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UMA CARTA A DONALD TRUMP

por Manuel Joaquim Sousa, em 29.01.17

Caro Donald Trump,

Escrevo-lhe esta carta, que ficará apenas divulgada no meu blogue, para lhe dizer que estou surpreendido. Surpreendido pelas imensas promessas que está a cumprir – um político que cumpre com o prometido na campanha eleitoral -; em tempo breve – não e lembro de um político que na sua primeira semana está a executar tudo o que prometeu. Se na primeira semana de governação já despachou tantos decretos, imagino que daqui a 4 anos os EUA estejam totalmente diferentes do que conhecemos atualmente.
Nunca fui fã do povo americano, mas nada tenho contra, talvez agora tenha mais porque permitiu a sua eleição. Pensei que o povo americano fosse mais sério e não se deixasse levar pelo populismo que o senhor presidente foi lançando durante a campanha. Se calhar até lhe acharam piada e decidiram deixar que chegasse ao poder só para ver a forma como governaria o seu país. Espero que aqueles que votaram em si estejam contentes pela concretização das suas promessas. Acho que Hillary Clinton não teria a mesma capacidade de trabalho como o senhor, pois seria a continuidade do Senhor Obama que já muito trabalho tinha feito para uns EUA mais dignos e mais igualitários como refere a constituição. Na realidade, o senhor Trump já fez mais asneiras que o Obama em todo o tempo de governação – se bem que os erros de Obama não são comparáveis com as trapalhadas do Trump.
Não sei se o povo americano apenas irá contestar nestes primeiros dias de governação e depois se calará ou se as contestações continuarão a subir de tom, tendo em conta o aumento da aplicação de decretos que são um atentado à constituição americana.
Sr. Trump, com tanta contestação nestes tempos, os media americanos vão estar constantemente “agarrados aos seus calcanhares” pelas piores razões – espero que não o larguem -; por essa razão, aconselho a ter uma máquina de propaganda muito bem afinada se não quer uma revolta – mais que uma CIA ou um FBI, em Portugal tivemos um modelo que o ajudará bastantes como a PIDE; mas basta percorrer a História dos países europeus e onde existiram ditaduras, existiram polícias políticas.
Espero que o senhor tenha a consciência que os seus eleitores precisam de um programa como o Obama Care se querem ter um acesso a um sistema de saúde. Espero que o senhor se lembre que muito do sucesso dos EUA a nível económico está em cérebros que vieram de outros países. Lembro que se quer livrar dos ataques terroristas deve pensar numa política externa mais aberta e com base nas negociações amigáveis – no tempo do Senhor Obama, os EUA estiveram em paz nos atentados comparado com o temos sofrido na Europa -, e deve analisar os números em relação à criminalidade proveniente de americanos.
Se a sua intenção é criar barreiras e muros, para que o seu país seja isolado, pense no que vai acontecer com as exportações - a pensar só no consumo interno -; na falta de massa cinzenta para desenvolver tecnologia; na ajuda que vai precisar do resto do mundo quando acontecer aquelas catástrofes naturais causadas pelo desrespeito do meio ambiente – que o senhor considera uma treta. Se espera fechar ao mundo, também espero que o mundo se feche em todas as formas ao seu país e daqui a uns anos veremos o que resta do sonho americano – se fizer uma boa campanha vai querer dizer que estão bem, quando o povo necessita de liberdade.
Tive desejo de escrever estas palavras, só para libertar aquilo que pensava, quando assisti à tristeza das notícias de hoje, onde dezenas de pessoas foram detidas nas fronteiras devido ao seu fabuloso decreto anti-imigração. A sua justificação é tão protecionista: “Não queremos deixar que se infiltre alguém que procure prejudicar-nos. É tudo. Sei que em alguns casos isto vai causar inconvenientes.” – falta saber até onde resulta este protecionismo.
Não tenho o prazer de ser mal-educado com os demais, nem gosto de destilar ódio nas redes sociais, mas não posso deixar de lhe dizer que o senhor é um Homem sem princípios humanistas, será um presidente terrível, ignóbil e odiado. No fundo, o senhor até não tem culpa porque me responderia que foi eleito depois de ter feito a campanha que fez e só está a cumprir as suas promessas – por um momento desejaria que não cumprisse as promessas e o mundo estaria mais sossegado.

Não estou sossegado e temo pelos tempos que se aproximam – sobrará para todos.

