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QUANDO POR MOMENTOS PORTUGAL É A FRANÇA

por Manuel Joaquim Sousa, em 23.08.15

Os nossos emigrantes já vão de partida, rumos aos países que os acolhem. Um ritual que se repete ano a ano e ao qual já nos habituamos. Quando pensávamos que o desenvolvimento do nosso país faria com que cada vez menos pessoas emigrassem, a emigração aumentou nos últimos anos a um ritmo que só temos memória nos anos 60 ou 70. Algo na sociedade portuguesa ou algo no país correu mal. Continuamos a ver os nossos familiares partirem. Somos cada vez mais cidadãos do mundo e cada vez menos neste país que perde os profissionais que formou com tanta dedicação – investimos para exportar cérebros, uma nova moda de exportação que o governo tem aplaudido e aconselhado.

Por um mês, Portugal torna-se na França. Ainda estes dias fui, por engano, ao centro comercial mais concorrido da cidade e: não ouvi falar português além dos locais onde entrei e fui atendido por um funcionário – se ouvi mais que isso não captei, a minha atenção estava focada nos que apelidamos de “avecs”. Eram inúmeros aqueles que ficavam nas filas dos restaurantes e outros que guardavam as mesas para a família inteira, a ponto de não existirem mais lugares disponíveis a quem queria comer um simples prato de comida e tinha o desespero de sair dali – por isso, disse que lá caí por engano, sem me lembrar na confusão que iria encontrar.
À parte da confusão fora do habitual deste mês, tenho bem a noção do quanto é importante para o país a vinda destes conterrâneos para a economia local e mesmo nacional. O comércio tem a oportunidade de ganhar um extra para o resto do ano.

Admirável é a forma como os emigrantes ainda gostam do seu país de origem. É certo que, em alguns, há extravagância excessiva e superioridade em relação a quem cá está e isso tira muitos portugueses fora do sério, sobretudo aqueles que têm de aguentar estas manias. Mas, não podemos generalizar. O amor pelo país vai muito para além do mês de Agosto e isso nota-se pelas inúmeras comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, onde se continua a praticar as mesmas tradições. Usam a bandeira portuguesa e outros símbolos representativos da nossa pátria e da nossa cultura – símbolos que, se calhar, pouco ligamos. A única coisa que tenho pena em muitos emigrantes é o desapego pela língua materna, como se fosse um parente pobre da cultura e da identidade e para alguns símbolo de superioridade – conhecem todos casos de emigrantes que entre si falam, muitas vezes, em português e quando dirigem a palavra aos residentes é em francês ou infelizmente desapegam-se totalmente da língua e falam entre si e com os restantes em francês. Mais uma vez, não se pode generalizar, apesar da recorrência dos casos.

Estão de partida e o país volta à sua normalidade. Um ritual que se repete. São portugueses a quem o país não deu oportunidade a todos de ter uma vida melhor ou simplesmente não lhes deu oportunidade de realizar a carreira para a qual estudaram. Vão para outras paragens na procura de maior retorno laboral e financeiro, num país que paga pouco, reconhece pouco o esforço destes, perdendo uma mão-de-obra cada vez mais qualificada e tão necessária para o crescimento da nossa economia. O futuro reserva um preço caro.

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É dia de Portugal. O Sr. Presidente já discursou? Questiono isso mesmo por saber que o Sr. Presidente discursa sempre nesta data em que se lembra Portugal, Camões e as Comunidades. Não ouvi o discurso. Acho que poucos o ouviram. Acho que poucos lhe darão ouvidos e o acharão interessante. A voz do nosso Presidente pelos vistos é assim - pouco acolhedora, pouco consensual, pouco voltada para os portugueses.

