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ESCRUTINAR O SR. PASSOS COELHO É LEGITIMO?

por Manuel Joaquim Sousa, em 04.03.15

Ainda não estamos em campanha oficial, mas é como se já estivesse. A vida dos políticos aqui e ali vai sendo escrutinada e debatida em praça pública, sempre com as criticas agressivas da oposição.

O nosso Primeiro-Ministro já teve a sua vida debatida na praça pública e mais que debatida por causa dos rendimentos auferidos quer como deputado, quer como administrador de uma empresa - foi assunto que deu muito que falar e que no final pouco se ficou a saber porque do próprio poucas explicações se ouviram e as que ouviram foram abafadas pelos ataques constantes de todas as direções.

Presentemente, a vida profissional e contributiva do nosso governante é debatida publicamente por dívidas que possa ter à Segurança Social, pela falta de contribuições enquanto trabalhador independente. O valor é elevado pelo que se diz. Não sei de onde partiu esta informação - se por alguém que está a vasculhar para ver se encontra "ponta para lhe pegar" ou mesmo fonte oficial que terá notificado o cidadão Pedro Passos Coelho para o pagamento. O certo é que, independentemente disso, não se deve considerar um erro do sistema da Segurança Social, como disse o Sr. Ministro Mota Soares no imediato sem que tivesse informações sobre o caso - foi uma tentativa de limpeza e de sanar a polémica, quando na realidade ainda a acendeu mais. Um erro a Segurança Social ter notificado o cidadão que deve? Então, todas as notificações emitidas a inúmeros cidadãos considerados incumpridores dos seus deveres deveriam ser consideradas um erro para depois estes serem ilibados da falta que cometeram.
Posteriormente o cidadão visado na polémica invoca a ignorância de uma lei de 1982 (eu que percebo tão pouco de leis sei que qualquer cidadão em situação profissional dependente ou independente tem de contribuir para o sistema público) como se isso o pudesse inocentar da falta cometida. Como se a ignorância fosse o princípio que qualquer cidadão invocasse para não pagar e não cumprir com as obrigações impostas na lei.
Mais tarde, surgem declarações suas de vitimização: ele como qualquer cidadão não é perfeito, pode ter esquecimento de algum dever, nunca usou do cargo de primeiro-ministro para qualquer enriquecimento. É importante esclarecer: não está em questão que não pretende qualquer enriquecimento com o cargo político e, como tal - embora a tese da cabala possa fazer sentido por causa das eleições e das sondagens estarem tão pouco favoráveis à oposição -, esta vitimização não faz qualquer sentido e essa sim prejudica a sua imagem pública perante os restantes cidadãos a quem deve transparência e responsabilidade no cumprimento de todas as leis. Sim, transparência e credibilidade é somente o que qualquer cidadão como eu (que também tenho um cargo político) deseja ver na figura de um primeiro-ministro. Ninguém é perfeito, nem os políticos têm de ser perfeitos - para não colocarmos em causa a democracia -, mas têm de ser responsáveis em corrigir de imediato os erros cometidos. Se deve dinheiro, quanto é? Paga o valor e o assunto fica arrumado. É de mau tom dizer que foi um erro, que como qualquer cidadão se pode esquecer de pagar, quando enquanto representante da figura dos Estado é duro com os cidadãos não cumpridores das suas contribuições - temos como exemplos dos valores avultados das multas e penhoras por pequenos montantes em dívida.
A tese da cabala que atrás referi é algo que transforma a política num mundo muito mau e promiscuo, de puro ataque pessoal, onde se governa o vazio político em detrimento daquilo que é realmente importante para o país. Em contra-ataque a esta polémica é descobrir uma notícia em que António Costa, devia, há uns anos, um imposto qualquer. Quando a política se transforma num vasculho da vida dos candidatos dá razão a todos os que se afastam dela e não acreditam numa alternativa.
Do cidadão Passos Coelho apenas se esperava uma resposta mais clara e única de forma a eliminar quaisquer notícias e novas notícias futuras. Em relação à questão inicial: escrutinar o Sr. Passos Coelho é legitimo? Sim, é. Como pessoa que se assume disposta a governar é importante que seja o exemplo para os restantes cidadãos ou então o Estado será - já é - um falso moralista e indigno de chamar quem quer que seja à razão e à justiça. Sempre ouvi dizer que o exemplo vem de cima.

