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EUTANÁSIA, O QUE TE DIZ ESTE ASSUNTO?

por Manuel Joaquim Sousa, em 02.03.16

Será o momento? Estaremos prontos? Vamos a debate? O que fazemos? Ignoramos? És a favor ou contra? Eutanásia, o que te diz este assunto?
Uma petição recente lançou o tema para a ordem do dia. Durante muitos anos falou-se, mas desviou-se do assunto. Nunca esteve na ordem do dia. Assunto melindroso. Implica discutir, pensar, saber o que fazer. Assunto que abana a consciência individual, que não pode ser debatido de ânimo leve. Mais polémico se tornou com as recentes declarações da Bastonária da Ordem dos Enfermeiros – polémica, dizer e desdizer que em Portugal se pratica eutanásia no Serviço Nacional de Saúde. Verdade ou mentira? Estará apenas na consciência dos profissionais de saúde.
Se o assunto está na ordem do dia, vamos debater, ouvir, pensar sobre a opinião que possamos tomar sobre o assunto – sejamos abertos. Falam alguns que não estamos em tempo de debater o assunto, há outras prioridades – que outras prioridades maiores que o debate sobre a vida e a morte de um ser humano? Aberta a caixa de pandora, não basta enterrar a cabeça na areia para ignorar o assunto – é preciso enfrentar com seriedade e discutir. Não é fácil fazê-lo? Não. Será sempre um assunto onde existem dúvidas, onde as decisões não serão tão claras e evidentes. Há que ter cuidados em legislar porque a vida é um bem de valor incalculável para decisões fáceis.

A propósito deste assunto, recomendo a leitura atenta do artigo “Sim, matei quatro pessoas e defendo a eutanásia”, publicado na revista Sábado, (já com alguns anos, creio). O texto é forte, com uma elevada carga emotiva porque quem cometeu a eutanásia foi uma pessoa com valores, sentimentos, dúvidas, receios. Não quero com este texto convencer ninguém, nem a mim mesmo, quero é que sejamos convidados a pensar, a estar na pele de profissionais de saúde - que se confrontam diariamente com o sofrimento e o pedido dos doentes - e dos doentes na sua fase de desespero. Oxalá que não tenhamos que passar pelas mesmas situações.

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HOJE, JE SUIS O QUÊ?

por Manuel Joaquim Sousa, em 04.09.15

A imagem choca. Trata-se de uma imagem que não necessita de qualquer legenda. Facilmente sabemos o que retrata. A imagem tornou-se num símbolo, para algo que está às nossas portas, mas para o qual ainda estamos a acordar. Falo da fotografia do menino morto que deu a uma praia. A imagem que está a correr mundo. Capaz de arrancar lágrimas e indignação aos que condenam aquilo que está a acontecer no Mediterrâneo. Já nos comoveu. Será que é capaz de comover quem decide as políticas da Europa? Será capaz de comover aqueles que erguem os muros com medo de perder identidade e de perder o país? Não tocará no coração de muita gente. Infelizmente. Toca pelo menos nos milhares e milhões de pessoas anónimas que sentem a revolta por tudo o que está a acontecer. Falamos de seres humanos. Não falamos de mercadorias. Não falamos de embargos económicos para travar conflitos. Para as mercadorias há tratados, leis, suspensões imediatas. Para a humanidade os tratados estão a ser pensados e as reuniões ainda são segundo plano. Quantas mais crianças têm de dar à costa? Sem vida. O que faríamos se nas nossas praias todos os dias chegasse uma criança morta, enquanto apanhamos saudosos banhos de sol? Ficaríamos calados? Quietos? Simplesmente pena? Se este fosse o meu filho? Como reagiria no meu do sofrimento? Se fosse o teu filho? O que farias para vingar a sua morte? Procuramos desviar esses pensamentos. Não podemos. Qualquer um de nós poderia viver aquela história. Eu tenho vergonha da Europa neste momento. Não aprendemos nada com a Segunda Guerra Mundial, com os campos de concentração para o extermínio. Desta vez a solução para o extermínio é o Mediterrânio. É triste que esta imagem tenha de ser utilizada para chocar a consciência de cada um. Mas assim tem de ser. Fechar os olhos é ignorar o mal que nos bate à porta. Quero acreditar que a Humanidade não se perdeu. O que podemos fazer? Se antes dissemos convictamente: “Je suis Charlie”. Hoje Je suis o quê?