Sabem que é dia de Portugal? O que é Portugal nos dias de hoje? O que será de hoje em diante? Podemos entrar numa vertente muito filosófica e triste tal como o fado ou como o velho do restelo, que Camões falava na sua epopeia. Portugal parece ser, por vezes, um país indefinido, sem rumo e sem objetivos concretos para o futuro; sem uma imagem de marca que sirva de alavanca para a modernidade e para o crescimento. Vivemos acanhados por causa da crise e da culpa que os governantes nos depositaram pelo estado atual da economia e das finanças - somos sim culpados por quem elegemos. Creio que o nosso país está muito desaproveitado nos seus recursos materiais e humanos. Desaproveitado porque valoriza muito pouco o que tem dentro das suas fronteiras e valoriza ainda o que vem de fora. Mas, quem nos dirige pouco acredita nos portugueses e prefere aconselhar a emigrar. Se ainda vivemos na espera do D. Sebastião numa noite de nevoeiro estamos tramados porque nem ele parece querer alguma coisa de nós. Eu gostaria muito mais que viesse um Infante D. Henrique, que "agarrasse" no português e o voltasse para o futuro e lhe atribuísse uma obrigação de fazer o melhor pelo seu país na sua área. Faz falta a Portugal uma alternativa que oriente, com estratégia a longo prazo, para que o desenvolvimento e o caminho se construa geração após geração. Por vezes, ainda duvido que tenhamos soberania para conduzir o destino do país como desejamos e não ao sabor dos outros, que não sabem o que é Portugal e que conhecem tão pouco a realidade de cada português para emitirem uma qualquer opinião sobre o que deve ser feito.

Somos soberanos. Temos capacidades. Somos Portugal.

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NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO PÁRA/PARA TODOS

por Manuel Joaquim Sousa, em 17.05.15

No novo acordo ortográfico "pára" perdeu o acento e passou a ser "para". O "para" serve agora para duas coisas - destino, indicação, fim e parar. Há dias publiquei no meu blogue um artigo em que usei o "para", sem o acento, respeitando as novas regras, alguém não gostou e fez questão de mencionar a falta de acento ou simplesmente achou que foi um erro da minha parte - de facto sabia que estava a escrever de forma correta, embora o corretor do sapo assinalasse o erro. Infelizmente erros, por vezes, dou e quando me apercebo ou alguém corrige eu me penitencio por ter cometido tal gaffe - não desejo ser como o Jorge Jesus ou então bem que me crucifico. Nesta fase de transição do antigo para o novo acordo ortográfico sinto uma certa dificuldade em interiorizar as regras para bem escrever. Sinto a necessidade de recuar umas décadas e voltar a sentar no banco da sala de aula da primária e aprender novamente a escrever - um erro uma reguada ou uma fustigadela com a cana da professora e umas quantas cópias que a minha mãe me obrigava a fazer. Foi assim que aprendi a respeitar a língua portuguesa e a não dar erros - seja a falta de um acento, uma troca de "s" por "c" ou mesmo a falha de uma letra.
Os anos passaram e com outras preocupações e outras disciplinas o cuidado com o português foi descendo na prioridade. A porcaria dos telefones e dos SMS com os caracteres contados ou a rapidez de escrever um chat/mensagem para outra pessoa fez perder o cuidado com os acentos e o cuidado em escrever as palavras todas corretamente e sem abreviaturas malucas e o uso do "X". Agora para piorar as coisas tenho de me adaptar novamente a uma nova forma de escrever. Mudam algumas palavras com este acordo, não tanto quanto se possa pensar, mas muda. Alguns acentos ficam pelo caminho, o hífen perde-se em algumas palavras e as consoantes mudas foram para a reforma. As mudas por mim não me escandalizam assim tanto - "facto" continua a existir, embora não concorde que se escreva das duas maneiras para o mesmo significado. Quando descobri que "pára" era "para" fiquei chocado; por muito que o corretor do meu word me dissesse para corrigir eu ignorei, achei mesmo que aquilo era um bug, pior foi confrontar-me com os factos. O "hei-de" foi outra confusão na minha cabeça; cada vez que lia um texto e este aparecia sem hífen ficara furioso porque ninguém estava a escrever direito; depois, mais uma vez, a verdade foi dolorosa. O que ainda não me habituei foi ao "fim de semana" acho tão pobre se o hífen ou ao "verão" com inicial pequena. Que raio, se num ditado escrevesse a estação do ano em letra pequena era um erro. O que também ainda me faz muita confusão mesmo é "lêem" ser "leem" ou "vêem" ser "veem" - eu leio o acento porque o eliminaram?

 

Até me podem dizer que, se não gosto, posso continuar com o antigo acordo em vez de adotar este de 1990. Porém, a partir deste mês passou a ser obrigatório com a exceção dos escritores - não percebi em que contexto. Por muito que custe: vou ter de me habituar a esta nova forma de escrita. Não costumo ser contra as mudanças. A língua também evolui como aconteceu até aqui. Não sei se noutros tempos também havia tanta aversão à mudança - lembro-me de "pharmácia" ou do frigorifico "philco" lá de casa. Talvez seja mesmo uma questão de adaptação. Enquanto isso vou ouvindo aqui e ali alguns argumentos contra ou a favor desta revisão da nossa língua. Estaremos a ficar cada vez mais próximos do português brasileiro? Esse, mesmo com acordo parece-me muito diferente. Não temos que ter uma escrita igual ao português do Brasil, nem estes têm que se assemelhar a nós. Concordo com a diversidade da língua em cada país, independentemente dos objetivos económicos que estejam por detrás do acordo como dizem existir. Não será por utilizarmos um português mais brasileiro que os nossos autores serão lidos no lado de lá - o interesse em ler o autor português é o primeiro desafio para que seja lido por quem quer que seja, para isso existem tradutores.