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COPO MEIO VAZIO OU MEIO CHEIO EM DOIS ANOS DE GOVERNO!

por Manuel Joaquim Sousa, em 06.06.13

Por estes dias o Governo fez dois anos que se encontra em funções - já parece que está há muitos anos no poder, tal a agonia lenta em que o país se encontra. Ainda me lembro do momento em que o Governo foi apresentado aos portugueses e que o Sr. Primeiro-Ministro foi fazer a sua visita ao Palácio de Belém - estava eu de férias em Lisboa, fui até ao Palácio de Belém e todo o aparato já tinha desaparecido (certamente para almoçar) e depois apanhei o autocarro até à Assembleia da Republica que estava fechada e não permitiram fotografias à entrada. Nesse momento, o país político estava de férias na expectativa do que estava para vir (pena não ter chegado mais cedo para ver se arranjava um tacho para mim).

Desde esses anos para cá muita coisa já aconteceu – não são assim tantos anos, são apenas dois, mas parecem muitos – continuo a dizer que vivemos uma agonia lenta, que tem provocado muita revolta no nosso povo, que se vê obrigado a pagar por uma crise que não tem culpa (pelo menos eu e os que me rodeiam não têm culpa); assim se cumpre o velho ditado: “paga o justo pelo pecador”. Enquanto uns pagam, aqueles que provocaram a crise continuam intocáveis – os responsáveis pelo BPN (que pagaria uma crise); os políticos que geriram mal as obras públicas; os políticos que geriram mal as empresas públicas e os famosos swaps; os políticos que gastam em secretárias, motoristas, carros e despesas de deslocação como se vivêssemos num estado rico. Poderia continuar a enumerar erros e responsáveis, mas acabaria por provocar depressão e cansaço naqueles que estão a ler.

Andam por aí a apregoar a queda do Governo, para que esse flagelo social possa terminar ou então os nossos direitos estarão em causa - aqueles que dizem estar consagrados na Constituição (será que o Sr. Gaspar e o Sr. Passos conhecem a constituição?) -; porém, acredito muito pouco nas reuniões entre o principal partido da oposição e os seus parceiros à direita ou à esquerda como se estivéssemos na iminência de eleger o Sr. Seguro para líder do Governo. Também sinto desconfiança em relação à convenção/reunião/encontro promovido pelo Sr. Soares com toda a esquerda porque a esquerda em Portugal anda, há muito, de costas voltadas, mais que a própria direita com os partidos do centro-direita ou centro-esquerda. Por muito boas intenções que existam, parece que apenas sejam meras intenções.

Palhaços há muitos por aí e creio que podemos fazer parte do clube (sem ofensa para ninguém), pois muitas foram as mentiras – comparem o prometido na campanha e o que está a ser aplicado na realidade; comparem os objectivos e previsões do Governo e a realidade dos números. Não vale a pena falarmos em números de desemprego, dívida pública, agravamento fiscal, perda de poder de compra ou então ficarão deprimidos ao ler este artigo.

É possível encontrar algo de positivo nestes dois anos de Governo de coligação? Talvez, tudo depende como olhamos o copo – meio cheio ou meio vazio – os portugueses na sua maioria reparam que está meio vazio. Mas a crise é uma oportunidade…

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POLÍTICOS, POLVOS E A RAIA PEQUENA

por Manuel Joaquim Sousa, em 25.09.12

A política tem tanto de bom como de mau. Tanto é responsável pelas coisas boas deste mundo como pelas coisas piores que se possam imaginar. Tem pessoas de uma grandeza pessoal como tem das pessoas mais podres e mais horríveis que se possa imaginar.

A Política é mais uma espada de dois gumes; ou se gosta ou se odeia. Ela estraga o mundo e a sociedade, mas ao mesmo tempo sem ela nada se faz e nada se decide, para a evolução da terrinha, da freguesia, do concelho, da cidade, do país e do mundo.

 

O problema é que a noção de que a política é importante para a nossa evolução é cada vez menor, devido à descrença que esta tem provocado na nossa sociedade. Enquanto, antes se vibrava por um bom comício, por um bom debate, hoje são poucos os que assistem e que perdem tempo - a não ser que haja qualquer outra coisa em troca. Enquanto antes o país parava para ouvir uma declaração do Primeiro-Ministro ou do Presidente da Republica, hoje as declarações passaram a meros diretos televisivos com cada vez menos influência - a pouca influência que ainda tem deve-se ao facto de existirem alguns comentadores políticos em programas temáticos que vão analisando e debatendo o assunto.