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UNS MORREM NAS ÁGUAS ENQUANTO OUTROS NELAS SE BANHAM

por Manuel Joaquim Sousa, em 22.04.15

No blogue de Pedro Rolo Duarte, em comentário ao ao post "O que devia ser", apenas fui capaz de escrever: Por vezes, a ideia que fica é que não somos todos habitantes do mesmo planeta e não respiramos o mesmo ar. Talvez seja por isso, que muitos morram nas águas onde outros se banham como se fossem mundos distantes.

 

Podemos ficar chocados com o que acontece nas águas do Mediterrâneo, mas estaremos sempre a debater o que deve ser feito enquanto dezenas ou centenas de pessoas continuam a perder a sua vida nas águas só porque tiveram o sonho de um dia viver uma vida diferente, num mundo que na realidade não os aceita e apenas os usa para vender. Sonharam. Pelo menos isso a vida lhes proporcionou. Talvez a única coisa positiva.

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A OUTRA FORMA DE VER A MORTE

por Manuel Joaquim Sousa, em 18.09.14

“Intermitências da Morte”, de José Saramago. Um livro que recomendo que se leia. Eu achei fantástico. Terminei há pouco tempo de o ler. Quanto mais perto estava do fim, mais me apetecia continuar a ler e ignorar tudo o resto que estava a acontecer a meu lado. Já alguém, para além de José Saramago, escreveu desta forma sobre a morte? (escrevo o nome da personagem em letra pequena não vá ela revoltar-se) A morte é encarada como a personagem principal do livro de forma perfeitamente natural e sem necessidade de ser a olharmos como um terror de quem nem ousamos ouvir o nome.
Esta obra fez-me pensar em dois pontos de vista. De nada vale tudo fazer para ser imortal porque o caos torna-se maior e o mundo entraria em colapso imediato. Seria o colapso do Estado Social, da economia que depende da morte – funerárias, coveiros, padres, Igreja, medicina – e da população mundial que se tornaria em excesso. No princípio seria uma alegria. Depressa se iria desvanecer. Rapidamente todos os esforços para a conquista da imortalidade seriam enterrados e destruídos. Facilmente muitos gostariam que a morte, em qualquer altura, estivesse presente nas nossas vidas. Caso contrário, ficaríamos condenados a andarmos por aí a cair aos bocados como se fossemos uns zombies.

A outra perspetiva é imaginar quem é ela – a morte. Porque a vemos como um esqueleto envolto de um manto preto, com um capuz, agarrando uma gadanha que utiliza para executar o seu golpe fatal. Porque nos descrevem a figura desta forma? Poderia ser uma personagem mais bonita, apesar do seu ato ser de uma dolorosa misericórdia?

Como traça a morte o destino de cada ser humano? Com que objetivo? Qual a base em que se apoia para condenar alguém? Qual a rotina? Quando terminará os seus trabalho?

A obra de José Saramago permite pensar na morte sem tabus e ajuda a encara-la como um mal menor, apesar de ser um mal maior contra o qual lutamos inutilmente – todos temos o mesmo fim; uns mais cedo que outros.

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AS NOSSAS TRADIÇÕES PERANTE A MORTE

por Manuel Joaquim Sousa, em 02.11.12

Por vezes, penso que as nossas tradições são um pouco mórbidas e deprimentes, por muito respeito que tenha pelas mesmas.


Dia 2 de Novembro, lembramos os fiéis defuntos, aqueles que partiram deste mundo e, segundo a tradição Católica, estarão noutra vida, a eterna.

Em Portugal existe o costume de, nestes dias, se visitar os entes queridos ao cemitério. Estes locais tornam-se sítios de peregrinação e azafama para os familiares. É comum verem-se pessoas a limpar as campas e os jazigos a fundo e a ornamentar com as mais belas e caras flores e com velas, de forma a tornar aquele espaço em algo cuidado e belo - como se os mortos estivessem ali para apreciar e aprovar toda aquela dedicação festiva.