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CRÓNICA DE UMA GUERRA ANUNCIADA

por Manuel Joaquim Sousa, em 06.07.15

O povo continua na mesma corrida aos multibancos para levantar os 60 Euros diários a que têm direito. Muitos nem isso devem ter para levantar. Falamos dos que engrossam as filas, mas esquecemos dos invisíveis que não têm essa possibilidade e que serão muitos mais que os das filas. Ter 60 Euros para levantar é uma sorte nos dias que correm, para os gregos. Uma tragédia grega.
A Grécia está em guerra. Contra quem? Contra a Europa que de amiga passou a inimiga. A Europa esmaga de um lado, o governo do Syriza tenta usar o escudo e esmaga do outro. Os encurralados são sempre os mesmos: o povo. Tristes os humildes porque deles é o reino da desgraça terrena. Pagam com miséria as teimosias de ambas as partes.
A Grécia está em guerra. Por causa de quem? Dos meninos que brincam às reuniões. Falam de dívidas, empréstimos, tranches, pagamentos, mas não parecem pensar no povo desesperado com a situações de estrangulamento económico a que estão condenados.
A Grécia está em guerra. De onde vêm os combates? Não há balas ou exércitos a tomarem posições de ataque, mas os efeitos continuam a ser os mesmos - e serão se o impasse continuar. Estaremos perante um desastre económico, humanitário de proporções que não poderemos prever. Estou a ser catastrófico? Sim. Em exagero? Talvez, mas não tenho outra visão mais positiva em relação ao que está a acontecer.
A Grécia está em guerra. Há consciência disso? Poucos lideres europeus parecem conscientes disso. Os testemunhos dos jornalistas demonstram a realidade que alguns podem tentar negar ou simplesmente ignorar. Os multibancos começam a ficar sem dinheiro; as bombas de gasolina sem combustível; os supermercados com as prateleiras vazias; as farmácias sem medicamentos para aqueles que têm doenças crónicas.
A Grécia está em guerra. E? Há quem esteja longe da realidade dos que vivem na miséria e a ela estão condenados. Os políticos facilmente atirarão culpas aos gregos por tudo o que lhes está a acontecer - é fácil culpar quem pouco ou nada tem como se defender.
A Grécia está em guerra. O que vai acontecer? Não me admiro que estejamos perante uma guerra civil.
A culpa será sempre daqueles que esmagam o povo de um lado ou do outro.

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GRÉCIA: A VITÓRIA DO NÃO SIGNIFICA O QUÊ?

por Manuel Joaquim Sousa, em 05.07.15

Procuro acompanhar de perto a situação da Grécia por ser Europeu e porque portugueses e gregos estão na União Europeia e têm como moeda única o Euro. Estamos no mesmo barco. Dizem que não somos a Grécia - como queiram - mas tudo o que lá acontecer terá implicações futuras para Portugal. Podemos estar alheios aos acontecimentos, mesmo que não se perceba ao certo o que lá está a acontecer? Não podemos. Estamos próximos demais e o país é melindroso demais para se tentar alhear de tudo.

Perdoem-me a ignorância. Não percebo o porquê deste referendo. O que é o sim e o não? O que representa no futuro e qual o caminho a seguir quando se conhecerem os resultados? Neste momento, as urnas estão fechadas. O "Não" irá ganhar com pouca vantagem sobre o "Sim". O povo está dividido porque não sabem o que vai acontecer a seguir qualquer que seja a votação.

 

Quando a União Europeia (UE) foi criada - ainda se dizia CEE - não foi pensado o cenário de expulsar, convidar a sair um dos seus membros porque do momento em que aderiam ficariam juntos para o resto da História. Naquele tempo, havia outro pensamento estratégico em relação ao futuro da União, daí que não se tenha pensado na saída dos países. Não se equacionou crises tão profundas como aquelas que se existem atualmente. O sentido da palavra "irrevogável" é mesmo que aquele que existia antes de Paulo Portas lhe ter mudado o sentido. Paz, segurança, prosperidade foram os ideais de criação da CEE. Hoje os ideais são bem diferentes e a falta de política e visão futura condena-a ao seu fracasso. O fracasso que começa obviamente pelos mais frágeis.

 

Neste momento, a expectativa dos lideres Europeus deve ser grande perante os resultados que se encontram a ser apurados e os meninos voltarão a reunir-se para debater o futuro - debates que ao longo dos dias se tornam cada vez mais improdutivos.

 

Não percebo o porquê do referendo, mais uma vez me perdoem a ignorância. Qual a sua intenção? Em que condições se pode referendar "à última da hora" o futuro do país, sem que exista um amplo debate na sociedade grega? Que esclarecimentos tem o povo em seu poder para escolher a melhor opção? Que efeitos práticos para a Grécia e para a Europa tem a decisão do povo - o mesmo que está a ser encurralado? Tsipras pretende o quê para o seu país? Acha mais fácil negociar quando o povo está dividido em relação às escolhas que tem a fazer? É o referendo que vai dar liquidez aos bancos? Que vai parar a sangria dos depósitos? Que posição tomará o Banco Central Europeu? Estaremos prestes a assistir à agonia e à miséria dentro da UE?