"Oxigênio" e "oxigénio" estão ambas corretas, mas "oxigênio" faz-me muita confusão.

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SOMOS OS ETERNOS CULPADOS PELO COLAPSO DO BES E DA PT?

por Manuel Joaquim Sousa, em 25.10.14

O que está a acontecer com o Grupo PT é aterrador para a economia portuguesa e uma confirmação: durante muitos anos a imagem de empresas sólidas era apenas uma imagem de fachada, onde se escondia o pior da economia.
Isto explica o que se passa com a economia do país. Este caso explica porque chegamos a este ponto. Quando durante tanto tempo andaram a culpar os portugueses por terem gasto mais do que deviam e que lhes era permitido, sabemos bem que por detrás desta teoria – usada só para nos sacrificar com mais cortes, impostos e dificuldades – estava uma bolha sob pressão que mantinha os grandes grupos à tona da crise.

Ao comum dos portugueses, como eu, que vem assistindo ao evoluir da situação do país para uma situação cada vez mais precária e sem acreditar muito que existe uma luz ao fundo do túnel, ficamos à espera das consequências futuras do colapso de um Banco e de uma Operadora, que eram os grandes senhores disto tudo. Vamos todos pagar o que está a acontecer. Sairá do nosso bolso. Quando sair do bolso será o governo a dizer que somos os culpados para justificar o motivo de termos de pagar.
O comum contribuinte, seja ele funcionário público ou privado, terá sempre as culpas de tudo o que acontece de mal à economia. Somos piegas – diz o nosso primeiro-ministro. Somos preguiçosos se criticamos o Orçamento de Estado – diz o mesmo senhor arrogante. Mas, não sabe o Senhor Primeiro-Ministro o quanto trabalham muitos portugueses para conseguirem ganhar a sua migalha para ter pão em casa e manter uma casa ou uma família de pé.

Sim. Seremos os eternos culpados. Assim nos passam a mensagem. E nós, bem comportados que somos, aceitamos o que estes cretinos nos fazem.

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ESCREVER À MÃO FAZ MELHOR À SAÚDE!

por Manuel Joaquim Sousa, em 03.07.14

Diz um estudo publicado na revista "Frontiers in Psychology" que escrever à mão tem uma série de benefícios, que não conseguimos se utilizarmos os teclados (como faço neste momento). Coisas que a modernidade e a necessidade urgente de comunicar instantaneamente assim nos obriga. Obriga porque queremos e desejamos. Escrever à mão está fora de moda. Este estudo quer recuperar essa moda - ainda bem. Sou apologista e fixado nas tecnologias porque a minha profissão assim o exige. Fora do meu âmbito profissional recorro muito ao apontamento em papel. Para mim as papelarias e as secções de papelarias nos supermercados são sagradas - parecem igrejas cheias de altares e flores. Confesso publicamente que cada vez que vou às compras sinto que preciso de comprar cadernos porque os de lá de casa estão a acabar. É um vício e marado. Confesso também que o mesmo acontece com as canetas - sempre em falta. Ainda uso recargas para canetas de aparo. Ainda tenho daquelas que se molham no tinteiro e com vários bicos para caligrafias diferentes. Fantástico. Mas, uso de vez em quando.

Por isso, concordo com esse estudo quando diz que escrever à mão estimula a criatividade na forma como se escreve. Conseguimos perceber e corrigir os erros ortográficos - verdade porque no teclado o que me vale é o corretor ortográfico, que faz o seu trabalho; sem ele qualquer texto era vergonhosamente recheado de erros. Sim, confesso que desde que me dediquei aos teclados passei a dar muitos erros, coisa que quando andava na Escola Primária não acontecia - senão era castigo pela certa da minha mãe que me obrigava a fazer seis cópias por cada erro. O meu pior ditado teve seis erros, a contar com a pontuação. Férias da Páscoa tenebrosas, medonhas, que nunca mais esquecerei.

