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EDROGAN NÃO QUER SER CHARLIE. TEM RAZÃO?

por Manuel Joaquim Sousa, em 13.01.15

Acabo de ler a notícia da Rádio Renascença Edrogan Não É Charlie. Fico a pensar. Dá que pensar.

 

Afastados que começamos a estar das emoções dos últimos dias em torno do terror em Paris e das emocionantes manifestações por toda a França, há que pensar em quem esteve presente e no papel de cada um no dia-a-dia por uma causa que agora luta. Refiro-me essencialmente aos lideres de inúmeros países que estiveram presentes na frente da manifestação. Foi emocionante? Foi de facto um momento raro. Porém, o que pensar da presença do Primeiro-Ministro de Israel também ele culpado de muitas mortes de palestinianos causados pelos sucessivos ataques contra a Faixa de Gaza? Estaremos a ser totalmente coerentes se não tivemos a pertinência de questionar estes líderes e exigir deles uma resposta em relação aos seus atos e às intensões nesta manifestação?
Estará a sua consciência mais tranquila quando se manifesta contra a morte de 17 pessoas e nos seus atos existe a morte de milhares, incluindo crianças que são as mais inocentes de todas as guerrilhas tolas dos adultos?

Numa manifestação não bastam apenas números, presenças de grandes lideres à cabeça da caminhada. É preciso coerência, transparência e dignidade. Por muito que me custe tenho que aceitar a opinião de Edrogan - pode não ser muito correto, mas também não teve a atitude de hipocrisia que dominou a cabeça da manifestação.

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PORQUÊ JE SUIS CHARLIE?

por Manuel Joaquim Sousa, em 10.01.15

No calor dos momentos, em que sentimos o perigo e o horror perto de nós, assim como, os atentados aos valores que tanto queremos na vida, leva-nos às afirmações mais sentimentais e revoltadas como forma de defesa daquilo que somos. O atentado em França contra o jornal Charlie Hebdo revoltou muita gente por esse mundo fora e, por isso, muitos assumiram a frase "Je suis Charlie". Quando vi a faixa negra em muitos perfis do Facebook parei para pensar se também deveria substituir a minha imagem por aquela palavra de ordem. Preferi antes partilhar no meu mural. Partilhar no mural para me associar à revolta que os franceses estavam a sentir porque enquanto bloguer, desejo ter liberdade de opinião em relação aos assuntos que me interessam comentar, independentemente dos visados.

 

Não substitui a fotografia do mural porque continuo a ser quem sou - um ser individual como qualquer um de nós. No entanto, conjugar o verbo être (que se utiliza para ser/estar) e afirmar "je suis Charlie" significa que defendo uma liberdade de expressão em todas as direções; significa a condenação do silêncio e a submissão às ideias que quero contrariar; significa querer ser critico, ainda que sarcástico, ao mundo que rodeia.

 

É certo que se isto não acontecesse meio mundo, como eu, não se lembrava de ser Charlie e é preciso que o pior aconteça para defender aquilo que afinal custa tão caro - a liberdade.

 

Criticar, debater, desenhar são tudo formas de expressão. Charlie Hebdo criticava sem olhar a quem - não apenas o Islamismo. Dessa forma, não entendo que seja tendencioso. Na sua mira esteve sempre a política, religião a sociedade. As suas publicações em nada se relacionam com o facto da França ter atitudes menos democráticas com algumas minorias - acredito que as tenha. Acredito que exista muito trabalho a fazer na integração. Mas integrar e acolher implica silenciar opiniões como Charlie Hebdo? Ou implica outro trabalho como igualdade de direito para os cidadãos e a possibilidade de viverem segundo as suas tradições, desde que não ponham em causa a vida dos outros?

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