem de ser gerido com prioridades, seria bom que tivéssemos em mente este exemplo do papagaio de papel e da criança.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um tubarão terá sido avistado junto da costa, em Vila Nova de Mil Fontes, provocando o pânico de centenas de pessoas que se encontram na praia e a banhar-se na águas do estuário do Rio Mira. O primeiro avistamento terá ocorrido no dia 21 de Agosto, por volta das 16h:20m, por vários banhistas que alertaram os nadadores salvadores. Logo de seguida foram hasteadas as bandeiras vermelhas por precaução e a polícia marítima tratou de fazer uma vigia pela zona, para saber do que se tratava.

Inicialmente, por falta de informações, apenas dos testemunhos, foi difícil descrever de onde terá surgido o tubarão e qual o circuito que estava a fazer. Porém, ao final de algumas horas, a polícia marítima, com ajuda dos Serviço de Informação, encontraram o tubarão parado bem perto da costa portuguesa a falar ao telefone. Os agentes de segurança abordaram o desconhecido para obter informações mais precisas do que se estaria a passar. Desconfiaram se tratava de uma contratação da troika, para lançar mais um ataque sobre os portugueses, de forma a provocar fortes atenções sobre si, enquanto Pedro Passos Coelho anunciaria a medida de corte do 13º mês, sem que os portugueses contestassem.

 

Decretada a ordem de prisão, o tubarão foi sujeito a um longo interrogatório, a fim de saber realmente quem o contratou, ou seja, se terá sido a troika. Ao que tudo indica, o tubarão estaria a fugir da troika - este costuma navegar em alto-mar (como quem diz, em auto-estrada) por questões migratórias (o mesmo que acontece no mês de Agosto com os emigrantes que por cá passam) e devido à crise, assim como, implementação de portagens em alto-mar, optou por navegar junto à costa para poupar na viagem.

Após serem dadas como provadas as declarações prestadas pelo tubarão, a polícia marítima decidiu autuar o dito por excesso de velocidade em águas costeiras, pondo em risco a vida de pessoas. Além disso, ficou sujeito a apresentações periódicas na capitania até decisão final do Tribunal, por ter sido apresentada queixa por alteração da ordem pública.
Por esta razão, será natural que, regularmente, o tubarão seja visto perto da zona costeira para apresentação às autoridades até o processo em Tribunal ficar terminado (já devem imaginar quanto tempo vai demorar).

Neste momento, as pessoas podem voltar sossegadas até à praia e conviver com o animal, que aproveitou para apanhar uns raios de sol em terras portuguesas. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

TAMBÉM QUERO FÉRIAS!

por Manuel Joaquim Sousa, em 18.08.12

Hoje o que mais ouvi no final do dia de trabalho foi: «Boas férias para mim!», «Férias!», «Eu também não venho!», para além de já sermos massacrados durante todo o dia com a constante contagem decrescente que vão fazendo. Eu também queria dizer o mesmo, estar na mesma excitação de querer ir de férias, mas há que aguentar mais umas semanas, até à chegada da minha vez.
O mal de estarmos constantemente a ouvir esta forma de despedida faz com que o corpo e a cabeça travem uma batalha terrível contra o cansaço e o pensamento de que ainda tenho de esperar - há que mentalizar que ainda não chegou a minha vez e ainda tenho muito que trabalhar até lá.

Férias são férias, que todos as gozem muito bem, mas que não me chateiem a moleirinha e que tenham dó por quem fica ali a penar num imenso espaço que se transforma e algo vazio.


Muitos perguntarão: Porque não vais também?

Pois, isso é que era. Alguém tem de ficar para que as coisas rolem pelo melhor. Além disso, tirar férias em Agosto é fazer o mesmo que grande parte da população activa. Prefiro mais tarde, para evitar as confusões na ida para a praia, nas esplanadas, no espaço do areal. Se quiser sair, poupo dinheiro com os preços mais baixos e um atendimento mais cuidado e com mais qualidade. Nos últimos anos, até mesmo o tempo em Setembro tem estado uma maravilha, bem melhor que as incertezas de Agosto.

Mas no fundo, eu também quero férias!

