Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

EDROGAN NÃO QUER SER CHARLIE. TEM RAZÃO?

por Manuel Joaquim Sousa, em 13.01.15

Acabo de ler a notícia da Rádio Renascença Edrogan Não É Charlie. Fico a pensar. Dá que pensar.

 

Afastados que começamos a estar das emoções dos últimos dias em torno do terror em Paris e das emocionantes manifestações por toda a França, há que pensar em quem esteve presente e no papel de cada um no dia-a-dia por uma causa que agora luta. Refiro-me essencialmente aos lideres de inúmeros países que estiveram presentes na frente da manifestação. Foi emocionante? Foi de facto um momento raro. Porém, o que pensar da presença do Primeiro-Ministro de Israel também ele culpado de muitas mortes de palestinianos causados pelos sucessivos ataques contra a Faixa de Gaza? Estaremos a ser totalmente coerentes se não tivemos a pertinência de questionar estes líderes e exigir deles uma resposta em relação aos seus atos e às intensões nesta manifestação?
Estará a sua consciência mais tranquila quando se manifesta contra a morte de 17 pessoas e nos seus atos existe a morte de milhares, incluindo crianças que são as mais inocentes de todas as guerrilhas tolas dos adultos?

Numa manifestação não bastam apenas números, presenças de grandes lideres à cabeça da caminhada. É preciso coerência, transparência e dignidade. Por muito que me custe tenho que aceitar a opinião de Edrogan - pode não ser muito correto, mas também não teve a atitude de hipocrisia que dominou a cabeça da manifestação.

Autoria e outros dados (tags, etc)

HISTÓRIA DA BELA ADORMECIDA - POR CAUSA DO GASPARZINHO

por Manuel Joaquim Sousa, em 06.10.12

Era uma vez um príncipe que desejava muito ser chefe de governo e que queria muito ter as contas do país equilibradas, para o bem do seu reino e para ser feliz ao lado do seu amor. Nesse reino existia um povo muito ordeiro e feliz com os seus governantes – não havia crise e o dinheiro era em abundância.

Um dia o príncipe ofereceu uma festa ao seu povo para que o elegessem e convidou muitas gentes de terras vizinhas, para ver como seria bom vender o seu país e as suas riquezas a preço de saldo. Durante a festa, chegaram três fadas para se apresentarem ao povo – o Fundo Monetário Internacional, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu. O FMI desejou pobreza; o BCE desejou dieta financeira, mas quando a CE ia lançar o seu desejo apareceu a Sra. Merkel que disse: Vão ter um Ministro das Finanças que vos fará dormir cada vez que falar e vós aceitareis as medidas de austeridade como algo que vos salvará a vida.

Depois de dizer isto desapareceu algures perdida na Alemanha porque não sabia onde fica Berlim.

Todos ficaram espantados e cheios de medo com o feitiço da bruxa Merkel. Então a CE falou:
O povo não morrerá. Ficará num sono profundo, enquanto as suas economias e os seus ordenados são saqueados e confiscados pelo Governo até que acordarão na miséria e num país mudado.

O príncipe ficou muito assustado e ordenou que procurassem todos os economistas que falassem pausadamente para que fossem presos, de forma a acabar com a maldição da bruxa.

Tempos passaram. O príncipe governava e viu que os cofres estavam falidos e que uma certa gente comeu o que o povo pagou. O país deixou de ser o mar de rosas. Era preciso carregar os cofres do Estado com dinheiro fresco, primeiro emprestado pelas fadas e depois pago pelo povo (eram os únicos que trabalhavam). Lembrou-se da bruxa má. Recorreu aos economistas que mandara prender por serem lentos na linguagem e escolheu o Gasparzinho. Entregou-lhe a pasta das Finanças e ordenou que fosse ele a comunicar ao povo do Reino as medidas de grande austeridade – porque quando o príncipe o fez uns tempos antes o povo saiu à rua em massa.

