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JOSÉ SÓCRATES SEMPRE? PORQUÊ?

por Manuel Joaquim Sousa, em 01.07.15

 Foto retirada do perfil de Facebook de Frederico Duarte Carvalho


Não resisto em partilhar um comentário que deixei a esta imagem no perfill de Facebook, de alguém que vou seguindo nas redes sociais.

É uma grande questão, esta de saber quem paga toda esta campanha. Sem dúvida impressionante. Independentemente da sua culpa ou inocência (de José Sócrates), este tipo de publicidade choca o país porque está mais preocupada com aquilo que o povo pensa do que com aquilo que a justiça investiga. Como se a sentença viesse da rua (se calhar essa é a pior sentença). Como se a rua fosse o pior tribunal que Sócrates tivesse de enfrentar. Porquê esta necessidade? Porquê receio do cidadão? Porquê uma defesa voltada para a calúnia a quem tenta descobrir a verdade? Que esconde mais este personagem que o povo não possa saber? O que há de pior de tudo aquilo que já sabemos? Sócrates tem medo no meio da sua coragem e estampa esse medo com uma propaganda próxima daquela que os ditadores fazem para manifestar os louvores do regime, de forma a esconder a podridão e a miséria. Chega a um ponto que o ditador perde as rédeas da propaganda e são os seguidores que, em seu nome, fazem o que lhes convém até ao limite. Também aqui Sócrates perde os limites daquilo que fazem em seu nome e outros espalham a mensagem sem se aperceberem que estão a mostrar um lado cada vez pior de Sócrates. Quem está por detrás disto? Com que motivo faz tudo isto? O que escondem?

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A CARTA DE JOSÉ SÓCRATES AO PAI NATAL

por Manuel Joaquim Sousa, em 03.12.14

Querido Pai Natal,

Escrevo esta carta num dos momentos mais complicados da minha vida. Como deves saber já não vivo em Paris, na casa emprestada pelo meu amigo e de forma pacata. De um momento para o outro, sem ter vontade, mudei-me para Portugal ainda que forçado e agora estou a viver em clausura numa prisão, em Évora. Pensava que apesar de tudo a minha vida fosse sossegada, mas são inúmeras as pessoas que me vêm visitar, apesar de ficarem na entrada da prisão. A minha vida virou um desassossego, bem maior que o que levou Fernando Pessoa a escrever o seu livro e as suas passagens num pequeno quarto. Também vivo num pequeno quarto a que chamam de cela, onde apenas tenho a minha cama e uma cadeira onde me sento e medito com o passar das horas. Sabes, de vez em quando, tenho uns pensamentos filosóficos e peço ao guarda da prisão para me levar até à cabine para ligar para os jornais ou para a televisão para ditar umas coisas para serem públicas. Não me conformo estar resignado a um protagonismo sem uma presença física minha. Todo o mundo fala de mim, mas ninguém me viu realmente, apesar de umas imagens distorcidas que as câmaras captaram quando passei de carro da polícia ou lá no tribunal por trás das cortinas. Não me conformo em não poder dizer um adeus e falar com aqueles jornalistas que durante anos de primeiro-ministro destilei um certo ódio, de forma a espezinhar o seu trabalho.
Vivo tempos muito conturbados, que nem os meus mais próximos querem ligar nenhum, tirando o Mário Soares que tem saído em minha defesa, embora tenha caído no ridículo ao tentar sobrepor a minha honestidade sobre as decisões daquele juiz e daquele procurador a quem lhes dei umas boas instalações para trabalharem; e agora retribuem-me daquela maneira.
Eu sei que sou rico e que não devo pedir nenhuma prenda de Natal. Eu reconheço o descuido ao transferir dinheiro que era o suficiente para despoletar os alertas do sistema bancário, mas era eu, era eu e ninguém percebeu isso. Eu que sou um cliente da Caixa Geral de Depósitos e que sempre tive lá a minha humilde conta bancária e fazem-me isto. Assim tratam os clientes.
Querido Pai Natal, eu sei que estás ocupado, mas precisava de uma oferta tua; eu queria que me oferecesses um Magalhães para me ir entretendo enquanto estou aqui a viver na casa de Évora. Felizmente já tenho uma televisão que me vieram trazer e que tem sido a minha companhia. Os programas do Goucha são a minha ocupação da manhã. Já a Júlia Pinheiro tem sido difícil aguentar os seus berros. A Casa dos Segredos está a ser interessante acompanhar, pena eles não saberem que estou preso e convidavam-me para ir para lá fazer companhia e depois ver se eles conseguem descobrir o meu segredo – tenho tantos…
O Magalhães é tudo o que preciso neste momento. Talvez comece a escrever aqui umas memórias em vez de estar a ditar ao telefone ou termine o meu curso de filosofia.
Espero que compreendas a necessidade do meu pedido. Reconheço que não me tenho portado muito bem nos últimos tempos, mas prometo que estou a mudar.