 

O pior é que nem com o corretor ortográfico se evitam erros terríveis - de deixar a boca aberta. Enquanto eu me molesto quando alguém me aponta um erro e sinto a maior vergonha do mundo pelo pecado cometido, outros erram e riem por isso ou não percebem quando lhes dizemos que devem corrigir. Eu penitencio-me por respeito à língua portuguesa.

Diz o estudo que escrever à mão permite que se desenvolvam raciocínios mais lógicos. Alguns escritores são loucos e escreveram à mão. Os loucos são génios. Estão eles eram génios.

Vamos fomentar a escrita à mão. Ainda assim podemos publicar nas redes sociais de forma instantânea, basta que se tire uma foto. Simples.

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O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO – UMA RESOLUÇÃO PARA 2014

por Manuel Joaquim Sousa, em 04.01.14

A minha resolução para 2014 será colocar em prática o novo Acordo Ortográfico – que será definitivo para Maio de 2015. Eu sei que ainda falta um ano e meio, mas isto vai levar o seu tempo e como tal necessito de tempo.

Este texto está a ser escrito de acordo com as novas regras, por isso, espero não estar a falhar em nenhuma – confiante que o word as conhece a todas e que me alertará com o risco vermelho quando algum erro surgir. Na realidade, há muito que o word me vem assinalando as palavras que escrevo com o antigo acordo e eu lá vou substituir, tal a minha resistência à mudança e fazendo justiça ao que me foi ensinado na escola primária. Porém, a minha birra pouco fará sentido quando todos mudarem e eu terei de mudar, a fim de não ser o “Velho do Restelo” da escrita, que passará a ser antiga.

Admito que poderei passar por um processo de adaptação (adaptação continua com o p) complicado e que alguns erros poderão ser cometidos na escrita dos textos – se por vezes, me autoflagelava quando me identificavam um erro, agora muito mais com alguma confusão que possa fazer com o antigo e novo acordo – pior será quando escrever à mão e não tiver um word para assinalar a vermelho cada erro que eu possa cometer (neste texto, apenas foi assinalado o corretor (antes era corrector?) na palavra inglesa word, que bom começo).

Poderei continuar a escrever da maneira que eu pretender e em espaços pessoais como no facebook e no meu blogue, mas será difícil conciliar dois modelos de escrita entre o pessoal e o profissional.

A língua tem a sua evolução e esta é mais uma. Acredito que todas as evoluções foram sempre muito difíceis de se concretizar e tenham gerado as suas dúvidas e manifestos entre os mais entendidos na língua (coisa que eu não sou); porém, cá estamos todos numa nova fase de mudança da língua. Eu tenho poucos argumentos que possam fundamentar a continuidade do acordo que agora será velho (perdoem-me a ignorância), prefiro deixar essa matéria para quem entende das alterações – admito que de parte a parte existam argumentos válidos, por isso é que existem estas dúvidas. Por vezes, ouço o argumento de que se deve ao Brasil e, por causa deles, estamos a mudar – prefiro esquecer esse argumento para nem pensar que nos estamos a inferiorizar a quem quer que seja.

Meus caros, pior que estas alterações à língua (que entendo como evolução) é a forma como se escreve atualmente (antes actualmente),  sobretudo os mais jovens, em linguagem em SMS, onde o K serve para colocar em todo lado como se fizesse algum sentido – já para não falar noutros erros muito maus. Em bom nome da língua portuguesa é importante que este tipo de linguagem seja eliminado.

Acredito que algumas das alterações não sejam assim tão radicais como se diz e, no fundo, grande parte das palavras se mantenham como sempre, sem grandes alterações.

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SOMOS O MELHOR POVO DO MUNDO?

por Manuel Joaquim Sousa, em 14.12.13

O fim do ano está a chegar e muitos estarão ansiosos por entrar em 2014 – pelo menos o Governo que anuncia o crescimento para esse ano. Apesar de todas as dificuldades e do brutal aumento de impostos, o país está a ressuscitar – ainda que de forma muito ténue – e os sinais de melhoria são a nossa esperança em relação ao futuro – a nossa esperança, a do povo que tem sofrido sem dó nem piedade esta crise.

Se o desemprego baixou porque muitos emigraram, a pedido do Governo, ou porque o emprego subiu; se os portugueses estão a poupar, a controlar o consumo; se algumas empresas acreditam no alívio das suas contas, aumento da produção e encontro de novos mercados; se tudo isto de bom acontece não se deve a este Governo ou a este Estado, mas sim a toda a massa de gente trabalhadora, que está no terreno, que procurou adaptar-se e arranjar novas alternativas viáveis para o futuro.