 

Eu como Europeu assisto passivamente aos acontecimentos que se seguem porque só tenho questões e não tenho respostas. Acredito que uma larga maioria está na mesma posição.

Que se conheçam os resultados.

  

Em ambos os cenários podem existir novas negociações, em ambos os cenários poderão existir eleições antecipadas, em ambos os cenários a Grécia estará em crise e endividada.

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O MUNDO MUDOU HÁ 13 ANOS

por Manuel Joaquim Sousa, em 12.09.14

O mundo mudou. Já lá vão treze anos. O tempo passou com uma rapidez que a memória das pessoas começa a deixar cair no esquecimento aqueles acontecimentos. São trezes anos em que o mundo mudou e que após isso se tentaram resolver sucessivas crises com sucessivos conflitos e guerras. Guerras se sucederam para impor a ordem, para se mudar regimes. Entretanto outros se sucederam. O mundo mudou, mas nem por isso ficou mais calmo. Em 2011 escrevi as palavras abaixo:

Em poucos minutos o mundo mudou. Passados 10 anos muitos acontecimentos são consequência desses minutos, de uma manhã, de 11 de Setembro, de 2001. Morreram 2753 pessoas de todo o mundo, na sua maioria americanos, que trabalhavam no World Trade Center - as míticas Torres Gémeas, símbolo do poder americano. Muitas vítimas continuam por identificar, guardados numa tenda perto do Ground Zero - alguns impossíveis de identificar porque estão completamente queimados.

Durante horas o mundo ficou em suspenso com os sucessivos acontecimentos, que rapidamente chegaram aos quatro cantos do mundo. Em directo podemos acompanhar o desenrolar de grande parte dos acontecimentos. Primeiro, o embate na Torre Norte, depois um novo embate na torre sul, de seguida um avião que se despenhou contra o Pentágono, entretanto a torre sul cai e um outro avião cai na Pensilvânia, por fim o colapso da Torre Norte. Uma sequência de acontecimentos que horrorizaram o mundo e sobre os quais não existia qualquer ideia de pararem e não dava para perceber o que estava realmente a acontecer. No suspenso do horror de um acontecimento macabro e inigualável no mundo globalizado, uma parte do mundo islâmico e radical regozijava-se com o sucesso de uma operação preparada com o mínimo detalhe.
A América ficou ferida. O coração financeiro (WTC), militar (Pentágono) foram atingidos; apenas o coração político não foi porque o avião terá caído antes de chegar ao destino. Uma ferida exposta que tentou envergonhar o orgulho e a superioridade americana face ao mundo, sobretudo face ao mundo islâmico radical, que sempre se sentiu ferido e vitimizado com a política militar americana e as suas ofensivas pelo mundo. Mas, o mundo também ficou ferido com o 11 de Setembro. Não apenas porque morreram pessoas de cerca de 90 países, mas porque se consciencializaram que estamos muito vulneráveis a diversas ameaças vindas de onde menos se esperam. Bali, Madrid ou Londres são os melhores exemplos. Em poucos minutos o mundo mudou e em poucos minutos a liberdade cultural e religiosa passou a ser vista de forma desconfiada, com reservas e mesmo rejeitada por muita gente. É certo que muitos americanos pagaram com a vida um ódio que não tinham e não mereciam o que lhes aconteceu. Também é verdade que o mundo muçulmano passou a ser observado como fanático, radical, quando a maioria não se regozija com o que aconteceu e não pactua com a escalda de violência. De boas intenções está o inferno cheio e a violência é um acto que procura limpar e vingar as vítimas de ambos os lados da barricada. Por isso, o orgulho americano não se baixou e as intervenções militares no Afeganistão e no Iraque são a prova de que nenhuma das partes está disposta a resignar-se em nome da paz. De nada valem as teoria da conspiração inventadas pelos anti-americanos, que reconhecem os americanos como os responsáveis e criadores dos atentados ou que nenhum avião caiu sobre o Pentágono porque nenhum país, muito menos os EUA, está disposto a ferir o seu próprio orgulho. Os EUA poderão ser responsáveis pelos atentados do ponto de vista das suas atitudes, posições e intervenções militares ao longo da História que terão alimentado ódios, que explodiram de uma forma inteligente.