Obrigado!

(texto satírico, qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência)

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Eram cinco da manhã de Sábado, pronto a arrancar para a capital, quando alguém de conta que José Sócrates, o nosso ex-primeiro-ministro tinha sido preso nessa noite, no aeroporto quando regressava de Paris. Ao princípio acreditei e não acreditei. Pensei que estavam a brincar ou até que o meu amigo tinha sonhado com isso. Porém, às 5:30, ouço as notícias na TSF e confirmo a verdade. Não tinha acreditado porque nunca pensei que José Sócrates fizesse, fosse capaz ou com o carácter para ser acusado de corrupção e branqueamento de capitais – tão ingénuo que eu sou. Apesar de não gostar dele como primeiro-ministro – contribuiu para o caos financeiro em que vivemos e a dura fatura que temos a pagar a uma série de credores e empresas que vivem como tentáculos dos dinheiros públicos – nunca o julguei e nunca me senti no direito dizer que era uma pessoa sem carácter, sem princípios, apesar de o contestar veemente.

 

Não me sinto feliz com o que aconteceu. Sinto alguma tristeza. Sinto também alguma revolta. É triste a imagem que está a ser passada dentro e fora do país. É uma imagem triste que me faz pensar na decadência do sistema político e na forma como é instrumento para favorecimento pessoal em vez do favorecimento do bem público. Fico triste porque a imagem da política e da democracia fica cada vez mais descredibilizada junto da opinião pública. Desta forma, as pessoas afastam-se mais da política e rapidamente a democracia passa a ser encarada como o sistema pior que outros sistemas como a ditadura.

Eu sei que muitos fazem a festa. Terão razão para isso. José Sócrates criou a teia a que se viu preso – foram os programas RET como amnistia aos que transferiam dinheiro não declarado para offshore; a implementação de regras de alertas bancários como a que detectou a movimentação de 200 mil euros entre si e a sua mãe; o impulsionador da obra do tribunal onde agora está a ser julgado. Muitos fazem a festa, sobretudo jornalistas que sentiram na pele as pressões e as acusações de José Sócrates, quando este era confrontado com situações delicadas.

Certamente que existia todo um mito em torno do ex-primeiro-ministro, que se revelou pior do que se estava a imaginar.

Por outro lado sinto conforto em saber que para a justiça portuguesa não existem cidadãos de primeira ou segunda categoria para serem julgados e presentes a justiça. Todos temos que responder perante ela. Dizem que algo está a mudar. Não sei se será assim. Poderei dizer daqui a uns anos quando esta sucessão de casos terminar e assim perceber o que mudou e quais os efeitos que surtiram estas detenções e acusações.

 

Por vezes, dizemos que a justiça é lenta e ao assistirmos aos acontecimentos dos últimos dias julgamos que as medidas de coação foram demoradas. O tempo dos jornalistas não é o mesmo tempo do juiz que terá de inquirir todos os acusados e analisar a lei e decidir sobre os argumentos da defesa e do Ministério Público. São processos que têm de ser escritos. Independentemente das acusações em tribunal, se for ou não julgado mediante as provas existentes, José Sócrates já está a ser julgado pela praça pública nacional e internacional. Disso nunca mais se livrará, mesmo seja declarado inocente. O julgamento está feito.

Chego à Capital e oiço dizer que se tratou do maior acontecimento em 40 anos de democracia. Não sei se este é o maior acontecimento destas 4 décadas, mas algo poderá mudar.

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Por: Manuel de Sousa
manuelsous@vodafone.pt