O Estado e este Governo está contra as empresas e trabalhadores, estudantes e reformados - está contra as pessoas. Por vezes, deixo de acreditar em alguns analistas de bancada e economistas teóricos que pululam em torno do Governo e desconhecem o país real – desconhecem a vida das pessoas.

Como dizia um político pouco apreciado: “Os portugueses são o melhor povo do mundo”. Pois são, mas só tem capacidade de ver isso mesmo aqueles que vivem e trabalham no meio desse povo e sabe o reconhecimento que merece.

Ainda me custa acreditar que existe a ideia que os portugueses são preguiçosos – que os há todos sabem, mas generalizar é o maior erro que se pode cometer. Os portugueses são e serão  um povo magnifico; por vezes, necessita de ser mais unido porque, quando o é, consegue fazer um trabalho formidável e a recuperação do país é um trabalho de gente fantástica.

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K DRIA MGEL TORGA SE VISS OS SUS TXTS SCRITS CMO SMS?

por Manuel Joaquim Sousa, em 06.11.13
Há tempos, e que por curiosidade tentei ler: o Diário XII, de Miguel Torga, escrito em linguagem de SMS. Esquisito? Estranho? Chocante? Curioso? Atentado à língua? Sei lá…

 

"

A lngua port tm mt k se lh dga e em tmpo d acord ortogrfic ha dsafios k superm a lei e os gov: sao os dsafios d pvo e as mdanças K sts faxem a lngua port - Modas ou mnias sab-s la. Pra mim stas plavrs sao dfceis d scrver ms pra mt st e a scrit nrmal, scrit d tmpos mderns pra poupr letrs."

 



Não sei se perceberam o que tentei escrever no parágrafo anterior, mas podem crer que foi difícil e demorou tempo, o que para muitos é uma forma simples e rápida de escrita porque os tempos assim o ditam – dirão os que escrevem desta forma.

 



Não há acordo ortográfico que valha para a escrita de SMS, nem regras para a utilização dos x e dos k; tudo serve para se “dizer” muito em 160 caracteres de um SMS. O certo é que existe a tendência para que exista a massificação desta forma de escrita em todos os contextos, num mundo social cada vez mais voltado para as redes sociais e com necessidade contínua de querer contar tudo o que passa ao seu redor.

 



Quantas voltas dará Camões na sua sepultura cada vez que se escreve desta forma ou cada vez que se fala num acordo ortográfico - que já nem se sabe se sai ou se é obrigatório? O que pensariam escritores dos clássicos que se estudam na escola sobre as novas tendências da escrita?

 



Pois… Nem sei o que pensar de tudo isto, mas partilho convosco o que partilharam comigo, há tempos, e que por curiosidade tentei ler: o Diário XII, de Miguel Torga, escrito em linguagem de SMS. Esquisito? Estranho? Chocante? Curioso? Atentado à língua? Sei lá… Pode-se pensar muita coisa, mas é importante que faça pensar toda esta massa critica de leitores e escreventes. E se esta forma a melhor forma de se chegar ao público mais jovem?

 



Deixo-vos a pensar nesta ideia, se já não pensaram antes, e partilhem a impressão que vos ficou. Eu continuo a preferir a forma corrente da língua porque a falta da regra para a escrita é a desorganização do pensamento do Homem. No entanto, quem constrói a língua é quem a fala ou a escreve por muito que existam directivas e acordos onde o consenso não é geral.

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A LITERATURA QUE REPUGNA OS JOVENS. CULPA DE QUEM?

por Manuel Joaquim Sousa, em 19.06.12

No blogue Escada Acima, a Joana publica um texto "Por Favô" em jeito de desabafo que no exame de hoje não lhe apareçam os Lusíadas ou a Mensagem no exame de Português. Os mais velhos dirão: que insensibilidade para com obras de grande renome e que são representativas da cultura literária portuguesa. Eu nos meus tempos de estudante também era insensível a este tipo de obras. Com o tempo fui-lhes dando valor e com o tempo fui desfolhando e lendo cada estrofe com uma delícia que não sentia antes. Hoje valorizo mais que nos meus tempos de estudante.