Por vezes penso: se vamos para uma outra vida significa que não estamos ali, então porquê tudo isto? Talvez por ter sido o último local em que vimos ou depositamos aquele ente querido.

Porém, também penso que aquele embelezamento possa ter outra razão de ser porque há quem deseje mostrar que o seu jazigo ou campa esteja bem cuidada e se compare com os demais. Há muito quem goste de passear pelo cemitério, só para ver as campas dos outros e para depois tecer os seus julgamentos morais.

Se existe tanto cuidado, nesta data, com o tratamento dos espaços, que cada um tem no cemitério, qual a razão para que durante o ano estejam ao abandono, sem uma flor, uma vela ou mesmo uma visita?

As nossas tradições apegam-se muito ao luto e ao sofrimento, ainda que se queira acreditar num outro mundo melhor.

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BUSCA DE LUZ NO SEIO DA MORTE

por Manuel Joaquim Sousa, em 01.11.12

 

 

 

Entender o sentimento do Homem e aquilo que lhe vai na alma nem sempre é tarefa fácil, quando este se confunde entre desejos opostos e verdades nem sempre provadas, que imanam do interior, fruto de uma crença, nem sempre interrogada ou interrogada até à exaustão.

Hoje, 1 de Novembro, é dia de todos os Santos, para a crença Católica, um dia em que todos os seres que contribuíram para o bem da humanidade são lembrados de uma forma comum como servos de Deus, orientadores, inspiradores e salvadores do Homem nas suas maleitas. Lembramos a luz e a esperança. A religião cria naqueles que acreditam ou desejam acreditar que existe algo superior e que existe um outro mundo do qual todos farão parte amanhã.

Porém, na noite passada comemorou-se o Halloween, a noite das bruxas, uma noite em que se lembra o lado negro do sobrenatural, ainda que seja uma tradição mais comercial e com predominância das brincadeiras em determinadas sociedades.

Vivemos o bem e o mal de forma tão próxima que se chega a confundir o desejado e a forma como se deseja – costuma-se dizer que os extremos tocam-se (verdade). Porque será que somos assim, tão bipolares? - mais do que julgamos. Desejamos a paz, a luz, sem nos afastarmos das trevas, do negro, da tristeza e do sofrimento. Será que a saudade é a ligação a tudo isto, ou pelo menos a uma parte?

Independentemente da crença que se tenha ou não, todos temos sentimento de saudade, sofrimento por perda, choro perante a morte, velamos o corpo segundo o que acreditamos e temos rituais que dignificam aqueles que partem. Se hoje é dia de todos os Santos, amanhã é dia dos Fieis Defuntos, o dia em que lembramos aqueles que partiram e nos deixaram porque chegou a sua hora. Dia de saudade, de lembrar e puxar o sentimento que ainda existe e que o tempo não conseguiu curar (não deixamos que o tempo cure tudo, para que a essência e a memória dos que partem continue a ser imortal).

Acreditamos na imortalidade do Homem. Crentes ou não crentes acreditam. Os crentes porque acreditam que existe um outro mundo, uma vida diferente da que vivemos cá pela Terra e que é fruto dos nossos atos. Não crentes acreditam na imortalidade do Homem pela memória que fica e pela obra que deixam. Conceitos de imortalidade diferentes, tão próximos porque ambos mantêm viva a alma dos que partem.

Somos seres complexos que criam, idealizam, desejam paz, imortalidade sem nunca esquecerem o lado escuro das trevas, ainda que essa paz seja vivida com sofrimento. Buscamos a luz, sem querem sair da escuridão. Será?

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UMA NOVA IMAGEM NO MEU BLOGUE

por Manuel Joaquim Sousa, em 21.06.12

 

O meu blogue cá continua. Alguns visitantes a passar por cá, a ler o que por aqui vou dizendo. Hoje decidi alterar a imagem de apresentação - coloquei uma imagem mais pessoal, uma fotografia que tirei há algum tempo. Esta é a imagem de dois bebés que fazem parte de uma sepultura, no cemitério de Agramonte, na cidade do Porto, junto à rotunda da Boavista.