Um dia, numa tarde de Outono, o sol estava meio encoberto e soprava um vento estranho, que não parecia ser de bom agoiro. O Gasparzinho cumpriu o que o príncipe pedia. Juntou os mensageiros da desgraça e os seus escribas no castelo. Eram 15h. Ecoaram-se as primeiras palavras e uma onda de sonolência varreu o Reino e atingiu todos os que o ouviam. Consta-se que ninguém escapou à maldição da bruxa má.

Não se sabe o que aconteceu depois. Alguém que conte o resto da história.

Público: http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/vitor-gaspar-o-povo-portugues-revelouse-o-melhor-do-mundo-1565861 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Há coisas que não entendo – será mesquinhez minha? Porquê?

Adriana xavier, a jovem que encantou muitos portugueses, um rosto da manifestação de 15 de Setembro, abraçou um Agente da polícia de choque, como ato de amor numa luta que é de todos. Um gesto intencional, calculado por desconhecer a reação do Agente, mas um gesto belo.

Mas na manifestação outras histórias românticas surgiram e deram que falar. Um jovem, de nome Ricardo, apaixonou-se pela Diana e andou desesperadamente à procura dela para confessar o seu amor e paixão. A história comoveu o coração de muitos portugueses e motivou reportagens e trabalhos jornalísticos - as emoções estavam ao rubro nesta insólita história. Pelos vistos, esta paixão não passou de uma campanha de marketing da Cacharel…

Imaginem como se sentem as pessoas que até no Facebook manifestaram o apoio ao jovem Ricardo, para encontrar a sua paixão, e agora o insultam por terem sido enganadas. O exagero da história é ter-se criado um Movimento  Anti-Cacharel Portugal, no Facebook. Santo Deus! Querem ver que ainda se vai fazer uma nova manifestação popular, para contestar a campanha publicitária?
 

Pus-me a pensar. Se eu na mais profunda sentimentalidade e com o meu coração partido de comoção por esta insólita história de amor fosse ao Facebook expressar apoio, força, coragem ao Ricardo, para encontrar a Diana, e depois descobrisse que tudo era uma invenção como me sentiria? O que pensaria? Continuaria comovido com a história de amor e acreditaria que, independentemente da campanha, existia ali muita emoção e que o Ricardo necessitaria de concretizar o seu desejo NEM QUE FOSSE À FORÇA PORQUE ENGANOU-ME.
 

Bem… uma história de amor que mais uma vez acaba em tragédia. Não há história de amor que termine em felicidade? E se o Ricardo se apaixonar verdadeiramente pela Diana alguém vai acreditar? Já imaginaram no terrível sofrimento que daí pode vir?

A culpa de tudo isto é da Diana, que fugiu.


Público: http://www.publico.pt/Sociedade/afinal-a-procura-de-diana-foi-uma-estrategia-publicitaria-1565524
http://www.publico.pt/Sociedade/cacharel-sublinha-que-campanha-nao-queria-ferir-susceptibilidades-1565815 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Momentos complicados se vivem no nosso país com o crescente número de pessoas descontentes com a política económica e social – estamos num período cada vez mais insustentável. A situação caótica não é apenas em Portugal, já o é, há muito tempo, na Grécia e agora com mais intensidade em Espanha – os recentes acontecimentos em Madrid não me deixam indiferente. Falta saber qual será o próximo país a entrar em colapso e a ver manifestações nas ruas, de um povo em estado de revolta e aflito com o rumo da vida.