Depois do 11 de Setembro o mundo tornou-se diferente, as pessoas passaram a ter atitudes e comportamentos diferentes para evitar um perigo eminente, que não se sabe onde está, mas que realmente existe em qualquer parte do mundo. Os simples hábitos diários passaram a ser controlados de forma mais rigorosa em nome da segurança nacional e a privacidade deixou de ser um bem próprio, mas um bem público, para a detecção de qualquer suspeita. Porém, enquanto uns fazem o controlo apertado nos aeroportos, nas telecomunicações, na Internet, etc, outros procuram as falhas do sistema de segurança para lançar novas ameaças e espalharem novamente o terror. A guerra contra o terrorismo parece ser um guerra bem pior que os conflitos convencionais e que marcaram a História da Humanidade. Esta é uma guerra que não se conhece o fim. Não é uma guerra de Estados, mas de culturas e essas são sempre as piores e que se travam no dia-a-dia, de cada vez que se cruzam. Enquanto todos os diferentes Homens não foram capazes de darem as mãos, haverá sempre alguém, um que seja, a incitar à violência, à guerra que não é santa, mas infernal. Quando isso acontece a Humanidade entra no ponto de regressão da sua evolução para uma sociedade perfeita e para um mundo perfeito. Os inocentes são sempre os que mais sofrem como em qualquer guerra.

O que mudou desde então?

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QUAL O FUTURO DA UCRÂNICA?

por Manuel Joaquim Sousa, em 19.03.14

O resultado do referendo na Crimeia, com 96,77% dos votos a favor da anexação à Rússia, provocou ainda mais crispação nas relações entre a Rússia, a vencedora, e a UE e EUA, os derrotados - derrotados porque desde o início classificam este referendo como inconstitucional e, por esta razão, não reconheceram a derrota e lançaram ameaças de sanções sobre pessoas e bens russos.

Para quem acompanha de longe o desenrolar da situação, como eu, fica um pouco perplexo ao tentar perceber todo o desenrolar da situação desde o início e com alguns receios quanto ao futuro – haverá possibilidade de se caminhar para a terceira guerra mundial? (Quero acreditar que este é um cenário exagerado).

Primeiro, o presidente Viktor Ianukovichn foge porque a situação na Ucrânia torna-se incontrolável devido à sua política de aproximação a Moscovo, quando, a julgar pelas manifestações em massa nas rua de Kiev, o povo preferia uma aproximação à UE. É natural que perante este cenário a UE acolha de bom agrado esta exigência do povo e marque uma presença de força e pressão, para que o presidente mude de posição neste xadrez político. Com a ausência de Viktor Ianukovich, as posições não serenaram e do lado da Rússia, que pretende o seu alargamento como que a reconquista do que perdeu no passado, movimentou forças militares para a zona da Crimeia – inicia-se a disputa por um território anteriormente Russo e entregue à Ucrânia de forma leviana e ao que dizem recheada com um pouco de álcool.

 

Segundo, o referendo é apresentado como solução deste impasse, mas não é do agrado dos EUA e da UE, por se tratar inconstitucional. Porquê? Ao que sei, o único motivo é a sua realização sob pressão e ameaças aos eleitores. Ameaças? Como considerar ameaças se a maioria do povo da Crimeia sempre se declarou a favor da anexação à Rússia? Não acredito que este resultado seja reflexo dessa suposta ameaça - sempre me pareceu, à luz do que leio, que o desejo do povo sempre foi esse. O que me parece, existe um medo de se abrir um precedente para outras regiões da Ucrânia optarem por escolher, sob referendo, o seu futuro e consequentemente uma possível anexação de mais regiões à Rússia, permitindo que o império Russo cresça e se aproxime de outros países como a Polónia – a História reescreve-se.

Apesar deste medo do Ocidente, existem poucos argumentos que possam tornar as posições da UE legitimas para a sua vitória neste braço de ferro; sabemos bem que esse medo é também alimentado pela dependência energética das potências europeias – o gás e os gasodutos que passam para o ocidente através da Ucrânia. Por outro lado, quais as vantagens que a Ucrânia pode ter em ficar aliada ou fazer parte da UE? Quais as garantias para uma solução económica de um país que se encontra em bancarrota – enquanto que a mesma UE não resolve os problemas económicos de alguns países-membros? Se o anúncio da entrega de dinheiro para recuperar a economia não foi convincente deixa de existir qualquer argumento válido para esta disputa. Não vejo na posição da UE qualquer ato de caridade, apenas puro interesse.

A Ucrânia vive este impasse da divisão; porém, o seu futuro não será mais certo e próspero com a integração da Rússia e isso a população tem a noção - acham que será a saída mais válida.