 

Este é um local digno de visita - apenas não será agradável para quem tem arrepios de cemitérios - pelas obras de arte que por lá se encontram nas sepulturas e nos jazigos. Sem dúvida um imenso espaço onde se pode respirar um pouco de calma, paz, tranquilidade e ao mesmo tempo desapego do mundo terreno. Por aqui existe vida, num conceito diferente do que estamos habituados a viver. Existe vida (não sei se sobrenatural) que contagia os crentes e não crentes, ou seja, curiosos pelo que está para além deste tempo terreno.

Em cada passo que se percorre sente-se algo interior muito forte, como se parte da identidade pessoal estivesse lá, mesmo que não existam familiares por lá sepultados. Estranho? Bizarro? Talvez possa parecer e eu estar a estrapular algo que só eu apenas sinto, mas sem dúvida que é um local especial, que já visitei mais que uma vez. Imaginem-se que estão acompanhados, mesmo que estejam sós.

 

Mais pessoas devem sentir o mesmo porque este é um local a onde acorrem muitas pessoas - não apenas os familiares que vão cuidar das sepulturas; esses são muito poucos comparados com os que vão de visita.

 

Nem sempre os cemitérios são locais de símbolo da morte, mas símbolo de vida, símbolo de uma passagem para uma outra dimensão que desejamos muito saber se existe e como é. Nem sempre são locais de tristeza e sofrimentos, mas locais de paz, tranquilidade e desapego.

Há mais vida para além desta rotina em que vivemos; há uma outra dimensão que existe dentro de nós e que desvalorizamos. 

Vive a vida em todas as suas dimensões.

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O CULTO DA MORTE PARA O ALCANCE DA VIDA

por Manuel Joaquim Sousa, em 28.07.11

Vivemos o culto da morte com muita intensidade, na procura da vida, da vida em plenitude.


Por vezes penso que os Homens têm o culto exagerado pela morte, desde os funerais, ao dia dos Finados (2 de Novembro), à Semana Santa. Dá-se muita importância a este estado de vida terrena, que não é nada mais nada menos que o fim. Fica a incógnita se este é o fim de tudo, da vida e da construção do indivíduo ou se apenas os fim de uma etapa da vida do Homem; o fim como ser de carne e osso, o fim de uma vida terrena e a passagem para uma outra vida, num outro estado físico numa dimensão inimaginável. Na realidade, o mundo Cristão (Católico e Protestante) acredita nessa outra dimensão de vida, que está para além da vida na Terra. Acreditam numa vida eterna, perfeita e em plenitude e é nessa esperança que vivem a sua fé ao longo dos dias.


Se não fosse esta crença numa continuidade faria sentido existir o Cristianismo? Faria sentido a existência de uma Igreja Católica? Faria sentido a existência de Deus?


São questões de difícil resposta, sobre as quais os grandes teólogos se debruçaram na procura de respostas que não são concretas porque tudo que envolva a fé não é concreto e move-se para além do princípio da relatividade.


É facto que a base que sustenta as Igrejas Cristãs é a doutrina do Messias, doutrina centrada na ressurreição e como doutrina para a mudança do mundo e do Homem, de forma a prepara-lo para a morte e passagem à vida plena, mesmo que necessitando de passar por fases de purificação. Se não existisse crença na ressurreição não existiria Igreja, não existiria crença no mundo sobrenatural que se prolonga para além do estado físico.


É por isto que o culto da morte está fortemente enraizado na vida de muitos e na cultura de muitos povos que anseiam pela libertação, anunciada e apregoada durante séculos e séculos e não se sabe até quando. Este culto da morte pode também ofuscar o culto da vida que temos e das alegrias que também cá podemos viver. Esquecemos, muitas vezes, que ainda estamos vivos e que ainda há muita vida por aí para ser aproveitada. A morte não se trava e é uma etapa da vida que obrigatoriamente temos de passar, independentemente do que possa ou não existir depois. Mas, a pesar dessa condição há que aproveitar o hoje e o agora.


