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HOJE, JE SUIS O QUÊ?

por Manuel Joaquim Sousa, em 04.09.15

A imagem choca. Trata-se de uma imagem que não necessita de qualquer legenda. Facilmente sabemos o que retrata. A imagem tornou-se num símbolo, para algo que está às nossas portas, mas para o qual ainda estamos a acordar. Falo da fotografia do menino morto que deu a uma praia. A imagem que está a correr mundo. Capaz de arrancar lágrimas e indignação aos que condenam aquilo que está a acontecer no Mediterrâneo. Já nos comoveu. Será que é capaz de comover quem decide as políticas da Europa? Será capaz de comover aqueles que erguem os muros com medo de perder identidade e de perder o país? Não tocará no coração de muita gente. Infelizmente. Toca pelo menos nos milhares e milhões de pessoas anónimas que sentem a revolta por tudo o que está a acontecer. Falamos de seres humanos. Não falamos de mercadorias. Não falamos de embargos económicos para travar conflitos. Para as mercadorias há tratados, leis, suspensões imediatas. Para a humanidade os tratados estão a ser pensados e as reuniões ainda são segundo plano. Quantas mais crianças têm de dar à costa? Sem vida. O que faríamos se nas nossas praias todos os dias chegasse uma criança morta, enquanto apanhamos saudosos banhos de sol? Ficaríamos calados? Quietos? Simplesmente pena? Se este fosse o meu filho? Como reagiria no meu do sofrimento? Se fosse o teu filho? O que farias para vingar a sua morte? Procuramos desviar esses pensamentos. Não podemos. Qualquer um de nós poderia viver aquela história. Eu tenho vergonha da Europa neste momento. Não aprendemos nada com a Segunda Guerra Mundial, com os campos de concentração para o extermínio. Desta vez a solução para o extermínio é o Mediterrânio. É triste que esta imagem tenha de ser utilizada para chocar a consciência de cada um. Mas assim tem de ser. Fechar os olhos é ignorar o mal que nos bate à porta. Quero acreditar que a Humanidade não se perdeu. O que podemos fazer? Se antes dissemos convictamente: “Je suis Charlie”. Hoje Je suis o quê?

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UNS MORREM NAS ÁGUAS ENQUANTO OUTROS NELAS SE BANHAM

por Manuel Joaquim Sousa, em 22.04.15

No blogue de Pedro Rolo Duarte, em comentário ao ao post "O que devia ser", apenas fui capaz de escrever: Por vezes, a ideia que fica é que não somos todos habitantes do mesmo planeta e não respiramos o mesmo ar. Talvez seja por isso, que muitos morram nas águas onde outros se banham como se fossem mundos distantes.

 

Podemos ficar chocados com o que acontece nas águas do Mediterrâneo, mas estaremos sempre a debater o que deve ser feito enquanto dezenas ou centenas de pessoas continuam a perder a sua vida nas águas só porque tiveram o sonho de um dia viver uma vida diferente, num mundo que na realidade não os aceita e apenas os usa para vender. Sonharam. Pelo menos isso a vida lhes proporcionou. Talvez a única coisa positiva.

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