A UE pode avançar com as sanções, mas creio que será sempre o elo mais fraco porque existe sempre o receio do fecho das torneiras do gás; no caso da Rússia, mesmo que os oligarcas russos fiquem com os seus interesses económicos comprometidos, tal não será suficiente para que o desejo de construção do império Russo à imagem de Putin seja abandonado – ao Presidente Putin pouco lhe importa os oligarcas.

A História continua…

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Será o Sandy uma força da natureza tão poderosa para além dos estragos causados em diversos estados dos EUA? Será que a força do Sandy pode ser decisiva para as eleições americanas, da próxima Terça-feira? Há quem acredite que a atuação do Presidente Obama nesta crise, causada pelo furacão, foi muito positiva e isso constituiu uma grande vantagem em relação ao seu rival Mitt Romney – apagado durante dias por causa da suspensão dos atos de campanha eleitoral, mesmo que pelo meio tenha organizado comícios para juntar fundos a serem entregues às pessoas afetadas pela devastação.


O Sandy tem uma força tão poderosa, a ponto de se acreditar em teorias da conspiração que responsabilizam Obama pela criação do furacão (mais uma nova perspetiva da forte capacidade de imaginação de muitos americanos, que tentam justificar os acontecimentos como obra de quem tenha mais a beneficiar como forma de manipulação da opinião pública).

Apesar do destaque de Barack Obama nestes últimos dias, ainda não existe um candidato garantido, a dispunha será renhida. Mitt Romney mostrou-se um candidato com força e sucessivamente bem preparado nos últimos tempos, apesar dos sucessivos atropelos em algumas declarações públicas (Bush também cometeu as suas gaffes e, mesmo assim, esteve durante dois mandatos no poder) verdadeiramente arrepiantes, sobretudo para quem acompanha o desenrolar da campanha fora do país – acredito que uma grande maioria dos americanos tem um pensamento tão conservador que não contesta ou desvaloriza algum tipo de afirmação do candidato Republicano.

Os EUA estão mergulhados numa crise económica e enfrentam uma taxa de desemprego muito elevada, uma situação que complica a reeleição de Obama. Apesar de ser um líder mais pacífico não cumpriu com a retirada do Afeganistão ou do Iraque, assim como, não encerrou Guantánamo - reprovável aos olhos internacionais. Pode reclamar vitória pela captura de Bin Laden. Pode reclamar uma vitória ao conseguir a criação de uma Sistema Nacional de Saúde, que permita o acesso a cuidados de saúde a muitos americanos desfavorecidos e sem seguro.

Barack Obama foi a esperança de milhões de pessoas, que acreditaram num Presidente diferente que fosse uma viragem na história dos EUA; muito para além de ser o primeiro Presidente negro, mas aquele que defendia uma América única, independentemente da cor ou proveniência. Para muitos, deixou de ser o herói; para muitos outros, continuará a ser.

 Terça, nas próximas eleições, teremos a noção de qual a força de Obama para continuar ou para dar lugar ao Republicano, conservador, defensor de uma atitude de reforço da força militar e do orçamento militar e com uma atitude de neoliberalismo económico forte e anti ambientalista.

No momento em que escrevo estas palavras, faço zapping entre RTP2, SIC Notícias e TVI24 e, por todos eles, passam documentários sobre os dois candidatos, sobre as suas origens e sobre os seus percursos até à atualidade. A atualidade americana continuará a fazer parte de espaços noticiosos no nosso país (como o será em muitos outros países do mundo). Para além do grande interesse cultural e político que a atualidade política tem para nós, é certo que o próximo Presidente dos EUA terá uma grande responsabilidade porque as suas decisões também podem influenciar o nosso mundo – afinal, vivemos na aldeia global.

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Momentos complicados se vivem no nosso país com o crescente número de pessoas descontentes com a política económica e social – estamos num período cada vez mais insustentável. A situação caótica não é apenas em Portugal, já o é, há muito tempo, na Grécia e agora com mais intensidade em Espanha – os recentes acontecimentos em Madrid não me deixam indiferente. Falta saber qual será o próximo país a entrar em colapso e a ver manifestações nas ruas, de um povo em estado de revolta e aflito com o rumo da vida.