Em Espanha as manifestações não são tão pacíficas quanto as que se realizaram em Portugal. As nossas manifestações foram em muitas cidades e, em qualquer uma delas, em número muito maior que as que se realizaram nos últimos dias em Madrid. Dizem que somos “hermanos”, mas de temperamentos muito diferentes. Felicito os portugueses que demonstraram descontentamento com uma maturidade política impressionante e capaz de “meter medo” porque não existiu nada que se pudesse apontar contra as manifestações, aponto de direitas e esquerdas se terem unido contra uma política macabra do Governo de Passos e Gaspar – fez-me lembrar José Saramago, na obra Ensaio Sobre a Lucidez. O Governo recuou (ainda que tente por outros estratagemas retirar do nosso bolso o que conquistamos com trabalho e esforço).
Em Espanha, a violência que a polícia desencadeou sobre os manifestantes, e o aumento progressivo desta, permitiu que esses manifestantes estejam a ser desacreditados perante o poder político e perante os restantes 47 milhões de habitantes. Isto não pode acontecer. A rua não pode ser condenada por uma luta de defesa dos cidadãos que estão a ser encurralados pelos políticos por meio de polícias. São inaceitáveis as declarações de Rajoy, descritas no EL PAÍSPermítanme que haga aquí en Nueva York un reconocimiento a la mayoría de españoles que no se manifiestan, que no salen en las portadas de la prensa y que no abren los telediarios. No se les ven, pero están ahí, son la mayoría de los 47 millones de personas que viven en España. Esa inmensa mayoría está trabajando, el que puede, dando lo mejor de sí para lograr ese objetivo nacional que nos compete a todos, que es salir de esta crisis” – basicamente está a reconhecer os milhões de espanhóis que decidiram ficar em casa e não se manifestaram e que são essas que contribuem para a Espanha saia da crise. De facto são, da mesma forma que acredito que muitos milhares que estavam nas manifestações também estão a pagar a crise. Não acredito que um povo tão explosivo como os “nuestros hermanos” se resuma a milhares nas ruas, acredito que em pouco tempo serão em milhões, que se encontram no limite da austeridade.

A crise não é apenas em Portugal, Espanha, Grécia ou Irlanda, haverá muito mais défice escondido nas grandes economias como Itália, França e Alemanha. Esta é uma crise Europeia. Eu acredito que a Europa falhou porque se está a desviar dos seus objetivos iniciais de criação. Vejam os milhões que chegaram aos países como um maná e não resolveu os problemas profundos – mais que o dinheiro são os valores que estragam a Europa.

Reportagem Público: http://www.publico.pt/Mundo/governo-elogia-forma-proporcional-como-a-policia-actuou-em-madrid-1564607

Autoria e outros dados (tags, etc)

AS IMAGENS DOS ROSTOS E DOS CARTAZES DA INDIGNAÇÃO

por Manuel Joaquim Sousa, em 17.09.12

Os portugueses sairam à rua para demonstrar a sua insatisfação e o limite dos seus sacríficios. São cada vez mais aqueles que contestam as medidas do Governo e que querem manifesta-lo de viva vós. Assim se exerceu um direito democrático nas ruas. O povo saiu em protesto, deixaram-se de acomodar no sofá enquanto lhes "espetam a faca".

 

Eu desloquei-me ao Porto, até aos Aliados, e retratei um pouco da indignação. São apenas imagens, mas os gritos e os slogans estão cá na cabeça como devem estar na cabeça daqueles que estiveram presentes.

 



Álbum completo em: http://www.flickr.com/photos/87325735@N08/sets/72157631547951056/


Imagens do Público em: http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/que-se-lixe-a-troika-os-protestos-sairam-a-rua-1563204

Autoria e outros dados (tags, etc)

Somos como uns cordeirinhos que seguem o caminho a que nos obrigam e sem qualquer opção de escolha sobre o futuro que desejamos. Os cães que nos guiam são uns senhores do Governo que nos empurram e nos ladram, como se necessitássemos de manter a ordem e o caminho dos pastores. Os pastores são os que determinam a regras para beneficio próprio, são os que ficam a ganhar e a rir do triste destino das ovelhas. Temos lã para os mantos que eles necessitam, somos a carne para quando têm fome. Pior tudo: agem como protectores do lobo mau.

 

Hoje é um grande dia para que os portugueses possam dizer que já estão fartos de tantas medidas de austeridade que estão a ser impostas.

Público: http://www.publico.pt/Economia/manifestacoes-antitroika-amanha-em-mais-30-cidades-em-portugal-1563045 

Autoria e outros dados (tags, etc)



Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mais sobre mim

foto do autor


Calendário

Maio 2017

D S T Q Q S S
123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031

Estou no blog.com.pt - comunidade de bloggers em língua portuguesa




Tags

mais tags