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50 ANOS DE MEMÓRIAS DO ULTRAMAR

por Manuel Joaquim Sousa, em 31.01.11

Por: Manuel de Sousa
manuelsous@sapo.pt

50 anos é muito para uma geração, mas não é nada para a História de um país com oito séculos de história. Séculos esses recheados de bravuras e desastres, glórias e derrotas, paz e guerra. De guerra foram construídos muitos países, que conquistaram e cresceram, que perderam seus territórios e se resignaram à sua condição. A cada guerra ganha ou perdida, os países constroem uma história sangrenta, que não é a mais bonita das histórias que se podem contar, nem o melhor legado que se pode deixar às gerações futuras.
Portugal foi dos países que também contribuiu para a mudança do mundo, que deixou boas marcas, mas também deixou as piores marcas ao tentar defender o que na realidade já estava condenado a não ser seu. Iniciamos as descobertas, demos novos mundos ao mundo, partimos para o desconhecido, descobrimos novas terras, exploramos riquezas, fomos pioneiros na globalização, ainda no século XV. Porém, anos e séculos passaram e a organização do mundo condicionou a deixarmos as terras que outrora eram Portugal, as terras de Ultramar que reclamavam a sua independência para seguir seu rumo, embora o país ainda continuasse refém de um império que aos poucos passou de realidade a utopia. Com este anseio de manter as suas colónias do Ultramar e entregues à ditadura de Salazar, iniciamos a Guerra nas Colónias, a Guerra do Ultramar, para defender aquilo que o futuro e a revolução de Abril mais afirmaram, a independência das terras de África. Mas, até que tudo estivesse perdido, muitos jovens portugueses partiram para a guerra, para lutar pela pátria; muitos jovens partiram e não voltaram deixando o país pobre de jovens que o poderiam desenvolver, deixando o país entregue a um fado negro da traição da Guerra; deixando um país pobre e subdesenvolvido porque era mais importante a guerra que combater o atraso e a miséria.
Passaram-se quase 50 anos do início da Guerra Colonial. Em Fevereiro próximo, comemoramos essa data. Não é data que deva ser esquecida, mas relembrada. Não é uma boa data, com certeza, mas que não pode ser esquecida em memória dos que lutaram por um ideal patriota, ainda que errado, mas ao qual eram obrigados a cumprir. Em memória dos que ficaram e não mais voltaram ou dos que voltaram em caixas de tábua, em nome dos que ainda viveram e vivem num país livre, temos de lembrar esses tempos e preservar a memória, temos de mostrar o nosso respeito, pela sua dignidade, já que, fico com a sensação de que Portugal não trata com dignidade os soldados que lutaram e que enfrentam o triste fado de para o resto de suas vidas conservarem na memória as coisas mais negras e mais duras como a guerra e o desafio permanente com a morte no meio do mato.
Para os mais novos como eu, que não viveram esse tempo, nem a revolução de Abril, seria bom que nos contassem as histórias para com elas aprendermos a saber dar valor aos tempos de paz e de liberdade.
50 anos é pouco para a história de um país,  por isso, as feridas de guerra ainda estão expostas e não sabemos como cura-las, se é que têm cura ou se a cura apenas acontecerá quando passarem gerações e não existam mais homens e mulheres para testemunharem o que viveram em tempos de guerra e ditadura. Enquanto isso não acontece, que se contem as suas histórias e se guardem porque fazem parte da memória colectiva do povo português.


 


 


 

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