Em Espanha as manifestações não são tão pacíficas quanto as que se realizaram em Portugal. As nossas manifestações foram em muitas cidades e, em qualquer uma delas, em número muito maior que as que se realizaram nos últimos dias em Madrid. Dizem que somos “hermanos”, mas de temperamentos muito diferentes. Felicito os portugueses que demonstraram descontentamento com uma maturidade política impressionante e capaz de “meter medo” porque não existiu nada que se pudesse apontar contra as manifestações, aponto de direitas e esquerdas se terem unido contra uma política macabra do Governo de Passos e Gaspar – fez-me lembrar José Saramago, na obra Ensaio Sobre a Lucidez. O Governo recuou (ainda que tente por outros estratagemas retirar do nosso bolso o que conquistamos com trabalho e esforço).
Em Espanha, a violência que a polícia desencadeou sobre os manifestantes, e o aumento progressivo desta, permitiu que esses manifestantes estejam a ser desacreditados perante o poder político e perante os restantes 47 milhões de habitantes. Isto não pode acontecer. A rua não pode ser condenada por uma luta de defesa dos cidadãos que estão a ser encurralados pelos políticos por meio de polícias. São inaceitáveis as declarações de Rajoy, descritas no EL PAÍSPermítanme que haga aquí en Nueva York un reconocimiento a la mayoría de españoles que no se manifiestan, que no salen en las portadas de la prensa y que no abren los telediarios. No se les ven, pero están ahí, son la mayoría de los 47 millones de personas que viven en España. Esa inmensa mayoría está trabajando, el que puede, dando lo mejor de sí para lograr ese objetivo nacional que nos compete a todos, que es salir de esta crisis” – basicamente está a reconhecer os milhões de espanhóis que decidiram ficar em casa e não se manifestaram e que são essas que contribuem para a Espanha saia da crise. De facto são, da mesma forma que acredito que muitos milhares que estavam nas manifestações também estão a pagar a crise. Não acredito que um povo tão explosivo como os “nuestros hermanos” se resuma a milhares nas ruas, acredito que em pouco tempo serão em milhões, que se encontram no limite da austeridade.

A crise não é apenas em Portugal, Espanha, Grécia ou Irlanda, haverá muito mais défice escondido nas grandes economias como Itália, França e Alemanha. Esta é uma crise Europeia. Eu acredito que a Europa falhou porque se está a desviar dos seus objetivos iniciais de criação. Vejam os milhões que chegaram aos países como um maná e não resolveu os problemas profundos – mais que o dinheiro são os valores que estragam a Europa.

Reportagem Público: http://www.publico.pt/Mundo/governo-elogia-forma-proporcional-como-a-policia-actuou-em-madrid-1564607

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11/09: AMÉRICA FERIDA

por Manuel Joaquim Sousa, em 11.09.12

Em poucos minutos o mundo mudou. Passados 11 anos muitos acontecimentos são consequência desses minutos, de uma manhã, de 11 de Setembro, de 2001. Morreram 2753 pessoas de todo o mundo, na sua maioria americanos, que trabalhavam no World Trade Center - as míticas Torres Gémeas, símbolo do poder americano. Muitas vítimas continuam por identificar, guardados numa tenda perto do Ground Zero, alguns impossíveis de identificar porque estão completamente queimados.

Durante horas o mundo ficou em suspenso com os sucessivos acontecimentos - que rapidamente chegaram aos quatro cantos do mundo. Em directo acompanhamos o desenrolar de grande parte dos acontecimentos. Primeiro, o embate na Torre Norte; depois um novo embate na torre sul; de seguida um avião que se despenhou contra o Pentágono; entretanto a torre sul cai e um outro avião cai na Pensilvânia; por fim o colapso da Torre Norte. Uma sequência de acontecimentos que horrorizaram o mundo e sobre os quais não existia qualquer ideia de pararem e não dava para perceber o que estava realmente a acontecer.


No suspenso do horror de um acontecimento macabro e inigualável no mundo globalizado, uma parte do mundo islâmico e radical regozijava-se com o sucesso de uma operação preparada com o mínimo detalhe. A América ficou ferida. O coração financeiro (WTC), militar (Pentágono) foram atingidos, apenas o coração político não foi porque o avião terá caído antes de chegar ao destino.

Uma ferida exposta que tentou envergonhar o orgulho e a superioridade americana face ao mundo, sobretudo face ao mundo islâmico radical, que sempre se sentiu ferido e vitimizado com a política militar americana e as suas ofensivas pelo mundo. Mas, o mundo também ficou ferido com o 11 de Setembro - não apenas porque morreram pessoas de cerca de 90 países, mas porque se consciencializaram que estamos muito vulneráveis a diversas ameaças vindas de onde menos se esperam. Bali, Madrid ou Londres são os melhores exemplos.

