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Há determinadas notícias que ouvidas logo pela manhã podem não fazer muito bem ao pensamento e podem até condicionar a opinião sobre algo. Estava eu muito tranquilamente no meu banho, quando na rádio ouço que existe uma petição a ser votada na Assembleia da Republica, que reuniu quatro mil assinaturas, no sentido de permitir aos pais assistirem aos partos por cesariana.
Bem, é positivo assim à primeira vista. Não, à primeira vista não parece ser muito positivo. Veio logo ao pensamento a imagem de uma cesariana e o que um pai vai assistir. Se calhar foi uma imagem exagerada na minha cabeça e não tem nada de mais e o pai não vai ver tudo, mesmo tudo – as entranhas, o sangue e outras coisas mais. Estou a imaginar a necessidade de ter médicos e enfermeiros a assistir o pai num desmaio, um psicólogo para tratar danos psicológicos causados pelo parto. Enfim. Existe também o perigo dos pais se porem a dar palpites dos cortes e de como o médico deve atuar – sem perceber nada de nada do assunto.
Pode ser exagero da minha parte ao ter esta visão logo pela manhã – desculpem, mas não resisti em partilhar.

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UM PARTO DIFÍCIL

por Manuel Joaquim Sousa, em 29.12.12

Dizem que foi um parto difícil, pelos riscos que ambos corriam – mãe e criança. Todos estavam com dúvidas nos resultados de uma decisão de mãe, que terá escolhido a criança para viver, independentemente das consequências – a sua morte.
Ciência ou milagre, que os médicos nunca souberam explicar, ambos sobreviveram e passaram por fases dolorosas, mas tudo passou e hoje, mãe e filho, vivem felizes – já se passaram trinta anos.

Dizem que as dores do parto são terríveis, mas para o final são reconfortantes com o que sai de dentro da barriga - ainda que mal cheirosos, sujos, enrugados e chorões. A maternidade é algo belo e uma das fases mais bonitas da vida e da natureza.

Quando fazemos anos, todos nos vêm dar os parabéns – muito bonito -, mas esquecem que quem está também de parabéns são as mães que nos aguentaram todo o tempo, sem descanso, por vezes com sofrimento e limitações; foram as mães que tiveram as dores para que saíssemos para o mundo dos adultos. Também elas estão de parabéns, sempre.
Não querendo desprezar o papel do pai, elemento fundamental na decisão do sexo da criança e que, felizmente, é cada vez mais importante e ativo em toda a ajuda prestada à mãe antes e após o parto – hoje, modelos de suporte (ainda com muito trabalho pela frente).

Há dias assim, que somos os protagonistas da história, mas os nossos pais são ainda mais protagonistas porque sem eles nós não estaríamos aqui.

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