Apesar de não existirem certezas quanto à existência do outro lado, de sermos imortais, existe a certeza de que a memória de alguém pode ficar imortalizada, dependendo da sua obra terrena e do legado que possa ter deixado por cá. Muitas almas ficaram imortalizadas pela música, escrita, política, trabalho social/humanitário, etc. Pelo menos esse têm sobrevivido com o passar dos tempos e ainda se manifestam vivos cada vez que os evocamos pelas boas e mesmo más razões.


Acredita-se que a imortalidade defendida pelas religiões está ao alcance de qualquer um, pelo menos segundo a doutrina de Cristo. No entanto, existe a condição de sermos bons caminhantes e seguidores de princípios base que orientam o Homem por uma conduta correcta. Conduta essa que pode ser muito controversa e que pode chocar com determinados princípios sociais instalados, que se modificam com o passar dos tempos e a evolução do mundo.


Será que a grande maioria apenas tem uma determinada conduta social a pensar na entrada no Reino dos Céus? Se este Reino não existir ou se não fosse apregoado como seria a conduta de muitas pessoas?


O sentido da imortalidade que muitos acreditam possuir ou que simplesmente acreditam ainda tem muito a ser explorado, com muitas questões, com muitas respostas em aberto. O princípio da Ressurreição que Jesus doutrinou é uma grande dúvida para muitos, uma certeza para alguns crentes. Todos caminhamos no sentido da morte. Será essa outra vida a perfeição e plenitude? Será que o Homem apenas atinge esse auge com a morte? A perfeição pode ser atingida na vida terrena? Pelos vistos aqueles que atingem esse auge em vida são considerados pelos demais como os loucos porque a sua pessoa passou a estar a anos-luz da realidade terrena e da restante Humanidade.


Se a outra vida existe e é bem melhor que esta que vivemos porque lutamos por viver mais tempo na terra? Porque lutamos contra o envelhecimento? Porque procuramos ser imortais de uma outra forma? Será que existe o medo de morrer e não existir mais nada para além da morte?


O culto da morte está enraizado porque nela se encerram muitas incertezas, curiosidades e medos. Viveremos sempre com essa incógnita e com essa sensação.


 


M. Brunner

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A MORTE VENDE MAS NÃO ESTÁ À VENDA

por Manuel Joaquim Sousa, em 27.02.11

Por: Manuel de Sousa    
manuelsous@vodafone.pt    

A morte vende. Esta é a conclusão a que chegam muitos especialistas da comunicação social. Vende a morte por homicídio ou simplesmente a morte de um famoso. O público interessa-se e a procura de informação aumenta consideravelmente, a ponto de se esgotarem as inúmeras edições de jornais e revistas e aumento de audiências nas várias plataformas de jornalismo.   
Mas, até que ponto tal importância à morte de alguém pode ser considerado ético e com importância de notícia de destaque e tão esmiuçada?   
Efectivamente a morte não deveria ter mais destaque e os media deveriam limitar-se às informações do que aconteceu, porém, o público interessa-se pelo que aconteceu e pretende sempre saber mais e mais pormenores, enquanto que, todos os testemunhos e histórias são insuficientes para esse público exigente e sedento. Como é obrigação dos jornais informar e satisfazer os interesses do público, terão que dar todo o destaque necessário, correndo o risco de se tornarem sensacionalistas e inoportunos. Os que mais criticam esta forma de actuação são, na maioria dos casos, aqueles que consomem este tipo de informação e que se encontram em fase de exaustão e em que a produção jornalística já não tem mais por onde dissecar e, por isso, entrar por um ciclo vicioso.   
O que motiva o interesse pela morte? Tudo. A forma como aconteceu e quanto mais dramático forem os factos, maior importância terá. As pessoas envolvidas, quanto mais populares e conhecidas melhor para aumentar o interesse e para se encenarem tantas histórias quanto possíveis. Quando a morte afecta uma figura pública, existe o carinho e a proximidade dos admiradores que procuram toda a informação disponível por questão de proximidade que estabeleceram de forma anónima ou até como forma de homenagem e conservação da memória.   
É impossível conhecer a fronteira da ética e interesse jornalístico quando se depende de um público exigente e meticuloso. Por esta razão, o jornalismo convive inevitavelmente com o sensacionalismo e conhecer a fronteira entre o que é notícia e o que não é varia de pessoa para pessoa.

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