Em poucos minutos o mundo mudou e em poucos minutos a liberdade cultural e religiosa passou a ser vista de forma desconfiada, com reservas e mesmo rejeitada por muita gente. É certo que muitos americanos pagaram com a vida um ódio que não tinham e, por isso, não mereciam o que lhes aconteceu. Também é verdade que o mundo muçulmano passou a ser observado como fanático, radical, quando a maioria não se regozija com o que aconteceu e não pactua com a escalda de violência. De boas intenções está o inferno cheio e a violência é um acto que procura limpar e vingar as vítimas de ambos os lados da barricada. Por isso, o orgulho americano não se baixou e as intervenções militares no Afeganistão e no Iraque são a prova de que nenhuma das partes está disposta a resignar-se em nome da paz.

De nada valem as teoria da conspiração inventadas pelos anti-americanos, que reconhecem os americanos como os responsáveis e criadores dos atentados ou que nenhum avião caiu sobre o Pentágono porque nenhum país, muito menos os EUA, está disposto a ferir o seu próprio orgulho. Os EUA poderão ser responsáveis pelos atentados do ponto de vista das suas atitudes, posições e intervenções militares ao longo da História, que alimentaram ódios e explodiram de uma forma inteligente.


Depois do 11 de Setembro o mundo tornou-se diferente, as pessoas passaram a ter atitudes e comportamentos diferentes para evitar um perigo eminente, que não se sabe onde está, mas que realmente existe em qualquer parte do mundo. Os simples hábitos diários passaram a ser controlados de forma mais rigorosa em nome da segurança nacional e a privacidade deixou de ser um bem próprio, mas um bem público, para a detecção de qualquer suspeita. Porém, enquanto uns fazem o controlo apertado nos aeroportos, nas telecomunicações, na Internet, etc, outros procuram as falhas do sistema de segurança para lançar novas ameaças e espalharem novamente o terror. A guerra contra o terrorismo parece ser um guerra bem pior que os conflitos convencionais e que marcaram a História da Humanidade, em que se sabe quando começou e se sabe quando terminou ou quando o fim poderá ocorrer. Esta é uma guerra que não se conhece o fim. Não é uma guerra de Estados, mas de culturas e essas são sempre as piores e que se travam no dia-a-dia, de cada vez que se cruzam. Enquanto todos os diferentes Homens não foram capazes de darem as mãos, haverá sempre alguém, um que seja, a incitar à violência, à guerra que não é santa, mas infernal. Quando isso acontece a Humanidade entra no ponto de regressão da sua evolução para uma sociedade perfeita e para um mundo perfeito. Os inocentes são sempre os que mais sofrem como em qualquer guerra.

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(Hoje tenho andado com a cabeça na lua - culpa dos jornais e de uma amiga.)

Neil Armstrong faleceu ao 82 anos, devido a várias complicações resultantes de intervenções cirúrgicas, para resolver problemas de bloqueios nas artérias coronárias. Morreu assim o primeiro homem a pisar a Lua, integrado com mais três astronautas na missão Apollo 11. Estávamos a 20 de Julho de 1969.


No momento em que Armstrong desceu da Apollo 11 e pisou a Lua disse: «Um pequeno passo para o Homem, um salto gigante para a Humanidade». No planeta Terra, no tempo em que as emissões eram a preto e branco e com qualidade de imagem muito aquém da qualidade, milhões de pessoas ficaram acordadas a acompanhar a emissão especial. Também o Portugal dos tempos da ditadura teve a oportunidade de ver esta maravilha do século através da RTP.

 

Tempos passaram e os nossos pais e avós viveram encantados neste acontecimento (bem, acho que os avós não ficaram convencidos ou não gostaram porque estão sempre a dizer que: desde que o homem foi à Lua e andaram a meter as coisas lá para cima, o tempo nunca mais ficou direito!) e ainda hoje se lembram, com saudade, de quando estiveram frente à televisão do café (porque em casa poucos tinham) colados na emissão. Porém, as gerações mais jovens parecem não estar convencidas e: há quem acredite que tudo não passou de uma invenção.

O homem na lua. Verdade ou ficção?
Eu fico um bocado baralhado com as histórias que se contam e com os argumentos de cada uma das partes. Mas, será que tudo não foi mais que uma invenção teatral?

Digamos que no tempo da Guerra Fria tudo poderia ser possível para que os EUA - Capitalista - e a URSS - Socialista - estivessem um passo à frente do desenvolvimento tecnológico espacial – digamos que uma luta pelo domínio do global, que inicia com a Laica enviada pelos Comunistas.

