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O RISCO DE FICARMOS CEGOS

por Manuel Joaquim Sousa, em 25.01.17

A velocidade com que podemos publicar algo na Internet é fantástico. Partilhar, com todos, o que nos vai na veia ou na alma permite uma sensação de ser capaz de chegar ao grande público. Permite sentir que a voz é ouvida e que pode chegar a cada vez mais longe. Se alguém liga ao que escrevo ou escrevem isso é outra coisa diferente. O perigo da Internet e das redes sociais está na capacidade de se chegar a uma  fonte inesgotável de informação, infinita, que nos torna incapazes de processar tudo. Resultado: a tendência de ler fragmentos, contextos incorretos, apenas umas linhas de um todo, falta de tempo para pensar de forma pausada aquilo que se lê, tendência para a crítica fácil no calor do momento. Não sei até que ponto estes e outros perigos, que por aqui continuaria a enumerar, poderão levar o Homem ao colapso. Poderemos chegar a extremos pouco saudáveis nas relações sociais. Com necessidade de partilhas se informação, nem sempre se verificam fontes, a ponto de mentiras se tornarem verdades - verdade depende do elevado número de partilhas. É bom parar mais vezes para pensar no caminho que estamos a seguir.

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SER BURLÃO E TER ESTATUTO

por Manuel Joaquim Sousa, em 28.12.12

Artur Batista da Silva tem sido badalado, nos últimos dias, nas notícias por más razões – enganou jornalistas, congressistas, público e muitas outras pessoas. Enganou pela sua posição social e profissional com um currículo que tem tanto de esplêndido e rico como de falso. Porém, apesar de todas as críticas que lhe foram feitas por aqueles que o acolheram e ouviram a sua opinião, ainda se tenta defender com mensagens e notas de imprensa dizendo pertencer à ONU como voluntário e, por essa razão, não aparecer nos registos ou ficheiros da instituição – estranho será pensar que uma instituição destas não tenha registo dos seus especialistas, consultores ou sei lá o quê. É inaceitável que o próprio queira alimentar uma polémica que o deixou ascender e que lhe provocou uma grande queda.
Sabemos bem que o linchamento a que está sujeito foi por ter abanado de forma corrupta o casulo da comunicação social que lincha e pica até à morte quando se sente ferida – um poder duro e que impõe mais respeito que qualquer outro poder.

Como pode alguém de um momento para o outro surgir com um currículo excecional, capaz de enganar qualquer um, sem que se tenha feito qualquer pesquisa sobre origens, trabalho, percurso? Artur Batista da Silva tem uma inteligência e uma boa capacidade de engodo da sociedade, que chega a esconder um passado em que foi condenado por dois atropelamentos e por abuso de confiança fiscal.

Ser burlão permitiu ter um estatuto que de outra forma não teria, só assim foi mediático com as suas posições e opiniões técnicas sobre o estado da economia nacional. Tornou-se numa personagem credível com todos os dados que apresentou e de forma sustentada. De que valem agora as suas posições? Mesmo que os estudos sejam verdadeiros, de que valem as suas opiniões? Tornaram-se marginais, inconsequentes e meras opiniões de um cidadão.
Culpa de quem? Quando para se ter protagonismo e credibilidade implica ter currículo rico, mesmo que a posição/opinião defendida seja a mesma que um cidadão anónimo com uma escolaridade mínima - de que vale a minha opinião de cidadão, mesmo que me baseie em estudos e perceba dos assuntos?

Em Portugal, ser burlão pode ser caminho para o estatuto e isso replica-se também à classe política, que adquire estatuto quando o povo é burlado com promessas que não são concretizáveis.

Henrique Monteiro, no semanário Expresso, falava do lixo que muitas vezes nos chega pela Internet, de muita informação que é falsa e contraditória porque carece de validação de fontes e porque os meios pela qual nos é entregue não tem credibilidade e fiabilidade, para que seja validada como oficial. Porém, uma semana após esta opinião, somos confrontados com o dilema da credibilidade da dita informação oficial e de fonte segura, que permitiu a burla de Artur Batista da Silva e lhe deu estatuto que este desejava - todos estamos sujeitos ao erro e ao falso julgamento e as fontes de informação seguras ou inseguras são permeáveis a que estas situações aconteçam. Ninguém pode falar de total segurança quando pode deixar brechas.

Público: http://www.publico.pt/sociedade/noticia/artur-baptista-da-silva-mantem-que-e-colaborador-voluntario-da-onu-1578740

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