Quando José Sócrates ganhou as eleições legislativas e iniciava o seu segundo mandato como primeiro-ministro, com maioria relativa, ouviram-se vozes e comentadores que vaticinaram o destino do Governo com eleições antecipadas no horizonte, ainda que não se soubesse exactamente qual o momento e em que circunstâncias, se por impossibilidade de aprovação de um Orçamento de Estado, se devido a algum PEC. O tempo passou e o cenário de eleições manteve-se de pé. O director do jornal Expresso, Ricardo Costa, continuamente anunciava que estávamos cada vez mais próximos da queda do Governo e que as eleições seriam lá para Junho de 2011. Assim aconteceu. O chumbo do PEC 4 foi a “gota de água” para a demissão do Primeiro- Ministro. A dissolução da Assembleia da Republica foi sempre discutida desde o rescaldo do das últimas Presidenciais.
O inevitável aconteceu, não sei se na devida altura, dado que vivemos numa crise económica e social bastante grave e em que Portugal vive numa trincheira, em que muitos vão sucumbindo aos ataques externos cada vez mais agressivos vindo da Europa, comandada pela senhora Merkel. Não sei até que ponto esta euforia para eleições antecipadas será positivo para o nosso país, numa altura em que as alternativas para constituição de governo são tão brandas e são tão incógnitas que Sócrates poderá ganhar novamente, já que, apesar de tanto desagrado e tantas manifestações, este continua num lugar considerado confortável nas sondagens. Caso assim aconteça, todas as medidas que este tomar por mais terríveis que possam ser, serão tomadas com toda a legitimidade e sem que a rua tenha direito de contestação. Será Pedro Passos Coelho uma alternativa credível, mediante as contradições e confusões a que os eleitores têm sido confrontados diariamente nas medidas e contra-medidas que devem ser apresentadas? A única possibilidade que vejo, neste momento, é o crescimento do BE, PCP ou CDS, que assistem e muito bem à chacina de Sócrates e à queima solitária de Passos Coelho.
Sou obrigado a concordar com Miguel Sousa Tavares, no seu artigo, de 2/4/2011, quando diz e cito “não se muda de comando debaixo de fogo, chamando um general que de guerra apenas conhece as manobras”.

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Por: Manuel de Sousa
manuelsous@vodafone.pt

Dia 6 de Abril de 2011, será uma data que ficará na História de Portugal, como a data em que o Governo, de José Sócrates, pede ajuda para que seja efectuada uma intervenção externa no país, que vive mergulhado numa crise económica e financeira cada vez mais grave e sem solução à vista.
Ao final de sucessivas semanas e declarações de que não era necessário qualquer intervenção externa, veio dar o dito por não dito e reconhecer que essa ajuda é inevitável e é uma última alternativa que temos disponível para salvar o país. Apesar de, na sua declaração ao país contradizer tudo o que foi dito anteriormente pelo Governo, simplesmente responsabiliza a oposição como se esta fosse responsável pelo pedido de ajuda externa por não ter aprovado o PEC4. Não é compreensível que este executivo demissionário continue a desresponsabilizar-se das suas opções e das suas estratégias na condução do país nos últimos anos.
A necessidade de pagar a dívida pública que vence dentro em breve, a necessidade de injecção de fundos em diversas empresas públicas, tecnicamente falidas, a necessidade de baixar drasticamente o défice público, foram os motivos que inevitavelmente conduziram à decisão tomada hoje. Era inevitável por muito que se adiasse semana após semana.
Apesar dessa ajuda, é também certo que tenham de ser tomadas medidas de austeridade e que os afectados serão os mesmos de sempre.


Haveria necessidade de se chegar a este ponto? Não. Muito poderia ser feito enquanto era tempo, a começar pela gordura do Estado que não preocupou o executivo. A oposição apresentou propostas viáveis? Sim, não foram tidas em conta por não irem de encontro aos interesses de quem estava no poder.
É importante rever as obras públicas e a sua necessidade imediata ao país; evitar os desvios orçamentais das obras públicas; repensar, fundir e encerrar institutos públicos e fundações desnecessárias; repensar a constituição de empresas e organismos públicos onde poderiam existir cortes nas direcções, mordomias, subsídios e afins; cortar nas despesas desnecessárias como cartões de crédito, carros de alta cilindrada e ao serviço permanente de executivos e cargos de topo; cortar nas telecomunicações; cortes nos estudos e mais estudos que nunca surtem em efeitos, práticos; acabar com as Parcerias Público Privadas; cortar nos organismos do Governo tornando mais pequeno e sem tachos desnecessários; obrigar que as empresas como a CP, Refer sejam geridas com responsabilidade e com a responsabilização de que as descapitalizam; cortar subsídios atribuídos sem qualquer justificação ou aqueles que usufruem deles possam e devam desenvolver trabalhar onde o Estado mais precisar destes. São algumas das medidas que podem ser aplicadas no imediato e que levariam a um controlo das finanças públicas, mas ao mesmo tempo para as quais não há coragem de serem aplicadas e evitar os sacrifícios que vêm sendo exigidos aos que menos podem.
O Governo pede ajuda externa e José Sócrates apresenta-se com discurso de vitimização. É necessário falar verdade ao país seja o PS, sejam os restantes partidos de oposição e é necessário que a próxima campanha seja exemplar e realista. Os portugueses atingiram um ponto de exaustão, que poderá resultar numa explosão social da qual se desconhecem as consequências.

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