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Pelas últimas notícias a "Barca do Inferno" parou a sua viagem - foi a decisão da RTP suspender o programa. Na segunda, em direto, na RTP Informação, o programa decorria normalmente quando Manuela Moura Guedes saiu em direto - pareceu que se tratava de uma cópia à atitude de Santana Lopes, na SIC Notícias há uns anos. Foi a chegada de José Mourinho a Portugal que motivou esta saída? Não. Foram mesmo as circunstâncias do debate semanal, que se tornou aceso.

Já tive oportunidade de ver o "Barca do Inferno" algumas vezes - não sigo com regularidade - e posso dizer que o nome foi bem escolhido. Nilton está rodeado de verdadeiros furacões políticos e com "pelo na venta" para mostrar que sabem do que falam e que falam com conhecimento de causa, com algum domínio da razão sobre o outro, ou melhor outra. Conhecem os temas melhor do que eu - ainda bem que têm conteúdo. Pena que, por vezes, o programa se torne numa verdadeira barca a caminho do inferno quando a discussão se torna acesa e começam a aumentar os decibéis das suas vozes, a ponto de não se perceber bem o que tanto tentam falar - pobres dos meus ouvidos que têm de aguentar. É impossível ver este programa sem ter o comando na mão para controlar o volume constantemente porque tanto conversam calmamente como no segundo seguinte espetam farpas e então é o fim. Gostava que um dia o Nilton "saísse de fininho" e ver se eram capazes de abalroar a mesa enorme que as separa para andarem à estalada, aos puxões de cabelos, enquanto debatiam os temas quentes da nossa política - uma forma diferente de ver política, de se fazer política. Perdoem-me as mulheres, pois não quero exagerar, mas juntar só mulheres num debate destes, com personalidades vincadas que cada uma tem não me pareceu que fosse um exercício fácil para o apresentador. Não consigo imaginar que no fim do programa consigam ser amistosas e capazes de conversarem amenamente sobre a cor do cabelo, as unhas de gel ou as roupas que escolheram para o direto. Não as consigo ver numa mesa de café a contar piadas umas às outras ou a comentar os modelos que entram e saem. Não as consigo imaginar irem à casa de banho juntas tão comum no sexo feminino. Perdoem-me pelo desabafo, mas é impossível não partilhar.

Ver as imagens que circulam pela internet sobre a saída da Manuela Moura Guedes pode ser um pouco redutor e o melhor é ver o programa desde o início, para se perceber o contexto dos acontecimentos - é um exercício duro para os ouvidos, mas vale apena. A discussão era interessante - sustentabilidade da Segurança Social - e que tem andado nas bocas do mundo por causa de uma proposta socialista sobre a baixa da TSU para os trabalhadores. Todas estavam a opinar sobre esta sustentabilidade e, quer Manuela Moura Guedes, quer Raquel Varela, tinham dados bem sustentados, embora com ideias opostas sobre os princípios e formas de criar sustentabilidade na Segurança Social. Por sua vez, a Isabel Moreira, do PS, tinha umas ideias mas, pelo que me dá a parecer, estava a ler o papel, que a deixou numa posição sem grande capacidade de contra-argumentação sobre o assunto - o que terá motivado as questões de Manuela Moura Guedes, que se terá apercebido da fragilidade da opinião da sua colega e com isso ter uma posição dominante no debate. Foi o momento: é agora que eu a esmago. Lançou as perguntas e a Isabel Moreira respondeu de forma apática e pouco convincente focada na leitura que acabava de fazer. Era de esperar esta reação da Manuela? Talvez. Todos conhecem o "animal jornalístico" que existe dentro de si, o seu ódio de estimação pelo PS e pelos amigos do seu "inimigo" José Sócrates. Nilton põe ordem no debate, tentou avançar, chamou a atenção à Manuela. Ela não gostou e sentiu-se a mais. Saiu. O debate continuou.

A RTP parece ter a infeliz ideia de suspender o programa, quando agora poderia ter o sucesso desejado e ser a alavanca de audiências para o canal de Notícias da Estação Pública. Estamos perante um verão quente, movimentações para as legislativas e posteriormente para as presidenciais. Não há direito a acabar com este programa que poderia apimentar ainda mais a política portuguesa. Seria interessante perceber a continuidade, descobrir novos moldes para acender o debate e a polémica. Seria interessante ver os assuntos importantes serem debatidos de uma forma diferente da habitual formalidade.

Agora que estavam a chegar ao inferno abandonam a barca….

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