A Joana amavelmente me respondeu: "Na verdade, Manuel, dou muito valor a estes autores. Sei bem o valor que têm e a grandiosidade das suas obras. Hoje, infelizmente, não os há assim. A única razão pela qual eu não "queria" que saíssem em exame era o facto de achar que a interpretação é muito subjectiva. Aliás, aconteceu-me fazer o exame e, ao ver os critérios, reparar que fiz uma interpretação completamente antagónica à sugerida como correcta."

 

Perante isto respondi que compreendo bem que nem sempre as nossas interpretações são bem vistas pelos outros - os corretores das provas que se cingem à folha de correção. O nosso ensino e mesmo a leitura de bons clássicos peca por este ponto: somos obrigados a seguir um padrão de interpretação e de leitura e nada podemos fugir deste (se fugirmos estaremos condenados a errar ou a ser considerados como "hereges" da literatura). 
Por isto que em Portugal se lê muito pouco e não sei se lerá cada menos. Pensar que é fruto da crise é verdade, mas mais que da crise económica é da crise de valores. Ninguém gosta de ler contra vontade e numa sociedade livre deveria ser permitido pensar e expressar livremente o que se sente quando se lê uma obra ou um poema e esquecer o que é determinado pelos critérios estatais que determinam o pensamento - isso é querer que se tenha um pensamento único contrário às leis democráticas conquistadas com a revolução dos cravos.

Em conclusão: evito condenar apenas os jovens pela falta de leitura ou pelo desapego à cultura literária; critico muito mais quem constrói os programas estáticos, que nem sempre olham para a variedade da nossa literatura, mesmo da contemporânea.

É natural que o que aqui escrevo pode ser uma profunda heresia para quem trabalha no ensino, mas é a opinião de quem já passou pela fase que os estudantes passam neste momento (medo de um exame por poderem interpretar de forma diferente ao instituído).
Nunca fui um bom exemplo a português e por essa razão, poderei não ser um bom exemplo ao expressar esta opinião, porém é o que penso. Estarei errado?

(já que estamos a falar de Português, agora mesmo reparei que o meu word foi actualizado e a correcção está a ser feita de acordo com o novo acordo ortográfico. Aqui no Sapo ainda se mantém a fórmula antiga. Tenho mesmo de pensar o que vou fazer no futuro). 

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K DRIA MGEL TORGA SE VISS OS SUS TXTS SCRITS CMO SMS?

por Manuel Joaquim Sousa, em 07.06.12

"A lngua port tm mt k se lh dga e em tmpo d acord ortogrfic ha dsafios k superm a lei e os gov: sao os dsafios d pvo e as mdanças K sts faxem a lngua port - Modas ou mnias sab-s la. Pra mim stas plavrs sao dfceis d scrver ms pra mt st e a scrit nrmal, scrit d tmpos mderns pra poupr letrs."

 

Não sei se perceberam o que tentei escrever no parágrafo anterior, mas podem crer que foi difícil e demorou tempo, o que para muitos é uma forma simples e rápida de escrita porque os tempos assim o ditam – dirão os que escrevem desta forma.

 

Não há acordo ortográfico que valha para a escrita de SMS, nem regras para a utilização dos x e dos k; tudo serve para se “dizer” muito em 160 caracteres de um SMS. O certo é que existe a tendência para que exista a massificação desta forma de escrita em todos os contextos, num mundo social cada vez mais voltado para as redes sociais e com necessidade contínua de querer contar tudo o que passa ao seu redor.

 

Quantas voltas dará Camões na sua sepultura cada vez que se escreve desta forma ou cada vez que se fala num acordo ortográfico - que já nem se sabe se sai ou se é obrigatório? O que pensariam escritores dos clássicos que se estudam na escola sobre as novas tendências da escrita?

 

Pois… Nem sei o que pensar de tudo isto, mas partilho convosco o que partilharam comigo, há tempos, e que por curiosidade tentei ler: o Diário XII, de Miguel Torga, escrito em linguagem de SMS. Esquisito? Estranho? Chocante? Curioso? Atentado à língua? Sei lá… Pode-se pensar muita coisa, mas é importante que faça pensar toda esta massa critica de leitores e escreventes. E se esta for a melhor forma de se chegar ao público mais jovem?

 

Deixo-vos a pensar nesta ideia, se já não pensaram antes, e partilhem a impressão que vos ficou. Eu continuo a preferir a forma corrente da língua porque a falta da regra para a escrita é a desorganização do pensamento do Homem. No entanto, quem constrói a língua é quem a fala ou a escreve por muito que existam directivas e acordos onde o consenso não é geral.

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