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Os portugueses são de facto excecionais – continuaram a contribuir para o Banco Alimentar, quer em voluntariado ou em géneros alimentares. Ainda não sabemos o número de toneladas arrecadadas este fim-de-semana, mas crê-se que estará próximo do ano passado.
A crise não tem inibido as pessoas de serem solidárias e nem as declarações da Sra. Jonet (que acha que em Portugal não existe miséria).

Posso dizer que também contribui com um alguns alimentos, não pela Senhora Presidente, mas porque existem portugueses que realmente estão a precisar e que não têm culpa de determinadas declarações.

O Banco Alimentar é uma instituição com credibilidade (até ao momento) e, como tal, recebe a confiança de muitos portugueses. Preferia que estas instituições não tivessem a necessidade de existir - significaria que em Portugal as pessoas viviam sem as necessidades básicas ou pelo menos, nos tempos difíceis, existiriam formas eficazes de contrariar a pobreza crescente. Temo bem que o Governo se queira libertar das suas responsabilidades, de contribuir na ajuda aos portugueses, e se aproveite destas instituições para que façam todo o trabalho.

Viver num país em que se é solidário com o próximo é bom - trata-se de um sinal de acolhimento, respeito e humanidade –; porém, é importante que ser solidário e contribuir para a solidariedade não nos faça tornar num país de caridadezinha, em que existe o coitadinho que se queira aproveitar da bondade dos outros para todo o sempre como forma de ganhar o sustento. Os portugueses passam por uma situação de grandes sacrifícios e espero que não sejam tolerantes quando os parasitas estejam a contribuir para a queda do Estado Social.

Fala-se muito na renovação do Estado Social, que se torna cada vez mais insustentável – porque cada vez mais pessoas recorrem à ajuda que do Estado – quando mesmo assim se exigem mais sacrifícios e mais impostos. Então se querem cortar, retirar no Estado Social porque temos de pagar mais e mais? Será que se quer reestruturar o dito cujo porque as instituições de solidariedade estão a ter cada vez mais responsabilidade? O Estado reestrutura as ajudas porque sabe que os portugueses não se importam de dar o saquinho de compras para o banco Alimentar? Há caridadezinha no nosso país porque os responsáveis políticos preferem ignorar as necessidades das pessoas.

Enquanto os portugueses, como eu, estão ocupados a escolher o que colocar no saquinho ou a ajudar na recolha e embalamento de produtos, existe quem no Estado prefira aproveitar esse tempo para renovar frotas, nomear para cargos, entregar dinheiro a fundações dispensáveis, pagar buracos financeiros como BPN ou rendas às PPPs.
Esta é a discrepância do tipo de esmolas que o poder dá em relação ao tipo de esmolas do cidadão comum.

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Ao final da noite, enquanto me refastelava no sofá a descansar um pouco, fiquei surpreso com a quantidade de blogues e comentários no facebook sobre Isabel Jonet - perdoem-me a ignorância, mas, apesar do nome me soar a alguma coisa, não fazia ideia que era da senhora que governa o Banco Alimentar Contra a Fome. Fiquei admirado com o forte debate que se estava a gerar contra e a favor da senhora – dizem que umas certas afirmações suas na SIC Notícias não foram bem acolhidas. Dei-me ao trabalho de ler muitos comentários, mas para saber exatamente o que se passou, e não andar também a atirar filetes, decidi ouvir as declarações da senhora Jonet.

Pois que, não percebo porquê tanta indignação com o que a senhora disse e com o facto de ter generalizado o que acontece em sua casa (possivelmente) com o que acontece na minha e na casa de quem lê este artigo.
Acha a senhora que “vivíamos acima das nossas possibilidades”- uma grande verdade. Andamos por aí todos a gastar o que não temos – ganhamos 1 Euro e depois vamos gastar 2 Euros. Por exemplo, hoje não sabia como gastar o dinheiro que ganhei pelo meu dia de trabalho e como não me apetecia cozinhar fiz a desforra total, fui comprar meio frango de churrasco e três pães. Depois de ouvir isto martirizei-me por ter comprado meio frango e três pães, quando podia ter estrelados dois ovos e comprado um pãozinho, mesmo que estivesse com a verdadeira fome que tinha.

Por este raciocínio, Isabel Jonet disse que: “vivemos de uma maneira completamente idiota” quando fala de consumo – tem razão. Porquê ter comprado frango, idiotice a minha. Porquê ter comprado no mês passado umas botas para o Inverno, quando ainda tenho os sapatos de Verão para usar ou os ténis de pano; para quê ter pago a conta da luz quando poderia deixar para outra altura que houvesse mais dinheiro ou viver como antigamente sem luz. Para quê ter televisão por subscrição se posso muito bem aguentar com a fantochada dos outros canais e não assistir a programas onde esta senhora participa. Vivemos de uma maneira idiota sim porque temos de trabalhar muito para conseguirmos ter pão na mesa e conseguirmos pagar as despesas correntes. Viver acima das possibilidades é o que todos os portugueses gostam porque os bancos têm sempre crédito para oferecer a boas taxas.

Em todas as famílias existe o costume como os da senhora Jonet  - “os meus filhos lavam os dentes com a torneira a correr” e também se tem uso de lavar a loiça em água corrente, o que é um grande desperdício de água – já para não falarmos na necessidade de tomarmos banho regularmente, quando sabemos que isso é um desperdício.

O dinheiro não chega para tudo e as nossas prioridades nem sempre são as melhores “ou vamos a um concerto de rock ou podemos tirar uma radiografia quando caímos numa aula de ginástica”, até porque os portugueses têm todos essa mania de aulas de ginástica, os ginásios são um em cada esquina e a fila de espera para se ter aulas de ginástica demonstra que este luxo não deveria estar ao dispor dos portuguesas e os concertos de rock deveriam terminar – além de tudo o que são concertos de música ou espetáculos culturais que são o abuso às prioridades das famílias.

É uma verdade: “se não há dinheiro para comer bifes todos os dias, não podemos comer bifes todos os dias (…) estávamos habituados a comer bifes todos os dias ou achávamos que podíamos comer”. Eu próprio comecei a ficar enjoado da quantidade de bifes que comia. Todos os dias a mesma receita, já que a alternativa, que seria marisco, não sou apreciador. Por essa razão, hoje optei pelo frango para desenjoar um pouco e do qual me arrependi porque temos de viver com menos e frango é algo que está acima das minhas possibilidades.

Não se esqueçam: “em Portugal podemos estar mais pobres, mas não temos miséria” porque temos tudo o que necessitamos e que compramos acima das nossas possibilidades. Os que vivem na rua, debaixo da ponte ou em casas sem condições de habitabilidade, assim como aqueles que não têm comida e vão ao Banco Alimentar são pessoas que estão mais pobres e nunca na miséria.

Eu compreendo a senhora Isabel Jonet e não percebo quanta contestação há nas ruas contra os governos e todas as políticas que têm sido feitas contra os portugueses e contra os seus empregos. Foram os portugueses que permitiram os roubos como o BPN, privatizações a preço de saldo, PPPs, etc, etc, etc.

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