Autoria e outros dados (tags, etc)

JOSÉ, O VELHO PESCADOR.

por Manuel Joaquim Sousa, em 30.06.12

José, o homem que olha para o mar durante as longas horas do seu dia. Assim vive a sua vida, o resto da sua vida, os seus últimos dias, embora não saiba quantos. Este homem diz para si e para os outros que: a vida quanto mais longa é mais curta fica; não há volta a dar, por mais que o José queira. É um homem crente, um homem de fé num Deus que o acompanhou durante toda a sua vida (assim o conta a qualquer um); mas tem desejo que a sua vida volte para trás, até aos anos da sua juventude. Sabe que isso não é possível - razão pela qual fica sentado no banco de madeira, junto ao porto, a admirar o mar, o seu amigo de uma vida.

José, o pescador, como lhe chamam foi durante uma vida um homem do mar - foi daí que lhe veio toda a sua sabedoria, que o torna num homem muito respeitado por estes lugares (os homens do mar são gente de sabedoria divina e terrena - mesmo que a terra seja algo que pouco conheçam), muito mais que o padre da paróquia, que o médico do centro que o Governo quer fechar ou que o professor que se reformou porque fecharam a escola deste lugar. O seu desejo de juventude tem uma grande justificação - o desejo de ter a vida do mar e de viver numa terra produtiva que os governos foram assassinando até que os novos foram embora e os velhos por cá ficaram como que arrumados no tempo e no espaço até terminarem na cova do cemitério desta aldeia .

Será feliz ou triste a vida do velho José, que vive refugiado nas suas memórias? Agora vive descansado, ainda que tenha de contar os tostões da sua reforma e da partilha da sua casa com a sua esposa - a companheira que sempre esperou ansiosamente pelo regresso do marido dias e dias no mar (o amigo que nem sempre o foi, pelo menos para outros pescadores). Vivem sozinhos na sua velhice, longe da cidade grande onde vivem os seus cinco filhos - que voltaram as costas à árdua vida desta aldeia e ao isolamento a que se viu condenada.

O velho pescador assim continua, sentado no banco, a lembrar memórias de outros tempos (a vida não volta para trás) até que o sol se ponha e depois voltará para casa; mais uma vez para junto da sua esposa que o espera, para jantarem o caldo de todos os dias - espera ansiosa porque o coração cansado do seu marido poderá não aguentar a caminhada do regresso. Talvez a terra seja mais traiçoeira que o mar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A ALEGORIA DA PRAIA

por Manuel Joaquim Sousa, em 06.08.11

Vamos à praia! Mas, o Verão tem sido um fiasco neste início de mês de Agosto, com a chuva a fazer constantes visitas e o sol tímido ressentido da crise como se não pudesse ir à praia porque também está sem dinheiro para a viagem e para a estadia, que lá pelos lados do Algarve não é muito barata nesta altura e, por isso, seja obrigado a encurtar as férias, ou seja, menos sol que o habitual. Os portugueses também parecem estar a contar com a crise e estão solidários com a timidez deste sol. Porém, português cumpre a sua ida à praia como em outros tempos, para descansar de uns meses depressivos em que está obrigado a pensar no pior que está para vir. Como de costume, as filas rumo ao Algarve cumprem a velha tradição e não fogem às notícias do dia.
Não sou critico quanto a isso, nem tão pouco um velho do Restelo que ao ver os outros partir lamenta que tenham perdido a sanidade e estejam a condenar o futuro do país. Antes pelo contrário, prefiro incentivar as férias porque quem trabalha o ano inteiro é merecedor de um tempo de descanso, de preferência lá fora cá dentro. O nosso país vive do turismo, este é um motor que tem de ser explorado para o mercado interno e também para o mercado externo, dado que este pode ser um forte motor de dinamização da economia nacional, desde que explorado convenientemente porque dele dependem muitos postos de trabalho, de pessoas que vivem e sobrevivem do que o turismo lhes dá.
Compreendo que assim seja porque também eu cresci e trabalhei numa terra onde o turismo é um "ganha-pão" para se sobreviver no Inverno, numa terra que não tem outra forma de subsistir. Nestes tempos de crise também essas gentes sentem na pele as dificuldades e sentem muito a falta de quem quer passar umas boas férias num local calmo e agradável como é o Gerês.
Fazer o turismo como motor da economia deve ajudar ao despertar do sol em mês de Agosto, tempo que este deve estar no seu melhor.

Manuel de Sousa
manuelsous@sapo.pt

Autoria e outros dados (tags, etc)

subscrever feeds




Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mais sobre mim

foto do autor


Calendário

Maio 2017

D S T Q Q S S
123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031

Estou no blog.com.pt - comunidade de bloggers em língua portuguesa




Tags

mais tags