Teóricos acreditam que aquela imagem da pegada de Armstrong era nada mais que a sua pegada na zona 51, em Las Vegas; assim como, se pensa que tudo terá sido criado num estúdio de televisão com um fundo negro e com ausência de estrelas (ou que brilhavam pouco para um local sem atmosfera); estranho que existam sombras do homem e da bandeira projetadas para lados opostos, por origens de luz de diferentes pontos (mas na lua a única luz seria do sol); mais estranho ver uma bandeira a esvoaçar quando na Lua não há vento; também se pensa que a forma de andar pela superfície lunar não era a correta – era semelhante ao andar na superfície da Terra; além de que, com uns fatos volumosos e com luvas seria muito difícil tirar fotografias como aquelas que nos chegam; impossível que as fotografias, através dos filmes, tenham chegado sem qualquer defeito (impossível por causa da exposição a radiações); estranho, dizem, é o facto da nave ter aterrado sem que tenha aberto qualquer cratera com a pressão dos foguetes usados para a alunagem.
Será que tudo isto é credível? Há quem explique que tudo seria um cenário real na Lua e de que as lacunas têm uma explicação cientifica por testes efetuados na Terra e com a mais alta tecnologia.

Se o domínio do global e difícil era o que Kennedy tanto queria atingir com este projeto, o que trouxe ele de novo para a Humanidade nos anos que se sucederam? Qual a razão para hoje a Lua deixar de ser atrativa em relação a 1969? Porque na realidade nunca aconteceu?

Se na realidade a NASA e os EUA esconderam este embuste, como foi possível, quando neste projeto trabalharam mais de 400 mil pessoas?

 

Será mesmo verdade que os astronautas não embarcaram na Apollo, tendo subido por um lado e descido por outro?


Será que os meios existentes na altura eram suficientes e seguros para a expedição espacial, sendo expostos a radiações extremas e às explosões solares? Acredita-se que não.

Seria possível inventar e construir todas as amostras de rochas, que hoje são objeto de análise e com provas de que não são da superfície terrestre?

Tendo a URSS equipamentos para escutar as missões da Apollo 11, ficariam calados se tudo isto se tratasse de um embuste, em vez de reconhecerem publicamente que os EUA conseguiram realmente estar na vanguarda do avanço espacial?

Acordar as pessoas que acompanharam com atenção a emissão espacial à lua com tais teorias de conspiração é provocar a revolta de uma noite que poderia ser bem dormida. Mas, a emoção que as pessoas conservam do momento e guardam da memória jamais vai acabar com a realização do sonho do Homem em querer conhecer e estudar um mundo fora de portas.

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CURIOSITY JÁ EXPERIMENTOU A SUA MÁQUINA FOTOGRÁFICA

por Manuel Joaquim Sousa, em 08.08.12

O sucesso da missão de Curiosity após as notícias da sua aterragem (com alguns percalços) está a suscitar um grande interesse na comunidade científica e no público em geral, que decidiu acompanhar cada um dos passos da missão. Faltará saber se este mediatismo será “sol de pouca dura” ou se, pelo contrário, teremos revelações surpreendentes em relação ao que conhecíamos deste planeta.


O novo empregado, o Curiosity, já se encontra a trabalhar (estreia em grande) na sua investigação sobre o que se está a passar em Marte – a sua missão. Sabemos hoje que na sua bagagem seguia uma câmara - Mars Hand Lens Imager – para registar tudo o que poderá ser importante para o Governo e para a comunidade científica. Para já, chegaram algumas imagens teste da companhia do nosso espião espacial. São imagens ainda difusas porque o objeto ainda se encontra embrulhado numa película que a protege das poeiras – como qualquer um de nós que compra algo de novo e vem religiosamente embalado. Dessas imagens sabemos que se tratam de paisagens paradisíacas de Marte  - um paraíso avermelhado segundo se  vê – sem água porque essa ainda não foi encontrada.

Um dos objetivos da missão será encontrar os possíveis reservatórios de água (nos EUA acredita-se que existam) utilizados para garantir o consumo no dia-a-dia dos habitantes. Segundo algumas informações, em Marte está a atravessar um período de seca extrema, mas que é colmatada com o orvalho noturno – recolhido para os reservatórios que possam existir.

As imagens mais nítidas chegarão dentro em breve, quando o plástico for removido e quando o Curiosity tiver alguma prática fotográfica.

Para já, ainda não foi registada qualquer presença de Marcianos no local de aterragem – talvez porque a mesma tenha acontecido num deserto. Apenas foi possível avistar um cartaz espetado em terra firme com a expressão: “Vai estudar ó Relvas” – acredita-se que a polémica desencadeada pela licenciatura do ministro português tenha ultrapassado as fronteiras da Terra e se tenha espalhado por todo o sistema solar.

Ainda estamos a obter mais pormenores sobre os primeiros dias de expedição – saber quais os hábitos alimentares da região. Segundo fontes do blogue, esta também é uma das áreas de investigação do Curiosity.

Aguardemos.

(Trata-se de um texto ficcional e satírico. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência). 

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