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Por: Manuel de Sousa
manuelsous@vodafone.pt

O Presidente chinês, Hu Jintao, encontra-se de visita oficial aos EUA, uma visita com o objectivo de reforço dos laços para uma parceria económica mais reforçada. Afinal, para Barack Obama, estas duas potências consideram-se mais prósperas e seguras se trabalharem juntas. Pelos dados conhecidos, as exportações dos EUA para a China cresceram em 2010 na ordem dos 31,7%. Razões de sobra para que Hu Jintao seja recebido nestes dias com pompa e circunstância na Casa Branca, pois é de países assim que a América precisa para projectar a sua economia e evitar a crise.


A par da agenda económica, Obama também  falou publicamente em relação aos direitos humanos “A História prova que as sociedades são mais harmoniosas, os países mais bem sucedidos e o mundo mais justo se forem respeitados os deveres e responsabilidades das pessoas e das nações , incluindo os direitos universais de cada ser humano”. Estas palavras certamente que seriam, destinadas ao Presidente Chinês, o líder de um regime muito contestado, onde são conhecidas as faltas de liberdade do povo e onde os seus direitos universais não são defendidos. Algo que o Presidente Hu Jintao não deve estar disposto a negociar e a mudar no seu regime autoritário. Prova disso foi a proibição da transmissão, pela televisão chinesa, de imagens das manifestações às portas da Casa Branca a pedir a libertação do Prémio Nobel da Paz Liu Xiaobo pelo regime chinês e a independência do Tibete. Não se entende que mesmo assim o Presidente Chinês, numa declaração, afirme que o regime se esforçará para promover a democracia e o melhoramento da qualidade de vida do povo Chinês. Como é possível que mesmo assim a comunidade internacional se mantenha serena perante a diferença do que é dito e do que realmente acontece, mesmo no momento em que estas palavras são proferidas?


Não é da responsabilidade dos Estados do mundo a resolução do problema interno que é o regime chinês porque os regimes dificilmente se poderão tornar num modelo perfeito e que tem que ser imposto. Porém, é da responsabilidade dos Estados todas e quaisquer negociações e tratados económicos que se celebram com outros países e que, de alguma forma, possam contribuir para a manutenção e exploração desses regimes e o aumento da precariedade da vida das pessoas submetidas a leis autoritárias.


Não podem os restantes líderes do mundo como Obama acreditar que as suas ideias e pensamentos de paz e liberdade possam ser aceites, se continuar a negociar e com isso aumentar o poder do regime e a ideia de necessidade desse regime como único modelo viável para o Estado Chinês. É claro que não se deve partir para uma guerra de derrube do poder, mas para negociações pacíficas de forma a provocar a abertura do regime e a permissão da liberdade individual. Contudo, essas negociações devem ter o cuidado de se ter presente que estão a “negociar com o diabo”, dando-lhe poder suficiente para se tornar ainda mais temível aos olhos das restantes nações e com isso aumentar o poder numa economia cada vez mais global com os prejuízos que isso acarreta.

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