Os comícios passaram a ter cada vez menos gente porque os discursos passaram a ser meras críticas e trocas de acusações pessoais e deixaram de debater e apresentar ideias, deixaram de ter a verdadeira ideologia partidária para uma mera propaganda publicitária vazia de conteúdo e de princípios. Muitos sabem que, no final de um comício, as grandes verdades declaradas são esquecidas devido às conveniências do momento. Poucos são os que vão a um comício e triste é ouvir dizer que esses estão lá a agitar a bandeira do partido por conveniência própria e na procura de um favor.

 

A política depende dos votos da raia pequena que existe de norte a sul do país, mas decide-se junto dos polvos cada vez mais gordos que não governam na política, mas que comandam a economia e decidem o querem fazer. As decisões anunciadas por um Governo são as decisões tomadas pelos polvos, que sugam a raia pequena e dos quais depende essa raia.

Já no Sermão de Santo António aos Peixes, se falavam dos polvos e parece que passados séculos eles ainda continuam por aí, de forma escondida, mas ativos e capazes de cativar aqueles que lhes interessam.

 

É neste ponto, do negócio entre políticos e polvos, que a classe política atinge o seu lado mais negro e as ideologias partidárias e muito anunciadas nas campanhas são esquecidas para benefício próprio. Passados quatro anos ou se as coisas não correrem muito bem, os elementos da classe política encontram nos polvos forma de subsistência própria, enquanto que, a raia pequena fica à mercê de mais uma crise e de um futuro hipotecado.

Triste vive um país quando tem de conviver com este mundo bem frente aos seus olhos, mas nada poder fazer. Nada pode fazer porque se acomoda no seu canto e se levanta na altura em que o candidato anda pelas ruas a distribuir mais um beijo e mais um abraço. Triste vai a política e mal vai a democracia quando chegamos a este ponto.


Ainda se está para acreditar que a revolta popular perante os acontecimentos políticos e económicos do presente sejam motivos de revolta pura, para a mudança de consciência da raia pequena.

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AS IMAGENS DOS ROSTOS E DOS CARTAZES DA INDIGNAÇÃO

por Manuel Joaquim Sousa, em 17.09.12

Os portugueses sairam à rua para demonstrar a sua insatisfação e o limite dos seus sacríficios. São cada vez mais aqueles que contestam as medidas do Governo e que querem manifesta-lo de viva vós. Assim se exerceu um direito democrático nas ruas. O povo saiu em protesto, deixaram-se de acomodar no sofá enquanto lhes "espetam a faca".

 

Eu desloquei-me ao Porto, até aos Aliados, e retratei um pouco da indignação. São apenas imagens, mas os gritos e os slogans estão cá na cabeça como devem estar na cabeça daqueles que estiveram presentes.

 



Álbum completo em: http://www.flickr.com/photos/87325735@N08/sets/72157631547951056/


Imagens do Público em: http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/que-se-lixe-a-troika-os-protestos-sairam-a-rua-1563204

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Somos como uns cordeirinhos que seguem o caminho a que nos obrigam e sem qualquer opção de escolha sobre o futuro que desejamos. Os cães que nos guiam são uns senhores do Governo que nos empurram e nos ladram, como se necessitássemos de manter a ordem e o caminho dos pastores. Os pastores são os que determinam a regras para beneficio próprio, são os que ficam a ganhar e a rir do triste destino das ovelhas. Temos lã para os mantos que eles necessitam, somos a carne para quando têm fome. Pior tudo: agem como protectores do lobo mau.

 

Hoje é um grande dia para que os portugueses possam dizer que já estão fartos de tantas medidas de austeridade que estão a ser impostas.

Público: http://www.publico.pt/Economia/manifestacoes-antitroika-amanha-em-mais-30-cidades-em-portugal-1563045 

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Segundo informações que nos chegaram, a cadeira em que o Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho foi sabotada momentos antes da entrevista da RTP, a ponto de a mesma ter sido atrasada por instantes. Quando o chefe de governo de sentou, a perna da cadeira partiu e ele caiu para trás provocando uma queda em que bateu com a cabeça. Esta é a razão por este ter ficado com dificuldades na resposta a todas as questões que lhe estão a ser colocadas - para além de estar com falta de objectividade.

