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MARCELO MENDES É UM HERÓI DE POUCOS E O INIMIGO DE MUITOS

por Manuel Joaquim Sousa, em 04.09.12

Marcelo Mendes é, por esta altura, o herói português para alguns, como cavaleiro em defesa da Tauromaquia – o desporto aristocrata que se tornou desporto do povo. A sua astúcia de cavaleiro – que hoje em dia já não é profissão maior – ultrapassou os limites da arena, contra uma multidão de gente compreensivelmente revoltada como se estes fossem o touro enfurecido. Apenas lhe faltou o espeto de ferro, para que se tornasse numa luta sem cerco, no cerco antitouradas. Foi uma Corrida à Portuguesa de um homem a cavalo sobre uma multidão desprevenida – que estava ali em defesa do touro que vive desprotegido contra as investidas desumanas e irracionais de um homem que gosta de mostrar publicamente a sua superioridade racial entre os presentes.

Incompreensíveis são também as justificações dadas como se a culpa fosse do cavalo que se desorientou entre os manifestantes – como se este alguma vez tivesse vontade própria em apoiar as touradas do seu criador (talvez também seja contra a matança de um ser semelhante e nada possa fazer que corresponder às ordem de quem o monta).

Nas touradas é assim, homem e touro – é a luta entre o bem, o anjo, e o mal, a besta, sem se saber bem quem representa quem no tabuleiro redondo – em que o touro é sempre sacrificado, sem grandes possibilidades de poder dar as suas cornadas em defesa própria. Está condenado. A arena é a sua sentença de morte. A morte e o bife no prato é sempre a sentença que se dita a estes animais; mas a humilhação pública e o sofrimento lento e sanguinário em público é a triste sina que alguns obrigam a que este passe por simples prazer.

Enquanto isso, governos e governantes tentam passar despercebidos (para recolher as simpatias de ambos os lados?) deixando este assunto - como se este não fosse uma prioridade.

No meu artigo anterior, exponho dados históricos e razões da existência deste tipo de práticas; porém, as razões morais, culturais ou as questões religiosas não são imutáveis nos tempos e obrigam que as mentalidades evoluam no sentido de condenarem um espetáculo miserável e pouco digno.

Público: http://www.publico.pt/Sociedade/cavaleiro-marcelo-mendes-vai-avancar-com-queixa-contra-manifestantes--1561551



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ANTES TOUREIRO QUE TOUREADO

por Manuel Joaquim Sousa, em 04.09.12

Acredita-se que a Tauromaquia é uma tradição cultural existente há muitos séculos em diversos países como Portugal, Espanha, França e até em diversos países da América Latina.

Em Portugal, a tauromaquia terá inícios com D. Sancho I que costumava alancear toiros em campo aberto.
D. Sancho II, terá toureado em 1258.
No casamento de D. Leonor, filha de D. Duarte, com Frederico III da Alemanha, em 1451, realizou-se uma grande tourada em Lisboa, numa praça improvisada, junto ao Terreiro do Paço.
O Rei D. Sebastião terá toureado muito jovem em Sintra e em Lisboa.
Filipe II para se tornar popular entre nós organizou, em 1619, uma corrida durante três dias consecutivos. Foram mortos, nesses dias, vinte toiros.
D. João IV era considerado grande cavaleiro e tinha, em Vila Viçosa, uma academia equestre. Táurea nas praças de Sintra, Almada e na do Rossio, em Lisboa.
Nos tempos de D. João V, surgem os arreios de cortesias bordados a prata e ouro com pedras preciosas. Foi neste reinado que se mandou edificar praças de toiros em muitas cidades do reino.
D. José I foi também um grande aficionado por touradas ao contrário do Marquês de Pombal, que não concordava com este tipo de espetáculo.
As touradas voltam à ribalta com a Rainha D. Maria I, que teria afastado o Marquês, voltou a instituir as Corridas.
D. João VI retira-se para o Brasil, em 1807, devido às Invasões Francesas, e, nessa altura, não se permitiam a realização das touradas - passaram a ser feitas às escondidas.

A tauromaquia foi conhecida por ser um desporto para entreter a aristocracia - isso vê-se pela forma como são vertidos os toureiros e pelos rituais que ainda hoje são praticados antes e na arena. Em cima do cavalo ou a pé, o toureiro tem como objetivo colocar ferros no “morrilho” do touro – com a ajuda de passos que tornam esta tarefa numa arte.

Antes de ser um desporto ou uma arte, a origem das touradas remonta aos tempos primitivos, em que se acredita que o Deus Mithra (deus da Luz) terá morto o touro divino, contribuindo para a renovação do mundo. A luta entre o Homem e o toiro é comparada religiosamente à luta entre o bem (Homem, Cavaleiro) e o mal (touro), entre a escuridão e a luz (por isso que as touradas se realizam quando metade da arena esta com luz e a outra às escuras).

A tourada tem uma grande organização; para além do toureiro e do seu cavalo, há os Bandarilheiros (os que têm a capota rosa e amarela), os Arneiros (que tratam da arena), os Forcados (8 pessoas que fazem a pega), o Diretor da Corrida, o Empresário da Praça, o Apoderado (empresário do cavaleiro), o Moço de Espadas, os Tratadores de Cavalos, o Ganadeiro (quem faz a seleção de toiros para a tourada), os Campinos, o Embalador (é quem mete a proteção nos cornos), a Banda e o Corneteiro.
 
FIM DA HISTÓRIA. AS MINHAS QUESTÕES:

Por muito rica que seja a tauromaquia e esteja muito marcada na História do nosso país, valerá a pena defender a sua prática por questões culturais e Históricas?

Poderá uma lei atual impugnar a prática das Corridas à Portuguesa no país, quando se trata de um evento enraizado no povo?

Poderão os apoiantes de tais práticas alhear-se do espetáculo e perceber que a cultura atual já não acredita nesta forma de luta entre o bem e o mal e na divindade de Mithra, mas preocupa-se com a defesa dos animais e a sua agonia numa arena, para regozijo de todos os que assistem?

Num Estado democrático e de direito, considera-se legitimo que o Cavaleiro Marcelo Mendes tenha investido sobre os manifestantes, como se detivesse o título da superioridade racial e domínio da razão?

É legitimo que a RTP faça transmissão de Corridas à Portuguesa, quando estão em causa os direitos do animais?

Sabemos que em torno da tauromaquia existe muito mais que a cultura e tradição ou mesmo religiosidade, existe dinheiro, espetáculo e manifestações de superioridade sob os touros.

Seria igualmente espetáculo e aceitável que as touradas fossem apenas com homens com chifres encabeçados?

É claro que as touradas movimentam muito dinheiro. Ao colocar em causa este espetáculo é o mesmo que colocar o toureiro a ser toureado.



Dados históricos recolhidos de:
Corrida à Portuguesa
A História da Tauromaquia

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