As suas teorias de recuperação económica estão muito longe do que pensam economistas e gestores deste país. Não tem a m noção do que é a equidade nos sacrifícios e cai no erro de achar que os preços vão baixar. Continua a defender todas as medidas, mesmo que dentro do interior do seu partido existam elementos contra.

Continua a acreditar que protegeram os fracos e beneficiaram os mais fortes.

Estará consciência da sua lucidez?

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O DISCURSO SOMBRA (VERDADEIRO) DE PASSOS COELHO AO PAÍS

por Manuel Joaquim Sousa, em 13.09.12

Portugueses, é com profunda indiferença que me dirijo a vós, neste momento, para anunciar o que tanto desejei anunciar durante os tempos em que lidero este governo.
Eu sei que a grande maioria dos portugueses vive numa situação económica delicada, provocada por uma crise que não há forma de passar e que nos deixa constantemente sob a avaliação da Troika e sob ameaça das entidades externas. Perante este cenário, não quero continuar a ser objeto de constantes avaliações internacionais, mesmo que considerem que estamos a ser o “bom aluno”.
É certo que me candidatarei às próximas eleições legislativas; porém, tenho que ser cauteloso quanto ao meu futuro porque no pior e mais provável dos cenários terei de arranjar emprego após o meu mandato, pois não tenho dinheiro suficiente para me retirar do país e estudar no estrangeiro.

Não querendo desviar do discurso, e apresentadas as minhas preocupações pessoais, tenho a anunciar publicamente uma alteração à Taxa Social Única de todos os trabalhadores (público e privado) de 11% para 18% e a descida para as empresas de 23% para 18%. Considera o Governo que esta medida foi tomada em nome da equidade fiscal entre empresas e trabalhadores.
Sobre os trabalhadores, esta permite que descontem mais do seu salário para a Segurança Social, mas recebam menos em situação de desemprego. Também serve de castigo e penalização por todos os protestos e gozos que têm sido cometidos contra o Governo. Assim, terão perfeita noção que não vale a pena protestar porque o Governo tem sempre o poder e a autoridade de fazer o que bem entende. Espero com isto “amaciar” o povo revoltado.
O benefício dado às empresas é apenas destinado às que fazem parte de grandes grupos económicos, do PSI 20, para um aumento de distribuição de dividendos aos seus acionistas. Tenho perfeita consciência que não vai permitir a criação de mais emprego; também tenho a noção que as pequenas e médias empresas pouco beneficiarão desta medida; mas entendam que esta é a esmola do Estado, já que não conseguem financiamento junto da banca.
Além disso, na eventualidade de sair do Governo, por demissão ou derrota nas eleições, tenho de assegurar lugar em alguma empresa que tenha beneficiado com o aumento substancial dos seus lucros finais.

Estas são as razões porque decidi comunicar aos portugueses desta forma; assim não existirão dúvidas nem a resposta a qualquer tipo de questões.
Tenho a informar que governo numa maioria que me dá o direito de fazer o que bem entendo, mesmo que não tenha feito qualquer comunicação prévia ao parceiro de coligação, que espero que mantenha o seu silêncio sobre este anúncio ou expresse o seu apoio incondicional.
Por muito que os senhores jornalistas questionem os membros do Governo, devo informar que todos responderão da mesma forma, já que tive o cuidado de distribuir um documento com questões e respostas para que a linha de orientação seja a mesma.

Uma última palavra porque o arroz está quase pronto e não quero comer arroz queimado ou numa papa, lamento todas as medidas tomadas e lamento todo o meu desprezo pelos portugueses. Este foi o discurso mais duro e bizarro porque acabei de lixar todos os portugueses de uma forma brutal. Mas, têm de compreender, que para que o Governo e a classe política vivam com dignidade e sem cortes nos seus recursos é necessário que alguém tenha de padecer, independentemente de ser público ou privado.
Votos de uma vida dura e amarga. Tenho de ir porque a minha esposa já está farta de dar toques, tem o arroz à espera.
Até sempre.

 

(Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.)

Público: http://www.publico.pt/Economia/gaspar-havera-mais-medidas-temporarias-para-diminuir-o-defice-e-oe-rectificativo-1562752 

             http://www.publico.pt/Economia/gaspar-fala-em-riscos-catastroficos_1562747

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